Podem me cobrar depois. No ritmo que vai, o Maracanã NÃO vai estar pronto para a Copa das Confederações de 2013. Os dirigentes da Fifa, que passaram a semana entre cobranças e bravatas, não exageram ao dizer que a participação do estádio carioca está ameaçada. Concluíram, com base em relatórios, que a 13 meses do início da competição a possibilidade de o Maracanã não estar em condição é enorme.
Eu não me baseio nos cartolas da Fifa para chegar à mesma conclusão. Prefiro confiar em engenheiros e arquitetos, alguns envolvidos com as obras da Copa, a maioria não, com quem conversei nos últimos dois dias. Não é necessário dizer que conhecem o assunto. Todos disseram que não vai dar tempo, se o ritmo atual for mantido.
Qual a solução, então? Nessa altura do campeonato, o jeito será aumentar o número de operários (4,5 mil no fim de fevereiro, segundo a Empresas de Obras Públicas do Rio – Emop), incrementar os turnos e, aumentar o maquinário. Claro que, com mais gente trabalhando, mais horas extras sendo pagos e maior despesa com equipamentos, o custo da obra, que já bate na casa do bilhão, vai subir às nuvens. Mas como há três dias a Fifa deixou claro que o Brasil tem de garantir a festa, não importa a que preço, e como o dinheiro não vai sair do bolso dela e sim do nosso…
É claro que o governo do Rio nega qualquer risco e garante que o estádio será entregue em fevereiro de 2013. Não poderia fazer mesmo outra coisa. Mas em vez de ficar distribuindo notas e fazer cara feia, é mais eficiente apertar o passo. Senão, será um vexame.
PS: dias atrás, teve um cartola da Fifa que falou em trocar o Maracanã pelo Engenhão. Essa é uma hipótese remota. Hipótese, por incrível que pareça, menor do que o Morumbi virar uma solução de emergência.
José Maria Marin e Marco Polo Del Nero estreiam esta semana na Fifa. Mais precisamente, nesta quarta-feira, 28, numa reunião para discutir a Copa de 2014, os preparativos, e, principalmente, alguns atrasos. Ou melhor, os atrasos em relação aos estádios e aos aeroportos, porque o “resto” – as importantes, para o País, obras de mobilidade urbana, por exemplo – na realidade não interessa à entidade. Esse negócio de que a Fifa dá importância ao legado que um Mundial deixa para o país que o organiza é papo furado, conversa para boi dormir.
Marin e seu fiel, e cada vez mais poderoso, escudeiro Del Nero vão ser inquiridos sobre arenas, obras em aeroportos e Lei Geral da Copa. Sobre essa última, diante do impasse que adia sucessivamente sua aprovação, serão provocados a trabalhar, junto aos parlamentares brasileiros, para acabar com resistências.
Eles terão o que dizer, e esperam convencer os seus interlocutores. Marin dirá que na recente visita que fez ao Congresso angariou simpatia de deputados e senadores e convenceu vários deles a colaborar para que todos os entraves à aprovação da lei sejam retirados. Dizem que não foi bem assim, mas como Marin é um otimista…
Del Nero, sócio do deputado Vicente Cândido, relator do projeto de Lei Geral, em escritório de advocacia, dirá a seus novos pares que já é um soldado em defesa da causa. E que tudo acabará bem.
Os dois também irão garantir que estádios, com exceção de Natal, não devem ser preocupação, pois ainda que em todos os locais venham a ser preciso aumentar o efetivo de trabalhadores, abrir novos turnos de trabalho e aumentar dotações (aí é que está o perigo!), todos serão entregues à tempo.
Em relação aos aeroportos, o relatório da dupla brasileira trará, de maneira protocolar, posição otimista sobre as ações de modernização. Mas, se forem francos, aconselharão aos membros da Fifa a rezar…
No encontro que teve com o presidente da Federação de Futebol do Espírito Santo, Marcus Vicente, no início desta semana, o presidente da CBF, José Maria Marin, prometeu ao cartola levar a seleção brasileira para jogar em seu Estado em 2013. A intenção é que o time atualmente treinado por Mano Menezes jogue na capital capixaba em julho, logo depois da Copa das Confederações. Marin aprendeu rápido a lição. Usar a seleção para fazer um afago nas federações de Estados que ficaram fora da Copa foi um dos métodos que seu antecessor resgatou depois de definidas as 12 sedes do Mundial.
