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Cristina Padiglione


CQC arruma mais um processo, agora da Câmara do Recife

        “Boa nova: vereadores de Recife foram ao trabalho. Má noticia: pra processar o CQC”

A frase acima, tweet de Marcelo Tas, via  @flaviobonfim, remete ao link  http://bit.ly/IC6483 , matéria assinada por Juliane Menezes no Jornal do Commercio, do Recife, atestando o seguinte: “Irritados com a matéria que foi ao ar na última segunda-feira no programa CQC, da Bandeirantes, sobre o reajuste salarial de 62% aprovado pela mesa diretora da Câmara Municipal no fim do ano passado, alguns vereadores pretendem entrar com uma ação na Justiça contra a produção do programa”.

Alegam, segundo a repórter, que o CQC “usou a imagem do poder de forma negativa, incitando a população a escorraçar os vereadores”. O pensamento é endossado pelos vereadores Erivaldo da Silva (PTC) e Marcos di Bria (PTC). O vereador Inácio Neto (PSB) afirmou ao jornal que o CQC não soma à democracia, pois ridiculariza o poder.



Rafinha Bastos é assunto vetado para CQCs

O próprio Rafinha Bastos, compulsivo tuiteiro, com 3 milhões de seguidores, postou zero, nenhumazinha mensagem sobre sua suspensão da bancada do CQC, cogitada desde a Veja SP que espinafrou seu currículo, de alto a baixo, na edição publicada ontem. Tudo o que ele conseguiu postar ontem foi um link com “matérias falando bem de mim”. Má reação.

Marcelo Tas, Marco Luque, Danilo Gentili, Rafael Cortez, Monica Iozzi, Oscar Filho, Felipe Andreolli e mesmo o diretor do programa, Diego Barredo, não estão se manifestando sobre o caso, a pedido da direção da Bandeirantes, e só da cúpula pode sair qualquer comunicado, quando for oficial.

O que motivou a suspensão de Bastos (que recentemente teve de dar satisfações ao Ministério Público por tentar fazer graça com estupro) foi uma tentativa de piada, frase inconveniente, proferida por ele na última edição. Quando Marcelo Tas mencionou que a cantora Wanessa Camargo estava uma gracinha grávida, Bastos replicou: “Eu comeria ela e o bebê”.

Gentili, há poucos minutos, ao tomar conhecimento de que Bastos estará fora da bancada pelas próximas semanas, não se conteve e postou a seguinte frase no Twitter: “Sempre enxerguei algo mais significativo sendo construído por um comediante linchado por falar merda do q por um queridinho por puxar sacos.”

É um evidente apoio ao colega.

Ao contrário de Marco Luque. Antes que a direção da Band pedisse aos CQCs que evitassem dar declarações públicas sobre o caso, Luque postou na internet seu repúdio à frase de Bastos. Luque é amigo pessoal do marido de Wanessa, Marcus Buaiz, sócio de Ronaldo Fenômeno, e foi aliás dessa relação que nasceram as negociações para a ida de Ronaldo ao estúdio do CQC, na abertura da temporada deste ano.

Bem hoje, dia em que a direção da Band resolve tirar Bastos de cena, a revista The Observer, do Guardian, publicou uma matéria sobre o sucesso do stand up no Brasil, puxando a brasa para Danilo Gentili. Salvo o fato de a reportagem atribuir o humor de Gentili e cia. (citando inclusive o próprio Bastos) a uma resistência às elites (oi? é para rir?), é saudável notar que o movimento esteja mexendo com o cenário cultural local, com ecos em um reino tão e tão distante.

E só para constar, um adendo aquipublicado às 17h30 desta segunda-feira, dia 3: Mônica Iozzi substitui Bastos na bancada do programa, hoje. A ver como a troca será explicada à plateia.



Danilo Gentili irrita Renan e quase é expulso do Senado

Janete Longo/AE

O repórter do CQC Danilo Gentili chegou a ser expulso das dependências do Senado, mas acabou voltando pouco depois, dada a autorização que a equipe da Band tem para lá gravar.

O próprio Gentili me relata o episódio:

“Temos autorizaçao pra gravar no Senado, mas após eu pegar elevador com Renan Calheiros e perguntar ‘Ter você como membro do Conselho de Ética é o mesmo que ter Fernandinho Beira Mar no ministério antidrogas’, ele esbravejou, gritou que eu devo respeito e não tenho respeito algum e após isso a polícia nos impediu de continuar gravando no Senado.”

