ir para o conteúdo
 • 

Conversa de Bicho

27.janeiro.2012 08:00:01

Uma égua guerreira

Há mais ou menos três anos, Cláudio Lages da Silva não imaginava que “Mocinha” entrasse em sua vida e a mudasse tão radicalmente. A história, que se desenrola em Botuporã, cidade com pouco mais de 11 mil habitantes no centro-oeste baiano, é sobre o nascimento de uma potra com uma deficiência congênita rara, que fez com que um dos seus membros dianteiros não se desenvolvesse. A chance de um animal nascer e chegar à fase adulta com esse problema é praticamente um milagre, uma em milhões.

A égua "Mocinha" e Cláudio Lages da Silva.
CRÉDITO: Juraci Magalhães de Souza/Arquivo Pessoal

Pior, em um lugar onde quase não há assistência veterinária, nascer dessa forma pode ser uma sentença à morte. Normalmente, principalmente no Nordeste, os cavalos são usados como animais de trabalho e sem essa função – além de precisar de muitos cuidados – o dono não via uma utilidade ou a chance de ela sobreviver. Mas essa não era a opinião de Cláudio que, ao ficar sabendo que o destino de “Mocinha” estava traçado, pediu ao dono para doá-la, já que ele gostava de animais e não aceitava que um bicho devia ser condenado à morte porque nasceu com uma deficiência.

Respeito ao ser vivo, fé e compaixão motivaram Cláudio a salvar o animal
CRÉDITO: Juraci Magalhães de Souza/Arquivo Pessoal

Ele conseguiu levá-la, mas essa pequena égua ainda teria mais sofrimento pela frente. Sua mãe, colocada para trabalhar dias depois da cria, sofreu uma hemorragia e não resistiu. Sem o leite materno as chances da potra diminuíam sensivelmente, mas Claudio teve fé: “Eu colocava leite de vaca em uma bacia e dava para ela duas vezes ao dia. Cuidei como se fosse uma criança, com muito carinho. Acho que ela sabia disso”, afirma. De fato, a atitude dele fez a diferença, já que talvez com a mãe a potra não tivesse a mesma chance. “Existe uma lei natural de sobrevivência dos mais fortes na natureza. Com a mãe ela não teria essa assistência que precisava e talvez não a acompanharia para mamar. A atitude a salvou”, explica o veterinário Carlos Alberto Hussni, professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Unesp de Botucatu.

São pequenas as chances de um cavalo nascer e chegar
à fase adulta com apenas três patas.
 CRÉDITO: Juraci Magalhães de Souza/Arquivo Pessoal

O tempo passou, a potra começou a crescer e a se adaptar àquela situação física, mas as dificuldades eram grandes.  Claudio dependia de um mangue de um amigo para deixar “Mocinha” e seus recursos financeiros vêm de uma pequena aposentadoria, que também mantém a família e os outros animais. Mesmo assim ela não foi deixada para trás. “Ele é conhecido pelo seu amor aos animais. Sempre ajuda os bichinhos, principalmente aqueles que ninguém quer, por estarem doentes ou judiados”, explica Juraci Magalhães de Souza, amigo do aposentado.

Para dar uma vida melhor a “Mocinha”, porém, seria preciso espaço adequado e sua chance era pedir ajuda a quem realmente poderia fazer algo, ninguém mais do que o ex-presidente Lula. “Na época ele era presidente e escrevi contando a história dela. Como ele é do Nordeste achei que entenderia. Pedi a sua ajuda para arrumar um pedaço de terra para que eu pudesse ter e dar uma vida digna a ela. E ele me respondeu.” Em 2009, a correspondência foi respondida pelo diretor de Documentação Histórica, Claudio Soares Rocha, informando que o caso tinha sido encaminhado para o Ministério de Desenvolvimento Agrário, e por lá ficou.

