A maioria das coisas na vida são previsíveis, o que dá ainda mais valor às surpresas. As agradáveis, claro. Nem por isso as tais coisas previsíveis devem criar desapontamento.
Vejam o caso do “superclássico” disputado na noite de quarta-feira na “mítica” Bombonera. Quase todo mundo sabia que seria um joguinho sem-vergonha. Até os mais otimistas desconfiavam disso.
E o que aconteceu? Foi um jogo pra lá de mequetrefe, que nem as tentativas de certo locutor famoso de transformá-lo em um BRASIL x ARGENTINA conseguiram salvar.
E o Brasil ainda perdeu no tempo normal…
O que é chato apenas por que foi para a Argentina.
O pior é que teve gente achando que a partida serviria para que a maioria daqueles jogadores que nitidamente foram chamados para tapar buraco aproveitassem para cavar um lugar na seleção.
Isso apesar de Mano Menezes ter dito, claramente, na terça-feira, que esse jogo de nada importaria para a montagem da “seleção pra valer”.
Se importasse, o santista Durval mereceria outra chance. Afinal, jogou direitinho.
Alguém aí quer Durval na zaga da seleção em uma competição oficial?
Ele não deve mais ser convocado por Mano. Já Réver, atrapalhadíssimo em sua primeira chance real, provavelmente continuará a ser chamado.
Convicção é convicção.
A rigor, e para não desapontar aqueles que viram alguma importância no mini, ops!, superclássico, daqueles que estiveram em Buenos Aires dois jogadores podem sonhar com novas oportunidades: Diego Cavalieri e Fred.
Mas não pelo que fizeram na Bombonera.
Diego tem chance “apenas” porque o gol é a única posição que Mano de fato ainda tem dúvida.
Já o problema de Fred era a língua solta, dele e de seu pai. Como parece que se acertou com o treinador da seleção, volta a ser considerado.
É só. O resto, até mesmo o bom Arouca, foi a Buenos Aires passear.
A Colômbia interrompeu a série de seis vitórias seguidas da seleção brasileira. E Mano Menezes continua sem vencer uma seleção tradicional – ou que pelo menos atravesse boa fase, caso dos colombianos.
Mas isso não importa tanto assim.
O melhor do amistoso da quarta-feira à noite no pasto de Nova Jersey (sim, no dito primeiro mundo também tem gramado impróprio para o futebol) foi o comportamento da seleção.
A equipe foi melhor do que o adversário e merecia até mesmo a vitória.
Poderia ter sido melhor se Mano tivesse colocado um lateral de ofício na esquerda, em vez de optar por Leandro Castán. Pelo setor que deveria ser guarnecido pelo jogador da Roma, a Colômbia se criou.
Poderia ter sido melhor, também, se o treinador não tivesse optado por Thiago Neves – que, convenhamos, não anda bem nem no campeão Fluminense – para a vaga de Hulk, deixando Lucas outra vez em segundo plano.
O fator positivo é que ele está mesmo disposto a manter o esquema com dois volantes que fazem muito mais do que marcar e também a abrir mão de um atacante fixo – isso, apesar de ter Fred quando quiser.
Neymar faz o 1, do 4-2-3-1, muito bem, e, assim, os três meias podem ser muito úteis na marcação desde a saída de bola. E, com a posse dela, deixam o time bem ofensivo.
Foi um teste de onde se pôde aproveitar algumas coisas.
Algo que talvez não aconteça no desinteressante jogo da próxima quarta-feira com a Argentina, apesar das presenças de Fred e de Diego Cavalieri no grupo dos convocados.
A seleção brasileira vem de uma série de vitórias. Mas só bateu em galinhas mortas. China, Japão, Iraque, África do Sul (cujo pescoço foi bem difícil de torcer)… Nesta quarta volta a ter um adversário propriamente dito pela frente, a Colômbia.
É boa oportunidade para Mano Menezes testar o esquema sem atacante fixo na área. Ele não vai ter Hulk, seu preferido, escalou Thiago Neves – que vem produzindo pouco no Fluminense e, fosse fase mais aguda de preparação, não mereceria estar na seleção -, mas o que vale mesmo é ver como o sistema se sai diante de uma boa equipe.
