Que aproveitar o esporte para fazer política embola o meio de campo todo mundo sabe.
O diabo é que nossos políticos não perdem a mania de fazer isso. Como todos estão carecas de saber.
A mais nova iniciativa nessa área vem do Ceará, saída, pelo que consta, da cabeça do governador Cid Gomes.
Ele quer promover uma rodada dupla para reinaugurar o Castelão – cujas obras, aliás, serão entregues no próximo domingo, dia 16, com a presença da presidente Dilma e show de Fagner.
Como Ceará e Fortaleza não toparam jogar entre si no dia 13 de janeiro, a ideia é que ambos ocupem o gramado do Castelão no dia 17. O Ceará contra o Bahia – em jogo marcado faz mais de um mês para o dia 20 de janeiro no remodelado estádio, pela Copa do Nordeste – e o Fortaleza contra o Sport.
Ou seja, muda-se a data de Ceará x Bahia, o dia do primeiro jogo por uma competição e até mesmo a própria tabela da tal competição.
Até aí, tudo bem (quer dizer, tudo mal, mas vamos fazer de conta que está tudo bem).
O problema é que, ao marcar dois jogos seguidos para um gramado novo, a chance de detoná-lo é imensa. É só lembrar o que ocorreu na inauguração da Arena do Grêmio, com o gramado soltando tufos, para ver que não estou delirando.
Ou seja, é grande a possibilidade de o gramado do Castelão vir a precisar de reparos maiores do que a manutenção de praxe logo depois de seu primeiro dia de uso. O que demandará mais tempo – e, quase certo, mais dinheiro.
Tudo para os políticos fazerem média.
Tomara que a ideia não vingue. Os esportistas de verdade torcem por isso.
PAPELÃO
Não tem nada a ver com Copa do Mundo, mas não dá para passar batido a pipocada dos argentinos do Tigre na final da Sul-Americana.
Desde o jogo de Buenos Aires que ficou claro que tudo o que esse bando de pernas de pau queria era arranjar confusão.
Eles podem até ter apanhado dos seguranças do São Paulo, como alegam – e se isso ocorreu, é lamentável e reprovável.
Mas, tivessem se comportado como homens dentro de campo, lá e aqui, não teriam dado margem para violência.
Independentemente disso, o fato é que os argentinos, ao não voltarem para o segundo tempo da partida, foram, acima de tudo, covardes.
Cabe agora, esperar qual providência a Conmebol vai tomar. Se é que se pode esperar algo da Conmebol.
SOL E CERVEJA
Fim de ano chegando, boa hora para tirar uns dias de férias. Nas próximas semanas, o blog dará um tempo para vocês – mas essa é uma pausa que sempre pode ser interrompida… Pero si, pero no, Boas Festas para todos e até 2013!
Duas arenas que receberão jogos da Copa das Confederações estão prestes a ser entregues – o Castelão em 16 de dezembro e o Mineirão cinco dias depois.
As outras ainda causam dor de cabeça à Fifa e ao Comitê Organizador Local.
Mas todas as sedes já fazem planos para o jogo inaugural, o primeiro teste pra valer das arenas.
O Castelão recebe Ceará x Bahia em 20 de janeiro e pode ter um Ceará x Fortaleza ou um jogo da seleção cearense sete dias antes. O Mineirão terá um Atlético x Cruzeiro no dia 3 de fevereiro.
Todos estão ansiosos para ver a bola rolando.
Os baianos, porém, não devem assistir a um jogo de futebol na reinauguração da Fonte Nova.
Promover um Ba-Vi no dia 29 de março, data do aniversário de Salvador, é considerado arriscado pelos responsáveis pela Copa na Bahia. E por integrantes do governo estadual.
O clássico arrastará uma multidão para o estádio e isso pode representar problemas. Tanto para a operação do estádio – acessibilidade, segurança, conforto – como na questão do acesso dos torcedores à arena.
Por conta disso, algumas opções estão sendo estudadas. Uma que ganha força é promover um evento com o ex-pugilista Acelino “Popó” Freitas. Ele é ídolo dos seus conterrâneos, mas não terá um público de Ba-Vi.
Se bem que Popó não estará sozinho. Também é planejado shows com astros baianos da música.
Para a Fifa, o fato de uma arena não ser inaugurada com um jogo de futebol não é problema. O que importa é que seja feito um evento que possa testá-la de fato.
Além disso, a própria entidade estará de olhos abertos a dois eventos-testes que exige das arenas, estes, sim, com a bola rolando.
