Copa 2014

17.julho.2012 10:00:22

É ver pra crer

Dois meses atrás, o presidente da CBF, José Maria Marin, ao justificar viagem que faria dias depois à Inglaterra, disse que um de seus objetivos era verificar o local onde a seleção brasileira ficará concentrada. “Quero garantir que empresários não entrem no local, para evitar a perda de foco por parte dos atletas”, bradou.

Pois bem, a seleção está desembarcando em solo inglês e é hora de ficar atento. Será o desejo de Marin cumprido num momento em que dois clubes ingleses, Chelsea e Manchester City, querem dois jogadores da seleção, Oscar e Lucas?

É de imaginar, até pelos precedentes, que não são poucos, que os dois garotos serão procurados por agentes ingleses. E pelos seus agentes também, visto que eles, principalmente o que cuida de Lucas, não vão perder negócio só porque Marin decidiu “embaçar”.

Até porque, em tempos de internet, telefone celular e “que tais”, não é preciso a presença física de alguém para negociar um contrato. Conversa-se virtualmente e, se for o caso, assina-se depois.

É o que será feito se Marin fazer mesmo valer sua intenção de não deixar entrar corpo estranho na concentração.

Algo que eu duvido irá acontecer. Mesmo porque foi o próprio Marin que convidou vários presidentes de federação estadual para ir a Londres durante a “festa”, ops! Olimpíada. E eles certamente desfilarão pela concentração.

Querem corpos mais estranhos?

Além disso, no sábado um médico francês foi ao hotel onde a seleção estava hospedada, no Rio realizar os exames médicos que permitiram a Thiago Silva oficializar sua ida ao Paris-Saint Germain.

Não era empresário, mas era um corpo estranho à delegação.

Ou seja, se for necessário, Oscar e Lucas -e outros jogadores também, pois clubes italianos, por exemplo, ainda não esqueceram do goleiro Rafael – reivindicarão o mesmo tratamento. Será justo que tenham.

Só espero que, caso a medalha de ouro não venha, tais visitas, se ocorrerem, sejam incluídas no rol de desculpas para o “fracasso’. (Fracasso? só se for por conta de interesses comerciais; fracasso esportivo para o futebol brasileiro de seleções é um só, não ganhar a Copa do Mundo.)

Mesmo porque, convenhamos: em tempos de profissionalismo, jogador que perde a concentração por conta de uma negociação, por mais euros, dólares e libras que a envolvam, não merece jogar na seleção brasileira.

 

 

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  • Quem Faz

    Quem Faz

    Almir Leite

    Almir Leite é jornalista desde 1986, formado nas Faculdades Integradas Alcântara Machado (FIAM). Está na área esportiva desde 1990 e tem no futebol seu foco principal. Cobriu duas Copas do Mundo in loco (Alemanha, 2006; e África do Sul, 2010) e a Olimpíada de Pequim-2008, entre outros grandes eventos esportivos. Trabalhou na extinta Folha da Tarde, atual Agora São Paulo, e é editor-assistente da editoria de Esportes do Estadão faz 12 anos.

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