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O assunto em “Correr por aí” já é a 19ª edição da Maratona Internacional de São Paulo, marcada para o dia 6 de outubro. Eu estarei lá, dando passadas no meu

modesto ritmo, topando pela primeira vez o desafio de correr 25km, após participar de três Meia-Maratonas de São Paulo. Este ano, a largada e a chegada das

provas de 10km e 41,195km e caminhada de 3km serão no mesmo lugar, no Ibirapuera, em frente ao Obelisco. A exceção é a minha prova de 25km, com chegada na

Avenida Escola Politécnica, perto da Cidade Universitária.

As inscrições podem ser feitas até o dia 2 de outubro, pelo site www.maratonadesaopaulo.com.br, com taxas de R$ 80 para as corridas – e de R$ 50 para a

caminhada.

Aproveitamos o ensejo para fazer uma homenagem ao Solonei da Silva, vencedor no ano passado com 2h12min25.

Insiro neste post matéria feita por mim para o saudoso e extinto Jornal da Tarde, publicada no dia 30/11/2010.

UM TALENTO QUE VEIO DO LIXO
Um forte cutucão da mulher fez Solonei Rocha da Silva acordar assustado no dia da Corrida de Pedestres de São Francisco de Assis, evento já tradicional de Penápolis.  Ela havia acabado de ver em sonho que ele chegaria em terceiro entre os corredores da cidade, o que renderia um prêmio de R$ 100.  Na véspera, a mulher não o levou a sério quando ouviu que ele pensava em correr e ainda lhe deu bronca.  “Você está é maluco.  Só joga bola, como é que vai chegar na frente do pessoal que treina pra isso?”.

O peladeiro acreditou no sonho, vestiu às pressas o calção que usava para jogar bola e um tênis de passeio.  Até então, sua única experiência em provas de rua havia sido na primeira corrida Yasunaga, uma volta de 3,3 km em torno do curtume onde trabalhava.  Como correu com chuteiras, no dia seguinte sentia tantas dores nas pernas que não conseguia trabalhar.

Solonei cobiçava o prêmio oferecido ao terceiro melhor penapolense.  Havia decidido sair da casa da mãe para morar com a mulher numa casa alugada e precisava de R$ 80 para comprar talheres.  Mesmo parando uma vez para fazer um inadiável xixi, o objetivo, o degrau mais baixo do pódio dos locais, foi atingido.  Depois de superar as dores no baço que acometem corredores inexperientes, embalou e tentou buscar o mais rápido da cidade, Adejamir, o Mica.  Não foi possível, mas aquele pódio foi o início de uma boa carreira.

Sem condições de parar de trabalhar para correr, Solonei prestou um concurso para trabalhar na coleta de lixo de Penápolis.  Foi aprovado e passou a usar as corridas atrás do caminhão e as fugas dos cachorros como treinamento.  Deu certo.  No ano passado, fez um teste em Bragança Paulista para integrar a equipe do Pinheiros.

Foi aprovado, mas como não conseguiu uma licença não remunerada para preservar a vaga conquistada em concurso, adiou o projeto por um ano.  De tanto tentar, acabou conseguindo o apoio do prefeito da cidade.  Com a garantia de que teria seu emprego de volta caso a carreira não desse certo, mudou-se para Bragança. Em novembro do ano passado, chegou a ter dúvidas de seu talento ao correr os 10 km da Prova da Assembleia Legislativa de São Paulo em 30min47, o que lhe valeu o sexto lugar.  No mesmo mês, o quinto lugar na Corrida Pan-Americana, no Rio, com 30min20, deu a ele a indicação de que estava no caminho certo.  Ficou atrás apenas de um brasileiro e de três quenianos.
Sem mordida
Em abril deste ano, o tempo obtido na vitoriosa participação na Maratona de Porto Alegre (2h15min45) o colocou na segunda colocação do ranking brasileiro da prova, atrás apenas de Marílson Gomes do Santos, que tem no currículo duas vitórias na Maratona de Nova York.  Uma lesão, no entanto, o impediu de correr os 42,195 km de Amsterdã.  Para piorar, Jean Carlos da Silva correu na Holanda em 2h15min24 e o jogou para a terceira colocação entre os brasileiros.  Mas nada que desanime um corredor que nunca foi pego por cachorro algum.  Ele deixou um grupo de fiéis torcedores em Penápolis, os companheiros do caminhão de lixo, que sempre lhe telefonam para dar força.  “Acham que a gente não é feliz como coletor, mas nossa autoestima é muito grande.  Damos muita risada debaixo de sol e de chuva, o que nos une bastante. “

 

Até outubro do ano passado (2009), Solonei ainda trabalhava como lixeiro em
Penápolis.  Com apenas quatro meses de preparo para a maratona, venceu a prova de Porto Alegre deste ano.

frase – “Foi uma surpresa o resultado que fiz na Maratona de Porto Alegre.
Mas quero mais.  Acho que tenho chances de ir ao Pan (de 2011)”

Como se sabe, Solonei não só foi ao Pan de Guadalajara, como faturou a medalha de ouro sob o forte calor de Jalisco.

