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Cristina Padiglione

30.agosto.2011 22:24:46

Morreu “o Bruxo”

Ainda no ano passado, por ocasião dos 60 anos da TV no Brasil, perguntei ao Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ex-vice-presidente de Operações da Rede Globo, qual era o paradeiro de Homero Icaza Sanches, “el bruxo”, o homem das pesquisas que fez a Globo entender muitos casos de rejeição e aprovação da audiência, antes que o people meter (medidor instantâneo do Ibope) fosse parido.
Panamenho, o homem tinha sensibilidade mais que aguçada para ler os números de tantos relatórios do Ibope e entender o que andava ou desandava em qualquer produção, no quesito identidade com o público.

Boni me disse que Homero estava meio doentinho, no Rio, mas até se dispôs a fazer uma ponte para que eu pudesse lhe propor uma entrevista ao Estadão. Deixei escapar. Vacilei. E, agora, ouço no Jornal Nacional que el Bruxo se foi. Em tributo àquele que lia números de audiência muito antes que os peritos do Ibope pudessem fazê-lo, dedico aqui a reprodução de um texto seu, feito para o livro 50/50, organizado justamente por Boni em brinde ao cinquentenário da TV no Brasil, em 2000, com relatos dos 50 profissionais mais relevantes à história da TV no Brasil.
É um texto mais longo do que os habitualmente postados aqui, mas é uma aula de televisão e comportamento, e mostra que a Globo não se tornou a Globo à toa ou por mera intuição.
Com vocês, O Bruxo:

Em Busca do número

Quando ingressei nos quadros da Rede Globo, em 1972, a estação não era ainda líder de audiência. Boni, à época diretor de programação, estava interessado em saber o que faziam as telespectadoras durante a tarde. Além disso, gostaria de ter uma “tradução” dos volumosos relatórios semanais e mensais que o Ibope lhe entregava. Naquela época, o critério de escolha e manutenção de um programa na grade era o seguinte: o programa que deu audiência se repete ou se imita. Boni não aceitava tal critério e perguntou a José Perigault – amigo dos dois e um dos donos do Ibope – se conhecia alguém que pudesse servir de “tradutor” dos relatórios de audiência. Perigault me indicou. Boni me contratou e dessa forma entrei na TV Globo e começou a análise de pesqauisas para audiência de televisão.

Durante os dois primeiros anos, tempo necessário para a instalação e consolidação da Divisão de Análise e Pesquisas, começamos a descobrir quem era o público de televisão. Terminado esse período, chegamos à conclusão de que estávamos “contando narizes”, ou seja, analisávamos o índice que o programa obtivera, a posteriori, quando não podíamos fazer mais nada para modificar esse índice. Sabendeo disso, partimos para a próxima etapa, que era conhecer a composição do público e sua maneira de reagir perante a televisão.

Em outras palavras, para ler pesquisa precisa-se de matemática e estatística; para analisá-la e tirar dela resultados seguros, precisa-se de sociologia e psicologia soxcial. Nesse momento, começou o período da “busca da alma do número”.
Decidimos montar uma estrutura de informação que permitisse um melhor conhecimento do telespectador. Fizemos então um grande levantamento nas cidades onde a Globo tinha estação de televisão, o que nos possibilitou entender profundamente as classes socioeconômicas. Partimos de um critério utilizado em vários lugares do mundo, que leva em consideração a renda e a despesa familares, o saldo entre ambas e a aplicação do saldo.

Faz-se uma operação muito simples: a diferença entre a renda e a despesa define o saldo, que, por sua vez, determina as classes socioeconômicas. Se o saldo é de 0 a 10%, a pessoa pertence à classe D, se é de 10 a 20%, à classe C, quando atinge de 20 a 30%, é B3; de 30 a 40% é B2; de 40 a 50%, é B1; e, se é superior a 50%, pertence à classe A. Nos Estados Unidos, por exemplo, essas classes são nove e a tabela chega a 80%.

Entretanto, havia uma razão sociológica que diferenciava as áreas urbanas do Brasil para os Estados Unidos, porque lá se usava o critério de posse de bens e aqui tínhamos pesquisas que nos indicavam os dados necessários para medir com mais precisão as diferenças de cada classe.