Portanto, a repaginada Fonte Nova deve começar seu novo ciclo com jabs e diretos. Os gols ficarão para depois.
O sorteio da Copa das Confederações não poderia ter sido melhor para a seleção brasileira. Felipão queria, corretamente, adversários fortes. E os terá.
Até mesmo a ordem dos jogos é favorável, pois o nível dos adversários crescerá à medida que as partidas forem aparecendo.
O Japão, na humilde opinião do blog, não é lá essas coisas – a seleção de Mano mostrou isso recentemente e o time nipônico não será muito diferente daquele que foi goleado em outubro passado.
O México é forte. Tem boa equipe, bateu o Brasil na final olímpica com vários jogadores que estarão na Copa das Confederações. Aliás, últimamente vira e mexe se dá bem em cima da seleção brasileira.
A Itália dispensa comentários.
E, se tudo ocorrer como a lógica sugere – nem sempre a lógica prevalece no futebol, mas isso ocorre na grande maioria das vezes – o Brasil terá Uruguai e Espanha pela frente na semifinal e na decisão.
Isso se chegar até lá.
E se não chegar?
Não haverá problema, desde que, como disse Felipão, a seleção mostre coisas boas e que está no caminho certo.
Sem contar que em 2005 e 2009 o Brasil faturou a Copa das Confederações e ficou longe do título nas Copas disputadas nos anos seguintes.
O que interessa mesmo é que a seleção terá equipes fortes pela frente.
Como vai fazer dois amistosos contra a Inglaterra e um com a França, é um bom cardápio para a Copa do Mundo.
E se no segundo semestre de 2013 os responsáveis pela marcação de amistosos da seleção optarem por adversários fortes em vez de timezinhos mequetrefes, será perfeito.
O sorteio da Copa das Confederações foi o que de melhor poderia acontecer pelo Brasil.
De ruim, apenas a indesculpável falha do cozinheiro Alex Atala.
É isso que dá misturar as estações e colocar “celebridades” para fazer coisas com as quais não tem a mínima afinidade.
Depois reclamam quando o mundo critica ou ri do Brasil…
Uma reunião do grupo construtor da Prefeitura de São Paulo, marcada para a próxima semana, vai definir a liberação da primeira leva de CIDs (Certificados de Incentivo ao Desemnvolvimento) para o Itaquerão. Participarão sete secretários municipais.
O valor a ser liberado depende de três fatores: índice de conclusão da obra, verificação da equipe técnica da Prefeitura e dotação orçamentária que permite que os papeis sejam emitidos.
O Itaquerão encontra-se com 58% de conclusão, mas não deverá ser esse índice a ser levado em conta. A Odebrecht, responsável pela obra, tem investido do próprio caixa, aguarda também os financiamentos bancários e tem tentado liberar R$ 200 milhões em CIDs – os papeis serão vendidos no mercados e os compradores poderão utilizá-los para pagar impostos municipais.
Na Prefeitura trabalha-se com a hipótese de liberar R$ 160 milhões. Mas não será surpresa se neste primeiro momento o valor a ser destinado aos CIDs for muito, mas muito menor.
Um segundo aporte seria feito nos primeiros meses do próximo ano, já sob a administração de Fernando Haddad.
Luiz Felipe Scolari está de volta à seleção, dez anos depois da conquista do pentacampeonato. Dez anos! Eis a primeira interrogação. José Maria Marin contratou o Felipão de dez anos atrás ou o atual?
Claro, ele não desaprendeu. E experiência tem de sobra. Além do mais, ganha nova motivação ao ter a possibilidade de conquistar outro título mundial.
Resta saber se, não tendo desaprendido, acompanhou as mudanças ocorridas no futebol nestes dez anos.
O rebaixamento do Palmeiras deve ter peso relativo na análise. Assim como o título da Copa do Brasil. O que vai interessar é quanto Felipão ainda tem paciência para suportar cobranças, para tolerar inconstâncias dos jogadores mais jovens, para ser paizão quando necessário e um carrasco quando preciso.
Felipão esconde muito bem, mas sabe ser paciente quando quer. Pelo menos sabia.
Uma coisa boa, que Mano Menezes não teve, Felipão terá à disposição: um coordenador técnico. Pode ser Carlos Alberto Parreira, igualmente experiente, mas faz algum tempo fora da linha de frente do futebol. Pode ser José Carlos Brunoro, que fez bons trabalhos no Palmeiras/Parmalat e está fazendo no Audax.
A parceria pode dar certo, claro, mas convém não encarar Felipão e seu futuro coordenador como salvadores da pátria. Pelo menos até que mostrem a que vieram. Do contrário, o tombo pode ser grande.
