Giovani dos Santos fez bonito na Meia Maratona Internacional de São Paulo, no último domingo. Ele voltou a colocar o atletismo brasileiro no degrau mais alto do pódio na prova, o que não é nada fácil. No ano passado, o queniano Joseph Aperumoi é que ganhou. O corredor mineiro foi o melhor brasileiro na São Silvestre do ano passado e venceu a Volta da Pampulha. Além disso, chegou quase cinquenta minutos mais rápido do que eu. Mas quem mais me impressionou – mesmo porque nem vi Giovani correr no domingo – foi um incrível corredor veterano.
Estou acostumado a ser superado por atletas bem mais velhos do que eu. Como já rondava a altura do 17º quilômetro, estava bem lento, e tive tempo de observar bem algumas coisas. Esse senhor, que era até meio gordinho, corria calçado em crocs, e com meias pretas. Cansei de ouvir dizer que os tais crocs são confortáveis, mas ignorava que alguém pudesse calçá-los por 21km. Eu não tenho crocs, mas meu filho tem. Sempre peço a ele para não ir à escola com eles. Ele gosta de correr, poderia escorregar e cair…Bom, vou ter que rever meus conceitos.
De resto, estou satisfeito por ter melhorado meu tempo em 20 segundos. Não é nada perto da incrível façanha do corredor de crocs, mas não deixa de ser um progresso.
Alessandro Lucchetti
“Correr por aí” fará um longão no domingo. Já prevendo que me cansarei, poupo meus esforços. Além disso, estamos numa sexta-feira e o gás já foi maior. Portanto, vamos nos utilizar de um expediente utilizado por tantos medalhões da MPB, que relançam regravações. Aqui vai um dos maiores sucessos da história pregressa deste blog. É um texto sobre a Meia de São Paulo. Quem já leu, leia de novo. Quem não leu, leia. E quem não quiser ler…Bom, há outros blogs de esporte aqui. Recomendo a leitura do blog do Baldini. É bom e boxe é um esporte muito legal. E tenho dito.
Aí vai…
Eu podia estar muito mais feliz por ter corrido minha primeira meia maratona inteira, nesse domingo, em São Paulo. Claro que é uma realização, e ainda consegui atingir meu objetivo mais modesto, que era correr os 21,097km em menos de duas horas. Não estou exultante porque fui meio babaca. Sempre gostei de corredores educados, que te ultrapassam tomando cuidado para evitar esbarrões. Um deles chegou a me pedir licença. Dei uma pequena desviada e o cara passou tranquilo e me agradeceu. Mas eu não mantive esse nível de camaradagem e de bom procedimento.
Explico melhor: para me motivar quando fico mais cansado e vagaroso, eu escolho a cada prova um ou mais corredores-referência. Na prova do aniversário do Juventus de 2009, por exemplo, fui ultrapassado por um experiente corredor que chamo de o “tiozão da Scania”, porque ele sempre corre com uma camisa do clube de corredores dessa empresa. Naquela corrida na Mooca, eu me esforcei para aumentar meu ritmo e ultrapassei o forte tiozão a poucos metros da chegada. Sinto que, ao forçar o meu ritmo para me equiparar ou ultrapassar esses corredores-referência, eu estou elevando o meu nível.
Bem, na Meia de São Paulo, neste domingo, 27 de fevereiro, ultrapassei o tiozão da montadora sueca de caminhões logo no início da prova. Sem desafios por quilômetros, encontrei um na Duque de Caxias: um barbudo que foi saudado por garotas de um ônibus como “Bin Laden”. Ultrapassei o barbudo mais ou menos na altura da praça Duque de Caxias, onde uma versão em bronze do patrono do glorioso Exército Brasileiro ergue uma espada em direção aos céus. Li uma vez que Caxias jogava corpos de soldados dizimados pela cólera em águas paraguaias. Teria praticado uma espécie de proto-guerra química durante a Guerra do Paraguai. Além disso, sufocou com brutalidade movimentos populares na época do Império. Seria tão herói assim?
Bem, fui correndo como um verdadeiro herói pelas ruas de São Paulo. Adorei passar pela Estação da Luz, Estação Júlio Prestes e pelo Bom Retiro. Curti especialmente passar em frente a uma espécie de mosteiro de franciscanos na Conselheiro Nébias. Como sempre faço quando me deparo com religiosos, tratei de fazer com os dedos o sinal do capeta. Segundo o documentário “Metal”, do cientista social canadense Sam Dunn, teria sido Ronnie James Dio o inventor do gesto. Grande Dio! Eu me orgulho de ter visto o último show dele no Brasil, no qual cantou como integrante do Heaven and Hell (ou Black Sabbath).
