A desconsiderar breves revezamentos entre imagens em SD – das reportagens feitas pela casa – e HD na transmissão da cerimônia, a Globo fez direitinho a parte que lhe coube. É que sorteio de chaves de Copa do Mundo é coisa chata mesmo, e no clamor das bolinhas em sorteio, melhor era reparar no terno xadrez do Lucas, no penteado do Neymar ou no modelão raio verde da Fernanda Lima. Não fosse assim, a Band não teria cedido aos comerciais lá pelas 16h e engatado a transmissão de Ponte Preta X Portuguesa. Nem a Globo teria interrompido alguns daqueles preciosos momentos com matérias sobre os países citados, ecos da África do Sul e clipão de Brasil com poesia de Pedro Bial. Pedro Bial?
O próprio. Na transmissão internacional, obra que também estava a cargo da Globo, com aval da TV Fifa, o mesmo Bial narrou o texto in english, como endossou a exibição pela ESPN. Mas no Twitter, o melhor canal para se divertir com cerimônias como aquela, a presença do show man, jornalista e poeta inspirou comentários de que estávamos, na verdade, vendo uma versão de Big Brother Brasil. Bolinhas, sorteio, regras estranhas, discurso do Bial, isso só pode ter direção do Boninho (o big boss do BBB), diziam os internautas. Não faltou quem sugerisse a eliminação do “vilão da casa”, “Ricardo Teixeira”. Outros pediam Silvio Santos para comandar a festa. E Tiago Leifert, darling do esporte na Globo, postou: “Tô intendeindu nada”. A Zagallo, que não se esquivou do papel de torcedor e quebrou um milímetro do enfadonho protocolo, internautas lembravam que, olha lá, Zagallo, “sorteio da Copa” tem 13 letras!
É evidente que o espetáculo de gafes e figurinos a desfilar na tela inspirou a inquietude do Twitter. Nesse ponto, Galvão Bueno não perdeu a majestade. Ao lamentar que Ronaldo não tenha ficado mais um ano no futebol para jogar com Ganso, mandou esta: “Já imaginou o Ganso enfiando bolas pro Ronaldo?” Galvão também se encarregou de legendar o tapete verde que dava acesso à cerimônia. Seria uma versão do red carpet que classicamente abre grandes celebrações no mundo todo porque, afinal, temos de prezar a cor da nossa bandeira. Foi bom explicar. Eu mesma achava que era uma ode ao gramado, palco do espetáculo em foco, algo mais universal e menos ufanista. Mas, ora ora, se não fosse ufanista, isto não seria Galvão.
A sexta-feira terminou sem que a Record recebesse de Datena a tão anunciada carta de demissão. Ou assim a emissora alega.
Diz que o impasse só será resolvido nesta segunda-feira.
Mais do que a indecisão de alguém que rasga contratos como quem respira, o que causa espanto nessa disputa de milhões entre Record e Bandeirantes é o foco da cobiça. Com todo respeito à capacidade do apresentador em somar ibope numérico, só o lado folclórico de um profissional que grita no ar e até nos assusta com seus rompantes explica esse episódio.
Sim, porque de tão intempestivo que é, e cada vez mais intempestivo, Datena chega a ser engraçado – mas também desgastante. É como aquelas figuras excessivamente carentes que, de tanta atenção demandada, cansam qualquer interlocutor.
Ontem, Datena se despediu do Cidade Alerta com um “até um dia”. No meio da edição, também se queixou quando a luz do estúdio se apagou. “Vão apagar a luz? Ainda é cedo pra apagar a luz, hein?” Interatividade máxima. Franqueza que encanta a plateia. Assim é que ele segue fiel a um personaem de si mesmo.
A Band, ao fim do dia, confirmou negociações pela volta do apresentador, 43 dias depois de ele ter deixado o Morumbi. Mas, internamente, o retorno é dado como certo.
No dia 9, o SBT anuncia a bateria de eventos programada para festejar os 30 anos da TV de Silvio Santos.
O aniversário de fato será no dia 19, e já há alguns meses o SBT vem cumprindo sua sessão nostalgia com cenas de sua história, sem desprezar quem se debandou para outros canais. Vide Gugu, Jô Soares e Serginho Groisman, que tiveram lá a devida homenagem.
Saem uns, entram outros, vão e vêm outros tantos, mas o que não muda é ele, Chaves, a atração mais duradoura, depois do próprio dono, é claro, na trajetória do SBT. Sem querer querendo.
Bem no capítulo de Insensato Coração visto agora há pouco, coisa que já estava gravada e editada desde ontem, estendeu-se um discurso contra a homofobia, nas vozes de Louise Cardoso e Rosi Campos. Louise explicava que seu receio em relação à descoberta de que o filho é gay vinha apenas da violência dos ditos “pitboys”.