Carta com a resposta da Presidência. Crédito: Reprodução

Para o aposentado as coisas se complicavam mais conforme o tempo passava. Um problema de saúde – derrame, segundo ele – prejudicou sua memória. Aos 70 anos, sua preocupação é de que algo lhe aconteça e que “Mocinha” seja sacrificada. Debilitado e com a idade avançada, ele deseja voltar à sua terra natal, Alagoas, mas apenas depois de encontrar um lar para ela. “Sei o que costumam fazer nesses casos e não gostaria que Mocinha morresse. Muitos matam cavalos para alimentar outros bichos”, afirma.

Claudio não entende nada de tecnologia, tampouco de redes sociais, mas sabe que a internet é uma ferramenta de grande alcance e que seria um meio de divulgar sua angústia, levando para longe o caso da égua. “Quem sabe achamos alguém que possa ficar com ela, que a crie como ela é e não deixe ninguém maltratá-la.” E foi com a ajuda do amigo Juraci que “Mocinha” ficou famosa e entrou para o mundo virtual. Um vídeo foi feito e colocado no YouTube e muitos se emocionaram e querem ajudar a achar um lar para a égua especial – o filme já registra mais de 21 mil acessos.

Graças às redes sociais, eis que surge uma das interessadas em ficar com o animal – pelo menos de forma provisória – e que tem perfil adequado. Magali Caravaggi é veterinária e mora em Osasco. Trabalhou um tempo com equinos e até tem um cavalo em um haras no interior de São Paulo. Ela quer ajudar o aposentado a arrumar alguém em São Paulo, mas o problema está justamente no transporte do animal. Além das dificuldades em obter a documentação e do alto custo do translado, o transporte é de grande risco à saúde da potra, por causa da sua deficiência. “Já enviamos um kit para extrair o sangue e até conseguimos um laboratório na Bahia para realizar os exames exigidos para o transporte, mas, para você entender a dificuldade, ainda não conseguimos nem um veterinário próximo da cidade onde eles moram para coletar o sangue”, explica.

Já em relação ao veículo para trazê-la, a tentativa é arrumar um caminhão apropriado, mas as despesas são altas. “Nossa dificuldade é grande porque o ideal é que ela venha sem outros animais no mesmo caminhão, o que encarece o transporte. Fica em torno de R$ 6 mil apenas o transporte, mas a viagem é estressante para a égua. O certo era ela vir bem apoiada e com paradas planejadas. Além disso, seria preciso vir com ela um veterinário e o senhor Claudio, caso contrário a chance de ela morrer na viagem é muito alta, uns 50%.”

Mocinha precisa arrumar um lugar para ficar. Um terreno 
plano, longe de outros animais e que tenha 
assistência veterinária
CRÉDITO: Juraci Magalhães de Souza/Arquivo Pessoal

Ainda segundo ela, a égua precisaria ficar em um haras adequado, com clínica especializada, se possível. “Estou tentando alguns haras para ela ficar, mas gostaria que fosse encaminhada para onde está o meu cavalo, que é um lugar que conheço e tem estrutura.”

A verdade é que  Magali gostaria muito de ajudar, mas sabe que para o animal o melhor seria  ficar na região onde está, sob os cuidados de alguém que realmente a queira assim. “Estamos vendo a possibilidade de ela vir para São Paulo, mas se houver um fazendeiro ou alguém que tenha espaço e goste de animais para cuidar bem, seria melhor.”

Certamente, esta história poderia vir de um livro ou da ficção dos cinemas, mas é a realidade. Atitudes de compaixão, dedicação, carinho e respeito ao ser vivo talvez sejam apenas algumas das formas de expressar, como esse senhor do sertão da Bahia demonstra, a verdadeira consciência e entendimento do que é a evolução humana e o amor incondicional à vida, livre de preconceitos. E quem sabe haja a esperança de que esta notícia vá além e possa trazer um final feliz, como nos contos mais belos.

Para ajudar:
Cláudio Lages da Silva – (77) 9142-7262

ACOMPANHE O BLOG CONVERSA DE BICHO: FACEBOOK | TWITTER

comentários (34) | comente

  • A + A -
23.janeiro.2012 20:35:35

Protesto contra crueldades

O domingo (22/1) foi marcado por manifestações em diversas cidades a favor dos bichos.  Só na Avenida Paulista, a principal via de São Paulo, a Polícia Militar estimou que mais de 7 mil pessoas compareceram ao protesto contra os maus-tratos a animais.