Há quem considere que Mano Menezes já vai tarde; outros entendem que agora é tarde demais para a seleção brasileira trocar de treinador.
Nem uma coisa nem outra.
Mano, apesar de fritado desde março, quando José Maria Marin e Marco Polo Del Nero assumiram o comando da CBF, teve chances para fazer os cartolas engoli-lo. Não conseguiu.
O sucessor terá ainda tempo de formar uma equipe forte para a Copa das Confederações e a Copa do Mundo.
Desde que seja escolhido por seu presente, e perspectivas de futuro, não pelo passado.
Até porque, goste-se ou não, a base da nova seleção será formada por esses jogadores que vinham sendo escalados com mais frequência por Mano.
Vamos ser realistas: não temos muito mais do que isso. E, convenhamos, temos uma boa geração.
Mano caiu por sua insegurança, pela demora em encontrar uma equipe-base, por colocar a seleção na defesa em jogos mais complicados, por não ter sabido escolher seus assessores diretos…
Enfim, por não se mostrar um técnico de seleção.
Mas caiu, sobretudo, por ser herança da administração de Ricardo Teixeira.
Pessoas ligadas ao ex-presidente – que quando precisou sair de cena colocou Marin e Del Nero no poder – não são bem-vindas nesses “novos tempos” de CBF.
Era para ter saído em março; ou após o fracasso olímpico; ou ao morder alguma das muitas iscas lançadas por Marin e detonar o chefe; ou quando, pressionado e desprestigiado, pedisse para sair.
Não fez nada disso, mas sempre deu respostas, indiretas, às críticas do cartola. Foi irritando cada vez mais Marin.
E como a seleção só jogou bola mesmo contra adversários medíocres, acabou dançando.
Não surpreende. Mas é bom ressaltar que ele cai quando finalmente havia encontrado um time-base e um jeito de jogar – pelo menos contra os pequenos.
Agora, resta torcer, e esperar, que a CBF seja objetiva, e não política, na escolha do novo treinador.
Do contrário, será tempo perdido. E, aí sim, não dará mais tempo.
A maioria das coisas na vida são previsíveis, o que dá ainda mais valor às surpresas. As agradáveis, claro. Nem por isso as tais coisas previsíveis devem criar desapontamento.
Vejam o caso do “superclássico” disputado na noite de quarta-feira na “mítica” Bombonera. Quase todo mundo sabia que seria um joguinho sem-vergonha. Até os mais otimistas desconfiavam disso.
E o que aconteceu? Foi um jogo pra lá de mequetrefe, que nem as tentativas de certo locutor famoso de transformá-lo em um BRASIL x ARGENTINA conseguiram salvar.
E o Brasil ainda perdeu no tempo normal…
O que é chato apenas por que foi para a Argentina.
O pior é que teve gente achando que a partida serviria para que a maioria daqueles jogadores que nitidamente foram chamados para tapar buraco aproveitassem para cavar um lugar na seleção.
Isso apesar de Mano Menezes ter dito, claramente, na terça-feira, que esse jogo de nada importaria para a montagem da “seleção pra valer”.
Se importasse, o santista Durval mereceria outra chance. Afinal, jogou direitinho.
Alguém aí quer Durval na zaga da seleção em uma competição oficial?
Ele não deve mais ser convocado por Mano. Já Réver, atrapalhadíssimo em sua primeira chance real, provavelmente continuará a ser chamado.
Convicção é convicção.
A rigor, e para não desapontar aqueles que viram alguma importância no mini, ops!, superclássico, daqueles que estiveram em Buenos Aires dois jogadores podem sonhar com novas oportunidades: Diego Cavalieri e Fred.
Mas não pelo que fizeram na Bombonera.
Diego tem chance “apenas” porque o gol é a única posição que Mano de fato ainda tem dúvida.
Já o problema de Fred era a língua solta, dele e de seu pai. Como parece que se acertou com o treinador da seleção, volta a ser considerado.
É só. O resto, até mesmo o bom Arouca, foi a Buenos Aires passear.
A Colômbia interrompeu a série de seis vitórias seguidas da seleção brasileira. E Mano Menezes continua sem vencer uma seleção tradicional – ou que pelo menos atravesse boa fase, caso dos colombianos.
Mas isso não importa tanto assim.
O melhor do amistoso da quarta-feira à noite no pasto de Nova Jersey (sim, no dito primeiro mundo também tem gramado impróprio para o futebol) foi o comportamento da seleção.
A equipe foi melhor do que o adversário e merecia até mesmo a vitória.