Uma vez que constatamos, por esses estudos, o comportamento de um indivíduo em função da sua classe socioeconômica, fizemos uma pesquisa sobre hábitos e tendências para saber a que horas o telespectador ligava e desligava a televisão e a que programa assistia. Queríamos descobrir exatamente o que deveríamos levar ao ar. Nossa preocupação não era tanto de pesquisa, mas sim de análise de conteúdo – uma ciência que começou como análise de conteúdo da imprensa e que adaptamos para a televisão. Nosso trabalho tinha crescido e, agora, além de analisar a programação, passamos a opinar sobre as novelas antes de serem aprovadas. Boni passou a nos mandar uma sinopse das futuras nofvelas, acompanhadas da descrição de personagens, para que opinássemos por escrito. Nosso parecer era enviado somente para ele. As modificações que tivessem que ser feitas, na trama ou nos personagens, eram decididas por ele, pessoalmente, e nós não participávamos da versão final.

Num país subdesenvolvido, a televisão é culpada e responsabilizada por tudo. Esperamos que ela seja a Igreja, a moral e até a polícia, já que entra em todo lugar e é vista por todo mundo. No entanto, esquecemos que ela pode ser desligada, como ensinou Borjalo…

Nesse momento, percebi que não era suficiente usar somente os dados do levantamento socioeconômico, pois acreditava que existia um componente cultural mais importante do que o socioeconômico. Estudamos isso durante dois anos, sem que ninguém soubesse.
Era um projeto pessoal, secreto e confidencial. Verificamos que as classes A, B1, B2, B3, C e D existiam não só no levantamento socioeconômico, mas também no sociocultural. Então, fizemos um cruzamento dos dois estudos. Assim, definimos, por exemplo, que um empresário riquíssimo e cultíssimo é AA. Já um bicheiro, tão rico quanto o outro, mas que talvez leia somente histórias em quadrinhos, é AD. Um porteiro do Museu Nacional que descobriu três insetos – um deles inclusive tem seu nome mundialmente classificado – é DA, enqunto o lúmpen, que mora mal e não tem emprego, é DD.

Com as 36 categorias resultantes desse cruzamento, comecei a usá-las para refletir sobre a audiência das novelas. Depois de alguns meses, começamos a identificar o gosto cultural da audiência em determinados horários e a examinar a programação, em busca de maior repercussão. A divisão de Análise começou a crescer e contratei a poetisa Ana Cristina César e a crítica literária Ângelca Carneiro para fazerem análise dos textos e de conteúdo, o que eu fazia antes, confidencialmente, para o Boni.

Além disso, inventei um trabalho de acompanhamento de novela, junto com a minha mulher, que fundou uma empresa de discussão de grupo (group discussion). Ela organizou um grupo de duzentas mulheres, de diferentes classes socioeconômicas, para tecer apreciações sobre as novelas dem determinadas fases.

No capítulo 18, perguntava-se sobre a compreensão da trama, o personagem, os casos amorosos, os aspectos morais e estéticos da história. Eram perguntas simples, que nos permitiam avaliar o começo da novela. No capítulo 36, já com seis semanas no ar, discutia-se se o artista tinha se adequado bem ao personagem e se a trama da novela continuava sendo bem compreendida, se as duplas amorosas já estavam bem definidas, se havia qualquer tipo de rejeiçã a personagens, além dos aspectos formais de uma obra, como cenários, iluminação, figurinos, etc.

No capítulo 54, era feita a última discussão: “Quem vai casar com quem? Como vai acabar a história?” Esse estudo foi utilíssimo para a Rede Globo e é feito até hoje.

É importante deixar claro que não inventamos pesquisas mentirosas, nem interferimos no trabalho de autores e diretores. Aprendi, desde o primeiro momento, que só por meio da análise do comportamento da mulher e do homem brasileiro poderíamos assessorar bem a programação da TV Globo.

Paralelamente a esse trabalho, estabelecemos o que chamamos de “trilho da novela”, que consistia em examinar a audiência dos trinta primeiros capítulos e prever, aproximadaamente, a audiência dos próximos. Assim, sabíamos se uma novela oscilaria entre 53 e 63, ou entre 62 e 72 pontos de audiência (*). Se numa semana ela não se afastava três vezes desse trilho – fato grave – , tínhamnos de descobrir se isso se devia ao texto, à direção ou ao concorrente e ficar seguros de que a novela voltaria ao trilho original.
Essa previsão só funciona até o capítulo 130, pois nos últimos vinte capítulos começam a surgir as soluções das tramas desenvolvidas e consequentemente, há um aumento de 10% em toda a audiência. É bom deixar claro que trilho não é uma característica do horário, portanto não é fixo, tampouco meta de audiência.