ESTREIA NA FIFA
José Maria Marin já tem data para estrear como presidente do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014: dia 28, numa reunião com as presenças do presidente, Joseph Blatter, e do secretário-geral, Jérôme Valcke. O diretor de operações do COL, Ricardo Trade, também estará presente. Na pauta, além da Lei Geral, as impressões e constatações que o grupo liderado por Trade levantou no recente tour pelas obras de estádios que irão receber partidas do Mundial.
JOGO DE SEDUÇÃO
O Comitê Paulista vai acompanhar delegações de Inglaterra e Alemanha nas visitas que farão a alguns hotéis e Centros de Treinamentos do interior do Estado neste fim de semana. São Paulo quer atrair o maior número possível de seleções no período de aclimatação e treniamentos pré-Copa e, claro, aposta da boa estrutura hoteleira e esportiva.
Os alemães estiveram em Minas Gerais esta semana e gostaram do que viram. O diretor da Federação Alemã Wolfgang Wirthmann e o consultor Hans jurgen Thien elogiaram bastante os CTs de Atlético e Cruzeiro. Na segunda-feira, desembarcam no Rio Grande do Sul e irão conhecer as cidades de Bento Gonçalves e Farroupilha.
A BOLA VAI ROLAR NO CASTELÃO
Estádio com as obras, de reforma, mais avançadas da Copa, beirando os 61% de conclusão, o Castelão vai reabrir em janeiro para jogos dos clubes cearenses no Campeonato Estadual e na Copa do Mundo. A promessa foi feita pelo governo estadual. Como em junho o Castelão receberá a Copa das Confederações, não se pode descartar que venha a ser fechado novamente em abril do próximo ano para preparo do gramado.
INCLUSÃO DIGITAL NO ITAQUERÃO
A Odebrecht deu início ao programa “Caia na Rede”, no canteiro de obras do Itaquerão, em São Paulo. O objetivo é promover a inclusão digital de filhos e mulheres de trabalhadores envolvidos na construção da arena e também de moradores da região de Itaquera. As aulas de computação ocorrem em dois períodos, manhã e tarde.
Ricardo Teixeira saiu dos holofotes, mas continua dando algumas cartas. Queria José Maria Marin em seu lugar na CBF e também no Comitê Organizador Local (COL) da Copa de 2014 e sua vontade foi feita. Queria Marco Polo Del Nero em sua cadeira no Comitê Executivo da Fifa e também teve seu desejo atendido. A Conmebol, responsável pela nomeação, anunciou ontem a escolha do presidente da Federação Paulista. A Fifa tem poder de aceitar ou não, mas não vai se opor.
Para Teixeira, deixar amigos em cargos que ele ocupou é estratégico. Marin e Del Nero não vão remexer em seu passado, e farão o possível para atrapalhar aqueles que quiserem fazê-lo.
Corre por aí, aliás, que a próxima conta telefônica do ex-presidente da CBF virá bem salgada. Isso porque desde Miami, onde se exilou voluntariamente, dispara ligações diárias para Marin e Del Nero – e também para alguns diretores da CBF. Dá conselhos e, sobretudo, ordens. Ele ainda não pode se dar ao luxo de deixar o rio correr livremente para o mar.
Uma das primeiras missões de Del Nero no Comitê Executivo será, se necessário, desestimular a Fifa de prosseguir as investigações do caso ISL, que envolve Teixeira. Talvez não tenha muito trabalho, pois como muita gente na entidade tem telhado de vidro, a tendência, forte, é de a investigação ser arquivada.
Como membro do Comitê, o presidente da FPF também participará a definição sobre a venda de ingressos (preços, quantidade por categoria) e até na decisão sobre o que fazer em relação à venda de bebidas alcoólicas, mas isso só se der chabu na aprovação, por meio da Lei Geral da Copa ou das negociações individuais com os Estados brasileiros.
