Ronaldo foi um dos maiores jogadores de futebol que o Brasil, e por extensão o mundo, já teve.
Responsável direto pela alegria de milhares de pessoas, aqui e além-fronteiras.
É também um grande exemplo de superação.
Não é qualquer um que supera três graves lesões e continua a brilhar.
Brilho que não se apagou nem mesmo em seus últimos momentos em campo, quando as dores e o excesso de peso dificultavam sua relação com a bola.
Quer dizer, não dificultavam, pois ele resolvia com talento e inteligência.
Ronaldo merece respeito, carinho, admiração.
Pelo carisma, Ronaldo virou integrante do conselho de administração do comitê organizador da Copa.
Imagem é tudo neste tipo de evento, ainda mais uma imagem tão reluzente.
Pena que Ronaldo, bem-sucedido também como empresário, tenha resolvido perder o tom crítico quando o tema é a Copa de 2014.
Para ele, tudo relacionado à Copa é bonito, maravilhoso, espetacular.
O Ronaldo promotor não admite críticas à organização do Mundial.
Reclama de perguntas que considera ácidas, não tolera contestação.
Para ele, todos têm de se unir em função da Copa.
Nada de cobrança pelos atrasos nas obras de estádios (quer dizer, a Fifa pode; os brasileiros, não).
Nada de cobranças pelos estouros, enormes, nos orçamentos.
Nada de cobranças pelos gastos excessivos feitos com o nosso dinheiro (apesar de mais de 90% do dinheiro da Copa ser público).
Nada de cobranças pelos atrasos nas obras de mobilidade – estas, sim, representariam o verdadeiro legado para o povo, se realmente fossem realizadas.
Ronaldo defende que o povo precisa de alegria.
Verdade.
Mas fica mais facil ter alegria quando se tem acesso a saúde, educação, transporte decente, segurança…
Enfim, dignidade.
Ronaldo diz que, por onde anda, percebe animação, e aprovação, do povo com a Copa.
Acredito.
Só a sua presença já serve para alegrar qualquer um, fazer com que os problemas sejam esquecidos, ainda que por breves momentos.
Mas, se em vez de ir a lugares predeterminados, ele fosse, por exemplo, visitar algumas das comunidades ameaçadas de desapropriação por causa das obras da Copa, veria que há milhares de pessoas apreensivas.
Não estão, essas pessoas, contra a Copa. Também a querem.
Só não querem pagar o pato, ficar à deriva. Ao Deus dará.
Não querem ter a vida ainda mais complicada.
Já que começou a usar óculos, Ronaldo bem que poderia fazer um esforço para enxergar direito.
Irá ver que a Copa é algo de fato maravilhoso, cheio de fatores positivos.
Mas também tem coisas negativas, que só quem se faz de cego não vê.
Criticar, alertar, desconfiar, cobrar faz parte do trabalho da imprensa.
Sem isso, a parte boa não ficaria melhor. Mas o lado ruim ficaria ainda pior. Muito pior.
Dois vídeos feitos pela Squint Opera em parceria com a Construtora Obebrecht possibilitam uma visão ampla da Arena Pernambuco, estádio que está sendo construído em São Lourenço da Mata, na região metropolitana do Recife, e que receberá partidas da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.
Eles dão a ideia da visão do campo e da arena a partir de vários assentos e também de como pode ser a programação para o torcedor em dia de jogo – uma atividade que vai muito além da partida em si.
Também foi criado um projeto interativo para a visualização dos assentos em 360 graus.
Assista aos vídeos aqui:
É interessante notar a facilidade com que as pessoas esquecem determinados fatos.
Bastou Felipão convocar Ronaldinho Gaúcho para a seleção para um monte de gente – entre eles vários bem-informados jornalistas - lembrar que o presidente José Maria Marin era, e é, um entusiasta do meia-atacante do Atlético-MG.
Verdade.
Nos últimos meses o desempenho e a dedicação de Ronaldinho com a camisa do Atlético-MG encantaram Marin a ponto de, em encontro entre ambos na festa do Brasileiro do ano passado, o presidente dizer ao jogador que contava com ele.
No entanto, faltou lembrar um detalhe.
O mesmo Marin, em maio passado, vetou a convocação de Ronaldinho. Na época, a seleção era dirigida por Mano Menezes e o cartola estava possesso com a falta de profissionalismo do jogador.
Ronaldinho estava brigado com o Flamengo, que lhe devia um bom dinheiro, e envolto no processo que o levaria a romper com o clube carioca.
