A vida não está fácil para quem sempre esteve habituado a contar com a parceria e todo o trânsito livre da Globo nos eventos esportivos de maior importância internacional. A turma do Sportv vem sofrendo para arrancar da Record as credenciais que lhe caberiam, como canal comprador dos direitos de transmissão da Olimpíada, em Londres. Mas uma outra parceria, dessa vez com a grifada BBC, vem dando alegrias ao canal da Globo Sat.
Além de ter contado com a infra-estrutura da rede britânica na construção do estádio que lhe serve de cenário na vila olímpica, o SporTV viu um de seus apresentadores, Bruno Souza, ser entrevistado no BBC World News, programa ao vivo das manhãs da emissora. Foi recebido pela apresentadora Karin Giannone e falou sobre a estreia da Seleção Brasileira. Os ingleses se mostram eufóricos com a contratação do jovem meia Oscar, comprado pelo Chelsea. Os estúdios panorâmicos da BBC e do SporTV ficam no mesmo prédio em Londres.
crédito: Maurício Storelli/Divulgação
Aí estão Ana Paula Padrão, Oscar Schmidt e Adriana Araújo, em escala de alturas cujo contraste é uma diversão, nos bastidores de imprensa da Olimpíada de Londres.
A foto foi feita pouco antes da cerimônia de abertura, na sexta, ou antes que ela se animasse em avisar que estava fazendo o “jornal da Globo” ao vivo, de dentro do estádio olímpico.
Disse aqui há dois dias que Avenida Brasil bombou no Twitter, mas não no Ibope. Não que 39% de audiência não seja coisa excepcional em qualquer TV do mundo, mas, para os padrões de novela das 9 da Globo, e mesmo os padrões atuais, não é nada tão excepcional.
Assim que Carminha/Adriana Esteves foi ao chão, no entanto, limpando, cozinhando e faxinando para a mocinha-nem-tão-mocinha Nina/Débora Falabella, o folhetim de João Emanuel Carneiro bateu, sim, seu recorde na Grande São Paulo, chegando a 45 pontos de média na segunda e na terça-feira. No horário da novela, 70% (na segunda) e 71% (na terça) dos televisores ligados na região estavam sintonizados na Globo. É coisa.
Apesar de tudo o que se falou e disse sobre Nina e Carminha, das capas de revistas populares às linhas dos mais sisudos editoriais de economia, a novela Avenida Brasil não bateu seu recorde de audiência em nenhum desses últimos dias, digo, de quinta-feira até sábado, quando começou a se desenhar uma reviravolta na história de João Emanuel Carneiro.
O máximo alcançado de quinta até sábado foi 39 pontos de média no capítulo de sexta, e aqui estamos falando exclusivamente de Grande São Paulo, praça que detém os maiores investimentos publicitários do País. No sábado, o patamar foi ainda mais baixo, com 35. Na referida Pauliceia, o recorde de Avenida Brasil é 42 pontos.
As férias escolares, com muita gente fora de seu habitat natural – o que afeta o comportamento da mostra do Ibope – pode ser um indicador capaz de explicar por que Avenida Brasil simplesmente não explodiu em audiência, com todos os aplausos merecidos por Adriana Esteves e Débora Falabella.
Mas, sobretudo, o episódio é mais um indicador de que Twitter e people meter (os aparelhinhos que mensuram a audiência de TV pelo Ibope) não caminham de mãos dadas. As redes sociais são um recorte da plateia, um segmento, não valem como conjunto da obra, como pretende ser uma mostra do instituto. Nem por isso são desprezíveis, vá lá. Assistir a uma boa novela com a chance de fazer e ler comentários online é um convite ao ócio, lazer total. Você deixa seus dramas de lado, por alguns minutos, para se dedicar ao mórbido e inconfessável prazer de dar palpite na vida alheia, com uma vantagem: sem ofender ninguém.
Lua Blanco e Arthur Aguiar, que na novela Rebelde vivem o casal Roberta e Diego, posam aqui de Anita e Giuseppe Garibaldi. A caracterização faz parte do capítulo de hoje, na Record, quando uma aula de História inspira os alunos: cada um vai se imaginar na pele de um dos personagens lá citados.