A passeata, que se iniciou às 10 horas, saiu do vão livre do Masp em direção à Rua da Consolação, retornando na Praça do Ciclista até o ponto inicial. Por alguns minutos a avenida chegou a ficar interditada, mas duas faixas foram liberadas para a passagem dos veículos.

Todos os animais foram lembrados.
CRÉDITO: FÁBIO BRITO/AE

O evento teve a coordenação do movimento Crueldade Nunca Mais, formado por representantes de diversas ONGs, e, graças às redes sociais, a manifestação contou com a adesão de protetores de vários municípios brasileiros e até de outros países, como EUA e Inglaterra. Protetores de cada cidade prepararam a sua passeata.

Segundo Luiz Scalea, um dos organizadores do manifesto, a presença desse número de pessoas demonstrou que grande parte da população não suporta mais que atos de crueldade fiquem impunes. “É muito importante a presença do povo para mostrar a indignação de todos e fazer pressão para que  se cumpram as leis de proteção aos animais. Hoje temos uma lei branda, mas com a força de todos vamos fazer isso mudar”, afirma.

Para ele, movimentos como esse demonstram aos políticos a necessidade de reformular as leis. “Queremos juntar um milhão e meio de assinaturas para propor a mudança da penalidade, deixar de ser de três meses a um ano para quatro anos de detenção. Acreditamos que apenas dessa forma quem maltrata um animal poderá ser preso. Qualquer crueldade ou ato de maldade a todos os seres precisa de punição rigorosa, não apenas o que acontece com os bichos, mas a qualquer ser vivo”, completa.

Márcia Rosa, de 32 anos, nem acreditou que a manifestação reuniu tanta gente. “Para nós isso é uma vitória”, comemora. Ela é uma protetora independente – que não está ligada a uma ONG – e trouxe a filha, Vitória Rosa, de 14 anos, e a sua amiga, Cintia Pires, de 55, para apoiar a causa. “Estamos aqui para também fazer com que se lembrem do sofrimento dos gatos. A maioria pensa apenas nos cães, mas há muita dificuldade para doar os bichanos e eles são constantemente vítimas de maus-tratos.”

Máscara para lembrar dos gatos, vítimas de crueldades.
Da esquerda para a direita, Márcia Rosa (32), Vitória Rosa (14)
e Cintia Pires (55). CRÉDITO: FÁBIO BRITO/AE

Vários personagens também marcaram presença. Márcio Henrique de Aguiar se vestiu de Elvis e levou sua amiga Pitusha, uma cadela sem raça definida, para protestar.  “Ela vivia presa em uma corrente e eu a resgatei. Estou aqui para ajudar na divulgação e demonstrar como eles nos fazem felizes. Voltamos a ser crianças com a ajuda dos animais.”

Márcio Henrique: "Elvis também gostava de animais"
CRÉDITO: FÁBIO BRITO/AE

Anita Hagge, protetora do Clube das Pulgas, chamou a atenção. Ela vestiu uma fantasia de enfermeira e ficou horas com a cabeça coberta por um balde e a roupa cheia de molho de tomate. Sobre ela um cachorro de pelúcia da raça yorkshire, representando a cadela Lana, morta brutalmente pela enfermeira Camila Corrêa, em Formosa (GO). “Esta é a forma de demonstrar a vingança da Lana, que foi morta de forma cruel.”

Protetora representou a vingança da yorkshire Lana, morta pela dona.
CRÉDITO: FÁBIO BRITO/AE

A manifestação na capital paulista também contou com personalidades. A modelo, atriz e apresentadora Gianne Albertoni fez questão de comparecer. “Não adianta ficar indignado, sentado em casa vendo a injustiça, queremos realmente punição para quem maltrata os animais.” Luisa Mell também esteve à frente do movimento, puxando a multidão com gritos de protestos: “Justiça! Justiça! Justiça!” e chegou a ficar de joelhos com a multidão, relembrando os casos de maus-tratos mais recentes.