Eu estava presente num evento na AACD da capital paulista, quando Marin, após informar aos jornalistas que queria ver todas as listas de convocados elaborada por Mano Menezes 48 horas antes da divulgação, explicou que com isso evitaria a presença de jogadores desinteressados na seleção. E completou: “Não preciso nem dizer o nome, mas vocês sabem de quem estou falando”.
Mano obedeceu o então chefe e não chamou Ronaldinho.
Aí, o Gaúcho foi para o Galo, passou a se esforçar, jogar o fino da bola e Marin, que de bobo não tem nada, percebeu que, motivado, ele ainda pode ser muito útil ao futebol brasileiro.
E passou a elogiá-lo.
Bastou para que, ao ser convocado por Felipão, muitos relacionassem a atitude do técnico ao gosto do chefe da CBF.
Nao tem nada a ver. Felipão não é santo, nem burro, e ao contrário do que muitos pensam, costuma ouvir algumas pessoas antes de tomar determinadas decisões.
Mas não permite que interfiram no seu trabalho a ponto de lhe imporem nomes de atletas que devem ou não ser chamados para a seleção.
Romário, em 2002, é o melhor exemplo disso.
Sem contar que Felipão sempre foi fã do futebol de Ronaldinho Gaúcho, sempre o considerou alguém que pode contribuir, e muito, com uma equipe dirigida por ele – tentou que ele fosse pro Palmeiras quando lá trabalhava, por exemplo.
Esse foi o motivo de ele chamar Ronaldinho, não um pedido de Marin.
Acreditar que o presidente colocou o Gaúcho na seleção é o mesmo que achar que Kaká não foi convocado porque ele vetou.
Não tem cabimento.
Fim de férias, minhas, começo de trabalho de Luiz Felipe Scolari na seleção brasileira – um recomeço, uma década depois, entendem alguns -, é um bom momento para retomar o blog.
Foi boa a primeira convocação de Felipão. Por recorrer a jogadores experientes, como Julio Cesar e Ronaldinho Gaúcho, por optar por volantes que não se limitam a marcar e a fazer faltas e por levar vários jogadores jovens que eram do time de Mano Menezes.
Até mesmo as surpresas são interessantes.
Dante jogou na temporada passada muito futebol no Borussia Moenchengladbach e está muito bem nesta temporada com a camisa do Bayern de Munique. Vale a tentativa. Ou experiência.
Filipe Luiz também vem bem na lateral esquerda do Atlético de Madrid (aliás, Miranda também merecia uma chance há tempos).
Como nem tudo pode ser perfeito, faltou Kaká. Ele foi bem nas partidas que jogou sob o comando de Mano, não é mais bem aproveitado no Real Madrid por conta da implicância do Mourinho e merecia estar no grupo.
Isso deve acontecer nos amistosos contra Itália e Rússia, em março.
No geral, porém, Felipão começou bem. Vencer a Inglaterra em Wembley não será fácil. Mais do que o resultado, no entanto, valerá o espírito e o comprometimento que os jogadores demonstrarem.
Que aproveitar o esporte para fazer política embola o meio de campo todo mundo sabe.
O diabo é que nossos políticos não perdem a mania de fazer isso. Como todos estão carecas de saber.
A mais nova iniciativa nessa área vem do Ceará, saída, pelo que consta, da cabeça do governador Cid Gomes.
Ele quer promover uma rodada dupla para reinaugurar o Castelão – cujas obras, aliás, serão entregues no próximo domingo, dia 16, com a presença da presidente Dilma e show de Fagner.
Como Ceará e Fortaleza não toparam jogar entre si no dia 13 de janeiro, a ideia é que ambos ocupem o gramado do Castelão no dia 17. O Ceará contra o Bahia – em jogo marcado faz mais de um mês para o dia 20 de janeiro no remodelado estádio, pela Copa do Nordeste – e o Fortaleza contra o Sport.
Ou seja, muda-se a data de Ceará x Bahia, o dia do primeiro jogo por uma competição e até mesmo a própria tabela da tal competição.
Até aí, tudo bem (quer dizer, tudo mal, mas vamos fazer de conta que está tudo bem).
O problema é que, ao marcar dois jogos seguidos para um gramado novo, a chance de detoná-lo é imensa. É só lembrar o que ocorreu na inauguração da Arena do Grêmio, com o gramado soltando tufos, para ver que não estou delirando.
Ou seja, é grande a possibilidade de o gramado do Castelão vir a precisar de reparos maiores do que a manutenção de praxe logo depois de seu primeiro dia de uso. O que demandará mais tempo – e, quase certo, mais dinheiro.
Tudo para os políticos fazerem média.
Tomara que a ideia não vingue. Os esportistas de verdade torcem por isso.
PAPELÃO
Não tem nada a ver com Copa do Mundo, mas não dá para passar batido a pipocada dos argentinos do Tigre na final da Sul-Americana.