 

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Marcos Viana 'Pinguim'/Divulgação

A terça-feira, 25 de janeiro, foi dia de esquecer enchentes, trânsito caótico, poluição e outras tantas inospitalidades. Os 457 anos da capital paulista foram celebrados com os 10 quilômetros do XIV Troféu Cidade de São Paulo Carrefour Viver, na região do Ibirapuera.

E a corrida representou bem a própria cidade. Oito mil corredores traduziram o mundo que é São Paulo. Brasileiros, argentinos, chilenos, uruguaios e – claro, quando se trata de corrida de rua – quenianos e tanzanianos estiveram na prova.

Melhor para os africanos. Mark Korir (Quênia) e Anastazia Msandai Mhomi Ghamaa (Tanzânia) foram os vencedores com os tempos de 29min48 e 34min33, respectivamente. Rafael Santos de Novais, Solonei Rocha da Silva e Francisco Barbosa dos Santos foram os melhores do País. Entre as mulheres, Michele Cristina das Chagas e Adriana Aparecida da Silva completaram o pódio.

Mas São Paulo tem mesmo espaço (se bem que a entrada para a 23 de Maio foi um pouco apertada) e dá oportunidade para todos. Nem o calor de 30ºC por volta das 8 horas foi problema para os corredores que tiveram parada praticamente obrigatória nos quatro postos para hidratação.

Confira os tempos:

Feminino

1.ª – Anastazia Msandai Mhomi Ghamaa – 34min33

2.ª – Zerfe Worku Boku – 34min38

3.ª – Maurine Jelagat Kipchumba – 35min18

Masculino

1.º – Mark Korir, 29min48

2.º – Marco Joseph Marco, 30min02

3.º – Rafael Santos de Novais, 30min22

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Tiago Queiroz/AE

Matéria publicada na edição desta terça-feira do Jornal da Tarde pelo repórter Alessandro Lucchetti.

Um forte cutucão da mulher fez Solonei Rocha da Silva acordar assustado no dia da Corrida de Pedestres de São Francisco de Assis, evento já tradicional de Penápolis. Ela havia acabado de ver em sonho que ele chegaria em terceiro entre os corredores da cidade, o que renderia um prêmio de R$ 100. Na véspera, a mulher não o levou a sério quando ouviu que ele pensava em correr e ainda lhe deu bronca. “Você está é maluco. Só joga bola, como é que vai chegar na frente do pessoal que treina pra isso?”.

O peladeiro acreditou no sonho, vestiu às pressas o calção que usava para jogar bola e um tênis de passeio. Até então, sua única experiência em provas de rua havia sido na primeira corrida Yasunaga, uma volta de 3,3 km em torno do curtume onde trabalhava. Como correu com chuteiras, no dia seguinte sentia tantas dores nas pernas que não conseguia trabalhar.

Solonei cobiçava o prêmio oferecido ao terceiro melhor penapolense. Havia decidido sair da casa da mãe para morar com a mulher numa casa alugada e precisava de R$ 80 para comprar talheres. Mesmo parando uma vez para fazer um inadiável xixi, o objetivo, o degrau mais baixo do pódio dos locais, foi atingido. Depois de superar as dores no baço que acometem corredores inexperientes, embalou e tentou buscar o mais rápido da cidade, Adejamir, o Mica. Não foi possível, mas aquele pódio foi o início de uma boa carreira.

Sem condições de parar de trabalhar para correr, Solonei prestou um concurso para trabalhar na coleta de lixo de Penápolis. Foi aprovado e passou a usar as corridas atrás do caminhão e as fugas dos cachorros como treinamento. Deu certo. No ano passado, fez um teste em Bragança Paulista para integrar a equipe do Pinheiros. Foi aprovado, mas como não conseguiu uma licença não remunerada para preservar a vaga conquistada em concurso, adiou o projeto por um ano. De tanto tentar, acabou conseguindo o apoio do prefeito da cidade. Com a garantia de que teria seu emprego de volta caso a carreira não desse certo, mudou-se para Bragança.

Em novembro do ano passado, chegou a ter dúvidas de seu talento ao correr os 10 km da Prova da Assembleia Legislativa de São Paulo em 30min47, o que lhe valeu o sexto lugar. No mesmo mês, o quinto lugar na Corrida Pan-Americana, no Rio, com 30min20, deu a ele a indicação de que estava no caminho certo. Ficou atrás apenas de um brasileiro e de três quenianos.

Sem mordida

Em abril deste ano, o tempo obtido na vitoriosa participação na Maratona de Porto Alegre (2h15min45) o colocou na segunda colocação do ranking brasileiro da prova, atrás apenas de Marílson Gomes do Santos, que tem no currículo duas vitórias na Maratona de Nova York. Uma lesão, no entanto, o impediu de correr os 42,195 km de Amsterdã. Para piorar, Jean Carlos da Silva correu na Holanda em 2h15min24 e o jogou para a terceira colocação entre os brasileiros. Mas nada que desanime um corredor que nunca foi pego por cachorro algum.

Ele deixou um grupo de fiéis torcedores em Penápolis, os companheiros do caminhão de lixo, que sempre lhe telefonam para dar força. “Acham que a gente não é feliz como coletor, mas nossa autoestima é muito grande. Damos muita risada debaixo de sol e de chuva, o que nos une bastante.”

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