Assim é que se faz. Debate é peça que nem sempre muda voto, mas evidentemente é notícia e tem mais importância no contexto eleitoral do que a mera agenda de candidatos, como tem sido praxe nos telejornais diários.
A Band repercutiu o encontro de ontem no SBT de uma forma que a Globo, em tese a mais segura de todas as redes de TV, e daí sem razão para temer que maiores menções à concorrência possam abalar sua soberania, não se permite fazer.
No ‘Jornal da Band’, o debate do SBT mereceu matéria e análise. No ‘Jornal Nacional’, foi apenas citado “um debate no SBT”.
Medida em São Paulo, onde Geraldo Alckmin teve maioria dos votos no primeiro turno e onde as pesquisas de intenção de voto lhe dão, também neste momento, vantagem sobre Lula, a audiência preliminar do debate do SBT obteve 11 pontos de média de audiência.
É o dobro do que a emissora vem alcançando no horário, mas está aquém da soma feita pela Bandeirantes (16 pontos na audiência consolidada) durante o encontro entre os dois candidatos no último dia 8. Cada ponto equivale a 54,4 mil domicílios na região.
A expectativa da platéia paulistana baixou?
Não necessariamente. Há de se considerar a tradição da Bandeirantes no ramo e, na contramão, a distância que o SBT tomou desse tipo de programa. Fazia anos que a TV de Silvio Santos não se aventurava a realizar debate eleitoral.
De mais a mais, o debate da Band era o primeiríssimo encontro entre Lula e Alckmin, e provocava, como tal, expectativa muito maior.
A conferir a platéia da próxima segunda, quando o ringue se transfere para a Record. A Globo fecha o ciclo na sexta-feira.
Para não atrapalhar o debate da Record, agendado para segunda-feira à noite, a TV Cultura abrirá exceção ao candidato do PSDB e realizará o “Roda Viva” com Geraldo Alckmin no domingo.
Só falta definir o horário. Além de buscar um consenso com as emissoras que compõem a rede pública de televisão, a fim de que o debate seja transmitido em rede nacional, a emissora verifica qual seria o horário mais conveniente com base na concorrência.
Há quem vote por 22h30, na certeza de que o fim do “Fantástico”, pouco depois desse horário, incentive o zapping em larga escala.
O debate da Band, também realizado num domingo, começou às 8 da noite para evitar o duelo com o sono do telespectador. Mas seu ibope foi crescendo gradativamente, bloco a bloco. Isso contrariou as previsões de que o número de televisores ligados fosse caindo na mesma proporção em que os ponteiros do relógio avançassem, provocando assim uma queda de audiência para o programa. De fato, não foi o que se deu.
Ao entrevistar o candidato à reeleição agora há pouco no “Jornal da Record”, a jornalista Adriana Araújo fechou a conversa anunciando o debate entre ele e Geraldo Alckmin na próxima segunda-feira. E fechou com Lula no ar: “Presença confirmada, candidato?” E ele: “Presença confirmada”.
A conversa foi breve. Lula admitiu que superestimou seu potencial no primeiro turno e atribuiu a ida ao segundo turno à sua ausência nos debates televisivos. Não tocou no episódio dos aloprados espontaneamente, mas, em resposta à apresentadora, repetiu que tudo vem sendo devidamente investigado.
Amanhã tem debate no SBT. O da Record será segunda e o da Globo, na noite de sexta, último momento permitido a campanhas eleitorais.
É de impressionar a tensão que corre nas veias dessa novela da Globo, “Páginas da Vida”. Coisas do Manoel Carlos, dirão os Cassetas (“Mulheres Desesperadas” era uma boa paródia da trupe).
Agora não é diferente. Todo dia tem alguém a arrancar os cabelos, a estourar perfumes e/ou vidrinhos contra a parede, a gritar e a espernear nessas “Páginas”. Há pouco, Natália do Valle protagonizou mais uma seqüência do gênero.
Ainda bem que esses personagens não botaram em pauta a polarização política que se desenha fora das novelas, inclusive no Leblon da vida real, onde uma petista teve seu dedo decepado a dentadas por uma tucana em pleno bar Jobi, dois dias atrás.
Deus nos livre desse enredo.
Isto é Senor Abravanel.
De ontem para hoje, o patrão resolveu estrear no sábado, às 22h30, seu novo programa, “Bailando por Um Sonho”. Boa parte dos funcionários do SBT só tomou conhecimento do fato por meio das chamadas já gravadas para a programação.
O público haverá de achar que Silvio copiou Faustão, mas o SBT, invertendo a ordem tradicional das coisas, detém direitos legais sobre o formato e já guardava o tal “Bailando” na gaveta há um bom tempo.
De mais a mais, quando as cortinas se abrirem, não restará quem diga que isso não é puro Silvio Santos.
Senão vejamos.
1) Participam da cena, a globeleza Valéria Valenssa e o adorável Sidney Magal. No mais: Virginia Nowicki, Lucas Poleto (vencedor do “Ídolos”), Analice Nicolau, Luciana Vendramini, Alexandre Barilari e Patrícia Salvador, assistente de palco do patrão. No comando, Silvio Santos, claríssimo.
