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Cristina Padiglione

Ninguém passa impunemente por uma passarela da Victoria’s Secret.

Quem testemunha a cena é a top Ana Beatriz Barros, em depoimento a Amaury Jr. no programa desta sexta, pela RedeTV!

Um dos desfiles mais cobiçados do mundo pela categoria que desfila e por quem ocupa a primeira fila, a inveja permeia o ambiente, conta Ana.

“Se a sua asa é maior, se a roupa é mais bonita, se você faz a entrada ou encerra o desfile…”

“Você sente o clima pesado.”

Ana Beatriz Barros está entre as modelos mais bem pagas do mundo, fechou 2011 com US$ 3 milhões na conta bancária. Com 18 anos de carreira, não pensa em parar agora e, se o conto de fadas e a vida real ajudarem, o casamento com Karim El Chiaty sai em breve.

Londres é o Cep mais cotado para abrigar o futuro casal.

Sexta, meia-noite, na RedeTV!

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RENATO ROCHA MIRANDA/DIVULGAÇÃO

            Sim, sei que outra história já tomou conta do horário e que Carminha não mais está entre nós, uma pena.

Antes de partir para qualquer comentário sobre o que já está no ar, devo um texto a Adriana Esteves, que me comoveu profundamente até o fim, e principalmente no fim de sua Carmen Lúcia em Avenida Brasil.

Acompanhei os dias difíceis que ela, Adriana, atravessou nos idos de Renascer (1993), quando encarnou  Mariana, uma antagonista que não necessariamente seria uma vilã, mas que ficou a oscilar entre ser bacana ou vigarista, dúvida alimentada pelo texto de Benedito Ruy Barbosa. Adriana, que pouco tempo antes havia sido alçada pela imprensa ao posto de grande estrela da TV, não soube se defender do massacre de críticas que a levaram do céu ao inferno de um dia para o outro.

Ao fim de Renascer, recolheu-se. Encarou uma depressão feroz, para voltar vacinada contra oba-obas efêmeros dois anos depois.

Da coadjuvância de Top Model ao protagonismo de Carmen Lúcia, muitas mocinhas e algumas vilãs passaram por debaixo da pele dela. Foi Sandrinha, a culpada pela explosão do shopping, em Torre de Babel, foi Nazaré na primeira fase de Senhora do Destino, mas foi também heroína em A Indomada e cômica em Toma Lá Dá Cá.

Carminha, como revelou o diretor de núcleo Ricardo Waddington, pedia uma atriz com carisma de heroína. Alguém que arranca a cabeça da boneca da enteada no primeiro capítulo tinha de cativar o público por algum outro fator, e Adriana ganhou a plateia de cara, mesmo com (ou talvez por isso mesmo) aquela atrocidade.

Passamos a esperar por suas caretas, algumas sutis, outras propositalmente agressivas, do sorriso à ira, em fração de segundos. Passamos a esperar pelas frases geniais ditas igualmente de modo genial, e a conferir o contraste entre a sensualidade do corpitcho exposto ao amante e a castidade da falsa mãe de família, tudo ao mesmo tempo, num só espaço. Coisas que a televisão, em seu ritmo industrial de quem tem mais interesse em vender sabonete do que em fazer arte, mal nos oferece no dia a dia. 

Não é coisa de novela, a redenção de Carminha.

Todo dia, na vida real, testemunhamos a transformação de bandidos, prostitutas e até psicopatas em devotos de Deus. Ou de comunistas e socialistas, adeptos da absoluta distribuição de renda, em defensores da legitimidade do lucro sem limites, como gente que nasce anarquista e morre carlista. 

Ir de um extremo a outro é verossímil, por que não seria?

E Carmen Lúcia não se torna um anjo de candura. Após matar o companheiro e amigo de infância, vem o surto, já sob os “cuidados” do pai mentor-malévolo. Ainda não sabíamos, àquela altura, que Carminha tão resignada era aquela, sob as ordens do tal Santiago, mas já era uma Carminha invertida. Veremos a resignação, a confissão do crime, a mulher que se diz “exausta” de uma vida de mentiras, entregue ao lixão, mas não à docilidade, repare. Ela ainda sabe como debochar de Lucinda, da vingança e da sina com a enteada e agora nora, mas sabe se emocionar com a visita do filho e do neto. Como é precioso cada gesto dessa Carmen Lúcia do avesso.Como a edição soube respeitar as pausas entre ela e Nina/Débora Falabella, e em plena televisão, onde tempo é sempre dinheiro.