Bom, fui suando e correndo num ritmo honroso até o km 15, o máximo que já havia corrido em provas que finalizei, as São Silvestre de 2009 e 2010.
Face ao desafio de cumprir os seis quilômetros restantes sob temperatura incômoda, tratei de diminuir a velocidade. Tentei transformar um corredor paraolímpico, uma espécie de Oscar Pistorius nacional, numa referência. Mas o cara era bom demais. Fiquei feliz de terminar bem depois desse verdadeiro herói.
Consegui ao menos ultrapassar um deficiente visual que tinha o auxílio de um corredor-guia. Quando já estava contornando a praça Charles Miller, eis que vejo o sósia do terrorista a ponto de me ultrapassar. Me atirei no espaço vago na frente dele, o que obrigou o barbudo a dar uma freada. Ele não gostou, mas foi educado o suficiente para não me xingar. “Pô, sacanagem!”, disse o barbudão lentamente, provavelmente um hippongo daqueles que curtem Raul Seixas Já eu não perdi a oportunidade de xingá-lo.
Fui babaca, Bin. Desculpe. Tomei uma cerveja barata, refleti e resolvi lhe pedir desculpas.
Correr é benéfico, mas tem seus efeitos colaterais. Um deles é o consumo de tempo, que escasseia de uma forma assustadora. Quem corre muito tem menos tempo para ler jornal, por exemplo. Como hoje não corri, pois tive que pegar uma longa fila num cartório, pude me informar sobre algumas coisas que se passam em Brasília.
Fiquei assustado ao saber que um pastor comprovadamente racista e homofóbico se candidatou a presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara…Leia o que escreveu esse cidadão, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), no Twitter: o amor entre pessoas do mesmo sexo leva “ao ódio, ao crime e à rejeição” e que descendentes de africanos são “amaldiçoados”.
“Correr por aí” é contra Feliciano e contra o precoceito. Antes de assumir sua principal missão na vida, a de escrever para este blog, este que lhes escreve já era jornalista esportivo. Recebi de meu chefe no Diário Popular, no início do ano de 2000, uma pauta meio complicada. Como era calouro no jornal, fui obrigado a pagar mico na cobertura da São Silvestre Gay. Sim, fui alvo das tradicionais brincadeiras dos colegas da redação, bem mais barulhenta do que aquela em que trabalho hoje. Fui para a Consolação, onde se iniciava e terminava o percurso de pouco mais de 1km da “prova”, meio contrariado. Ora, eu era um repórter que tinha ambições de cobrir uma Olimpíada, fazer um jornalismo um pouquinho mais sério. Mesmo assim, cumpri minha obrigação: entrevistei Márcio Pantera, o vencedor, e minha masculinidade permaneceu intacta.
Os gays fizeram sua festa, eu fiz o meu trabalho. Portanto, sugiro aos deputados da bancada evangélica que encontrem algo mais útil para fazer. Os gays não incomodam ninguém. Perseguir os outros não é cristão.
Alessandro Lucchetti
Tags: São Silvestre Gay
A Maratona Internacional de São Paulo foi transferida do dia 28 de abril para 6 de outubro. Os motivos alegados pela organização para a mudança são as obras do Monotrilho e o conflito com outros eventos do calendário, como a Meia Maratona de São Paulo, Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.
A prova terá início e término no Obelisco do Ibirapuera, assim como ocorreu em 2007, com a aprovação dos corredores. Se foi aprovada pelos corredores, porque a mudança nos anos posteriores?
As incrições já efetuadas valerão para a prova de outubro. A organização se compromete a oferecer maiores informações pelo “Fale Conosco” do site oficial do evento (www.maratonadesaopaulo.com.br).
Durante quatro dias, inclusive o de realização da prova, será possível visitar a Feira Esportexpo Edição Maratona de São Paulo.
Com a alteração, o Circuito Corujão, Corrida do Trabalhador, Meia Maratona das Cataratas, Meia do Rio e Circuito Ecorrida servirão como seletivas para a Maratona de SP. A pontuação pode ajudar os atletas a obter vagas de cortesia no pelotão Premium da Maratona.
Além da prova de 42km, haverá também corridas de 10km e 25km e caminhada de 3km.
Alessandro Lucchetti
No post anterior, comentei a respeito da Corrida Mais Vida 3M Boldrini, agendada para o dia 26 de maio, em Campinas. Antes disso, no dia 7 de abril, a cidade das Andorinhas vai receber uma prova de 8km, a Corrida Oba, que está se tornando referência no calendário. Há também opção de caminhada de 6km.
