
Na Delegacia de Polícia de Vila Velha, na Grande Espírito Santo, na quarta-feira da semana passada, 269 homens se espremiam em uma cela para 16 homens. Para dar conta da superlotação, alguns detentos eram colocados no corredor e até na entrada da delegacia. Para evitar a fuga, foram algemados pelos pés e assim dormiam e passavam todo o dia.
Apenas um policial vigiava os presos, que dividiam um banheiro. A cena foi testemunhada pela coordenadora adjunta do Conectas Direitos Humanos, Julia Mello Neiva. A entidade pediu a relação dos crimes que eles haviam cometidos. Boa parte estava detida por causa de furtos. Eram presos provisórios, que sequer haviam conversado com o juiz. “A situação era tão dramática que tinha gente pedindo para ser transferido para a Cascuvi (Casa de Custódia de Viana)”, diz Julia.
Cascuvi, uma das penitenciárias do Estado, tornou-se um dos símbolos da grave situação vivida na segurança pública do Espírito Santo. Esquartejamento de presos, abuso sexual, excesso de lixo, entre outras violações de direitos são alguns dos problemas apontados no relatório.
Ao mesmo tempo que a atual gestão tem tentado dar conta do combate ao tráfico e ao crime organizado que historicamente tomou conta das instituições, falta lugar para mandar os presos. Dos 4.112 presos registrados no ano passado, 31% estavam em delegacias.
A entidade produziu um relatório em que reitera ao procurador Geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, o pedido feito pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária de intervenção federal no Estado. “As autoridades já sabem o que ocorre no Estado. O relatório serve principalmente para chamar a atenção dessas autoridades que que não é possível se omitir em uma situação como a mostrada”, diz Oscar Vilhena, diretor jurídico da Conectas.

Conforme o relatório, sobre as condições de detenção nas unidades prisionais, mereceram destaque as seguintes:
1) Novo Horizonte: presos com marca de mordidas de roedores e presença permanente chorume no piso do estabelecimento devido a enorme quantidade de lixo acumulado; as visitas intimas eram feitas em cima do chorume e do esgoto.
2) Argolas: as embalagens em que são servidas as refeições servem também para deposito de fezes, pois não há vaso sanitário na cela.
3) Departamento de Policia Judiciaria – DPJ de Jardim America: os presos são, literalmente, socados dentro das celas devido à enorme quantidade de detidos; houve infestação de furunculose, vários presos purgavam pus por meses.
4) Departamento de Policia Judiciária – DPJ de Vila Velha: havia um preso seriamente ferido que sangrava muito. O sangue escorria no chão por baixo dos demais presos.

Quem quiser ver a íntegra do relatório, pode baixá-lo aqui (PDF, 1,7 Mb). Existem fotos fortes e não recomendáveis àqueles mais sensíveis a imagens de violência. Vilhena justifica a necessidade de ter anexado as fotos no documento apresentado às autoridades. “Não se trata de mais um pedido burocrático de providências. As fotos ajudam a mostrar a urgência de que algo seja feito”, diz Vilhena.
Oi, Bruno
Gostaria de aproveitar o espaço para falar de um documentário que tem tudo a ver com a temática do seu blog. Estreia no dia 27/11 (SP, RJ e BH) o documentário Entre a Luz e a Sombra, da Luciana Burlamaqui.
O filme fala sobre uma mulher (Sophia Bisilliat) que dedicou mais de 20 anos da sua vida fazendo um trabalho voluntário no Carandiru buscando humanizar o sistema carcerário. O doc fala muito sobre a importância da reintegração dos encarcerados na sociedade e também sobre prevenção, da importância de um trabalho com jovens da comunidade para não ir para o crime. No filme, Sophia trabalha com a dupla de rap 509-E, formada por Dexter e Afro X, na época detentos do Pavilhão 5.
No sábado da outra semana, 21/11, tem exibição gratuita no Espaço da Juventude (São Bernardo) às 15h. O evento é aberto ao público.
Desculpe usar o espaço de comentários para essa divulgação, mas achei que poderia te interessar.
Beijos.
O blog está ótimo. Acompanho cada post.
O relatório sobre a situação das prisões no ES é inacreditável. Aqui em SC a situação é catastrófica, mas não chega nem perto. O pior de ver pessoas encarceradas nessas condições absurdas é ter que ouvir da maioria “bem feito”.
Tanta briga para se obter uma fatia à mais sobre a extração de petróleo do pré-sal e não pinga nem uma gota para resolver essa barbárie ? O que deixa indignado é a distribuição de dinheiro, de forma livre, solta e incondicional, tudo para os bolsos daqueles que devem fazer promessas (e até chorar), para receber o seu quinhão de herança. Para o Rio de Janeiro é prometido 100 mulhões de Reais, apenas por ter caído um helicóptero. E em Minas, o que precisará acontecer para receber alguma promessa ?
Sim, porque, dinheiro existe, do pré-sal.
Cadê os direitos humanos (letra minúscula mesmo) pela ausência de presença deste órgão, que sabe-se lá para quê foi criado, que sempre que se precisa (como um súper-herói)jamais aparece.
Ninguém merece ! nem presos.
