Alguém já disse, dentro da Globo, que esse negócio de pilotar com o olho no retrovisor não leva ninguém ao pódio.
Mesmo assim, a direção da emissora, líder em audiência, muitas vezes pauta suas decisões pela concorrência, em especial quando é ameaçada por ultrapassagens no Ibope. Ninguém espera que a Globo se comporte como entidade sem fins lucrativos, mas, para quem se gaba de priorizar a qualidade e valorizar a cultura, é no mínimo paradoxal suspender um programa como “Norma”, ideia original e bem produzida, na raríssima linha da televisão que faz pensar. Foi o que aconteceu: de ontem para hoje, a chefia mandou tirar do ar a série, que foi ao ar por três domingos, com audiência abaixo do esperado para o horário.
Quando entrou no ar no domingo, “Norma” concorria com um Silvio Santos que, àquela altura, já prometia havia duas horas que “daqui a pouco” mostraria sua incrível conversa com o craque Ronaldo. Na Record, Gugu entrega casas reformadas a humildes telespectadores, com close nas lágrimas da família. Na RedeTV!, restam resquícios do bem-sucedido “Pânico”, que, não custa lembrar, ainda outro dia levou ao ar uma “matéria” de nudismo com umas bonitonas peladas de tudo.
A Globo está disposta a seguir alguma dessas fórmulas? Não. Então faz reality shows como “No Limite” ou aquele “Jogo Duro”. Ok. Não embarca no assistencialismo nem na nudez, mas também não está interessada em valorizar conteúdo: mais fácil apostar no circo dos realities, vá lá.
Até segunda ordem, a equipe de “Norma” continuará gravando novos episódios. Dentro de duas semanas, o programa será submetido a pesquisas para que se verifique possíveis motivos de rejeição da audiência.
Talvez “Norma” esteja só no lugar errado.
Talvez o cardápio da concorrência seja mesmo digno de realities sem eira nem beira.
Talvez o mais confortável seja parar de pensar de uma vez e recorrer logo aos blockbusters, como acontecerá a partir deste domingo, após o “Fantástico”.
Certo é que a Globo cai na armadilha que por diversas vezes enterrou boas iniciativas na concorrência: a busca por resultados imediatos num veículo que ainda depende de hábito, coisa que “Norma” não teve chance de criar.
A Record agora enviou comunicado geral à imprensa agradecendo pelos serviços prestados por Eliana à emissora de Edir Macedo.
Aliás, benza deus, nunca houve tantos comunicados nesse métier como nas últimas semanas.
O caso, no episódio em questão, é que a Record perdeu a chance de dar seu recado de modo mais elegante: a própria loira havia gravado uma despedida da emissora, com agradecimentos e afagos à casa, em seu último programa, e esse trecho foi devidamente decepado da edição que foi ao ar.
Agora a Record tenta se redimir da grosseria com o seguinte texto:
“A Record vem a público agradecer a vitoriosa parceria que manteve, por mais de 10 anos, com a apresentadora Eliana Michaelichen.
Eliana chegou à Record como uma das mais promissoras profissionais da televisão brasileira. Comandou aqui programas infantis, depois para jovens e adolescentes e nos últimos anos apresentava o dominical “Tudo é Possível”. Uma trajetória pautada pela inovação, ecletismo e versatilidade. Qualidades que contribuíram para a consolidação da vice-liderança da Record em todo o país.
Desejamos a Eliana muito sucesso em sua nova etapa.”
Em tempo: a loira estreia no SBT em agosto.
Ratinho voltou ao ar anteontem registrando 8 pontos de média no Ibope (um feito para o SBT dos dias atuais) e jogando Datena para o 4º lugar em audiência no horário.
E agora, aqui de olho no programa, vejo imagens de um garoto que acredita ser cachorro. Cachorro raivoso, diga-se. O sujeito late, chacoalha a cabeça após o banho, anda de quatro e rosna até avançar para morder.
No palco, Madalena Bonfiglioli (sim, é ela!) conversa com o padre Quevedo (ah, vá?) sobre o pobre rapaz.
Ratinho ficou fora do ar por mais de um ano. Acreditava-se que o público tinha desistido de assistir a cenas como essas. Que nada, está tudo no mesmo lugar. Nem as TVs deram o “espetáculo” como encerrado (mal botaram um verniz aí) nem o telespectador perdeu seu apetite pelo menu em questão.
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O SBT anuncia para este sábado, no seu genérico de “Vale a Pena Ver de Novo”, o “Quem não viu, vai ver” (ui, que título infeliz) um repeteco do palhaço Bozo.
Ícone dessas festas que celebram o trash dos anos 80, Bozo representou, por anos a fio, a cara do SBT. Mas, de efeito mais perecível que “Chaves” (o mexicano, não o venezuelano, bem dito), Bozo foi eliminado da programação em 1991.
No ar, sábado, às 16h. E tem quem goste.
A imagem acima, com o patrão, foi registrada em agosto de 2006, durante a festa de 25 anos do SBT
Centrada nos números de audiência, como qualquer TV comercial, a Globo não tem do que se queixar: a estréia do novo humorístico da casa, “Toma Lá, Dá Cá”, rendeu média de 31 pontos no Ibope na noite desta terça.
Em tese, a substituição de “A Diarista” foi feita sem prejuízo.
Na prática, o programa que estreou é bem pior do que o finado.