Também será excelente teste para o sistema defensivo, aparentemente um pouco mais vulnerável após a salutar opção, por parte de Mano, de dois volantes, Ramires e Paulinho, que gostam de sair para o jogo em vez de se limitarem a marcar.
A Colômbia não faz e nem nunca fez parte da elite da bola, mas atualmente tem ótimo time, que realiza excelente campanha nas Eliminatórias e conta com um centroavante, Falcao García, que é um dos três melhores do mundo.
Merece respeito.
Mas é ideal para Mano Menezes finalmente vencer um jogo contra uma equipe importante – no caso, que está em boa fase. Assim, terminará o ano com uma calmaria pra lá de necessária às vésperas de uma temporada importante para a seleção, como será a de 2013.
SUPERCLÁSSICO?
Bom negócio a volta de Fred e a primeira convocação de Diego Cavalieri para o jogo do dia 21, contra a Argentina. Mas ao levar Durval e Fellype Gabriel Mano mostra que o tal “joguito” na vale nada.
A Fifa revela na quinta-feira, 8 de novembro, as sedes da Copa das Confederações. Estamos no dia 2, e a entidade, que normalmente toma suas decisões com boa antecedência – independentemente do anúncio oficial -, ainda não decidiu realmente se o evento-sede será em cinco ou seis sedes.
Tudo por conta da indefinição da Arena Pernambuco.
Pela Fifa, Pernambuco já tinha sido riscado do mapa, e ponto final. Mas o embate político continua forte – e os lobbies junto à entidade, aos cartolas que comandam o futebol brasileiro, à turma do Comitê Organizador Local e ao governo federal são cada vez mais agressivos.
Tirar Pernambuco do mapa da Copa das Confederações será uma derrota do governador Eduardo Campos. O prestígio de Campos, que já era grande na cena política, cresceu após as eleições municipais.
Ele será ator importante nas eleições de 2014. E o governo federal, que pretende manter seu apoio, mas teme vê-lo bandear-se para a oposição, não o quer contrariado.
Esse é um dos motivos que levam o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a empenhar-se bastante pela confirmação da Arena Pernambuco na competição. O outro, claro, está relacionado à própria imagem do Brasil, que precisa mostrar capacidade de cumprir os compromissos.
Mas Rebelo já não se mostra tão otimista.
E o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deu recado importante nesta sexta-feira, em sua coluna na Fifa, ao dizer que o anúncio das sedes é “um momento crucial para nós, organizadores, porque, uma vez iniciada a venda de ingressos, será muito complicado se qualquer uma das sedes vier a ter problemas para receber as partidas”.
É uma posição clara. Tecnicamente, Pernambuco está fora. Mas como uma Copa do Mundo não é feita sem boa dose de política, entre outros interesses, ainda há chance.
Pequena, porém.
Mano Menezes disse, em recente entrevista ao Estadão, que não fecha as portas da seleção brasileira para ninguém – referiu-se, especificamente, à possibilidade do surgimento de um bom jogador de última hora.
Disse, também, que depois de dois anos e pouco de testes e mais de 90 jogadores experimentados, iria diminuir o leque de opções, pois já chegara à conclusão sobre uma base.
Depois disso, convocou Kaká para os amistosos contra Iraque e Japão.
De certa forma, uma novidade. Uma das últimas até a Copa das Confederações – e, por extensão, até a Copa do Mundo.
Agora, na lista para o jogo do dia 14, contra a Colômbia (bom teste, pois os colombianos fazem bela eliminatória), deu novas pistas de que já sabe o que quer.
Mesmo com algumas limitações, por critérios políticos – teve de convocar atletas de clubes brasileiros pensando também na lista para o “jogo do apagão”, dia 21, contra a Argentina – e médicos, pode-se dizer que levará a Nova York o grupo que pretende utilizar na Copa das Confederações.
No gol, Diego Alves e Jefferson, com Victor como terceira opção – Julio Cesar, que ainda não está descartado por conta de sua experiência, e Cavalieri, pelas seguidas não-convocações -, estão cada vez mais longe.
Nas laterais, não se deve levar a sério a convocação do corintiano Fábio Santos. Ele só pegará o avião rumo aos States porque Marcelo e Alex Sandro estão machucados.
O que Mano procura ainda é um reserva para Daniel Alves na direita. E o versátil Adriano, do Barcelona, fica cada vez mais forte.