Uma feliz conjunção entre texto, atuação e direção nos brindaram com essa estupenda personagem. E eu já não sabia se chorava por ver o destino da ex-senhora Tufão ou por pensar na longa trajetória de uma super atriz que soube se reinventar e se tornar a gigante que nos brindou por oito meses. 

Amém, Adriana,mil vezes amém!

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Não, o diretor de núcleo Ricardo Waddington não vai esperar a sexta-feira para acabar de gravar os cinco desfechos escritos por João Emanuel Carneiro para revelar quem matou Max/Marcello Novaes na novela Avenida Brasil.  

Em conversa com esta colunista, o diretor de núcleo Ricardo Waddington disse que as cenas já vêm sendo realizadas desde onteme vão se estender em estúdio até amanhã.

“Se fosse externa, eu ficaria mais preocupado, porque externa tem mais gente. Tem motorista, tem o pessoal do buffet… Qualquer um pode passar por ali e tomar conhecimento de algum detalhe importante. Mas estúdio a gente controla melhor”, disse. Waddington sabe que tudo pode vazar na internet antes que a cena vá ao ar, mas pretende encurtar ao máximo esse intervalo, para frear o efeito de expansão da notícia.
As cenas envolvem todos os atores que estavam no lixão no dia da morte do personagem.

À colunista do jornal O Globo Patrícia Kogut, o autor João Emanuel Carneiro contou que o livro Assassinato no Expresso do Oriente, de Ágatha Christie, inspira o seu ‘quem matou?’ Naquelas páginas, várias pessoas dão uma facada no morto: “Todos os suspeitos terão um motivo. Mas só um terá dado o golpe fatal”, disse Carneiro a Kogut.

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A essa altura, o enigma “quem matou Max” (Marcello Novaes) é só aquela azeitona normalmente descartada da pizza. Tanto faz. A plateia se ocupa agora é da indignação, da incredulidade sobre o falso bonzinho Santiago (Juca de Oliveira). Afinal, onde esteve este monstro durante todos esses anos? Onde está a fortuna herdada da mulher assassinada? Por que Nilo (José de Abreu), sabendo que Lucinda (Vera Holtz) era inocente, jamais se pronunciou a respeito? Foi comprado? Quando? Como, se vivia mendigando trocados a Carminha (Adriana Esteves), Max e Nina (Débora Falabella)?

Brincar de detetive em novela é um exercício de entretenimento, eis a graça do negócio. Se a vida real já não preza muito pela coerência, embora calçada em alguma lógica, por que folhetim deveria ter resposta para tudo? Por que o público deveria estar a par de tudo? Já não lhe basta o privilégio de assistir e saber o que todo mundo pensa e omite sobre o outro?

Avenida Brasil se despede nesta sexta não com recordes extraordinários de audiência, ou nã com essa audiência linear mensurada pelo Ibope pelo televisor. Nesse aspecto, novela das 9 já teve muito mais público registrado pelo Ibope, mas isso foi em um tempo em que as redes sociais não estavam aqui para testemunhar até onde vai a ocupação da plateia com as questões levantadas pelo enredo. Da conversa na padaria e no escritório, o “debate” sobre mocinhos e vilões se estendeu a fóruns públicos, graças à expansão da web, multiplicando opiniões, pontos de vista, soluções e piadas em torno do script. Quem jamais pensou em convidar outros autores, atores, políticos e jornalistas para ver novela em casa, hoje divide o sofá até com o Nilo (José de Abreu), compulsivo tuiteiro, e sabe do que se ocupa o agora vereador Andrea Matarazzo quando zapeia das eleições para a mansão do Tufão. Estão todos juntos no plano virtual, o que torna essa audiência um fenômeno de recordes, sim, e de um repertório de que antes não se tinha conhecimento. Avenida Brasil levou para a tela a celebração de um subúrbio que nunca foi alvo de tamanho orgulho para a classe ascendente.

Diferentemente da classe C que já era C há algumas gerações, essa turma que pulou de um extrato para o outro não está deslumbrada com o castelo de Caras, não quer ver os filhos estudando na escola da classe AB dos bairros nobres, não quer apartamento na Vieira Souto ou plantado sobre o Shopping Cidade Jardim.

Salve o Divino!

Como na vida fora da tela, Avenida Brasil se permitiu abrir a cena para que todos falassem ao mesmo tempo, sem privar o espectador de compreender a conversa. Que negócio era aquele de jogral, onde cada um esperava sua vez para falar?