Na busca por apoio e na tentativa de esvaziar uma rebelião contra sua administração – rebelião que vem perdendo força -, o presidente da CBF, José Maria Marin, recebeu vários presidentes de federações nos últimos dias. Tratou a todos com pompa e deferência, disse que vai atendê-los em suas reivindicações, principalmente em relação a uma “melhor distribuição de renda” e, significativamente, usou a Copa do Mundo para pregar união. A todos Marin falou sobre a necessidade de caminharem na mesma direção para “proporcionar ao mundo uma grande Copa”.
O quase octogenário cartola é também presidente do Comitê Organizador Local (COL). Aproveitou-se disso para tentar angariar simpatia dos dirigentes de federações cujos Estados estão fora do Mundial – caso da Paraíba e do Espírito Santo. Disse a eles que vê com olhos muito bons a hipótese de esses Estados participarem da Copa de alguma maneira, seja recebendo turistas estrangeiros, seja hospedando delegações (o que esses dirigentes mais querem, aliás).
O Mundial, porém, é a menor das preocupações de Marin no momento. Sua luta é para se consolidar na CBF, razão pela qual dá pulos de raiva quando alguém diz que está agindo pela cabeça de Marco Polo del Nero, o influente presidente da Federação Paulista.
Marin não esquece, também, de pedir aos representantes das federações que controles os clubes filiados, a fim de abortar a tal ideia da Liga. O problema é que entre os dissidentes estão a Federação Gaúcha e a Mineira, que pelo menos por hora não estão dispostos a amolecer e, portanto, não vão tentar “convencer” Inter, Grêmio, Cruzeiro e Atlético-MG a se alinharem com o presidente da CBF.
Na semana que vem, Marin continuará sua cruzada, desta vez com presidentes de clubes. A eles, não se posicionará contra a Liga, embora não goste da ideia. Prefere atendê-los com mudanças, pequenas, no calendário, e pagando o salários dos jogadores convocados para a seleção. Mas, em último caso, aceitará perder os aneis para conservar os dedos.
Respeito aqueles que são contra a permissão do consumo de álcool por questões religiosas, morais e/ou por entenderem que a bebida estimula a violência. Há convicção nessas posições. Pode-se não concordar, mas se deve respeitar.
No entanto, não vejo mal nenhum em tomar uma cervejinha dentro do estádio. Claro que ninguém vai morrer se não puder beber.
Mas a discussão é outra: será mesmo que, no caso do futebol, a venda de bebida alcoólicas dentro dos estádios é a causadora principal da violência?
Polícia, políticos, jornalistas, sociólogos invariavelmente dizem que sim. Argumentam que nos Estados que proibiram a venda as brigas no interior das arenas diminuíram. Há estudos que sustentam essa tese. Pode ser.
Mas e do lado de fora? A bebida continua (e continuará) sendo vendida livremente em vários pontos no caminho dos estádios. Vende-se, e bebe-se, coisas com efeitos bem mais fortes do que os de uma simples cervejinha.
Como a discussão toda é gerada pela Copa, permitam-me contar três fatos que vi em 2006, na Alemanha:
1 – Os hooligans ingleses, com a cara cheia, certo dia levaram pânico a Frankfurt. Mas precisamente à região da estação central de trem. Já chegaram lá bêbados e beberam muito mais nos bares da região. O estádio ficava a quilômetros de distância;
2 – Ingleses (cuja seleção jogaria com o Equador) e alemães quebraram o maior pau daquela Copa, em duelo ocorrido em Stuttgart. Onde? No centro da cidade. A quilômetros de distância do estádio;
3 – Antes de Suécia 2 x 2 Inglaterra, torcedores das duas seleções esperaram o jogo em frente à belíssima catedral de Colônia, que fica a poucos metros da estação de trem. Não presenciei brigas, mas vi centenas de pessoas com garrafas de cerveja na mão que, vazias, eram estouradas contra o chão. A igreja e a estação de trem ficam a quilômetros do estádio.
São exemplos de que não é só nas arenas que bebida causa violência. Fora delas, o problema é até maior.