Além dos estudos sociológicos e de psicologia social sobre o público telespectaqdor, foi-nos de grande ajuda a leitura de livros sobre antropologia social para explicar-nos certas reações a fatos aparentemente naturais, mas que, sob a lente de aumento da televisão, mostravam uma rejeição só explicável à luz da antropologia. Como exemplo podemos citar o caso de O Dono do Mundo, novela em que Malu Mader, a mocinha virgem imaculada, casa-se e, na lua-de-mel, no Canadá, vai encontrar-se com o médico/galã/mau caráter, tendo com ele sua primeira noite. O público não aceitou e não perdoou. O exemplo é para mostrar que esse mito da primeira noite ainda tem força atávica e que a mocinha não podia ir, com suas próprias pernas, encontrar-se com um homem que não fosse o seu marido. Não há castigo que a redima. E, chamando com outros nomes ou não, o público condena a atitude.

Analisando as pesquisas de audiência, cruzando-as com outras, de cuno social e cultural, chegamos à descoberta de que, além do trilho de cada programa, há algo mais fundo e consistenbte, que chamamos de “o lastro do programa”.

É por meio desse lastro que podemos determinar o fôlego de cada programa, sua capacidade de entrar em todas as classes, bem como sua relação com o número de aparelhos ligados, dia da semana e a audiência concorrente. Isso explica por que alguns programas não possuem audiência brilhante mas se mantêm impávidos diante de quaisquer ataques da concorrência. Outro exemplo seria o dos programas popularescos, cujo sucesso costuma ser um fogo de palha e assustar a programadores inexperientes. As programações com lastro, feitas numa grade coerente e cientificamente desenhada, sempre vencerão.

(*) Curioso notar como ele falava em 60, 70 pontos de audiência naqueles tempos, a era Boni. Hoje, quando a novela chega aso 40, é uma festa danada.

Aqui, a cena da discórdia que fez O Dono do Mundo ser mal compreendida pela audiência:
 http://www.youtube.com/watch?v=ejtYgljiW…

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Sim, o blogueiro Alê Rocha já tinha cantado essa bola, mas não custa a gente botar o assunto em pauta por aqui.

A Globo reprisa a partir do dia 12 a novela Mulheres de Areia, versão de 1993, feita pela Globo, no Vale a Pena Ver de Novo.Mas recursos de imagem farão o serviço de velar, desfocar, disfarçar ou o verbo a preferir, a nudez de Mônica Carvalho na abertura do folhetim de Ivani Ribeiro.

Eis o argumento estampado pela emissora em release distribuído à imprensa:
“Tendo como base seus Princípios e Valores, a Globo resolveu adaptar a abertura para o ‘Vale a Pena Ver de Novo’, tornando menos explícitas cenas de nudez. Embora esta abertura tenha ido ao ar com a novela em 1993, a emissora avaliou que não era compatível com os padrões morais atuais do país.”

Não é divertido? Quer dizer que somos mais moralistas hoje do que ontem? Mais moralistas hoje do que há quase 20 anos? Há, evidentemente, a questão objetiva da classificação indicativa, cuja portaria, nos termos do que há hoje, com conteúdo adequado a horário e faixas etárias, não existia em 93.

Estaríamos bem próximos do que pensam os americanos, cujos filmes permitem verdadeiras chacinas, sangue pra todo lado, mas nudez, oh, mostrar alguém como veio ao mundo, em público, nem pensar.

A abertura não será reduzida, a música será a mesma, by Pepeu Gomes, mas chuviscos e recursos gráficos tratarão de esconder a perfeição de Mônica Carvaho naqueles dias.

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Há quem ache que o país não mudou tanto assim.
Balela.
De fato, Salvatore Caciola teve lá seu tempo de férias como fugitivo na Europa, mas, ao voltar, teve de fazer valer a sentença de Justiça que lhe foi atribuída.

Ao punir Cortez, personagem que comete crime financeiro na novela recém-encerrada, Gilberto Braga e Ricardo Linhares traçam a larga distância entre o Brasil de hoje e o de 1989, aquele de um momento pré-eleições diretas, quando Marco Aurélio (o Reginaldo Faria, por favor, não o de Mello, primo do então candidato Fernando Collor), autor dos crimes financeiros de Vale Tudo. Marco Aurélio não só caiu fora com o dinheiro furtado, como ostentou sua famosa banana lá do alto do jatinho, ao sobrevoar a Baída de Guanabara.

Punidos por punidos, o fato é que o bandido mais poderoso ainda pode vencer o bandido bagaceira. Assim foi que Cortez falou por último e o medíocre Léo se estatelou no pátio da prisão, graças ao suborno pago pelo ex-banqueiro.