Gianne Albertoni
CRÉDITO: FÁBIO BRITO

Luisa Mell
CRÉDITO: FÁBIO BRITO

Da esquerda para a direita: Elvis Presley (Márcio Henrique),
Luisa Mell, Alexandre Rossi, Luiz Scalea (camisa laranja)

Ao voltar ao Masp manifestantes cantaram o Hino Nacional e o protesto foi dado como finalizado pelos organizadores, mas um grupo de protetoras de animais foi até a casa de Dalva Lima, de 43 anos, acusada de matar, no último dia 12, mais de 30 cães e gatos em sua casa, na Vila Mariana.

Os manifestantes bateram no portão do imóvel, na Rua Mantiqueira, e gritaram para a mulher aparecer. A situação ficou tensa e a Polícia Militar (PM) foi chamada para conter o tumulto. Segundo as protetoras, antes da chegada da PM, o ex-marido de Dalva, Anderson Alves, teria mostrado uma arma de dentro da residência e ameaçado o grupo. “Ele levantou a camisa e mostrou a arma. Eu vi! Ele me encarou com raiva, olhando nos meus olhos”, afirmou Aline Caires, de 27 anos, que participava da manifestação.

Manifestantes em frente a casa da Dalva Lima,
na Vila Mariana, que é acusada de matar mais de 30 animais.
CRÉDITO: FÁBIO BRITO

Um dos PMs informou que não havia arma na casa e que um boletim de ocorrência foi registrado. Um boato de que Dalva poderia estar na casa da ex-sogra fez com que os manifestantes saíssem da frente da casa da acusada e fossem até a Rua Dona Inácia Uchoa, a cerca de 400 metros dali. No local, houve mais confusão.

Protesto na rua da ex-sogra da Dalva: protetores acreditavam que a
acusada de matar mais de 30 animais se escondia no local.
CRÉDITO: FÁBIO BRITO/AE

Depois de quase uma hora sob intimidações, a mãe de Anderson, Marlene Alves, chegou a pedir à imprensa que entrasse para constatar que Dalva não estava. “Não aguento mais, estou sendo agredida e ameaçada. Fui machucada e amassaram meu carro com uma pedra”, disse.

Ela negou que soubesse a localização da ex-nora. “Aqui só tem deficiente e crianças. Ela não está aqui, podem ver.” Mas decidiu ficar calada quando questionada se sabia o que Dalva fazia. “Reservo-me o direito de ficar calada.” Depois de os jornalistas afirmarem que Dalva não foi encontrada dentro da casa, os manifestantes decidiram ir embora.

comentários (7) | comente

  • A + A -

Amanhã, dia 22 de janeiro, promete ser uma data especial e que deve entrar para a história, pelo menos para quem gosta de animais. Será realizada a manifestação Crueldade Nunca Mais, ato organizado por diversas ONGs de proteção de animal que reivindicam que seja criada uma lei mais adequada para punir quem pratica maus-tratos contra bichos, já que a atual é branda e praticamente não coloca na cadeia pessoas que fazem verdadeiras barbaridades.

 

 

Para isso, está sendo elaborada uma petição oficial do movimento (abaixo assinado), que circulará em vários estados brasileiros e na internet, com o objetivo de coletar um milhão e meio de assinaturas em todo País. Até agora, ONGs de quase 170 cidades já confirmaram a realização do movimento em seus municípios, totalizando 23 estados na campanha. Entidades dos EUA e Inglaterra também confirmaram apoio.

A ideia surgiu principalmente depois da exposição de tanta crueldade contra os bichos. As redes sociais foram fundamentais para garantir a participação e coordenação do evento. “A manifestação será um movimento pacífico e respeitador das leis, idealizado e organizado pelos protetores de animais do Brasil, o qual será o início de uma série de ações que visam à penalização correta para crimes de maus tratos aos animais”, afirmam os organizadores.

Cada município organizará o formato da manifestação (veja aqui a relação e informações sobre a manifestação mais próxima a você). Na região metropolitana de São Paulo o encontro será na principal via da cidade: Av. Paulista, às 10 horas, em frente ao Masp. Nada mais justo, já que diversas vezes o local serviu de palco para manifestações em defesa também dos direitos dos seres humanos.