Promovida pela Oba, uma rede de lojas especializada na comercialização de hortifrutícolos, o evento oferece um atrativo especial, uma mesa com mais de 22 metros, na qual será oferecido um café da manhã com seis toneladas de frutas depois da prova.
Antes da corrida, um DJ tentará animar os corredores. A hidratação é especial após a corrida, com água de coco. A largada será na Praça Arautos da Paz, perto da Lagoa do Taquaral.
As inscrições estão sendo feitas pelo site www.webrun.com.br. Grupos de corredores e idosos têm direito a descontos.
Tem gente que não gosta do Zé Roberto Guimarães, o técnico da seleção brasileira de vôlei que já faturou três medalhas olímpicas de ouro. A ponteira Mari é uma dessas pessoas, penso eu. Acho que é um grande sujeito. Já tive um entrevero com ele, quando perguntei a respeito do suposto amarelismo de nossas meninas da seleção. Lembram daquela época em que o Brasil conseguiu perder até mesmo a final do Pan de 2007? A própria Fofão afirmara, na época, que faltou um pouco de tranquilidade na decisão contra Cuba, mas ele ficou bem bravo. O legal é que Zé Roberto não guarda rancor, e tem bom coração. Foi ele que me informou que um colega que trabalhou comigo por dez anos estava muito doente. Disse que ia visitá-lo em Pirassununga. Aí eu me senti um amigo meio desalmado, por não estar nem ciente da situação. E tratei de pegar logo o carro e rumar para Pirassununga. Afinal, se o técnico da seleção e de um time da Superliga arruma tempo para ir até à terra da Esquadrilha da Fumaça, por que eu não haveria de fazer o mesmo? Fui com o bravo amigo Fernex, aquele das madeixas esquisitas.
Bom, Zé Roberto volta a demonstrar que tem um grande coração. Ele é o garoto-propaganda da Corrida Mais Vida 3M Boldrini, que está agendada para o dia 26 de maio. Não cobra nada por isso, é claro. A largada será na Praça Arautos da Paz, próxima ao Parque do Taquaral, em Campinas. Tudo o que a corrida arrecadar em inscrições será integralmente revertido para o Centro Boldrini, hospital especializado no tratamento do câncer infantil. O trajeto inclui importantes avenidas da cidade de Carlos Gomes, como Orosimbo Maia e Norte Sul, além da ainda bela (e infelizmente poluída) lagoa. É possível fazer inscrição pelo site www.noblu.com.br.
A expectativa da organização é reunir 3 mil corredores. Eu serei um deles! “Correr Por Aí” também tem bom coração. Às vezes.
Alessandro Lucchetti
Acho insuportável o Fantástico. A noite de domingo é um duro momento, aquele em que temos de nos preparar para encarar a horrível face de uma segunda-feira. Nesse momento, nada difere mais do meu estado de espírito do que a empolgação alucinada de Zeca Camargo e do irmão mais famoso de Oscar Schmidt e suas múltiplas e pseudoengraçadas entonações que emprega para comentar a rodada de futebol.
Mas o Doutor Drauzio Varella é legal, salva um pouco o programa. No último domingo, tive insônia, acordei cedo e fui correr naquela obra de famigerado nome, o Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão. Lembro-me bem de uma série sobre o corpo humano narrada pelo doutor. Umdeles abordou “A Grande Corrida dos Espermatozoides”. E não é que me deparei com a Grande Corrida do Doutor Drauzio?
Ele é alto, corre com passadas largas, aproveitando a temperatura agradável das primeiras horas da manhã. Lembra um pouco Joaquim Cruz, mas corre olhando para o chão, talvez querendo evitar que alguém o reconheça e lhe peça uma dica de saúde. Imagino que seja abordado por uma razoável quantidade de malas por semana. Eu me senti bem por estar correndo no mesmo horário que ele, me cuidando. Com certeza, trata-se do período mais recomendável para evitar os malefícios da exposição ao sol. Viverei mais alguns anos por causa desse zelo? Sei lá. Preciso comer mais cenoura.
Por falar em ‘sei lá’, outro personagem interessante do Minhocão dominical matutino é o estranho corredor que a todos cumprimenta. Que simpático cidadão! Hoje em dia, uma pessoa que cumprimenta desconhecidos em São Paulo é tão exótica como os “Cavaleiros que dizem Ni”, do Monty Python. E faz sucesso esse ser simpático. Uma corredora loira o cumprimentou toda animada. Talvez seja contagiante essa simpatia, mas tenho anticorpos. Ela reparou que eu, que vinha logo atrás do falastrão, sorri. É possível que também esperasse de mim um ‘Bom Dia’, mas sou tímido. O “Corredor que diz ‘Bom Dia’” é mesmo raro e não ousei imitá-lo.