2) No Júri, coreógrafos como Jaime Arôxa e Ismael Guiser.
3) O formato prevê trios (e não duplas, como no Faustão), o que quer dizer que cada famoso dançará com um coreógrafo e, a seguir, com um “sonhador” anônimo. 4) Há “sonhadores” de toda sorte: gente que quer conhecer o Felipão e gente que quer dar uma casa para a mãe(saudade das “Portas da Esperança”?).
5) O prêmio a ser faturado pelo “famoso” vencedor, adivinha? Um relógio de ouro.
Mais Silvio Santos, impossível
A Bandeirantes é rede que se contenta, quando muito, com 5 ou 6 pontos na audiência coletada na Grande São Paulo.
Agora, animada com a audiência de 16 pontos obtida em São Paulo no debate entre Lula e Alckmin, resolveu estender à Paulicéia o encontro entre Sérgio Cabral e Denise Frossard, encerrado há pouco, rumo ao governo fluminense.
Não é prática comum transmitir duelo estadual em território alheio, mas aposta-se aí na vizinhança entre os dois estados e, claro, no interesse que o Rio de Janeiro terá no placar nacional do pleito presidencial.
Pelos dados do Ibope, a audiência média foi de 2 pontos em São Paulo, ou seja, 109 mil domicílios com TV.
Avaliar efeito de debate depois que as pesquisas estão anunciadas é como diagnosticar jogo de futebol com placar consumado ou, no caso da economia, como procurar causas para baixas e altas das Bolsas depois que o efeito já é conhecido.
Em todo caso, diante das pesquisas DataFolha, Ibope e Vox Populi da semana, em que Lula abre vantagem sobre Alckmin (e o único evento novo desse período foi efetivamente o debate da Bandeirantes, embora Tereza Cruvinel, na GloboNews, tenha tentado buscar outros elementos para explicar o novo placar), convém lembrar de uma edição especial que fizemos no Estadão antes do início da propaganda eleitoral na TV, ainda lá no primeiro turno.
Em entrevista ao suplemento “TV & Lazer”, em agosto, o diretor de jornalismo da TV Bandeirantes, Fernando Mitre, explicou-nos os motivos que tornam os debates de hoje aparentemente insossos, sem sal. Dizia já então que na era atual, um debate que vira espetáculo, com muita ironia e agressividade, pode até ser bom para a TV, mas nem sempre é bom para o candidato. O famoso embate entre Lula e Collor em 1989, poderia ter efeito contrário nos nossos dias, voltando-se contra o agressor nas urnas.
Mitre citou o caso de Antony Garotinho nas eleições presidenciais passadas. Garotinho deu show diante das câmeras, mas perdeu votos na seqüência.
O eleitor-telespectador hoje espera do candidato que lá se apresenta que ele dê alguma demonstração de sua postura como estadista. Faz parte do teste a que ele se submete diante das câmeras.
No debate da Band, Lula ficou boa parte do tempo na defensiva, o que rendeu comentários de que Alckmin havia se saído melhor em cena. Mas, como disse Tutty Vasquez, o candidato do PSDB parecia ter incorporado o caboclo da Heloísa Helena, e a surpresa com o tom acima pode ter garantido a boa audiência para a Bandeirantes (16 pontos no Ibope consolidado em São Paulo e 13 pontos em nível nacional, mais de 7 milhões de domicílios), mas pode também ter lhe provocado a baixa na conta das intenções de voto.
Sim, o SBT enfim entrou no páreo da vez. Que Silvio Santos não dispute bola com a Globo em Copa do Mundo sob a alegação de que o custo do gol é alto, vá lá, mas ausentar-se do campeonato que agora mais atrai interesse nacional, com dois âncoras excelentes à sua disposição, seria entregar o jogo por W.O.
O embate entre Lula e Alckmin no SBT está agendado para o dia 19 (quinta-feira próxima)e terá mediação de Ana Paula Padrão. Não haverá jornalistas convidados. Ao contrário dos demais, o debate do SBT colocará os dois sentadinhos, um à direita e outro à esquerda da jornalista, à mesa.
Parte do elenco de “Pé na Jaca”, próxima novela das 7, desembarcou hoje em Paris. O nome pode até não combinar com o cenário, mas vale a máxima da Globo de emprestar aos primeiros capítulos de seus folhetins um quê estrangeiro.
A história é de Carlos Lombardi, um mestre em diálogos, mas um rebelde na arte de alinhavar o fio condutor de uma história que se desenrola em mais de 100 capítulos. É que tudo pode acontecer numa novela de Lombardi após um mês de exibição: todo mundo pega todo mundo (no bom sentido, a depender do par, claro) e ninguém é de ninguém.
Para o árduo expediente na capital francesa, embarcaram Betty Lago, Marcos Pasquim, Drica Moraes e Fernanda Lima, entre outros. As locações incluem a Sacre Couer, a Torre Eiffel, um pouco do Senna e, nem que seja só de relance, um close no Arco do Triunfo. Tudo muito óbvio, mas (quase) indispensável.