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Cristina Padiglione


SBT brinca de Escravos de Jó: a partir do dia 29

Em tese, a receita que o SBT passa a seguir na segunda-feira, dia 29, é a mesma da Band no início de noite: das 18h às 19h30, jornal popular, com participação de todas as praças do País e predomínio de São Paulo e Rio, desde que o crime, e não me entenda mal, compense a audiência nos referidos lugares. Dessa fatia, a última meia hora ficará reservada a noticiário local, sem perder a linha popular.
A seguir, jornal dito sério, com abrangência de política e econômica, por Carlos Nascimento.

Na Band, o pop começa com Datena e vai parar nos braços de Ricardo Boechat ali pelas 19h15.

Mas e o Ratinho, hoje dono da faixa das 18h? Não, ele não vai apresentar o novo jornal. Muda para a faixa das 21h15 com a liberdade de falar o que o horário das 6 lhe restringe. Diz que seguirá mais aquela linha ‘showman’ de auditório, ainda que os famigerados testes de DNA do passado não estejam previstos na pauta do novo programa.



Plateia de coliseu em dias de Nardoni

Diante da turba furiosa plantada em frente ao fórum de Santana em torcida permanente pela condenação do casal Nardoni, gente que até fogos de artifício levou para “comemorar” o “jogo” da ocasião, foi de Carlos Nascimento a frase mais sensata. Falo aqui de caso pensado como telespectadora, bem entendido, que não tenho disposição para compor plateia ávida por show de gladiadores.

Fez bem, o Nascimento, ao lembrar, lá de sua bancada na Anhanguera do SBT, ao vivo, vendo aquelas imagens de gente pulando, cantando, chutando carro de condenado e tocando o terror com buzinaço, que, convenhamos, não havia motivo para festa. Podia-se evidentemente comemorar a sensação de que justiça foi feita, mas, disse o jornalista, uma criança foi assassinada e uma família foi desfeita, sem que haja nisso qualquer razão para festa.
Amém, alguém faz um comentário de bom senso nesse circo.

Na Globo, sem réus e advogado dando entrevistas, um repórter entrevistava o outro na frente do fórum. José Roberto Burnier fazia perguntas a César Galvão e depois a César Tralli, compondo a cena com um Globocop que seguia o comboio policial montado para carregar Alexandre e Ana Jatobá de volta ao presídio de Tremembé. O repórter narrou que os carros já estavam na Dutra e garantiu a Christiane Pelajo que “nós vamos continuar acompanhando” a cena. Epa, nós quem, cara pálida? Que diacho, pensei, qual a razão dessa escolta aérea? Será que Ana Jatobá e/ou Alexandre Nardoni vão dar um ‘tchauzinho’ para o Globocop?

Quando a comoção popular se comporta como plateia de inquisidores, a mídia (e especialmente a TV, dona de vocação para o espetáculo que é) pode até dar uma patinada aqui e ali. Mas, diante daquela torcida de anônimos que se tornou amiga póstuma, e íntima, da pequena Isabella, desconfio que o papel da TV foi muito mais o de refletir a histeria pública do que de atiçar sua bílis.

Agora, que o caso fez a audiência latejar esta semana, isso fez. E, nesse contexto, as lentes nunca se esquivam de tirar sua lasquinha.

Vá de retro, linchamento público.

agora no estadão