A Record acaba de conquistar os direitos exclusivos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos de 2019 em todas as plataformas de transmissão previstas para o evento: televisão aberta, canais pagos, internet, celular e, segundo o texto do comunicado distribuído pela emissora, “qualquer meio de comunicação que venha a ser desenvolvido”.
Adorei essa última parte.
A emissora atribui o acordo com a Organização Desportiva Pan-Americana (ODEPA) a uma avaliação positiva dos dirigentes esportivos do movimento olímpico brasileiro, pan-americano e mundial sobre a cobertura dos Jogos de Guadalajara, realizada pela Record, Record News e R7.
É bem capaz. Se não tivessem gostado, não teriam acertado a conta, mas a oferta financeira sempre pesa.
O Pan de 2019 será o quarto evento olímpico adquirido com exclusividade pelo grupo. O primeiro foi Vancouver, nos Jogos de Inverno de 2010, o segundo é justamente o Pan de Guadalajara, o terceiro é a Olimpíada de Londres (já sublicenciada para o SporTV). A Olimpíada de 2016, no Rio, será compartilhada com a Globo, assim como os Jogos de Inverno de 2014, em Sochi, na Rússia, que poderão até não ter na Globo o mesmo espaço que terão na Record, mas estarão por completo na tela dos canais SporTV.
O que fica dessa experiência da Record no Pan de Guadalajara é que a emissora não fez exatamente feio na cobertura, foi bem, dentro dos limites de quem não tem toda a tradição que a Globo tem no negócio. A pior imagem fica certamente com a Globo, que ignorou solenemente imagens de vitória do Brasil, só para não ceder às exigências da Record, que pedia para ser creditada nas imagens cedidas aos noticiários das concorrentes. A Globo, que sempre teve o futebol em mãos, faz a mesma exigência, e é atendida, a outras emissoras. Por que então não colocar os interesses do público na frente dos interesses comerciais? Cadê aquele patriotismo todo expresso na torcida de suas transmissões esportivas? Sem compra de direitos de transmissão, não há patrocínio, e sem patrocínio, não há torcida.
Em meio às tantas controvérsias causadas (e bem alimentadas) pela frase que quase está a render crucificação a Rafinha Bastos, no CQC, da Band, Wanessa Camargo foi ao Melhor do Brasil e se permitiu contracenar com um Rodrigo Faro caracterizado de… Wanessa Camargo.
Todo mundo grávido e feliz, sem citar o assunto recordista na citação do nome da cantora.
Vai ao ar sábado, na Record, em meio aos placares de Guadalajara.
Pra quem perdeu o ótimo Roda Viva, ontem de volta ao velho e bom formato de arena fechada e vários entrevistadores, com Mario Sergio Conti estreando no papel de mediador e Cabo Anselmo ocupando o centro da roda, aí vai o link do programa.
http://cmais.com.br/rodaviva/videos
No Ibope, nada se alterou. O programa rendeu míseros 0,7 ponto de audiência, mas sua volta à condição de “ao vivo”, com ecos pelo twitter, rendeu-se 3º lugar entre os assuntos mais comentados na rede de microblogs.
O Cabo Anselmo, ex-militar, líder do protesto que resultou no Golpe de 64, inaugura o centro do novo Roda Viva, nesta segunda-feira, quando o programa retoma seu formato clássico, em novo cenário, agora sob o comando do gabaritado jornalista Mario Sergio Conti.
Cabo Anselmo atuou em uma organização de luta armada, foi preso e teria delatado muitos amigos, inclusive uma namorada grávida dele.
O assunto que aquece a entrevista, como não poderia deixar de ser, é a discussão a respeito da abertura de documentos arquivados da época da ditadura militar.
Apontado como um dos algozes do período, o coronel Ulstra participa do programa, com duas perguntas previamente gravadas em Brasília. Ele alegou problemas caríacos para não vir a São Paulo e se dispôs a pedir aval médico para viajar, mas a produção o poupou, alegando que poderia gravar algo lá mesmo com ele.
Além dos jornalistas convidados para a ocasião, o advogado José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça, também foi chamado a compor a bancada de entrevisadores.
O Roda Viva volta a ser ao vivo e resgata os tuiteiros que se encarregavam de postar informações e frases ali ditas na rede de microblogs.
O próprio Rafinha Bastos, compulsivo tuiteiro, com 3 milhões de seguidores, postou zero, nenhumazinha mensagem sobre sua suspensão da bancada do CQC, cogitada desde a Veja SP que espinafrou seu currículo, de alto a baixo, na edição publicada ontem. Tudo o que ele conseguiu postar ontem foi um link com “matérias falando bem de mim”. Má reação.
Marcelo Tas, Marco Luque, Danilo Gentili, Rafael Cortez, Monica Iozzi, Oscar Filho, Felipe Andreolli e mesmo o diretor do programa, Diego Barredo, não estão se manifestando sobre o caso, a pedido da direção da Bandeirantes, e só da cúpula pode sair qualquer comunicado, quando for oficial.
O que motivou a suspensão de Bastos (que recentemente teve de dar satisfações ao Ministério Público por tentar fazer graça com estupro) foi uma tentativa de piada, frase inconveniente, proferida por ele na última edição. Quando Marcelo Tas mencionou que a cantora Wanessa Camargo estava uma gracinha grávida, Bastos replicou: “Eu comeria ela e o bebê”.
Gentili, há poucos minutos, ao tomar conhecimento de que Bastos estará fora da bancada pelas próximas semanas, não se conteve e postou a seguinte frase no Twitter: “Sempre enxerguei algo mais significativo sendo construído por um comediante linchado por falar merda do q por um queridinho por puxar sacos.”
É um evidente apoio ao colega.
Ao contrário de Marco Luque. Antes que a direção da Band pedisse aos CQCs que evitassem dar declarações públicas sobre o caso, Luque postou na internet seu repúdio à frase de Bastos. Luque é amigo pessoal do marido de Wanessa, Marcus Buaiz, sócio de Ronaldo Fenômeno, e foi aliás dessa relação que nasceram as negociações para a ida de Ronaldo ao estúdio do CQC, na abertura da temporada deste ano.
Bem hoje, dia em que a direção da Band resolve tirar Bastos de cena, a revista The Observer, do Guardian, publicou uma matéria sobre o sucesso do stand up no Brasil, puxando a brasa para Danilo Gentili. Salvo o fato de a reportagem atribuir o humor de Gentili e cia. (citando inclusive o próprio Bastos) a uma resistência às elites (oi? é para rir?), é saudável notar que o movimento esteja mexendo com o cenário cultural local, com ecos em um reino tão e tão distante.
E só para constar, um adendo aquipublicado às 17h30 desta segunda-feira, dia 3: Mônica Iozzi substitui Bastos na bancada do programa, hoje. A ver como a troca será explicada à plateia.
2013
2012
2011
2010
2009
2008
2007
2006