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Cristina Padiglione

Ao propor que as perguntas dirigidas aos candidatos sejam feitas pelos eleitores ali presentes, e não pelo mediador ou de um adversário a outro, o debate da Globo veste um formato que propicia o não confronto.
Mas, claro está que isso, por si só, não se basta como diagnóstico capaz de explicar o grau de civilidade extraordinária (porque jamais antes visto na história desta campanha) entre Dilma Rousseff e José Serra no programa recém-encerrado pela Globo.
Em debate da Globo, não há quem não pise em ovos. A massa alcançada na ocasião recomenda que toda cautela seja pífia na emissão de cada palavra. Além e além do que cá já foi dito, é a última chance de mandar algum recado em larga escala para seduzir eleitores de todo canto e espécie. E, em eleição, perdão, mas o dito popular se inverte e é a última impressão aquela que há de ficar.
Muito sutilmente, Dilma citou uma máfia de sanguessuga aqui, Serra mencionou um escândalo de aloprados ali.
Foi um festival de cinismo, vá lá, ainda que ao final da sabatina, segura de seu controle emocional, a candidata tenha se permitido concluir que foi “uma campanha dura”, tendo se chateado com “calúnias” a seu respeito, difundidas via internet, panfletos e até telefonemas, disse.

William Bonner nem endureceu nem perdeu a ternura. Foi mediador sem cara trancada, mesmo sendo incisivo na tarefa de encerrar a fala de cada candidato, quando o tempo vencia (e sempre vencia). Permitiu-se engrossar risos da plateia quando a petista atribiuiu ao relógio, e não a ele, a culpa por uma falha no cronômetro. Aplaudiu junto com os presentes ao final e, o principal, não pronunciou a falível frase de todo mediador de debate (“eu pediria à platéia que não se manifestasse”). Ora, ora, já que as torcidas sempre se manifestam, Bonner, espertamente, interpretou o feito como uma celebração à contribuição da ocasião para a democracia. Fez o simpático e escapou do papel de tio desobedecido.

A audiência respondeu com25 pontos no Ibope, segundo dados preliminares na Grande São Paulo, onde cada ponto equivale a 56 mil domicílios.

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Silvio de Abreu se orgulha de dizer que Passione, sua novela atual, tem apenas 37 personagens. Manoel Carlos, por exemplo, normalmente passa dos 100, mas isso cria uma série de papéis que vão sumindo de cena ao longo da história, visto que é impossível criar argumento, ou mesmo situação, para tanta gente ao mesmo tempo.
Mas Passione é tão enxutinha, que os romances se resolvem todos em família. As personagens têm dupla função.
Agora temos a confirmação de que Fátima (Bianca Bin) é mesmo filha de Gerson (Marcello Anthony), o que endossa a posição de Sinval (Kayky Britto) como seu primo em primeiro grau. Fátima também já copulou com o cunhado, irmão de Sinval, o drogadito Danilo (Cauã Reymond), também seu primo, portanto.
Antes disso, vimos Lorena (Tammy Di Calafiori), irmã de Sinval, namorar Agnello (Daniel de Oliveira), igualmente primo em primeiro grau da moça. Agnello descobriu, no entanto, que amava ‘da vero’ a Stella de Maitê Proença, mãe de Lorena.
E, sendo Felícia (Larissa Maciel) a mãe de Fátima, ex-Gerson, teremos agora a confirmação de que Totó (Tony Ramos) pega a ex-cunhada.
Isso sem falar na bigamia de Berilo (Bruno Gagliasso), que casou pela segunda vez justamente com a tia de sua primeira mulher, no caso, Jéssica (Gabriela Duarte), cuja sobrinha é Agostina (Leandra Leal).

É ou não é um Álbum de Família?

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A Globo acaba de colocar à venda as cinco cotas de patrocínio para a próxima edição do Big Brother Brasil: a 11ª edição estreia dia 11/01/2011, data plenamente cabalística. E comercial, o que de fato interessa.

Cada vaga é oferecida ao mercado por R$ 16,4 milhões, ou R$ 2,9 milhões a mais do que uma cota do BBB10.
Nem tudo é inflação do período, bem dito. A Globo garante aos anunciantes novos e bons benefícios, como a engorda da vitrine: basta dizer que a globopontocom passa a fazer parte do pacote de exposições prometido aos anunciantes.

A casa agora terá dois andares. Faz parte do show, e de como Mr. Boninho consegue, a cada ano, repaginar o formato com detalhes e adereços capazes de derrubar as mais consistentes teses sobre o fim da era dos reality shows. A audiência vai caindo, não necessariamente porque o programa esteja em desgaste, mas porque a própria média de audiência geral da Globo vem despencando a galopes.
O faturamento, no entanto, não acompanha a queda no Ibope. O BBB tem se aprimorado nas oportunidades de exposição das marcas com formatos variados de merchandising.