Na zaga, com Dedé machucado (e já não estava jogando lá essas coisas antes de se contundir), Réver está ganhando uma vaga e Leandro Castán pode crescer – Thiago Silva e David Luiz estão garantidos.
Entre os volantes, a contusão de Rômulo pode abrir brecha para Arouca, novamente chamado. Ramires, Paulinho e Sandro estão garantidos.
Na meia, parece haver uma vaga (ou até duas, pois Thiago Neves ainda não convenceu o professor). E, se Ronaldinho Gaúcho enfim quiser, poderá se juntar a Kaká e a Oscar. Giuliano, bom jogador, nessa seleção só faz número.
No ataque, podemos reclamar, mas Hulk cativou Mano. Neymar é indiscutível e Lucas está bem cotado.
Resta o centroavante. Leandro Damião é preferido pelo treinador, mas precisa se cuidar. Luis Fabiano, e até mesmo Fred (que um mês atrás Mano descartada convocar, não pelo futebol que joga, mas pela língua solta, dele e de seu pai) não estão mortos.
A seleção que jogará contra a Colômbia merece ser observada com atenção, pelo nível do adversário e pelo futuro. É bom vermos como se comporta.
Ah, e o grupo que será chamado para o jogo com a Argentina não precisará ser levado tão a sério assim.
A confirmação da Arena Pernambuco como sede da Copa das Confederações agora é mais uma questão política do que técnica.
O anúncio feito pelo governador pernambucano, Eduardo Gomes, de que o estádio será inaugurado em 14 de abril do próximo ano, teve, na Fifa, efeito contrário ao desejado.
Em vez representar tranquilidade, aumentou a dúvida sobre a possibilidade de aproveitar o espaço e, na entidade, já há quem defenda de forma veemente que Pernambuco deve ser excluído do evento-teste.
Um membro do alto escalão da Fifa confidenciou ao blog que vários de seus pares acham perda de tempo protelar a exclusão da arena, mas que o anúncio não será feito antes de 8 de novembro – data que a entidade definiu para revelar as sedes e o preço dos ingressos – para não criar um desgaste desnecessário com autoridades brasileiras.
A Fifa reconhece o esforço que está sendo feito para que as obras sejam concluídas a tempo, mas entende que o objetivo não será alcançado.
A data de 14 de abril está dentro do prazo que a Fifa determina para tomar os estádios para si, com o objetivo de prepará-los para a competição – a Copa das Confederações começa em 15 de junho e a Fifa e o COL proíbem atividades no campo pelo menos três semanas antes.
Mas a entidade, na realidade, quer que no máximo a partir de fevereiro estejam disponíveis para testes – do gramado, de acesso, dos sistemas de comunicação, das instalações de maneira em geral – e para os ajustes que se fizerem necessários, sobretudo na área de operações.
Gomes, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o presidente da CBF, José Maria Marin, estão entre os ferrenhos defensores da manutenção da Arena Pernambuco na competição.
Por isso, o poder de barganha deles, a influência perante os cartolas da Fifa e até mesmo no governo federal são vistos hoje como a única chance de “salvar” a Arena Pernambuco. Um árduo trabalho de bastidores é esperado nas próximas três semanas em Zurique e em Brasília.
As chances, no entanto, seriam bem remotas, segundo o meu interlocutor.
FORMATURA NO ITAQUERÃO
Neste sábado, 20 de outubro, 62 estudantes que participaram do Programa Caia na Rede, destinado a promover inclusão digital de famíliares dos trabalhadores na construção da Arena do Corinthians, vão ter direito à cerimônia de formatura do curso, no canteiro de obras. É a primeira turma, que teve acesso ao aprendizado de informática, empreendedorismo e desenvolvimento profissional. O Caia na Rede prevê qualificar 400 alunos até 2014.
CASTELÃO DÁ MAIS UM PASSO
A arena de Fortaleza atingiu 92% de índice de conclusão de sua reforma. O campo já está sendo preparado para receber o gramado. A entrega está prevista para 15 de dezembro. Será, assim, o primeiro dos 12 estádios da Copa a ser finalizado.
Diego Alves; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Paulinho, Ramires, Kaká e Oscar; Hulk e Neymar.