Bom, como é desejável que todo post contenha algo de útil, fica aqui a minha dica para o pessoal que corre nas adjacências, como a avenida Sumaré. Arrisque percorrer o Elevado. Não passam carros ao redor e é bem mais relaxante correr despreocupadamente, sem ter que prestar atenção nos cruzamentos. Aquele abraço e bons treinos. Para quem for treinar, é claro.
Alessandro Lucchetti
O que seria de nós sem os marqueteiros? Provavelmente consumiríamos menos. Esses queridos profissionais estão sempre dispostos a inventar algo para divulgar marcas e ocupar espaço na mídia. E “Correr Por Aí”, atento às correrias dos marqueteiros que se esfalfam perseguindo essa meta, aceita oferecer o seu valiosíssimo espaço a ideias mirabolantes. A programação da terceira edição da Corrida de Farmácias Walmart contém um divertido evento: a corrida com carrinho de supermercado. Eu já pratiquei a modalidade mais radical desse fabuloso esporte. Quem conhece o Sonda da Avenida Matarazzo já viu a rampa que liga o estacionamento ao supermercado. Descer com o carrinho cheio, sem freio, é X Games Puro. Essa corrida da Walmart é mais tranquilinha. Tem percurso de 100 metros e é feita com os carrinhos vazios. Os vencedores ganham um carrinho cheio. Um excelente prêmio, porque fazer compras a cada vez se torna mais penoso para o assalariado do tipo menos privilegiado. A corrida do Walmart será no dia 10 de março. Os percursos são de 11km e 5km, dentro da USP. Sugiro ao amigo Paulo Favero, que mora lá perto, no Butantã, que prestigie o evento. As incrições podem ser feitas pelo site da Corpore (www.corpore.org.br).
Como ‘Correr Por Aí’ também é rock, sugerimos a audição de uma faixa do segundo disco dos Titãs, intitulada Dona Nenê. A música aborda o tema aqui proposto, as corridas de carrinhos em supermercados. Gravado em 85, esse disco era do tempo em que os Titãs eram oito. E Branco Mello, mais jovem, não ia todos os dias ao programa da Fátima Bernardes naquela época.
Associar corridas a passeios em bela paisagens deixou de ser novidade há muito tempo. Aliás, talvez nunca tenha sido. Afinal, quando Fidípedes, sem saber, inventou a maratona, estava percorrendo quilômetros das belas terras gregas. Correr vale a pena até mesmo na simpática feiúra do Elevado Costa e Silva. Mas percorrer terrenos do belo Vale de Uco, em Mendoza, na Argentina, é bem melhor. Essa é a proposta da Meia Maratona Pelos Caminhos do Vinho, programada para o próximo dia 23. Ainda há inscrições abertas. O site é http://maratoncaminosdelvino.com. Só não vale ficar apenas no Gatorade depois de cumprir o percurso. Há também a opção de prova de 10km.
Alessandro Lucchetti
Ressuscitamos o “Correr Por Aí”. Assim como tantos corredores de fim de semana, nosso blog perdeu o fôlego, sentou no sofá, criou barriga. Pensou em voltar, pensou mais um pouco, depois mais um pouco e voltou. E não vamos parar mais, assim esperamos. Como se sabe, um corredor aprecia bastante o momento em que para de correr. A tarde de um domingo que teve parte de sua manhã preenchida por uma prova de 10k é um grande deleite. É fato que boa parte do pique para passear no fim de semana se esvai. É o momento de curtir uma boa preguiça com a sensação do dever cumprido. Na tarde do último domingo, me joguei no sofá para assistir a “São Paulo S/A”, clássico (1965) dirigido por Luiz Sérgio Person estrelado pelo grande e saudoso Walmor Chagas, com Eva Wilma e Darlene Glória.
Além de todos os méritos do filme, um dos melhores que o cinema nacional já foi capaz de conceber, fazem parte dele imagens preciosas da São Silvestre. Depois de brigar com a namorada Luciana (Eva Wilma), Carlos (Walmor), passa a noite bebendo, e se depara com os corredores da SS. Foi uma bela oportunidade para reencontrar o glamour da prova. Quem tem carinho pela corrida de rua mais tradicional do país não pode perder. São apenas alguns segundos de belas imagens. Recomendo fortemente. “São Paulo S/A” faz parte dos acervos das melhores locadoras. Não tem na sua? Então ela não é tão boa assim.
Alessandro Lucchetti
2013
2011
2010
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