A Record levou só 4 pontos de média com os super anunciados especiais exibidos ontem, dentro de uma faixa male male batizada como “200 Anos de História”.
Era tarde, vá lá. Começou às 23h36 e foi até 01h17, quando só os fiéis da Igreja Universal costumam sintonizar a Record.
Por que tão tarde? Por que queimar dois (bons) cartuchos em um único tiro, e por que esse título tão tosco? Quem se permite seduzir por algo que se chame “200 anos de História”? Que história é esta? O nome do enredo é o que convida a bilheteria, ora pois. E, afinal, o caso nem era sobre a chegada da Família Real ao Brasil, como poderia parecer.
Só mesmo a opção comercial (o título foi devidamente patrocinado pelo Governo do Rio de Janeiro) pode justificar a besteira de empacotar dois especiais numa única embalagem. Ali estava uma adaptação, bem-feitinha, honesta, nada pretensiosa, do conto machadiano “Os Óculos de Pedro Antão” e um documentário com reconstituição ficcional sobre o grande “Grande Sertão Veredas”. Vê lá se Guimarães Rosa merece horário de Igreja Universal?
Para quem pragueja pelo fim do formato do “Big Brother” há pelo menos cinco anos, boa notícia: vem aí a 9ª edição do reality show da Endemol, a partir do dia 13 pela TV Globo, com todos os bons proveitos que os negócios paralelos das Organizações Globo podem usufruir do título. A saber: o canal em pay-per-view da GloboSat já tem mais assinantes do que qualquer outra edição, e o canal Multishow, que durante os três meses iniciais do ano costuma encabeçar o ranking de audiência na TV paga, já vem mordendo sua fatia da nova rodada.
Depois de apresentar o “Nem Big Nem Brother”, Diego Alemão voltará ao Multishow para comandar o programa “A Eliminação”, que estréia dia 8 de janeiro em formato especial, excepcionalmente às 22h45. No dia 15, o programa retorna ao seu horário normal, todas as quintas-feiras, às 23h15. O vencedor da 7ª edição do reality show fará entrevistas exclusivas com os participantes recém-eliminados da casa e enquetes com o público nas ruas para acompanhar a repercussão do programa.
Por todas as contas que bombam a audiência da Globo, do Multishow e do ppv GloboSat nessa temporada, e pela tonelada de e-mails de queixas que chegam à redação para maldizer o BBB, não tem erro: este é um daqueles programas que a massa adora odiar. É hora de malhar o Judas, com todo o despudorado prazer que isso representa. Pode até ser que um considerável time deteste o programa pela fraqueza de se entregar à dependência causada pelo espetáculo (daí o conteúdo detalhista das cartas que nos chegam, sempre bem-informadas sobre o que se passa dentro da casa). Chega a ser divertido. Com todo o respeito àqueles que não gostam e de fato não vêm o programa, um grande público encontra no Big Brother o seu alvo de exorcismo, o mote que lhe faz parecer intelectualmente superior, e a escalação do elenco só faz corroborar nossa ilusão de grande pensador. É fácil, e por que não dizer gostoso, bater nos bastidores daquela casa, meter-se numa vida alheia que não diz respeito a nenhum de nós e cujos escândalos nos são oferecidos de bandeja, à custa de alguma dose alcoólica oferecida aos personagens do picadeiro, vá lá.
De mais a mais, se a platéia estivesse assim tão ofendida com o show do Projac, haveria de debater com mais ênfase o conteúdo da TV Cultura e do Canal Futura, só para o caso de quem não está a fim de desligar a TV.

Não, eles juram que não combinaram o figurino.
Diretor dos canais GloboSat, Alberto Pecegueiro (à direita na foto)sacramentou ontem, com o presidente da Record, Alexandre Raposo, o contrato que dá à GloboSat o direito de transmissão do pacote olímpico (Vancouver e Londres) na TV paga brasileira.
A Record ficará com a exclusividade na TV aberta.
E os dois executivos, que até outro dia mal teriam chance de serem vistos juntos, de improváveis interesses em comum, endossaram o acordo em ritmo de par de vaso, com ternos e camisas exatamente da mesma tonalidade.
A Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) se reuniu na noite desta segunda-feira para chegar a um consenso sobre os melhores de 2008 na dança, na música, no cinema, no teatro, na literatura e, entre outros pontos, na TV (e não é que tem gente, como eu, que ainda acha que esse tubo produz arte?).
Patrícia Pillar foi escolhida melhor atriz, por todas as barbaridades ditas por aquela Flora na novela “A Favorita”, e sem que a atriz altere drasticamente seus angelicais músculos faciais.
O autor da história, João Emanuel Carneiro, estreante no horário, foi outro premiado (não antes de se concordar que há um zilhão de forçadas de barra no seu excelente enredo).
O melhor ator foi Guilherme Weber, pelo grande papel da bicha maldita (porque sarcástico e dono de uma sinceridade cruel) na minissérie “Queridos Amigos”, de Maria Adelaide Amaral.
Premiou-se, ainda na Globo, o musical “Por Toda a Minha Vida”, de produção irregular, uma pena. O título rendeu boas edições, inclusive com reconstituições que escaparam do ridículo, aproveitando boas imagens de arquivo em tom documental, de Nara Leão a Mamonas Assassinas, passando por Chacrinha.