Desde o jogo de Buenos Aires que ficou claro que tudo o que esse bando de pernas de pau queria era arranjar confusão.
Eles podem até ter apanhado dos seguranças do São Paulo, como alegam – e se isso ocorreu, é lamentável e reprovável.
Mas, tivessem se comportado como homens dentro de campo, lá e aqui, não teriam dado margem para violência.
Independentemente disso, o fato é que os argentinos, ao não voltarem para o segundo tempo da partida, foram, acima de tudo, covardes.
Cabe agora, esperar qual providência a Conmebol vai tomar. Se é que se pode esperar algo da Conmebol.
SOL E CERVEJA
Fim de ano chegando, boa hora para tirar uns dias de férias. Nas próximas semanas, o blog dará um tempo para vocês – mas essa é uma pausa que sempre pode ser interrompida… Pero si, pero no, Boas Festas para todos e até 2013!
Duas arenas que receberão jogos da Copa das Confederações estão prestes a ser entregues – o Castelão em 16 de dezembro e o Mineirão cinco dias depois.
As outras ainda causam dor de cabeça à Fifa e ao Comitê Organizador Local.
Mas todas as sedes já fazem planos para o jogo inaugural, o primeiro teste pra valer das arenas.
O Castelão recebe Ceará x Bahia em 20 de janeiro e pode ter um Ceará x Fortaleza ou um jogo da seleção cearense sete dias antes. O Mineirão terá um Atlético x Cruzeiro no dia 3 de fevereiro.
Todos estão ansiosos para ver a bola rolando.
Os baianos, porém, não devem assistir a um jogo de futebol na reinauguração da Fonte Nova.
Promover um Ba-Vi no dia 29 de março, data do aniversário de Salvador, é considerado arriscado pelos responsáveis pela Copa na Bahia. E por integrantes do governo estadual.
O clássico arrastará uma multidão para o estádio e isso pode representar problemas. Tanto para a operação do estádio – acessibilidade, segurança, conforto – como na questão do acesso dos torcedores à arena.
Por conta disso, algumas opções estão sendo estudadas. Uma que ganha força é promover um evento com o ex-pugilista Acelino “Popó” Freitas. Ele é ídolo dos seus conterrâneos, mas não terá um público de Ba-Vi.
Se bem que Popó não estará sozinho. Também é planejado shows com astros baianos da música.
Para a Fifa, o fato de uma arena não ser inaugurada com um jogo de futebol não é problema. O que importa é que seja feito um evento que possa testá-la de fato.
Além disso, a própria entidade estará de olhos abertos a dois eventos-testes que exige das arenas, estes, sim, com a bola rolando.
Portanto, a repaginada Fonte Nova deve começar seu novo ciclo com jabs e diretos. Os gols ficarão para depois.
O sorteio da Copa das Confederações não poderia ter sido melhor para a seleção brasileira. Felipão queria, corretamente, adversários fortes. E os terá.
Até mesmo a ordem dos jogos é favorável, pois o nível dos adversários crescerá à medida que as partidas forem aparecendo.
O Japão, na humilde opinião do blog, não é lá essas coisas – a seleção de Mano mostrou isso recentemente e o time nipônico não será muito diferente daquele que foi goleado em outubro passado.
O México é forte. Tem boa equipe, bateu o Brasil na final olímpica com vários jogadores que estarão na Copa das Confederações. Aliás, últimamente vira e mexe se dá bem em cima da seleção brasileira.
A Itália dispensa comentários.
E, se tudo ocorrer como a lógica sugere – nem sempre a lógica prevalece no futebol, mas isso ocorre na grande maioria das vezes – o Brasil terá Uruguai e Espanha pela frente na semifinal e na decisão.
Isso se chegar até lá.
E se não chegar?
Não haverá problema, desde que, como disse Felipão, a seleção mostre coisas boas e que está no caminho certo.
Sem contar que em 2005 e 2009 o Brasil faturou a Copa das Confederações e ficou longe do título nas Copas disputadas nos anos seguintes.
O que interessa mesmo é que a seleção terá equipes fortes pela frente.
Como vai fazer dois amistosos contra a Inglaterra e um com a França, é um bom cardápio para a Copa do Mundo.
E se no segundo semestre de 2013 os responsáveis pela marcação de amistosos da seleção optarem por adversários fortes em vez de timezinhos mequetrefes, será perfeito.
O sorteio da Copa das Confederações foi o que de melhor poderia acontecer pelo Brasil.
De ruim, apenas a indesculpável falha do cozinheiro Alex Atala.
É isso que dá misturar as estações e colocar “celebridades” para fazer coisas com as quais não tem a mínima afinidade.