(Texto atualizado às 20h14, quando se soube que a equipe de fato pode voltar a gravar no Senado)



“Proteste Já” de Barueri foi melhor que a encomenda

O “CQC” exibiu agora há pouco o resultado, melhorado, eu diria, do “Proteste Já” que iria ao ar na semana passada, quando uma juíza, atendendo à vontade do prefeito de Barueri, Rubens Furlan,  'vetou a exibição do material pelo programa da Bandeirantes.

Furlan, que desistiu da ação na terça-feira, dia seguinte àquele “CQC”, não só desistiu da ação, como recebeu Danilo Gentili em sua sala e desfilou toda a sua elegância. Para o programa, um prêmio: chamou os integrantes da atração de “babacas” o tempo todo, referiu-se várias vezes àquele “careca babaca”, citando Marcelo Tas, disse que lutou pela democracia para que programas como esse pudessem falar as “besteiras” que quisesse, e por aí foi o discurso de alguém visivelmente sem argumentos para o ato da semana anterior.

Gentili manteve-se impassível no seu cinismo, abrindo espaço para toda a agressividade do interlocutor.

Foi o melhor material que o programa já mostrou em 2 anos e uma semana de vida.

A propósito, convém corrigir uma série de informações sobre o post que eu havia escrito na semana passada: Rafinha Bastos e Gentili fizeram a matéria juntos. Foi Rafinha, e não Gentili, quem abordou a funcionária (e não diretora) da escola na porta de sua casa, pronta para levar o televisor para a escola após receber um telefonema de alguém que a avisa sobre a presença do outro CQC, Gentili, que àquela altura estava a caminho da escola, para checar as condições do televisor doado.

Em nenhum momento a Secretaria de Educação questiona se a documentação preenchida pelo doador (que não se sabia ser o CQC até então) estava adequada para procedimentos de doação. Esta alegação tinha surgido aqui neste blog entre os comentários do post sobre o caso.

Rafinha e Gentili estavam perfeitos, sob medida, nem mais nem menos.
Em suma: foi muito muito muito bom. Sinal de que Santa Clara, a padroeira da TV semanalmente evocada por aquela bancada, tem zelando pelos “babacas” que despertaram o espírito democrático do prefeito Furlan.



Prefeito de Barueri abre mão da liminar e libera matéria

Sim, ao perceber que a repercussão do veto gerou repercussão ainda pior do que o caso em si, o prefeito de Barueri, Sr. Furlan, resolveu abrir mão da liminar conquistada anteontem na Justiça para proibir a exibição do “Porteste Já” pelo “CQC”.

Assim, na edição do programa da próxima segunda-feira, é esperada a exibição do caso do televisor que, doado a uma escola, foi parar na casa de uma funcionária da instituição e depois, com a farsa descoberta, devolvido à Bandeirantes.



Censurado, CQC promete pegar no pé do prefeito de Barueri

O “CQC” estreou há pouco, em boa forma, sua terceira temporada no Brasil, via Bandeirantes. A liminar conseguida pela prefeitura de Barueri para impedir a exibição do quadro “Proteste Já” só reforçou a curiosidade da audiência. O quadro já estava editado e ocuparia 25 minutos do programa.

E o que incomodou tanto a prefeitura de Barueri? A história é a seguinte: no ano passado, o programa doou um televisor bacana a uma escola municipal. O aparelho continha um GPS embutido. Bingo: o localizador em questão acusou que o televisor tinha ido parar em uma residência, e não na escola. De quem era a casa? Da diretora da instituição. Está feito o caso. No “Proteste Já” de agora, a cena mostraria o resgate da doação. Mas, quando o televisor foi retirado da casa da diretora, um alarme ali instalado disparou prontamente. Fez-se o vexame, tudo filmado por Danilo Gentili, que de plantão, diante da residência, aguardava pela anunciada retirada do televisor daquele endereço, para ser reconduzido à sede da Bandeirantes.

Marcelo Tas prometeu que o quadro irá ao ar, “Custe o Que Custar”, honrando a sigla do programa. E a prefeitura de Barueri há de ser citada como censora durante o ano todo. A Band, relatou o âncora durante a atração, está se mexendo judicialmente para permitir a exibição da matéria. A alegação da juíza que acatou o pedido da prefeitura de Barueri é que a diretora não teve chance de se defender, de dar a sua versão, o que o “CQC” nega.

De fato, é praxe do “Proteste Já” procurar o outro lado. Sempre foi. Nem sempre os argumentos se sustentam. Nem sempre os procurados se pronunciam. Mas, justiça se faça, sempre que vi o “Proteste Já”, vi espaço aberto para defesa dos acusados.

A ver.

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