Salve dona Amora Mautner, diretora responsável por alcançar um resultado artesanal em um trabalho que demanda ritmo industrial. Com um elenco daqueles, seria mais cômodo fazer o feijão com arroz, cilada de que ela escapou com louvor. Vamos sentir saudade especialmente de Leleco, Carminha, Suellen, Roni, Diógenes, Tufão, Darkson, Silas, Zezé, Janaína, Monalisa, Cadinho, Olenka, Adauto, Muricy e até do Nilo e sua risadinha, um dos tantos cacos trazidos pelo elenco e incorporados ao texto. Veja a diferença que faz um autor disposto a abraçar sugestões dos atores no seu texto. Houve uma vez em que um outro autor, anos atrás, sentindo-se desrespeitado no posto de grande criador, matou o personagem só porque seu intérprete resolveu emprestar algum humor ao script.

Salve o João Emanuel, que não trata como mero discurso a máxima de que televisão é trabalho em equipe.

Vamos ao que interessa: Avenida Brasil fez a plateia pensar, instigou a imaginação, a criação, a contestação, a crítica, a leitura, sem apelar para o lugar comum dos merchandisings sociais. Não ofereceu comidinha mastigada e recados diretos, didatismo que subestima a plateia, a quem fez questão de contrariar, vez ou outra.

Daí porque ‘quem matou Max’, a essa altura, é o de menos. Isso será revelado em mais dois dias, e pelo menos seis desfechos serão gravados para prezar o suspense. Já o sucesso do Divino e da narrativa desta Avenida Brasil, amém, aí ficarão para  futuras e bem-vindas referências.

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MUNIR CHATACK/DIVULGAÇÃO

Joana Balaguer, Alice Assef, Simone Spoladore, Daniel Aguiar e Victor Fasano fazem pose no clube Monte Líbano, no Rio, onde a Record reuniu autores, diretores, elenco e convidados para brindar à estreia da novela Balacobaco.

O menu foi feito de comidinhas de boteco, como bolinho de feijão, nhoque de carne seca e pasteizinhos. No palco, showzinho do MC Marcio G., MC Marcinho e Buchecha.

Na foto em anexo, estão Munir Chatack/ Divulgação Record

 No Ibope, o folhetim até que não estreou mal para os padrões atuais. Conseguiu manter, o que já é um mérito para primeiro capítulo, a média de audiência das quintas-feiras anteriores, com 8 pontos, na faixa das 22h34 às 23h34.

Mas a Globo subiu 3 pontos nesta mesma fatia, alimentada pela derrocada de Carminha/Adriana Esteves em Avenida Brasil - no capítulo de ontem, a megera mostrou que tem algum sangue correndo nas veias, ao verter lágrimas por “ter de matar” seu parceiro de uma vida inteira, Maxwell/Marcello Novaes.

 Hoje, veremos, ele não morre, graças à Mãe Lucinda. E viva a Vera Holtz!

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Epitácio Pessoa/AE

A TV Brasil revisita hoje o episódio que causou a morte de 111 presos no Pavilhão 9 do Carandiru há exatos 20 anos, pelo programa Caminhos da Reportagem. A ideia é trazer olhares diversos sobre a tragédia.

O programa ouviu o relato de um sobrevivente que esteve na linha de tiros e o depoimento de quem acompanhou tudo de dentro, de fora ou da porta do presídio. Lá estão ex-funcionários, o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho e jornalistas que cobriram o assunto em 2 de outubro de 1992.

Quem deu a ordem para a Tropa de Choque invadir?

Por que a Rota também entrou no Carandiru?

O que aconteceu com os policiais militares acusados pela execução dos presos?

E mais: o perito que provou que os tiros foram dados de fora para dentro das celas, a madrinha dos detentos Rita Cadilac, e como vivem os vizinhos do antigo Carandiru, que se transformou no Parque da Juventude.

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Raphael Dias/Divulgação

O primeiro mérito da Guerra dos Sexos 2012 é afastar qualquer hipótese de ser cobrada por realismo. Naturalismo, essa onda que assola o melodrama nas novelas, é termo ausente aqui. Tudo, na releitura de Silvio de Abreu e Jorge Fernando, é exagerado. Tudo é caricatura, comédia rasgad, sem pudor de se assumir como charge do tema.