Depois reclamam quando o mundo critica ou ri do Brasil…
Uma reunião do grupo construtor da Prefeitura de São Paulo, marcada para a próxima semana, vai definir a liberação da primeira leva de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desemnvolvimento) para o Itaquerão. Participarão sete secretários municipais.
O valor a ser liberado depende de três fatores: índice de conclusão da obra, verificação da equipe técnica da Prefeitura e dotação orçamentária que permite que os papeis sejam emitidos.
O Itaquerão encontra-se com 58% de conclusão, mas não deverá ser esse índice a ser levado em conta. A Odebrecht, responsável pela obra, tem investido do próprio caixa, aguarda também os financiamentos bancários e tem tentado liberar R$ 200 milhões em CIDs – os papeis serão vendidos no mercados e os compradores poderão utilizá-los para pagar impostos municipais.
Na Prefeitura trabalha-se com a hipótese de liberar R$ 160 milhões. Mas não será surpresa se neste primeiro momento o valor a ser destinado aos CIDs for muito, mas muito menor.
Um segundo aporte seria feito nos primeiros meses do próximo ano, já sob a administração de Fernando Haddad.
Luiz Felipe Scolari está de volta à seleção, dez anos depois da conquista do pentacampeonato. Dez anos! Eis a primeira interrogação. José Maria Marin contratou o Felipão de dez anos atrás ou o atual?
Claro, ele não desaprendeu. E experiência tem de sobra. Além do mais, ganha nova motivação ao ter a possibilidade de conquistar outro título mundial.
Resta saber se, não tendo desaprendido, acompanhou as mudanças ocorridas no futebol nestes dez anos.
O rebaixamento do Palmeiras deve ter peso relativo na análise. Assim como o título da Copa do Brasil. O que vai interessar é quanto Felipão ainda tem paciência para suportar cobranças, para tolerar inconstâncias dos jogadores mais jovens, para ser paizão quando necessário e um carrasco quando preciso.
Felipão esconde muito bem, mas sabe ser paciente quando quer. Pelo menos sabia.
Uma coisa boa, que Mano Menezes não teve, Felipão terá à disposição: um coordenador técnico. Pode ser Carlos Alberto Parreira, igualmente experiente, mas faz algum tempo fora da linha de frente do futebol. Pode ser José Carlos Brunoro, que fez bons trabalhos no Palmeiras/Parmalat e está fazendo no Audax.
A parceria pode dar certo, claro, mas convém não encarar Felipão e seu futuro coordenador como salvadores da pátria. Pelo menos até que mostrem a que vieram. Do contrário, o tombo pode ser grande.
Há quem considere que Mano Menezes já vai tarde; outros entendem que agora é tarde demais para a seleção brasileira trocar de treinador.
Nem uma coisa nem outra.
Mano, apesar de fritado desde março, quando José Maria Marin e Marco Polo Del Nero assumiram o comando da CBF, teve chances para fazer os cartolas engoli-lo. Não conseguiu.
O sucessor terá ainda tempo de formar uma equipe forte para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo.
Desde que seja escolhido por seu presente, e perspectivas de futuro, não pelo passado.
Até porque, goste-se ou não, a base da nova seleção será formada por esses jogadores que vinham sendo escalados com mais frequência por Mano.
Vamos ser realistas: não temos muito mais do que isso. E, convenhamos, temos uma boa geração.
Mano caiu por sua insegurança, pela demora em encontrar uma equipe-base, por colocar a seleção na defesa em jogos mais complicados, por não ter sabido escolher seus assessores diretos…
Enfim, por não se mostrar um técnico de seleção.
Mas caiu, sobretudo, por ser herança da administração de Ricardo Teixeira.
Pessoas ligadas ao ex-presidente – que quando precisou sair de cena colocou Marin e Del Nero no poder – não são bem-vindas nesses “novos tempos” de CBF.
Era para ter saído em março; ou após o fracasso olímpico; ou ao morder alguma das muitas iscas lançadas por Marin e detonar o chefe; ou quando, pressionado e desprestigiado, pedisse para sair.
Não fez nada disso, mas sempre deu respostas, indiretas, às críticas do cartola. Foi irritando cada vez mais Marin.
E como a seleção só jogou bola mesmo contra adversários medíocres, acabou dançando.
Não surpreende. Mas é bom ressaltar que ele cai quando finalmente havia encontrado um time-base e um jeito de jogar – pelo menos contra os pequenos.
Agora, resta torcer, e esperar, que a CBF seja objetiva, e não política, na escolha do novo treinador.
Do contrário, será tempo perdido. E, aí sim, não dará mais tempo.
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