Vilões que se dão mal e mocinhos triunfando, infelizmente, ainda é mais coisa de novela do que da vida real, mas é latente que o Brasil de 89, ainda que a trilha desse conta do questionamento “que país é esse?”, este Brasil já não tolera bananas ad eternum. Há ainda, aos montes, quem dê as suas, mas elas não prevalecem sem a redenção do culpado.
Há casos como o de José Roberto Arruda. Tropeçou na fraude do painel do Senado, se debulhou em lágrimas, renunciou ao cargo e, candidato, foi logo eleito governador do DF. Não resistiu ao primeiro escândalo e voltou para a casa.

Insensato Coração valeu por nos fazer lembrar, ainda que em overdose otimista em relação à vida real, que o tal jeitinho brasileiro começa a perder força como comportamento cultural. Valeu, apesar das tesouradas sem nexo da direção da Globo, pelo debate em torno da homofobia e, em especial, pela delicadíssima abordagem do sujeito que está se descobrindo gay, que não sabe muito bem como enfrentar a saída do armário. Valeu pelos diálogos, sempre superiores à média dos folhetins. Mas não valeu mais que Vale Tudo, com todas as glórias que a mudança positiva do País possam representar para o roteiro da vez.

A chance de se rever Vale Tudo no Viva, enquanto Insensato dava o ar da graça inédita na Globo, escancarou a distância de qualidade entre as duas tramas. Aqueles eram anos de pós-ditadura, inflação em alta, questionamentos a rodo sobre as vantagens, ou falta de, em ser honesto no Brasil. A era atual, já sem os sobressaltos daqueles dias, fez murchar as manifestações de modo geral. É esse o diagnóstico a que normalmente se recorre para justificar a baixa na produção musical e literária, mas a queda da criação não afeta, na mesma proporção, as criações no cinema e no teatro. Por que será?
Afinal, de quem mal sofre a telenovela? Não é certamente da acomodação política que inqueitava o País 30 anos atrás. Aí está Cordel Encantado, um primor de folhetim, e, recentemente, A Favorita, que ousou ao botar em dúvida quem era mocinha e quem era vilã. Não por acaso, ambas estão nas mãos de novos autores. E é certamente desse sangue novo que carece a inovação do gênero, por mais que eu ame Gilberto Braga.

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A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo informa que moveu ação civil pública, com pedido de tutela antecipada, contra a Rede TV! e a Igreja Internacional da Graça de Deus.

Motivo: mensagens ofensivas contra ateus.

Foi durante o programa O Profeta da Nação, exibido dia 10 de março passado, que o apresentador João Batista proferiu a seguinte pérola: “Chega pra frente em nome de Deus. Só quem acredita em Deus pode chegar pra frente. Quem não acredita em Deus pode ir pra bem longe de mim, porque a pessoa chega pra esse lado, a pessoa que não acredita em Deus, ela é perigosa. Ela mata, rouba e destrói. O ser humano que não acredita em Deus atrapalha qualquer um. Mas quem acredita em Deus está perto da felicidade”.

E pra ninguém me acusar de copiar release, sim, vou transcrever literalmente o que pensa o Procurador Regional dos Direitos do Cidadão, Jefferson Aparecido Dias. Para ele, “as declarações ferem a Constituição Federal e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que prevêem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião sem discriminação.” O procurador ressalta que embora a maioria da população tenha religiões de origem cristã, o Brasil é um Estado laico, em que a todos é assegurada a liberdade de crença religiosa e, também, a liberdade de ser ateu e agnóstico.

O MPF quer que a Rede TV! e a Igreja Internacional da Graça de Deus sejam obrigadas a veicular durante uma ou mais edições do programa “O Profeta da Nação” um quadro com a retratação das declarações ofensivas e esclarecimentos à população sobre diversidade religiosa e liberdade de consciência e de crença no Brasil. A reação exigida pelo MPF deverá ocupar pelo menos o dobro de tempo utilizado no dia 10 de março.

Cabe agora à Justiça acatar o pedido ou não.

Diz o texto enviado pelo MPF que o Ministério Público também pede à Secretaria de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, instituição responsável pela regulamentação dos serviços de radiodifusão, que fiscalize adequadamente o referido programa e a emissora, uma vez que é utilizada uma concessão pública para a transmissão. Neste caso, foi ferido o disposto no artigo 28 do Regulamento dos Serviços de Radiofusão, que obriga a subordinação dos conteúdos às finalidades educativas, informativas e culturais inerentes à radiodifusão.