Para evitar estresses e preservar a saúde dos animais, a organização pede que não sejam levados bichos de estimação ao evento, além de todos manterem a calma e lembrar-se de manter a cidade limpa. Cartazes serão permitidos, desde que não apoiem a violência.

Mais informações: http://www.crueldadenuncamais.com.br

 

Organização central da manifestação Crueldade Nunca Mais.
Em pé: Paulo Tenório, Soraia Calil, Adriana Walch, Fernanda Barros,
Lilian Rockenbach, Marilia Azevedo, Altina Mabellini,
Angela Caruso e Leila Abreu. Sentados: Correa do Mel,
Luiz Scalea, Allan Reinaldo e Beth Castilho
CRÉDITO: DIVULGAÇÃO

comentários (4) | comente

  • A + A -

Depois de quase 30 anos sem casos de raiva em animais domésticos na cidade de São Paulo – o último foi notificado em 1983 –, a capital registrou, no fim do ano passado, a morte de uma gata por causa da doença, que é altamente letal e transmissível ao ser humano.

O felino, que tinha aproximadamente 10 anos, pertencia à artesã Izabel Bonifácio da Cruz, de 50, que mora na Rua Teviot, em Moema, zona sul da cidade. O local é considerado de classe média alta e tem um grande número de animais.

O bicho havia morrido em outubro, mas a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) e a Coordenação de Vigilância em Saúde (Covisa) do Município de São Paulo foram comunicadas apenas em dezembro.  A demora na notificação teria sido atribuída a uma confusão em diagnosticar a causa da morte do animal.

Em entrevista exclusiva ao blog Conversa de Bicho, do Estadão.com.br, Izabel explica que a suspeita inicial era de que a gata tinha sido envenenada, já que em maio do mesmo ano outros animais tinham sido mortos dessa forma. “Tive cinco gatos que morreram por causa de chumbinho (veneno para rato), que jogaram aqui no quintal. Achei que era mais um caso, mas eu a levei para a USP para analisarem o que a matou”, afirma. Só após fazerem diversos testes para intoxicação, todos com resultado negativo, a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP (FMVZ/USP) enviou, no fim de novembro, material para teste de raiva, que deu positivo.

Segundo a dona da gata, que faz trabalhos voluntários de recuperação de bichos abandonados, a suspeita é de que o animal teria sido infectado após caçar e matar um morcego, que possivelmente estaria com a doença. “Ela tinha a mania de pegar esses bichinhos e trazer para cá. Uns cinco dias antes de morrer, eu me lembro de ela ter pegado um morcego com a boca. Eu retirei o bichinho morto e o joguei fora”, explica. A atitude de tocar no morcego, principalmente ferido, é altamente perigosa e não recomendada por especialistas, porque quem o manipula também pode se contaminar com o vírus da raiva.

Izabel, dona da gata que morreu diagnosticada
com o vírus da raiva do morcego, ainda tem mais de
10 animais sob seus cuidados. Todos foram vacinados
e microchipados e boa parte vai para adoção.
FOTO: FÁBIO BRITO/AE

Após notificada, a Prefeitura enviou ao local funcionários e médicos para fazerem o que chamam de bloqueio, que é a vacinação dos animais das casas próximas, e notificar os moradores sobre o que ocorreu – para identificar, realizar exames e vacinar as pessoas que tiveram contato com o felino. “A Covisa desencadeou todas as medidas previstas para o controle da doença, de acordo com o Programa Nacional de Controle da Raiva, e não foi encontrado nenhum novo caso da doença nem mesmo de suspeita. As equipes de vigilância realizaram atividades de casa em casa, com orientações aos munícipes e a vacinação de animais domésticos (cães e gatos)”, explicou, em nota, a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal da Saúde.

Apesar de a Prefeitura alegar que não há casos suspeitos, Izabel teve de entregar 5 gatos ao Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo (CCZ-SP), dos 17 felinos em seu poder. Os demais foram mantidos presos em um gatil em sua casa. Todos deverão ficar sob observação durante 180 dias e ainda não dá para descartar a possibilidade de algum estar infectado. Ela, o marido, a filha e demais pessoas que conviviam no ambiente também foram vacinados e estão sob acompanhamento médico.