E o prêmio, que também não acompanha a queda no Ibope, vale R$ 1,5 milhão.

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Crédito: Fernanda Fernandes/AE

Como adiantamos, com perdão do cabotinismo, na coluna de TV do Estadão impresso, Vale Tudo levou o canal Viva à liderança de Ibope entre os canais pagos na faixa de 0h45, desde 4 de outubro, quando estreou.

A reprise da novela é um fenômeno de audiência na TV e na web, onde foi capaz de triplicar o número de seguidores do twiter do Viva e movimenta, todas as madrugadas, acalorados fóruns sobre as cenas de cada capítulo.

Na sexta-feira, a brincadeira no twitter era imaginar um remake do folhetim de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres. Ivan, originalmente vivido por Antonio Fagundes, seria hoje Wagner Moura ou Mateus Solano. Glória Pires pagaria os pecados de Maria de Fátima interpretando agora a heroína Raquel Acioli, e Odete Roitman ressuscitaria na pele de Eva Wilma.

Causa ainda nostalgia, não sem espanto, perceber como o que era chique ontem caiu em desgraça hoje. Nada mais divertido, nos dois últimos capítulos, do que constatar como Daniel Filho, com toda a sua canastrice (*), consegue falar por uma cena inteira, sem tirar o cigarro dos lábios. E a gente entende tudo-tudo, cada palavra. O Daniel, de cigarro na boca, fala melhor que muito ator dito experiente por aí, né não?

Tenho taquicardia só de ver aquele frenético (moderníssimo para a época) clipe de imagens, ao som da Gal para a letra de Cazuza na abertura.
E digo amém ao Frejat proferindo “saudações, a quem tem coragem / aos que estão aqui pra qualquer viagem (…) A felicidade é um estado imaginário”

(*) Falo em canastrice, aqui, no melhor sentido, e isso é bem possível. Foi Nelson Rodrigues que, ao ser acusado como tal, concluiu que o canastrão chega mais rápido ao coração do público. Daí seu inestimável valor. Tamos com o Nelson.

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Sim, como já denunciava o ritmo do capítulo de sábado e este blog comentou, foi Saulo/Werner Shünemann quem bateu as botas, mas em situação que não fora divulgada entre os cinco homicídios gravados para manter o suspense da novela. Ou seja, a Globo gravou 6 opções de cenas para 1 eleita, uma chacina em Passione. Nada como ter dinheiro em caixa.

A audiência foi recorde por 1 ponto porcentual (56 mil domicílios a mais): na semana passada, a novela das 9 a Globo já tinha alcançado 40 pontos de média, ontem foi a 41, segundo prévia de audiência do Ibope. Se feriado não fosse, é certo que a média seria superior. A amostra do Ibope na Grande São Paulo, praça de referência dos números aqui citados, não considera, afinal, casas de veraneio.

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O debate de ontem, embora tenha sido o melhor até aqui, com alta temperatura em estilo bateu-levou instantâneo, manteve a Band em quinto lugar no ranking de audiência do Ibope na Grande São Paulo.
No horário, a Globo teve 18 pontos de média, ante 13 da Record, 7,9 da RedeTV!, 7 do SBT e 4 da Band.

Em relação ao debate presidencial de primeiro turno realizado na própria Band, o encontro de ontem rendeu-lhe 1 ponto a mais no Ibope em São Paulo.
Em relação à repercussão na web e o que virá na propaganda eleitoral a seguir, mais ecos nos jornais, etc., o ganho é inestimável e vai bem além dos domicílios onde a TV foi sintonizada na Band na noite de ontem. Como diz Fernando Mitre, o diretor de jornalismo da Band, o programa dá o tom da campanha neste segundo turno.

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Foto: Alex Carvalho/Divulgação

Saulo, de mãozinhas cruzadas: no capítulo de ontem, todos os caminhos fúnebres levavam a ele

Antes do “quem matou?”, Silvio de Abreu se esmera na manutenção de um segredo mais árduo de se sustentar: “quem morre?” é a pergunta a ser respondida no capítulo de amanhã de Passione.
Árduo porque, até aqui, o autor da novela das 9 da Globo teve de lançar uma série de pistas falsas em torno da vítima. Depois de cinco personagens anunciarem a promessa de acabar com Fred/ReynaldoGianecchini, o capítulo de ontem terminou com meio mundo passionístico querendo matar, trucidar e queimar vivo aquele Saulo/Werner Shünemann. Já tem gente querendo entregar o cara ao Capitão Nascimento.