Poderia ter sido melhor se Mano tivesse colocado um lateral de ofício na esquerda, em vez de optar por Leandro Castán. Pelo setor que deveria ser guarnecido pelo jogador da Roma, a Colômbia se criou.
Poderia ter sido melhor, também, se o treinador não tivesse optado por Thiago Neves – que, convenhamos, não anda bem nem no campeão Fluminense – para a vaga de Hulk, deixando Lucas outra vez em segundo plano.
O fator positivo é que ele está mesmo disposto a manter o esquema com dois volantes que fazem muito mais do que marcar e também a abrir mão de um atacante fixo – isso, apesar de ter Fred quando quiser.
Neymar faz o 1, do 4-2-3-1, muito bem, e, assim, os três meias podem ser muito úteis na marcação desde a saída de bola. E, com a posse dela, deixam o time bem ofensivo.
Foi um teste de onde se pôde aproveitar algumas coisas.
Algo que talvez não aconteça no desinteressante jogo da próxima quarta-feira com a Argentina, apesar das presenças de Fred e de Diego Cavalieri no grupo dos convocados.
A seleção brasileira vem de uma série de vitórias. Mas só bateu em galinhas mortas. China, Japão, Iraque, África do Sul (cujo pescoço foi bem difícil de torcer)… Nesta quarta volta a ter um adversário propriamente dito pela frente, a Colômbia.
É boa oportunidade para Mano Menezes testar o esquema sem atacante fixo na área. Ele não vai ter Hulk, seu preferido, escalou Thiago Neves – que vem produzindo pouco no Fluminense e, fosse fase mais aguda de preparação, não mereceria estar na seleção -, mas o que vale mesmo é ver como o sistema se sai diante de uma boa equipe.
Também será excelente teste para o sistema defensivo, aparentemente um pouco mais vulnerável após a salutar opção, por parte de Mano, de dois volantes, Ramires e Paulinho, que gostam de sair para o jogo em vez de se limitarem a marcar.
A Colômbia não faz e nem nunca fez parte da elite da bola, mas atualmente tem ótimo time, que realiza excelente campanha nas Eliminatórias e conta com um centroavante, Falcao García, que é um dos três melhores do mundo.
Merece respeito.
Mas é ideal para Mano Menezes finalmente vencer um jogo contra uma equipe importante – no caso, que está em boa fase. Assim, terminará o ano com uma calmaria pra lá de necessária às vésperas de uma temporada importante para a seleção, como será a de 2013.
SUPERCLÁSSICO?
Bom negócio a volta de Fred e a primeira convocação de Diego Cavalieri para o jogo do dia 21, contra a Argentina. Mas ao levar Durval e Fellype Gabriel Mano mostra que o tal “joguito” na vale nada.
A Fifa revela na quinta-feira, 8 de novembro, as sedes da Copa das Confederações. Estamos no dia 2, e a entidade, que normalmente toma suas decisões com boa antecedência – independentemente do anúncio oficial -, ainda não decidiu realmente se o evento-sede será em cinco ou seis sedes.
Tudo por conta da indefinição da Arena Pernambuco.
Pela Fifa, Pernambuco já tinha sido riscado do mapa, e ponto final. Mas o embate político continua forte – e os lobbies junto à entidade, aos cartolas que comandam o futebol brasileiro, à turma do Comitê Organizador Local e ao governo federal são cada vez mais agressivos.
Tirar Pernambuco do mapa da Copa das Confederações será uma derrota do governador Eduardo Campos. O prestígio de Campos, que já era grande na cena política, cresceu após as eleições municipais.
Ele será ator importante nas eleições de 2014. E o governo federal, que pretende manter seu apoio, mas teme vê-lo bandear-se para a oposição, não o quer contrariado.
Esse é um dos motivos que levam o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, a empenhar-se bastante pela confirmação da Arena Pernambuco na competição. O outro, claro, está relacionado à própria imagem do Brasil, que precisa mostrar capacidade de cumprir os compromissos.
Mas Rebelo já não se mostra tão otimista.
E o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, deu recado importante nesta sexta-feira, em sua coluna na Fifa, ao dizer que o anúncio das sedes é “um momento crucial para nós, organizadores, porque, uma vez iniciada a venda de ingressos, será muito complicado se qualquer uma das sedes vier a ter problemas para receber as partidas”.
É uma posição clara. Tecnicamente, Pernambuco está fora. Mas como uma Copa do Mundo não é feita sem boa dose de política, entre outros interesses, ainda há chance.
Pequena, porém.
2013
2012