No entanto, Izabel lamenta não ter recebido o laudo com a comprovação da doença. “Eles apenas me ligaram informando informalmente. Foi tudo verbal.” A protetora também questiona o procedimento da Prefeitura. Para ela, todos os munícipes deveriam ter sido avisados. “Acho que todos os donos e protetores precisam ficar atentos. Se morrer um animal do nada, precisa investigar.” Além disso, a artesã acredita que, se tivesse sido feita a campanha de vacinação no ano passado, a população estaria mais segura. “Não sei se essa gatinha teve contato com outros animais. Ela vivia solta. Temos muitos gatos na rua e acho que tinham de vacinar em outros lugares também. Esta é uma área que tem muitos morcegos. Todo mundo corre o risco e a Prefeitura deveria avisar a população em geral”, completa.

Medo

Mesmo depois de a Prefeitura enviar funcionários da Secretaria Municipal da Saúde, ainda há quem não acredite que havia um animal com raiva no local. “Não, não era raiva. Você acha que era?”, indaga uma moradora da Rua Teviot que não quis se identificar. Ela é dona de um cão da raça bichon frisé, de 12 anos. “Ainda bem que eu dou todas as vacinas no meu Bidu.”

Segundo o vigia da rua, Eleno Augusto da Silva, de 47 anos, os moradores da região ficaram assustados. “Muita gente veio me perguntar se era verdade.” E os moradores tinham razão em perguntar para ele. O próprio vigia foi um dos abordados pela equipe médica e orientado a ser vacinado com a antirrábica, já que havia a suspeita de que ele tivesse brincado com a gata. No entanto, Silva afirma que ele não tinha “muito contato” com o bicho e confessa que dificilmente conseguirá ir até o posto indicado para ser imunizado. “Eu não tenho como sair daqui, para mim é muito complicado. Mas, como as médicas já sabiam que seria difícil, me pediram até para assinar um termo de responsabilidade. Aí assinei”, afirma.

O fato de não apresentar sintomas até o momento não descarta a possibilidade de ter sido exposto ao vírus. Segundo informações do Ministério da Saúde (MS), a incubação da raiva é extremamente variável. Apesar de na média a doença se desenvolver em 45 dias no homem e de 10 dias a 2 meses nos animais, há a possibilidade de o vírus ficar incubado por anos. Em crianças, existe a tendência para um período de incubação menor que no indivíduo adulto.

Tudo está relacionado à localização, extensão, quantidade e profundidade dos ferimentos causados pelas mordeduras ou arranhaduras; lambedura ou contato com a saliva de animais infectados; distância entre o local do ferimento, o cérebro e troncos nervosos; além da concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.

O último caso fatal de raiva humana no Estado de São Paulo foi registrado em 2001, na cidade de Dracena. Na ocasião, um morcego também infectou um gato, que depois transmitiu a doença a sua proprietária. Como não procurou ajuda a tempo, Iracema Milanez, de 52 anos, acabou morrendo.

Morcegos

Apesar de ser um tipo diferente de raiva daquela conhecida como a do cachorro louco (canina), o vírus rábico transmitido pelo morcego é tão letal quanto o do cão. Além disso, o caso dessa gata e de outros relatos de exposição demonstram que pode estar havendo uma mudança do perfil epidemiológico importante, já que os episódios de contaminação recentes tem como origem a variante do morcego.

Ricardo Augusto Dias, médico veterinário e professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, explica que a doença circula entre várias espécies de morcegos, tanto os que se alimentam de sangue quanto os que comem apenas frutas. “A organização social deles é baseada em agressão e é comum que várias espécies dividam a mesma toca ou caverna. Além disso, eles têm o hábito de um lamber o outro, principalmente as fêmeas.”

Tanto os morcegos que se alimentam de sangue quanto os
que comem frutas podem transmitir a raiva
FOTO: EPITACIO PESSOA/AE

Segundo o veterinário, a cidade é um lugar em que se adaptam bem e por isso sempre haverá a possibilidade de contaminação, principalmente nos gatos que vivem soltos, que são mais predadores. “Se não houver o controle populacional de morcegos, sempre haverá o risco.”