Para melhorar o jogo de Sherlock Holmes proposto ao telespectador, Silvio escreveu e mandou gravar a morte de cinco personagens. Além de Saulo e Fred, também morreram, em gravações encomendadas pelo autor, Melina/Mayana Moura, Gerson/Marcello Anthony e Diana/Carolina Dieckmann.
No momento em que Mauro/Rodrigo Lombardi recebe o telefonema que o informa sobre a morte de alguém, mostrado ontem, no final do capítulo, Diana mal acabou de se despedir dele, com aquele jeitinho melado de romance de primeiros dias. É a opção menos aparente de morrer ou de ter matado.
Nem Melina nem Gerson nem Saulo nem Agnello/Daniel de Oliveira nem Fred estão onde deveriam estar naquele momento. Até o noiado Danilo/Cauã Reymond é citado (mas não visto, que o ator não tem gravado por conta de uma cirurgia no quadril) pelo porteiro do prédio como alguém que passou por lá “atrás do seu Saulo”.
E se Saulo de fato matou o pai, Eugênio/Mauro Mendonça (que já ressuscitou na novela das 7) e for morto pelo próprio filho? Sinas, ironias do destino ou coincidências sempre são recurso para bons roteiros, a ver.

Adesso, como diria Agnello, Totó, ou outro alguém do núcleo italiano instalado no Brasil na primeira grande imigração da Bota desde Terra Nostra, punto e basta. É tudo especulação. Quem quiser especular sobre o homicídio de amanhã, faça aí suas apostas, que aqui não paga nada, é só dar pitaco.

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Uma das patrocinadoras de Tropa de Elite 2, a Net ganhou merchandising às avessas no filme de Jos´pe Padilha.
Como o vilão a combater dessa vez são as milícias, não havia como se furtar da pirataria de TV paga nas favelas. Assim, o termo “Gatonet”, genericamente usado nos morros cariocas para falar sobre as ligações clandestinas de TV paga, independentemente da operadora, é citado por várias vezes.
“Não vai ter poste pra tanto Gatonet”, diz um operário. “A gente põe mais poste”, responde o chefe da milícia.
E o Capitão Nascimento, em sua narrativa, endossa: “favelado gosta de TV paga, favelado gosta de acessar a internet…” E quem não gosta, né mesmo, capitão (aliás, coronel)?
A Net informa que o termo já constava no roteiro quando a operadora se interessou em patrocinar o novo longa do Capitão Nascimento. E acha até bom que o termo seja explorado nas bilheterias para discutir a questão da pirataria.

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Além dos cinco debates previstos em rede nacional, Dilma e Serra recebem agora proposta da TV Cultura para serem entrevistados, cada um a seu tempo, pelo Roda Viva.
Os representantes dos dois candidatos foram convidados para um sorteio que determinará quem dará entrevista para a edição do dia 11 e quem falará para a edição do dia 18.

Os debates cá mencionados têm datas certas pela Band (domingo próximo, com novidades no posicionamento dos debatedores e de Ricardo Boechat, o mediador), pelo SBT (dia 22), pela Record (dia 25) e pela Globo (dia 29). A RedeTV! ainda negocia espaço na agenda de ambos para o dia 17.

Em 89, naquele fatídico e histórico segundo turno entre Collor e Lula, os quatro maiores canais de TV da época (Globo, SBT, Band e Manchete) se uniram num pool para a realização de dois debates em um mês. Cada bloco era mediado por um jornalista de um canal e um sorteio determinou os estúdios onde os encontros ocorreriam, cabendo à Manchete e à Band os papéis de anfitriões.
O pool parece bem mais razoável do que essa série de cinco debates em menos de 30 dias, até porque o engessamento de regras atual é muito similar em todos os encontros, mas, o que se há de fazer? Parece que as redes de TV se entendiam melhor 20 anos atrás.

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05.outubro.2010 18:24:16

Susana, lá como cá

Olhaí a Susana Vieira, sempre esfuziante, vestida para cena em participação especial na novela Laços de Sangue.

Não, apesar do título, não se trata da coprodução mexicana da Globo com a TV Azteca, e sim da coprodução da Globo em Portugal, com o canal SIC. O texto tem supervisão de Aguinaldo Silva.

Na semana passada, a Globo festejou a estreia de Entre el amor e el Deseo na TV Azeteca. É uma adaptação de Louco Amor, que Gilberto Braga escreveu nos anos 80, e é uma das quatro coproduções da Globo no mercado internacional. A primeira foi Vale Todo, que não vingou em audiência, feita com a Telemundo, depois vieram El Clon, com a mesma Telemundo, e as duas agora em exibição, uma no México, outra em Portugal.
Na Mipcom, feira de audiovisual que acontece esta semana em Cannes, executivos da TV Azteca atestaram que estudam, entre mais quatro títulos da Globo, qual seria o mais indicado para engatar já uma segunda coprodução com o plim-plim. Tanto falamos mal das novelas mexicanas que estamos nos unindo a elas.
Sim, porque os textos originais são brasileiros, mas todo o resto é devidamente vestido e maquiado dentro do padrão guacamole.

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