Só neste primerio capítulo, tivemos um quase acidente de carro, um acidente na feira, uma troca de objetos de peso entre Charlô/Irene Ravache e Bimbo/Tony Ramos, uma torta na cara de Edson Celulari, por ação de Glória Pires, e vá lá, algo viável, um infarto no meio de um quase casamento. Haja incidente. Haja acidente.

Drica Moraes, no entanto, no seu sotaque mooquense, com pausa precisa para fazer rir, não é caricatura. Sim, aquela figura, que foi Yara Amaral no passado, continua a existir, talvez em idade mais avançada que a mocidade de Drica, mas é perfeitamente identificável nos redutos onde bem vingou a herança dos italianos na Pauliceia, em especial daqueles procedentes de Nápoles.

A condição de caricatura se acentua quando damos de cara com a loja de Bimbo e Charlô, espécie de Gallerie Lafayette francesa, que aqui só há de remeter nossa memória aos tempos da Mesbla, do Mappin (sim, a fachada e seu entorno, visivelmente inseridos em computação gráfica, estão mais para Mappin) ou Sears,inspiração da primeira versão.
Dar de cara é expressão mais apropriada para quem revê, algumas décadas depois, o pessoal da Cor do Som em cena, todos com seus 20 anos a mais, sem mais as jubas de leõzinhos de outrora. Que pena. O tempo passa para todos, e até que, para duas décadas passadas, a banda não está mal na foto.

Pastelão se endossa na sua melhor forma. Se a releitura celebra o início do pastelão na faixa das 7, amém, temos esse menu em sua essência.
Some aí o cuidado, calculado em mais detalhes do que possa parecer, de manter diante da tela as crianças que tanto se encantam com novelas das 7. A abertura, em animação, é só o indício mais evidente de tal propósito.

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Houve um tempo em que eu ia ao programa da Hebe toda semana.
Ser setorista do programa dela no SBT, ainda nos tempos do Teatro Silvio Santos, no Carandiru, foi uma das minhas primeiras atribuições na velha Folha da Tarde. O programa era ao vivo, nas noites de segunda e, mesmo assim, meu diretor de redação, então Adilson Laranjeira, queria que o jornal publicasse matéria sobre a atração da loira dois dias depois, visto que o fechamento não alcançava a edição de terça.

Houve até o dia em que a Hebe escondeu de todos os jornalistas que daria um jantar em casa para a atriz Verônica Castro, estrela de “Rosa Selvagem”, um daqueles sucessos mexicanos que o SBT emplaca de vez em quando, mas, ao me ver no programa, naquela noite, Hebinha me chamou no intervalo e falou pessoalmente sobre o jantar. “Vai lá em casa”. Fui. E conto até essa historinha na rádio Estadão ESPN como o dia em que eu perdi uma entrevista com o Silvio Santos.

Hebe sempre foi o que se via pela TV. Não que a vida lhe fosse um mar de rosas, tinha lá seus dramas e não sabia muito fingir. Era evidente quando algo a contrariava. Mas o diacho do otimismo botava seu vocabulário, seus modos e voz lá em cima.

Foi malufista quando ninguém mais o era.
Defendeu Collor quando ninguém mais ousava fazê-lo.
Usou joias reluzentes depois de dois assaltos em casa.
Casou-se de novo, depois de um casamento frustrado.
Mudou de emprego aos 80 anos.
Criticou o patrão em público, quando achou necessário.
Fez, como me disse o Nilton Travesso há pouco, um programa sempre pautado pela própria emoção, jamais por formatos.
Assumia o que sentia e dizia, sempre, sem jamais se render aos preceitos de media training: nunca falou o que falou para agradar A ou B.
Era o que era, e era o que hoje ninguém mais ousa ser.

Disse a Hebe, em seu último encontro com jornalistas, que não tinha medo de morrer. Tinha pena.
Nós é que deveríamos dizer que a partida dela é uma pena.
Bebe mais uma, Hebe?

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Clayton de Souza/AE-23/04/2012

Contrato desfeito com a RedeTV! há duas semanas e Hebe Camargo agora já pode ser anunciada oficialmente como profissional que à casa torna: o SBT confirmou hoje o retorno da loira aos quadros da emissora.

Não é bem o caso de dizer que o formato do seu programa, que é o mesmo há décadas, venha sendo discutido. Hebe sempre pede uma plateia, um auditório, um sofá e uma boa conversa, além de um musical. Mas é bem provável que o seu sistema, nessa volta, implique expediente quinzenal ou mensal, nada semanal, para não estressar o ritmo de alguém cuja saúde tem inspirado todos os cuidados.