Curioso, Bruno Paes Manso, como em matéria anterior, entrevistando o Secretário de Segurança do ES, Delegado Federal Rodney Rocha Miranda(vide http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/11/08/entre-o-crime-organizado-e-o-crack/), para anunciar o seu livro, escrito em parceria com Luiz Eduardo Soares (entrevistado em http://blogs.estadao.com.br/crimes-no-brasil/2009/11/11/mistura-entre-o-moderno-e-o-atraso-no-espirito-santo/), sobre as peripécias de um pseudo-heroi na “luta contra o crime organizado”, o ES pós-Rodney Miranda parecia tão bem. Na matéria de 08/11 e mesmo em 11/11, a alta cúpula da PM, citada como probleminha interno, nem foi consultada pela reportagem, dadas as alegações de crise institucional na segurança, apesar de sua gravidade. Nas matérias apresentadas, a verdade só tinha uma face: a da competência de Rodney Miranda. E agora? Como explicar que os investimentos em segurança pública – diga-se de passagem: os menores em recursos no país, proporcionalmente falando – não estão dando o resultado esperado? Claro que a questão prisional no ES não é problema único da Sec de Segurança, mas, a pergunta principal é: o que de real, em matéria de prevenção ao crime, está sendo realizado por Rodney e sua trupe?
Olá Paulo
A ideia não era apresentá-lo como um herói, mas entrevistá-lo. Um secretário de segurança disposto a falar abertamente sobre os problemas criminais do seu Estado é sempre matéria. Isso não significa que a crise esteja resolvida e a situação do sistema penitenciário é uma das evidências.
Quem vê estas fotos, fica revoltado de ver tantos homens vagabundos, reunidos, comendo bebendo as nossas custas. Eles tem mais é que estarem presos mesmo, e criarem vergonha e limparem pelo menos o lugar que eles dormem.Cada um tem o que merece. Bandidos , que matam inocentes, estupram crianças ,roubam e matam. O lugar deles é onde estão mesmo.São lixo , devem ficar com o lixo.
“Resistência seguida de morte”…
Tadinhos…
São todos uns anjinhos
Pobre inocentes
Vitimados pela polícia injustamente!
Outrora presos, posteriormente soltos
Por um sistema incapaz, de julgar, mander e porque não, executar alguns destes
…Anjinhos, que “resistem” em ser presos e acabam por ser vitimados pela polícia.
Resistência seguida de morte…
Vamos punir tais policiais!!!!
Que livraram das ruas, anjinhos como este
Que matam a sangue frio pais de família
Que vendem drogas as quais são consumidas por nossos filhos
Que aliciam outros para trabalhar em sua causa (perdida)
Vamos punir tais policiais!!!!
Que fizeram o que o sistema jamais conseguiu e conseguirá.
Devido à sua incapacidade, resultado de um Estado falido.
Vamos ser todos hipócritas!
E cobrar mais ação policial na mídia!
Mas se matar bandido, a gente põe na mídia também!
Chama o pessoal “dos direitos humanos” (dos anjinhos).
E puni com rigor, aquele que fez cumprir a lei.
Mas Imagine! EU, não sou assim! Isto é errado!
(Até matarem um irmão ou qualquer parente seu, e sua vontade será a de matar o culpado também!)
Vamos ser hipócritas!
Vamos punir tai policiais!!!
Que utilizam o jargão, para limpar as ruas de um Estado falido.
Ricardo Silveira.
Aiai queem sao os policiais para punir alguem prendem os meninos por causa de uma maconha e adianta prender se dentro das proprias cadeias a droga continua presente.
Se alguem mata uma outra pessoa a policia demora um seculo para chegar agora se alguem denuncia um usuario em menos de segundos os policias ja estao presentes para levar tais pessoas presas
MESMO SABENDO QUE TODOS ESSES HOMENS SÃO VAGABUNDOS CADA UM FEZ ALGUMA COISA ERRADA SE NÃO ELES NÃO ESTARIA LÁ! MÁS MESMO ASSIM EU ACHO UM ABSURDO, ESSES CARAS FICAR VIVENDO ASSIM NO MEIO DE ESGOTOS RATOS A VARIAS OUTRAS COISAS PORQUE ELES TÁMBÉM SÃO MESMO QUE NÃO PARESA, NINGUEM GOSTARIA DE VIVER ASSIM NO MEIO DO LIXO! E A PREFEITURA TEM QUE DAR UMA SOLUSÃO PARA ESSE PROBLEMA PORQUE TODOS ELES TEM DIREITOS!!!!!!!
É a verdadeira banalização de um sistema. Justificação de uma não carneficina (que acontece), fazendo com que os presídios fiquem demasiadamente superlotados. Lugares estes que antes de tudo, serviriam para a concretização de um trabalho de modificação e ressocialização destas pessoas. Um tanto cômico e hipócrita para não dizer desesperador.
ser humano é tratado pior do que um animal..enquanto estas porcarias de politicos roubam cada vez mais..pessoas sendo tratado como se estivesse num chiqueiro de porco..ja to cansada de tanta maldade e corrupçao.. pior que nos cidadoes somos os culpados…..
A quem disse que bandido precisa estar com lixo certamente não pensou muito no que teclou… são seres humanos com iguais necessidades, viver desta maneira não irá melhorá-los em nada, e um dia a pena acaba e vc acha que voltarão para onde? a luta deve ser para a melhoria e não para a piora!!!!
2010
2009