Ainda nesta terça, no rastro do que Marcelo Rubens Paiva anunciou anteontem, aqui nesta blogosfera do Estadão (“Casal gay já era”), e dos detalhes que Keila Jimenez enumerou na Folha de S.Paulo de ontem, Mário Viana postou no Facebook a infeliz coincidência: enquanto a Globo bota freios no debate sobre homofobia na novela das 9 e que, na melhor das hipóteses, serve à discussão em torno da criação de uma lei que passe a criminalizar homofóbicos, um pai apanhou de pitboys na vida real por ter seus gestos de afeto com o filho confundidos como homossexualismo por gente mal resolvida.
Bem a Globo, orgulhosa de tantas causas vastamente abraçadas em seus merchandisings sociais.
Frear beijo gay sob a justificativa de que isso não é cena para todos os públicos já não é algo aceitável. O canal alega que deve se dirigir à massa e contemplar todos os perfis de público, vá lá, mas frear a discussão em torno da questão, sem necessariamente fazer desfilar cenas que, no entender da direção da Globo, poderiam horrorizar os héteros, é excluir uma parcela dos perfis cobiçados. Ou não? Ora, ora, são ou não os gays consumidores excepcionais, em geral não comprometidos com gastos com educação de filhos? Daí não ser inteligente excluir (ou “neutralizar”) esse perfil do bolo que sustenta as altas cifras cobradas pela Globo do mercado anunciante.
Isso entra para a conta dos episódios que a Globo passará anos a explicar, como acontece até hoje com Proconsult, Diretas Já e Collor X Lula no Jornal Nacional da véspera da eleição de 89. Na ficção, a direção da Globo interferiu em O Salvador da Pátria, de Lauro César Muniz (também pelo contexto da eleição de 89), em O Pagador de Promessas, minissérie de Dias Gomes que teve 4 capítulos decepados, e em Anos Rebeldes, do mesmo Gilberto Braga, que, para Roberto Marinho, estava assim, digamos, com teor militante muito forte.
É uma pena que a discussão da vez em torno do casal gay da novela Insensato Coração seja interrompida, se é que assim será (quero crer que a emissora se envergonhe ligeiramente da censura total e absoluta em torno do assunto). Era a primeira vez que um rapaz se descobria saindo do armário, com todos os conflitos que isso implica, o que torna o episódio algo inédito na nossa teledramaturgia. Todo o tratamento em torno do par vinha sendo feito de modo mais do que elegane, incapaz de ofender classes C ou D ou de espantar evangélicos para a Record, como se cogitou (como se classe C ou D excluísse gays, personagens que por esta ótica seriam elitistas, e como se evangélico implicasse unicamente opção pelo sexo oposto).
Um atraso. E bota delay nisso.
Ironia boa do destino é que Jean Willys, o deputado a defender a criminalização da homofobia por meio de lei, é uma obra da Globo: foi o único ser pensante que venceu aquele Big Brother Brasil, e lá cativou a audiência justamente ao combater atitudes homofóbicas. O público ficou com Jean. E a Globo, fica com quem?
A lista de atrações do Rock In Rio era para ser anunciada pelo Jornal Nacional em primeira mão, mas um intervalo antes de a notícia ser proferida ali na bancada de William Bonner, um comercial na própria Globo se encarregou de denunciar o pacote de atrações.

Acima, a dupla com o assistente de estúdio Luis Camargo
‘Em comemoração ao Dia Mundial do Rock os apresentadores Amigão (Paulo Soares) e Antero Greco retornaram para o último bloco do programa com os seus rostos pintados com a maquiagem do Kiss. Com a música ‘Rock and Roll all Nite’ tocando ao fundo, “Gene Amigão Simmons” comentou sobre o passado amoroso do músico: “O cara é pegador…cinco mil mulheres já”. Enquanto isso Antero ‘Paul Stanley’ Greco perguntou: e o Stanley? O cara é fera também, respondeu Amigão.
Foi em tributo ao Dia Mundial do Rock que o Amigão, Paulo Soares, e Antero Greco voltaram caracterizados como Gene Simmons e Paul Stanley, ambos da banda Kiss, no último bloco do SportCenter, na ESPN, anteontem.
Com a música ‘Rock and Roll all Nite’ ao fundo, “Gene Amigão Simmons” comentou sobre o passado amoroso do músico: “O cara é pegador…cinco mil mulheres já”. Antero não deixou por menos: “e o Stanley?” “O cara é fera também”, respondeu Amigão.

Os astros de ontem e hoje: impacto
O Twitter fez sua parte nos ecos ao novo Astro, mas ocupou-se quase que tão somente dos glúteos de Thiago Fragoso, seguidos pela perfeição – estética e artística – de Regina Duarte e, alguém ainda lembrou, de outro (quase) nu, com o próprio Astro, Rodrigo Lombardi.
Faz parte do show, esse clamor pela alegoria da coisa, mas, justiça seja feita, convém gritar como o acabamento é primoroso. Luz, estética humana (e dá-lhe filtro de pós-produção para aplacar ruguinhas e enaltecer contrastes), edição, direção de interpretação, tudo está no lugar.