Pode ser que Hebe apenas grave entrevistas em casa, mas, pela vontade dela, haverá, sim, ao menos um encontro mensal com seu auditório e com aquelas colegas que frequentam sua plateia há quatro décadas.

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Raphael Dias/Divulgação
                       

Tudo bem, ficção é ficção, a vida real nem sempre é coerente, reconhecemos, mas uma novela que se vende como contemporânea e realista há que endossar sua maestria. Como já disse, só me incomodo com um enredo que aplaudo, e bato palmas para o João Emanuel Carneiro e seus personagens, daí minha recusa em aceitar os mexicanismos que justificam os fins, ultimamente presentes na história.

Leitores da coluna Sem Intervalo no Caderno 2 endossam esse discurso, e, sem querer ser o chato que rebate até sotaque de novela, pelamor, vamos às 10 falhas nos (des)Mandamentos de Avenida Brasil:

 

1) Se o dinheiro que Carminha plantou na mala de Nina foi o dinheiro roubado do barco de Max, fruto do assalto àquela Nina que saía do banco com as cédulas referentes a sua herança, por que havia notas do sequestro de Carminha no meio das cédulas apreendidas pela Polícia Federal? Max não havia torrado qualquer resquício (que já era bem menos do que ele ambicionava) do sequestro? As notas que ficaram com Nina não foram torradas no barco? Quando Nilo bateu o barco num banco de areia, Max não foi choramingar mais dinheiro a Nina? Logo, não poderia haver nota do resgate do sequestro na armação de Carminha.

2) Nina não guardou as fotos num e-mail, ninguém se conforma. Agora vamos a um flaschback: as fotos foram tiradas de uma máquina fotográfica, não do celular, e ela entregou o cartão de memória na loja onde fez as cópias em papel, pouco antes de quase ser enterrrada viva, mas também tinha as fotos no celular, como mostrou para Jorginho. Em algum momento, portanto, essas fotos foram salvas em algum computador para serem transferidas para o celular. O celular foi roubado, mas e o cartão de memória da máquina fotográfica? E a mensagem que permitiu a transferência para o celular, cadê?

3) Tufão e Leleco saem de casa com Zezé a caminho da favela onde moram os sequestradores. Zezé sabe o caminho de casa, queremos crer que não tenha se perdido. Minutos depois, Carminha se esparrama no sofá da sala, ouve a história da sogra, a  equivocada Muricy, convoca Max para o escritório, discute toda a vida dos dois, entrega-lhe 100 mil para subornar os sequestradores, e Max vai até a favela, chegando lá antes de Tufão, Leleco e Zezé. Foi de helicóptero?

4) Como Carminha sabe que Nina não possui mais nenhuma cópia das fotos? Não bastasse a improvável hipótese de a mocinha não ter guardado nada em arquivo digital, a outra se vale de uma certeza absoluta quando, ao botar as mãos nas cópias que julga ser as últimas provas, irrompe a porta da casa de Tufão despejando a bomba do namoro do filho com a cozinheira e da informação de que Nina é Rita.

5) Por que Carminha cutucaria a onça com vara tão curta, sabendo que um reles exame de DNA vale ainda mais para sua adversária do que as fotos que trata como prova final?

6) Por que, não custa lembrar, Nina sairia do banco caregando 1 milhão, depois de guardar na memória, desde a infância, a história do pai, que quase foi vítima do mesmo golpe, ponto de partida para o seu fim, e de “seu” Tufão, também assaltado por dois garotos numa moto? 

7) Por que a super-mega-blaster inteligente Nina, uma semana depois de ter sido assaltada por sair do banco a pé, sabendo que a megera está no seu encalço, sai de novo a pé do banco, com um envelopinho guardado numa bolsinha que mais parecia obra de lixo reciclado, frágil, com as últimas cópias de sua prova?

8) Como Carminha, que consegue manter seus segredos há 12 anos, mantém também seus amantes numa chácara da família, onde Tufão, Leleco ou Ivana podem chegar a qualquer momento?

9) Por que a gente perde tempo discutindo tudo isso, como se estivéssemos tratando dos passos, incoerências e suspeitas em torno dos candidatos à prefeitura da nossa cidade? Porque é mais aprazível bater boca sobre gente que não existe, mas habita o nosso imaginário, amém.

10) E por que a gente deveria cobrar tanta coerência das personagens da ficção, se as personagens da vida real nem sempre primam pela lógica?

 

 

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