Esta é a seleção brasileira que jogará a Copa das Confederações em meados no próximo ano. E, se tudo der certo, também a da Copa de 2014.
Para aqueles, e não são poucos, que reclamavam que Mano Menezes ainda não tinha um time definido, depois de dois anos de trabalho, aí está.
Mano já o tem o time, o que ficou claro depois dos amistosos contra Iraque e Japão, este recém-terminado com vitória brasileira por fáceis 4 a 0.
O treinador tem não só a equipe como o esquema tático – este já definido faz algum tempo. Vai continuar apostando no 4-2-3-1 e já tem preparadas algumas variações.
Uma delas, clara, é a colocação de um atacante de área, que jogue mais fixo, no lugar de Hulk, quando a ocasião exigir. Hoje, esse jogador é Leandro Damião. Mas Luis Fabiano anda será testado. E Fred, se for “perdoado” por Mano pelas bobagens que disse e que fez, é outra interessante opção, até por fazer o pivô muito bem.
A outra variação está na cabeça de área. Mano deixou-se seduzir por dois volantes que sabem sair para o jogo, armar jogadas e aparecer para concluir, como fazem Paulinho e Ramires.
Mas sabe que a zaga fica desprotegida, o que pode ser um complicador contra adversários mais fortes.
Contra o Japão, time rápido, que faz boas triangulações, que apresentou alguns jogadores objetivos, mas que não passa de uma equipe esforçada, esse espaço, essa desproteção, ocorreu em alguns momentos.
Poderá ocorrer com mais intensidade contra uma Argentina, uma Espanha, uma Alemanha…
Períodos mais longos de treinamentos, em que se possa acertar o posicionamento, é bom antídoto contra esse “defeito”.
Mas há outra opção: colocar um volante mais marcador. Nesse caso, Rômulo e Sandro podem entrar no lugar de Paulinho quando necessário for.
No mais, o time é esse. O goleiro Julio Cesar com quase toda certeza ainda ganhará oportunidade antes da Copa das Confederações. Mas Mano, que já convocou 12 goleiros, dá mostras de estar satisfeito com Diego Alves.
Ele ainda se preocupa em encontrar reservas confiáveis para Daniel Alves e Marcelo. O lateral do Barcelona não jogou os dois últimos amistosos por contusão, motivo que tirou o lateral do Real Madrid da partida contra os japoneses.
Por hora, Adriano é o primeiro substituto para os dois, titulares absolutos.
E Kaká ganhou de vez a preferência no meio de campo, pelo futebol e pela experiência.
Mano prometeu que a seleção chegaria à competição que serve de teste para a Copa do Mundo em condições de brigar pelo título. O primeiro passo, definir o time, ele já deu. O time é esse. Quem quiser, já pode decorá-lo.
A única utilidade do amistoso da seleção contra a “China da Arábia” foi o resgate de Kaká.
Na volta à seleção, o meia mostrou que poderá ser muito útil, e importante, para a equipe. Tanto na Copa das Confederações como no Mundial de 2014, quando terá 32 anos.
Seria um erro analisar a atuação de Kaká a partir do adversário. O que interessa mesmo é como ele se comportou nos 71 minutos e 30 segundos que ficou em campo nesses 6 a 0 sobre o Iraque.
Kaká correu, lutou, lançou, tabelou, chutou, cabeceou, arrancou (seu gol foi numa arrancada)… Fez tudo o que nos acostumamos a vê-lo fazer, seja na seleção seja nos clubes.
Mas, acima de tudo, demonstrou alegria, vontade, gratidão por estar de volta. E desenvoltura.
Demonstrou ter aceitado perfeitamente a condição de novato numa seleção cheia de jovens – coisa que outros não fizeram, ressalte-se.
E foi bem-recebido, como deu para ver em seguida ao gol que marcou, quando praticamente todos os jogadores, os que estavam em campo e os que estavam no banco, foram abraçá-lo.
Eu nunca acreditei nesse negócio de “família” no futebol. Para mim, não passa de jogada demagógica.
Para mim, basta bom relacionamento e respeito entre os integrantes para um grupo fazer sucesso. No futebol e em qualquer ramo de atividade. Mas é claro que carinho sincero sempre ajuda.