Aliás, ninguém falou em proibir o álcool nas tais fan fests criadas pela Fifa, sob o pretexto de incluir na festa aqueles que não têm condições de pagar por um ingresso de Copa – na verdade, o que querem mesmo é engordar um pouquinho mais a receita com a venda de “itens oficiais’’.
Na Alemanha e na África do Sul, o pau quebrou nas fan fests mais concorridas, a polícia controlou a situação a bordoadas e com algumas prisões e a vida continuou. Ninguém bradou contra a violência, ninguém pediu o fim das fan fests.
Portanto, bebida em estádios, que numa Copa ficam repletos de seguranças bem treinados, é o de menos. Nossos nobres deputados deveriam é se preocupar em medidas para conter a violência fora deles. Ou será que alguém acha que o clima nas ruas em 2014 vai ser apenas de paz e amor?
William Shakespeare que me perdoe pela “apropriação indébita’’ da célebre frase que cunhou em Hamlet, e na qual me inspiro para dar o título do comentário de estreia do blog. É que a discussão sobre a liberação, ou não, de venda e consumo de bebidas alcoólicas (entenda-se cerveja) nos estádios, durante os jogos da Copa das Confederações de 2013 e da Copa do Mundo de 2014 já passou, faz tempo, da dose certa. E se tornou uma discussão chata e inútil, posto que no final acabará liberada. Mais do que isso, tornou-se oportunista.
Diante de tanta celeuma em torno da permissão específica para o período da Copa, uma pergunta não está sendo feita. Vamos a ela: será que aqueles que se posicionam contra a liberação são realmente contra?
Tenho minhas dúvidas. Bebida (cerveja e outras) em eventos esportivos dá muito dinheiro. E não descarto a hipótese de ter gente apostando na confusão para, depois de resolvido o imbróglio em torno da Copa, passar a defender a bandeira do “liberou geral’’.
Ou seja, vão aproveitar a “exceção’’ aberta para atender à sede de lucros da malvada dona Fifa (e essa dona é malvada mesmo) para, por meio de incursões no Parlamento e até ações na Justiça, se necessário, dar um bico no Estatuto do Torcedor e legalizar a venda de bebidas em TODOS os estádios do País em TODOS os jogos.
Tem muito parlamentar torcendo, e trabalhando, para isso.
Nem preciso lembrar que há muitos interesses em jogo.
Polêmica entre governo federal e Fifa; discussões intermináveis sobre a Lei Geral da Copa; desconfiança em relação ao ritmo, e principalmente, aos custos das obras; dúvidas sobre uma seleção que não convence nem quando vence. A bola só rola em 12 de junho de 2014, mas a Copa do Mundo do Brasil, a segunda na história do País, já entrou em campo faz tempo. E eu resolvi colocar meu “uniforme’’ de jornalista – caneta, bloco de anotações, telefone, gravador e outros petrechos – para acompanhar, informar, comentar, analisar … Enfim, contar o que anda acontecendo.
Acompanho a preparação para a Copa de 2014 pelo caderno de Esportes do Estadão desde que ela veio para cá, no já distante ano de 2007. Nesses quase cinco anos, houve mudanças radicais – um exemplo recente: Ricardo Teixeira, por bom tempo o todo-poderoso homem da CBF, da Fifa e do Mundial no Brasil, agora descansa em busca de uma improvável paz em Miami – outras nem tanto.
Teve coisa que andou, ainda que em alguns casos a passos de tartaruga (vide vários estádios), outras que teimam em não sair do lugar – a Lei da Copa, nas últimas semanas sempre prestes a ser sacramentada e nunca o sendo; grande parte das obras de mobilidade urbana…
É isso que o blog irá acompanhar, discutir, opinar. Como no futebol, o ritmo de jogo virá com o tempo. Comentários, observações, correções, reparos, críticas, elogios (todo mundo gosta, né?), sugestões serão bem-vindos. Mais do que isso, fundamentais. Vale tudo. Desde que esteja dentro dos padrões de ética, bons modos, educação. Até porque as “valckeadas’’’ estão ficando cada vez mais fora de moda.
Vamos lá!
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