Com todo respeito ao elenco, aquilo é constrangedor, a começar pelo texto, cheio de piadinhas sem graça que remetem à malícia sexual. É de dar dó.
“Toma Lá” estava O.K. para substituir o desgastado “Sob Nova Direção”, nas noites de domingo, mas, na vaga da “Diarista”, a troca representou perda sem disfarce. Valia mais a pena, para a Globo, tolerar a fogueira de vaidades da “Diarista”, que ainda tinha muito a oferecer à platéia.
Saudades de Solineusa, Marinete e Figueirinha…
Uma leitora veio cá me perguntar sobre o caso do paparazzo que a Globo apresentou como Roberto Maciel no “Fantástico” do domingo passado e que não seria o Roberto Maciel ali anunciado. Era o sujeito, ou um dos, que apanhou da Britney Spears.
Atendendo ao pedido da leitora Simone, procurei a Globo. Uma funcionária da CGCom, lá chamada Central Globo de Comunicação, de fato se comunicou. Mas não se explicou. Disse que a Globo contatou um Roberto Maciel, agendou encontro e entrevista com ele e, na hora, encontrou-se com o sujeito, que assinou até autorização de imagem como Roberto Maciel.
Perguntei: mas outro Maciel se apresentou? Há alguma suspeita de que ele não seja ele? E a resposta foi lacônica, reprisando o que já me tinha sido dito.
Rebati: o.k. Qualquer avanço nesse sentido, digo, se alguém se apresentar como o verdadeiro Maciel, você me conta? A moça concordou.
Contou nada. Soube da história toda agora há pouco, pelo próprio “Fantástico”, que dedicou longuíssimo espaço ao episódio, em ritmo de apuração jornalística. O Roberto Maciel que lá se apresentou domingo passado era, de fato, um falso paparazzo.
O fora virou furo para a própria Globo, como se ninguém pudesse relatar um tropeço, mesmo acidental, ao que parece, antes que a própria Globo dê sua própria versão. Isso é que é autosuficiência.
O “Fantástico” de ontem fez boa matéria sobre o descaso que os clientes sofrem nos SACs da vida, o tal Serviço de Atendimento ao Consumidor.
Usaram como exemplo os planos de saúde.
Que tal fazer o mesmo com o atendimento aos clientes de TV por assinatura? Daria pano pra manga, e começaria dentro de casa, sendo a Net e a Sky campeãs de queixas no segmento.
Sabe a Thalia, estrela mexicana que protagonizou uma trilogia de Marias produzida pela Televisa e exibida aqui pelo SBT? Ela não embalava o hit dos Menudos, mas canta, dança, pula e entra em cena nas novelas do México, ostentando naquele corpinho escultural, dizem, com duas costelas a menos.
Pois uma das Marias vividas por Thalia, a Mercedes, será justamente o foco da próxima produção do SBT. Como se sabe, a emissora produz cá versões dos textos da Televisa. Agora que “Cristal” se vai, a novela a seguir será “Maria Mercedes”. Assim denunciava a veneta do Silvio Santos ontem. Amanhã, bem dito, a idéia pode ser outra.
Mas as gravações começam em novembro e a estréia só se dará em janeiro. Isso significa que até lá, o SBT cumprirá mais uma janela de risco na programação de teledramaturgia. Será mais um intervalo nas produções de estética nacional (apesar do enredo mexicano). Enquanto isso, a Record avança a passos largos nesse terreno e a Bandeirantes, idem.
Cruzes.
Uma breve parada no SBT, e lá está, estampado na tela, um desfile de pancake, ruge, laquê, rímel e muuuuuito tafetá em figurinos à luz do dia.
Isso é na “Feia Mais Bela”, versão da Televisa para o hit colombiano “Betty, A Feia”. Na teen “Rebelde”, a seguir, o laquezão é substituído pelos fios chapeados, digo, submetidos à chapinha.
Por que as novelas mexicanas são tão over? E a obra não se resume à caracterização. As seqüências que saltam de planos abertos para closes se dão com sutileza de pata de elefante.
É coisa que aqui se viu pela última vez quando a Globo reprisou “Roque Santeiro” (1985) no “Vale a Pena Ver de Novo”.
Zapear das novelas da Record e da Globo para a tela do SBT é um choque no túnel do tempo.
Salva-se “Cristal”, produção baseada em texto mexicano, mas feita aqui nos estúdios da Anhanguera, com toda a honestidade que o orçamento permite. Mas “Cristal” também se quebra esta semana: o último capítulo vai ao ar na sexta.
Quem bate? É a Net.
Se alguém bater à sua porta lá pelas 10 ou 11 da noite dizendo que é a Net, não se espante, pode ser verdade.
Dois relatos desse gênero nos chegam aqui sobre episódios semelhantes na noite de ontem. Detalhe: nenhum dos casos foi resolvido.
A pane vivida por duas assinantes envolve Virtua, Net fone e Net TV.
Um funcionário chegou a pedir licença para ligar para sua mulher, a fim de explicar que, apesar do horário, ele estava bem e ainda em expediente.
Na outra residência, convidaram o funcionário da Net a se sentar e tomar uma cerveja: sem telefone, internet e TV, a confraternização deu-se em roda de conversa.
Para coroar, na casa onde o telefone ainda funcionava, uma funcionária da empresa ligou para perguntar se a assinante estava satisfeita com o serviço. Bom, ao menos o telemarketing funciona, né mesmo?