É o caso de Kaká e os garotos da seleção. Eles o admiram e o respeitam. E começam a gostar dele, ao perceber que é um “cara de grupo” e não alguém que quer os holofotes para si.
Kaká pode retribuir com sua experiência, assumindo responsabilidades quando não for indicado dividi-las, dando confiança ao grupo.
Jogadores como Kaká, o goleiro Julio Cesar (se voltar a jogar bem), Luis Fabiano (se livrar-se das contusões e conseguir se controlar emocionalmente) e Fred (se for perdoado por Mano) podem fazer muito bem a essa garotada na seleção.
Ronaldinho Gaúcho? Huuum, já não sei não.
Mas o fato a comemorar é que a seleção ganha um excelente jogador para as batalhas que estão por vir: Kaká.
Estão chegando mais dois amistosos poucos úteis da seleção brasileira.
Isso do ponto de vista técnico, pois do financeiro serve para a CBF colocar mais um dinheirinho no bolso e para as empresas que “promovem” os jogos da seleção incrementarem suas contas bancárias.
Pelo menos os jogos com Iraque e Japão, duas conhecidas (im)potências do futebol mundial, servirão para o reencontro de Kaká com a seleção.
Pode ser uma boa, pois os dois anos e pouco do trabalho de Mano já demonstraram que jogadores experientes serão importantes em 2014.
Claro, desde que estejam bem tecnicamente.
Fora isso não há muito o que se aproveitar desses amistosos, apesar do discurso oficial do Mano de que é sempre bom reunir a seleção.
Os amistosos são tão fora de hora que até Zico, o técnico do Iraque, reclamou.
Ele tem jogo decisivo pelas Eliminatórias dias depois e teme que eventual tamancada tomada do Brasil jogue lá embaixo o moral de seus jogadores para o duelo que realmente interessa, contra a Austrália.
E os poloneses não parecem muito empolgados com a presença da seleção brasileira em seu território para pegar o Japão. O que lhes interessa é a partida de sua seleção com a Inglaterra.
Tudo bem que o futebol hoje é negócio, que as seleções (não só a brasileira) precisam jogar com frequência para agradar a todo tipo de parceiro e que bola rolando é a melhor maneira de entrosar um time.
Mas quem olha um pouco mais além do nariz vê que, no fundo, jogos como esses com Iraque e Japão são pura perda de tempo – e olha quem nem toquei no fato de o Campeonato Brasileiro ser prejudicado num momento agudo por causa desses amistosinhos mequetrefes.
Diz o ditado que cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. E Mano Menezes dá mostras de que está escaldado. Livrou-se das vaias – e dos pedidos por Felipão – no jogo contra a Argentina disputado em Goiânia no último minuto e não pretende dar chance para que o turbilhão de críticas a seu trabalho volte nesta quarta-feira.
Como o jogo de volta pelo Superclássico das Américas é em território do adversário, ele tende a abrir mão de seu esquema predileto, o 4-2-3-1, para optar pelo consagrado 4-4-2. De quebra, pretende escalar três volantes, os corintianos Ralf e Paulinho e o santista Arouca.
Escalação com três volantes nunca me agrada. Entendo que o time fica muito preso, defensivo. Há exceções – certa vez, Vanderlei Luxemburgo colocou três volantes no Parque Antártica contra o Boca Juniors, mas liberou os laterais e o Palmeiras massacrou: 6 a 1.
Mas aquele Alviverde era um belo time. Melhor tecnicamente do que essa seleção, além de muitíssimo mais entrosado.
Por conta disso, creio que Mano tem seus motivos para ser cauteloso. A Argentina também não é essas coisas, mas joga em casa, precisa vencer para ficar com a taça – no ano passado, quem a levantou foi o Brasil – e deve atacar.
Um tropeço feio pode aumentar a dor de cabeça de Mano (ele não cai agora, como, aliás, escrevi neste espaço logo depois da Olimpíada, mas está longe de ter o emprego assegurado até a Copa do Mundo).
Além disso, caso seja necessário, Mano pode, durante o jogo, tirar um dos volantes para colocar Leandro Damião no ataque, que no início da partida terá Lucas e Neymar.
Amanhã, um empate não será mau negócio, pelas circunstâncias. Mas vencer a Argentina em seus domínios vai ser um alento e tanto para Mano Menezes.
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