A ESPN Brasil foi agraciada pelo belo documentário sobre a Copa de 1958.
A melhor série foi “9 milímetros”, produção nacional exibida pela Fox.
Houve quem contestasse o prêmio para João Emanuel, houve quem citasse Murilo Benício em vez de Guilherme Weber, houve quem achasse que a série “Alice”, da HBO, merecesse mais do que “9 mm”, e houve até quem botasse em dúvida a maestria de dona Patrícia Pillar.
Mas não houve quem discordasse da escolha do “CQC” como programa de humor. O produto importado da Argentina, pilotado aqui por Marcelo Tas na Band, foi a unanimidade do grupo.
Taí dona Íris Abravanel, assistida por arquibancada lotada de gente só à espreita de um tropeção para acusar: “olha lá, só escreve novela porque é mulher do patrão”.
É verdade que Íris Abravanel só tem uma novela no ar por ser casada com quem é, mas não se pode dizer, pelo menos ainda, que ela vacilou no campo que lhe cabe: o texto.
Também não se pode afirmar, longe disso, que sua novela de estréia, “Revelação”, lançada há pouco pelo SBT, seja uma maravilha.
Bom, faça-se a ressalva de que falamos cá de um só capítulo, mas é dessa prévia que a gente se alimenta para a tal primeira impressão (tomara que ela não fique, que eu bem que torço pela dona Íris).
Vamos ao ponto mais grave: não há um milímetro de intimidade entre o casal protagonista. Mocinho e mocinha estão como água e azeite, química zero. Qualquer par que tenha acabado de se conhecer na balada e esteja ficando pela primeira vez tem mais empatia que o da novela do SBT.
Outra: a montagem é ruim ruim muito ruim (e aí, sim, cabe lá alguma responsa da autora, mas não só dela). Os cortes são improváveis. Bruscas, as passagens de um ambiente a outro não favorecem em nada a chance de o telespectador embarcar na ficção.
E o que dizer da falta de sincronia entre áudio e movimento labial? Piada óbvia há de justificar esse, digamos, pequeno defeito, ao hábito “esSeBeTano” em exibir novelas dubladas (daí sem obrigação alguma com sincronia).
Dá pra salvar na edição? É claro que dá. É o mínimo que se pode fazer para não envergonhar aquela parte do elenco que fez sua cena com competência, casos do Antonio Petrin e da Cláudia Mello, só para citar dois nomes.
Males além disso já não oferecem muitas opções de solução. A novela está praticamente toda gravada.
Alguém por favor dê um jeito nessa overdose de closes que permeia as entrevistas coletivas pós-jogos de futebol, seja de técnicos ou de jogadores. Com recomendação expressa para não deixar vazar no plano de foco qualquer menção ao patrocinador que estampa o fundo da imagem, os câmeras têm fechado radicalmente no rosto dos entrevistados, inclusive cortando parte do queixo e da testa de quem está falando.
É horrorível, ainda mais a considerar que a maioria desse elenco não merece close nem aos olhos da própria mãe. Você olha aquele carão, normalmente repleto de falhas na pele, usualmente nada bonitinho (para usar aqui um eufememismo) e grita de medo. Oras bolas, se é para trocar de canal, melhor seria, aos olhos dos dirigentes desse métier, permitir planos menos fechados, por que não? Por que não manter lá o áudio da entrevista e enrolar o espectador com uma edição do tipo replay de melhores momentos enquanto o sujeito fala?
Seja lá como for, do jeito que a coisa vai, não haverá close que baste na queda de braço com o anunciante. Já tem gente botando o nome da marca no microfone do entrevistado. E logo logo será necessário driblar a exposição do patrocinador de outro modo, amém.
A pergunta é:
Por que alguém como a Vera Holtz, quando faz novela na Globo, tem de se submeter a fonoaudiólogo ou justificar em cena seu belo “erre” de Tatuí?
Por quê???
Pois se o elenco d’”A Favorita”, novela que em tese se passa em São Paulo, com caprichosos planos do Anhangabaú e arredores, perdeu por completo qualquer preocupação em disfarçar os “esses” e “erres” do “Ríiio”?
Não que a gente queira ver o Cauã Reymond, a Patrícia Pillar, o Murilo Benício, o Thiago Rodrigues, a Helena Ranaldi, o Malvino Salvador, a Taís Araújo ou a Angela Leal pronunciando “apartamêntu”, mas não custava nada enxugar os excessos do chiado carioquês, né não? A Débora Secco já está em outra categoria. Começou a novela se esforçando pelo sotaque capiau e, ao crescer na vida, trocou de figurino com a mesma rapidez com que reengatou aquele acento zona sul carioca que a persegue por onde ela vai.
Façamos cá as ressalvas, vai: Mariana Ximenez, Cláudia Raia, Glória Menezes, Tarcisão, Mauro Mendonça, Suzana Faini e Lília Cabral estão de acordo com o contexto do enredo.
Não é bairrismo, não. O enrosco está no “dois-pesos-duas-medidas”, com valores inversamente proporcionais ao tamanho da platéia incomodada. Elementar: se há muito mais gente em São Paulo do que no Rio, o público que não se reconhece no espelho proposto pela Globo é bem maior do que aquele que supostamente estranha o “erre” de Tatuí.