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Cristina Padiglione


Que saudade do Skavuska!

Voltei de férias, afinal, e estava louca pra perguntar de quem foi a ideia de trocar o simpático Skavuska, protagonista das campanhas da Net, pela ultra onipresente Cláudia Leite.
E aquele jingle chiclete? O que é aquilo?

Se a proposta de canais pagos é trazer algo diferenciado, não poderia haver alternativa mais contrária do que a atual.



Nick e Band: Alguma coisa está fora da ordem

Como disse, estou em férias, mas nada impede de passar aqui para eventuais registros no período.

Acabo de ouvir algo que merece registro: disse-me a minha filha que está adorando rever “Isa TKM” na Band porque sua exibição ali tem bem menos intervalos do que na Nickelodeon, por onde ela já tinha visto a novelinha venezuelana antes. “Na Nick, ‘Isa’ era interrompida a todo momento”, disse-me ela.

Mau sinal, pensei eu. Aqui pra nós: não deveria ser o contrário? A Band, que sobrevive de anúncios, sem ajuda de mensalidade do telespectador, não está vendendo a novela como poderia; e a Nick, que só vê quem paga, nos oferece uma tonelada de comerciais. Alguma coisa está fora da ordem.



Tá sobrando intervalo

Sim, eu deveria ao menos ter postado aqui um aviso sobre meu pequeno recesso de Natal, mas nada fiz. Agora estou de volta, só por mais uma semana antes das férias, e nem sei o que dizer. Não vi TV nos últimos dias. Nunca antes na história desse país tive tanta falta de disposição para ver TV. Já não sei se eu é que estou ficando velha, impaciente, renitente, ou se de fato os intervalos comerciais estão insuportavelmente longos, em canais abertos, pagos, públicos, tanto faz. É muita propaganda para pouco conteúdo.
Nos canais pagos, isso incomoda sobremaneira. Penso na mensalidade que desembolso e naquele argumento do Sr. ABTA (Associação Brasileira de Televisão Por Assinatura), Alexandre Annenberg, que defende em seus discursos a teoria de que a TV paga precisa de comerciais para poupar o assinante dos custos que a publicidade banca ao setor.
Trocando em miúdos, sem publicidade, Annenberg sugere que a mensalidade paga pelo cidadão seria ainda maior.

Como é que a TV quer convencer sua plateia a frear a pirataria de download de séries se ela nos oferece esse menu, repleto de intervalos e cifras nos boletos de cobrança? E aos anunciantes, interessa essa falta de critério que mistura comerciais de toda espécie, jogando, lado a lado, aqueles anúncios de Polishop e filmes publicitários de largos investimentos de produção?

Oxalá o setor encontre uma equação menos nociva ao assinante, que, afinal, em última instância, é quem banca o circo. Sem assinante, nem publicidade há de se aproximar desse métier.



Pague para ver comercial

O presidente da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, tem na ponta da língua o argumento que justifica a presença de comerciais em canais pagos. Diz que é para não sobrecarregar a mensalidade do assinante.
Annenberg reivindica para a ABTA a condição de vítima do consumidor ofendido em pagar para ver programas repletos de intervalos comerciais.

Pois se você aí acha que já vê muita propaganda na TV paga, prepare-se. O lobby da indústria de TV paga tenta ampliar para 25% de toda a programação o volume de comerciais nos canais pagos no Brasil. Significa 15 minutos por hora, o que equivale ao mesmíssimo volume de publicidade permitido na TV aberta. A ideia está em debate para a PL 29, projeto de lei em discussão há quase dois anos e alvo de ajustes de todos os lados para tentar conjugar os interesses de todos – todos, digo, menos nós, consumidores.

De duas uma:
_ ou a conta de 25% em publicidade transforma o canal pago em canal “gratuito” (se os canais abertos sobrevivem com 25% de publicidade, pra que os outros cobrariam algo do nobre espectador?)
_ ou o consumidor poderia pedir seu dinheiro de volta assim que o total da publicidade vista em seus canais pagos ultrapassasse os 25%, e então essa conta haveria de incluir aquela montanha de canais de televendas, restringindo à quase nulidade os intervalos comerciais dos demais canais.

Naturalmente, os canais que não são de televendas, que têm orçamento, gastos e caixa absolutamente independentes, argumentariam que nada têm a ver com isso. Mas e o assinante, o que tem a ver com o pato?



GNT esconde na madrugada entrevista (e show no terraço) de Sir McCartney

Foi por mero acaso que dei de cara com Sir Paul McCartney na poltrona de entrevistado de David Letterman na madrugada de hoje.
Por que o GNT insiste em exibir seu melhor talk show de madrugada? Para valorizar os produtos locais? Não pode ser. Tem tanta bobagem que vai ao ar em horário mais nobre, e o Letterman lá, confinado na madrugada.

Nem a presença de Paul McCartney, numa entrevista inédita, com direito a revival de show no terraço (inacreditável!) mobilizou o canal a exibir o programa em horário mais decente. A produção do Letterman preparou para McCartney todo o aparato capaz de levar o ex-beatle à marquise do Teatro Ed Sullivan, rememorando a histórica cena de 40 anos atrás, quando os Beatles tocaram no telhado da Apple, em Londres.
Na rua, de onde Letterman apresentou o pocket show, uma multidão, contida por grades, aguardava pelo espetáculo.
Antes do feito, Paul se permitiu esbanjar aquela fleuma britânica em conversa com Letterman, que espertamente falou sobre o episódio mal resolvido com Michael Jackson, dono dos direitos do acervo dos Beatles.

Para a nossa sorte, o que o GNT não valoriza está no Youtube, em várias partes. Vale ser visto e registrado. Puxe pelo endereço a seguir:
 http://www.youtube.com/watch?v=P_qoV_Qs3…



Net e Sky dispensam CNN Espanhol

Em pleno esforço de afago entre a vizinhança Mercosul, a Net, e mais recentemente a Sky, tiraram o canal CNN Espanhol de seus pacotes no Brasil.
Obra de gênio.
No caso da Sky, que tem canais (chamados étnicos) de idiomas de toda espécie, consta que a saída da CNN Espanhol foi motivada pela troca que a Turner, responsável pelo canal, fez pelo novo Space, do mesmo grupo, cujo conteúdo é fincado em séries e filmes. O que tem a ver? Nada. Apenas se trata de um cardápio mais rentável para quem o faz, e azar o seu, assinante interessado em informação.
Mas, afinal, a Turner troca as estações nas operadoras locais como bem entende? Funciona como “vagas a que tem direito”, sem importar o que ocupará o espaço?
Não faz sentido algum, mas quem questiona lógica nesse terreno onde se paga pra ver, né mesmo?

agora no estadão