Bial entre o redator final e antigo parceiro, Marcel Souto Maior e o diretor, Luiz Gleiser
Eu tinha cá as minhas dúvidas de que o Bial cumpriria, na Globo, TV feita para a massa, a proposta de abordar uma quetão por pontos de vista variados. Tudo bem que isso tenha sido feito anos atrás, nos anos 60, pelo TV de Vanguarda, programa do Fernando Barbosa Lima, com plena coerência ao nome. Mas é que a TV, como diriam os Titãs, me deixou burra, muito burra demais nos últimos 30 anos. Parece que já não somos capazes de dizer ou de ouvir na TV o que ouvimos e vemos dos vizinhos, no estádio de futebol ou no táxi. Parece que o pudor de fachada dominou determinados ambientes, e fazemos daí aquela cara de paisagem de quem precisa agradar ao maior número de pessoas, sem tomar partido de A ou B.
Como diria Nelson, o Rodrigues, estou com minha cara no chão. O Bial já abriu o programa, sobre politicamente incorreto, perguntando se o certo seria falar “bicha”, “veado” ou “homossexual”? Ufa, alívio, ele vai escancarar o verbo. Vai dar aos bois os nomes que ele têm. Falamos em negro, afro-descendente, preto ou moreno? Cantamos “atirei o pau no gato” para matar o bichino de fato? Maria Paula supera as versões conhecidas para contar, lânguida como sempre, que conhece uma versão em que se diz “Me atirei no pau do gato”. Furor na plateia. Chocou? Muda de canal, mas o mundo lá fora não tem todo esse verniz que a gente tem procurado para revesitr a tal janela para o mundo que atribuem à televisão.
Melhor, sempre, preferir a transparência e discutir a relação, assim, se possível com algum humor e música.
Sim, o programa de estreia acusa enfim a existência de um bom programa na TV aberta. Estofado, com convidados capazes de divergir, embora Bial, nesse caso de primeira edição, especificamente, tenha tomado evidente partido contra o autor da cartilha politicamente incorreta. O.k., estou de acordo com essa posição, que boa parte do que lá está me arrepia, mas eu não sou a mediadora de um programa que se dispõe a ouvir todos os lados, sou telespectadora. A ele, Bial, resta alguma discrição na hora de mostrar opinião. Ou, vai ver, nem isso, é honesto que ele demonstre o que pensa.
E a grande diferença entre o Bial e a Fátima Bernardes, dois jornalistas criados sob as rédeas politicamente corretas (de acordo com o contexto de cada época) do telejornalismo do doutor Roberto é que ela esteve na bancada do JN nos últimos anos, e ele, no papel de showman do reality show mais visto do País. Faz toda a diferença. Sobra a ele a segurança de quem põe ponto de exclamação e interrogação incisiva no que diz. Falta a ela o tempero de quem foi treinada para não se envolver com a notícia. Bial já tem o pé no show que liberta todo jornalista, e para isso, amém, até que o BBB lhe prestou algum serviço.
Mas Fatiminha chega lá, quero crer.
Na Moral é bem costurado, bem editado, bem musicado, com cenário que prima pela simplicidade. Vida longa a discussões capazes de acrescentar algo ao conteúdo ou à reflexão da plateia.
Muita gente passou a semana me perguntando o que eu achei do programa da Fátima Bernardes.
Gostei, digo. Acho que ainda falta a ela uma pegada de Astrid ou de Marília Gabriela, que têm a capacidade e a liberdade, principalmente, de se emocionar, de se comover com o que merece uma interjeição, um ponto de exclamação, uma reação de quem realmente parece grata ao entrevistado por ele lhe ter confiado um desabafo extraordinário. Não se fica 13 ou 14 anos à frente do Jornal Nacional impunemente. Astrid nasceu repóreter abelha, foi da MTV, fez tudo fora do padrão imposto às arestas televisivas para ser quem é. Gabi, idem, de repórter, por breve período, a âncora de TV Mulher, trilhou outra via. É nelas que Fátima precisa se mirar agora, com todo o carisma que Deus lhe deu. Sim, porque não adianta a figura mirar na Gabi e na Astrid se não for alguém digno de emocionar a massa. Fátima pode mais.
Quanto a cenário, iluminação, disposição da plateia, tudo isso é mutante e mutável, pode variar dia após dia, com o louvor de quem se dá ao luxo de não se repetir. Vale atenção e sensibilidade às pautas. E o resto é azeite:marinar é preciso, ainda mais quando se troca uma programação para crianças por um cardápio para mães e família adulta de um dia para o outro.
Se fosse questão de remexer no programa por estar perdendo para o SBT, ora, ora, a Globo teria de voltar a ser criança no horário. Se a opção é pelos maiores, bora assumir tal decisão. A verdade é que as restrições à publicidade infantil, e o cerco vem aumentando por parte da legislação disposta a proteger crianças e adolescentes das tentações do consumo, já não vinham rendendo à Globo nenhuma compensação para abraçar o público infanto-juvenil.
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