Ao fugir da insaciável patuleia que o persegue munida de paus e pedras, pronta para agarrar o vigarista que se valeu das obras da igreja para assaltar o bolso dos cidadãos locais, Rodrigo Lombardi é quase quase aquela galinha que, caçada como ele, mas comandada por Fernando Meirelles, abre e fecha o filme Cidade de Deus. Obra de direção e edição, aqui sob as rédeas do Mauro Mendonça Filho.
E foi sem pirotecnia, em fogo brando, que o diretor colocou os dois astros, de ontem e de hoje, frente a frente. Promoveu o impacto demandado pela ocasião. Sem apelo. Bastou a repentina aparição de Francisco Cuoco e uma frase certeira, naquele timbre de quem tudo pode adivinhar, para escancarar um sorriso em quem, como eu, tem naquele turbante de 1977 uma forte lembrança da infância.
Nádegas à parte, Thiago Fragoso nunca foi tão eficiente na arte de comover a plateia, e veja que lhe sobra a ingrata missão de ocupar um papel que foi de Tony Ramos.
E como todo mundo parece tão bonito em cena, reparou? Lembrei do Luciano Callegari, ex-manda-chuva no SBT, que dizia sempre: “Na Globo, até fulana de tal (melhor omitir nomes) fica sedutora”.
Regina Duarte, desde que sofreu de medo, nunca esteve tão bela.
Carolina Ferraz? Deslumbrante.
E a maquiagem?
E o figurino?
De quê falar mal?
Até o Henri Castelli está a nos convencer, e aí entra a certeza de que há um trabalho de direção de atores no novo Astro, expediente que o ritmo industrial imposto às novelas geralmente atropela.
A gente poderia se queixar que a vida real parece fake diante de tamanha perfeição, mas não. O Astro da vez não padece dessa estilização, ainda bem. O esmero técnico não nos leva à trilha de tijolos amarelos do Mágico de Oz, como acontece em outras produções onde o mundo se assemelha a um grande photoshop.
Maurício Stycer, lá no UOL, já se antecipou na publicação da frase que me fez levantar do sofá para tomar nota, e é exatamente o que norteia a genialidade de Janete Clair: “Todos os seres humanos querem ser enganados, especialmente as mulheres”. Entretenimento na veia.
A audiência respondeu bem, com 28 pontos de média, um feito para a faixa das 23h, mas é de bom tom citar que a Globo foi de Tapas e Beijos para a estreia e depois para Profissão Repórter sem um único intervalo. A ver o que virá.
Eu já vou me espalhando no sofá.
A Band divulga com orgulho que vem promovendo palestras às candidatas a Miss Brasil .
A primeira, dada pelo novo chefe da comunicação da casa, Marcio Tadeu, foi sobre como elas devem se comportar e falar em entrevistas, com dicas certeiras do que dizer ou não dizer, do que cai bem e do que queima filme.
A isso chama-se media training: treinar alguém para falar de modo a garantir uma boa imagem.
E é prática que, de tão corriqueira hoje em dia no mundo corporativo, nem cabe mais disfarçar.
Por isso é que todo mundo, em dado momento, parece falar de modo tão parecido
Espontaneidade pra quê, né mesmo?
O comunicado sobre a saída de Justus mal tomou corpo e a Record já anunciou seu retorno.
Nem houve pudor em disfarçar o troca-troca. Anunciam uma saída dali para comunicar uma entrada daqui.
Como dizia a ex-mulher do Galvão Bueno, que cuidava das negociações do então marido com Globo e outras interessadas em seu passe, “contrato a gente rasga quando quer”. Sempre me lembro desta frase quando me vejo diante de casos como este do Justus.
A volta do apresentador, a princípio, está anunciada para um “novo programa”, e não, ou pelo menos por enquanto, para “O Aprendiz”, que já tem plano comercial no mercado publicitário com um menu que assegura João Dória Jr. no comando.
Futuramente, quem sabe?
Por ora, a Record só avisa que o compromisso é para quatro anos.
O SBT acaba de comunicar oficialmente a rescisão “amigável” de contrato com Roberto Justus.
Diz que “depois de dois anos de grandes resultados à frente dos programas Topa ou não Topa e Um Contra Cem, o SBT e o apresentador Roberto Justus decidiram, de comum acordo, antecipar o vencimento de seu contrato”.
Não foram resultados tão bons assim, e o publicitário, tomado da Record a peso de ouro, como troco pela contratação de Gugu Liberato, só foi afagado por Silvio Santos no momento de assinar o contrato. Consumada a troca de canal, Justus enfrentou um sem número de mudanças de horário e chegou a se queixar do patrão a Marília Gabriela, enquanto aguardava para iniciar a gravação de uma entrevista. O detalhe é que ele estava de microfone já ligado e as queixas foram ouvidas e difundidas.
Justus deixou para trás O Aprendiz, onde era muito bem-sucedido, sem encontrar no SBT nada à altura daquele papel. Hoje nas mãos de João Dória Jr., o programa segue seu rumo com efeito.
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