O debate em torno da violência policial não se restringe ao tema dos direitos humanos. Hoje o Estado publicou matéria sobre o recrudescimento dos casos de resistência seguida de morte na polícia paulista. Inúmeras injustiças aparecem, mas o debate vai além. Policiais impunes, que matam sem correr grandes riscos de sanções, costumam se sentir intocáveis e acabam agrupando-se em quadrilhas poderosas. Citamos algumas delas:
Em São Paulo, só nos dois últimos anos, vieram à tona o caso de dois grupos de policiais que, além de matar, atuavam em parceria com traficantes, ladrões, empresários de caça-níqueis, entre outras atividades criminosas. Os Matadores do 18º Batalhão ficaram conhecidos depois do assassinato do coronel José Hermínio Rodrigues, que comandava o patrulhamento na zona norte, em 16 de janeiro do ano passado. Doze policiais foram apontados como suspeitos de integrar o grupos. O coronel foi assassinatos depois de iniciar investigação sobre o grupo, que havia cometido outros assassinatos e chacinas na região.
No começo do ano, conhecemos o grupo de extermínio conhecido como Highlanders que, segundo investigações, era formado por 14 policiais militares do 37º Batalhão. Eles foram acusados de obrigar menores infratores a roubar para a organização criminosa na região do Capão Redondo, zona sul. Também foram denunciados pela prática de extorsões a traficantes de drogas e procurados pela Justiça. Segundo a Polícia Civil, após a prisão dos PMs, os homicídios na área de abrangência da Delegacia Seccional de Taboão da Serra, onde os corpos das vítimas eram abandonados, caíram 50%.
No Rio de Janeiro, estudo do Núcleo de Pesquisa das Violências (Nupevi) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) as milícias já dominam mais favelas no Rio do que qualquer das facções de traficantes de drogas. A pesquisa mostrou que 41,5% das 965 favelas existentes no Rio estavam sob o domínio de milicianos até o final de 2008. As milícias são formadas por policiais e ex-policiais.
No Espírito Santo, a Scuderie Le Coc, associação com registro em cartório da qual faziam parte centenas de policiais civis, militares e federais, funcionários da administração pública, promotores de Justiça, juízes, desembargadores, políticos, empresários e banqueiros do jogo do bicho, foi responsável por inúmeros assassinatos no Estado entre os anos 1980 e 1990. Grupos de extermínio de policiais militares também foram formados em Estados nordestinos como Pernambuco e Alagoas.
Veja também artigo de Miguel Reale Júnior sobre o tema. Em resumo, controlar as forças policiais não ajuda apenas a evitar injustiças contra aqueles que são vítimas preferenciais da violência da polícia – negros, pobres e moradores da periferia. Mais cedo ou mais tarde, todos tornam-se vítimas dessa ameaça.
[...] Bruno Paes Manso acabou de comentar aqui neste blog o recrudescimento dos casos de resistência seguida de morte na polícia paulista, e hoje a Human Rights Watch lança um relatório justamente sobre violência policial (a íntegra [...]
Tentei enviar no espaço dos rankings, mas a página estava com problemas e não aceitou, por isso encaminho por aqui.
Em primeiro lugar, parabéns mesmo pela iniciativa. O debate sobre segurança pública no Brasil realmente carece de um fundamento mais técnico e estatístico e menos emocional.
No tocante aos rankings, gostaria ver com vc se posso lhe enviar por email minhas contribuições acadêmicas nesse sentido:
A primeira (dissertação de mestrado) busca mensurar a eficiência econômica dos estados (e DF) quando da provisão do serviço segurança pública, bem como propõe um método para se incorporar os eventos de causas indeterminadas no cômputo dos homicídios, dando a esses maior robustez;
A segunda é um esforço para se contextualizar a qualidade (ou não) dos gastos federais feitos em favor do setor de segurança pública do DF quando comparados com os efetivados pelos demais estados da federação. Este inclusive foi premiado em 2009 Secretaria do Tesouro Nacional.
Acredito sinceramente que podemos fortalecer o debate com algumas informações ali contidas.
Forte abraço e novamente parabéns pelo trabalho.
Oliveira
Muito interessante o blog.Dá pra se ter uma idéia abrangente de como anda a relação polícia x criminalidade no país.Meus parabéns pelo esforço em mostrar essa realidade triste mas que nos leva a pensar sobre ela.
Parabéns, esse site é muito bom, vou visitar sempre e propagar os artigos linkando para cá ! Parabéns
2010
2009