Agora, vem cá: uma série de radiodifusores que vive da venda convencional de comerciais, sem locar espaço a igrejas, tmbém se pergunta por que é permitido a alguém obter a concessão de um canal e depois locar 22 horas diárias desse espaço a outra instituição? Isso é legal? O Ministério das Comunicações não tem nada a fazer em casos como este?

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17.agosto.2011 17:40:09

A reinvenção da Roda

Quando a Cultura relançou o Roda Viva como está hoje, num semicírculo em que o cartunista passa o tempo todo a mirar a nuca do entrevistado, sem desnível entre entrevistadores e entrevistado, sem mais que dois jornalistas convidados e um trio fixo na bancada, hummm, eu mesma não gostei.
Comentei com a Marília Gabriela os meus receios: num programa como este, o revezamento de jornalistas conspirava a favor de supresas, ao passo que a presença fixa de três jornalistas que já se conhecem bem naquele métier, sabem como e o que pensam, acabaria por promover o lugar comum.
Ela discordou.
O cenário ficou lindo, me argumentou, na época, a Gabi. Eu disse, pois é, mas parece um Canal Livre (Band), não um Roda Viva.
Ainda nos tempos da Lillian Witte Fibe, quando lá estive, queixei-me da presença de apneas quatro jornalistas convidados, e o diretor então argumentou que era para nós, entrevistadores, termos mais chance de elaborar nossas questões. Ao que eu rebati: quem tem de ter tempo para falar é o entrevistado, não nós. Estamos aqui como mero figurantes.

O Roda Viva de Gabi também resolveu suspender a transmissão ao vivo pelo Twitter. Foi o primeiro programa a botar tuiteiros em cena, dando conta, em miniposts de 140 caracteres, do que lá ia sendo dito.
Gabi sustentou que num programa com 0,8 ponto de audiência, não haveria cabimento em antecipar seu conteúdo pela internet.
Não concordo. O Twitter agrega, não divide nem rouba ibope da TV, ainda mais com um programa de entrevistas.
Agora o Roda tem os mesmos 0,8 e nada de reprecussão nas redes sociais..

Agora, com as saídas de Marília Gabriela e de seus dois coadjuvantes, Augusto Nunes e Paulo Moreira Leite, a Cultura aproveita para reinventar ao Roda, mais ao modo do que era antes, sob o comando de Mário Sérgio Conti. E ele volta a contar com jornalistas convidados, nada de parcerias na bancada e nada de avaliação do entrevistado no último bloco.
Aquela sabatina final, em que os entrevistadores diziam o que tinham achado da entrevista e da postura do entrevistado, francamente, pareceia desfecho de O Aprendiz, onde o candidato eliminado é avaliado em seus pormenores.

Que venha o velho Roda. O resto todo, incluindo o cenário que lá ficou, é só o resto.

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Não que a chegada da Record ao segundo lugar de audiência seja exatamente um fato novo, mas o 30º aniversário do SBT, a serem completados no próximo dia 19, motivaram o staff da emissora a exibir ações de reação para resgatar o ibope (e a vice-liderança) perdido.

Em almoço realizado com jornalistas nesta semana, a filha 4 de Silvio Santos, Daniela Beyruti, admitiu que a emissora perdeu levemente de vista o gosto de seu telespectador. Ressaltou que o SBT sempre foi quem melhor soube falar com a classe média, e agora que todas as emissoras se curvam por ela, hoje dona de 50% do Pa[is.

Em release distribuído à imprensa, a lista de tributos pelo aniversário é encabeçada por título que também promete a retomada do 2º lugar. Nunca foi tão oficial e público o reconhecimento do SBT pelo terreno perdido.

E o caderno de TV do domingo, no Estadão, traz neste fim de semana uma entrevista com Daniela e outros confetes pelos 30 anos do Sistema Brasileiro de Televisão.

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Entrou água na volta da parceria entre Marco Bianchi e Felipe Xavier, dois dos lendários Sobrinhos do Ataíde.

Bianchi, que havia convidado o ex-parceiro para com ele contracenar no projeto de um novo programa a ser oferecido à TV, conta que Xavier “não pode ou não quis” acompanhar o ritmo de um produto que vem sendo milimetricamente ensaiado há tempos.

Isso teria atrasado seus planos de retorno à TV, de onde está longe desde que a MTV trocou Paulo Bonfá, o terceiro Sobrinho do Ataíde, e ele, no comando do Rockgol.

O piloto do novo programa de Bianchi está em vias de finalização. A trilha sonora é de André Abujamra.

Enquanto isso, Bonfá, que já estreou no SporTV em tour bem-sucedido durante a Copa América, agora prepara novo programa semanal para o mesmo canal.

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