Para ele, o fato de não terem realizado a campanha de vacinação contra a raiva foi um erro e expõe o ser humano ainda mais à doença. “Apesar de a vacina não controlar a raiva, já que uma pessoa pode ser infectada diretamente pelo morcego, previne a morte dos indivíduos. Se o animal for vacinado, ele não desenvolve a raiva, que também está circulando na cidade de São Paulo. Tem de haver a campanha de vacinação em animais para proteger os donos.”

A confirmação de um caso de transmissão de raiva a um felino é considerada grave, mas não incomum. Em 2010, houve dois episódios no Estado de São Paulo, um em Araçatuba e um em Jaguariúna.  De 1998 até hoje já foram confirmados 37 animais domésticos contaminados em todo o Estado. “Achava-se antes que esse tipo de vírus parava no morcego, porque não estaria adaptado a outros animais, mas na verdade isso não existe: o risco da epidemia é menor, mas pode haver a possibilidade e ainda estamos fazendo cálculos epidemiológicos para avaliar o risco. Tivemos a comprovação em pessoas e em outros animais de alguns municípios, como Espírito Santo do Pinhal (em 2001), onde ocorreram oito casos de infecção do vírus do morcego em animais domésticos (seis em cães e dois em gatos). Provavelmente um passou para o outro”, afirma a médica sanitarista Neide Takaoka, diretora-geral do Instituto Pasteur, referência nacional em pesquisa e controle de raiva animal e humana.

A médica também defende que haja a vacinação, já que com a imunização o animal desenvolve anticorpos para bloquear o vírus e acaba com a possibilidade de o pet transmiti-lo ao homem. “Enquanto não há estudos que comprovem que não há risco de epidemia, o ideal é que aconteça a campanha de vacinação. Se o Ministério da Saúde vai ter condições de fornecer uma vacina de boa qualidade para todo o País, não sabemos. O País precisa cerca de 30 milhões de doses.”

Para Caio Rosenthal, médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a ocorrência de um gato morto com raiva é muito relevante. Ele também acredita que a quebra da campanha de vacinação não deveria ter acontecido, já que a doença estava praticamente sob controle. “As consequências são ruins e uma delas é essa que estamos vendo.”

Agora, segundo o especialista, sempre haverá uma dúvida e uma insegurança do médico e da vítima em casos de mordidas ou arranhaduras. “Vai fugir da rotina, do controle, da perspectiva epidemiológica. Um médico de um pronto-socorro vai ter de atuar com esse dado na cabeça. ‘Bom, o ano passado não teve campanha: eu vacino essa criança ou não vacino? Eu dou soro e a vacina?’ Fugiu do protocolo. O médico fica mais preocupado e vai abrir um leque maior de tratamento e prevenção – às vezes sem necessidade real. Na dúvida, vai pecar pelo excesso”, explica.

Sobre a doença

A raiva é uma disfunção viral, caracterizada como uma encefalite progressiva aguda e praticamente não tem cura. Depois de apresentar os sintomas evolui rapidamente para a morte. No mundo, apenas três pessoas infectadas sobreviveram ao mal depois de submetidas a tratamentos, mesmo assim ficaram com alguma sequela.

Todos os mamíferos são suscetíveis ao vírus e também podem transmiti-lo. A forma mais comum da contaminação se dá pela penetração do vírus rábico contido na saliva do animal em feridas, principalmente pela mordedura e arranhadura ou pela lambedura de mucosas.  Ao ter contato com o organismo, o vírus se multiplica e atinge o sistema nervoso, alcançando depois outros órgãos e glândulas salivares, onde se replica. Ainda há relatos de transmissão após transplantes e as remotas possibilidades de transmissão sexual, respiratória, digestiva (em animais) e a contaminação da mãe para o filho durante a gestação/parto. O aspecto clínico é bem variado, o que torna difícil o diagnóstico se não houver o histórico de exposição à doença.

Os animais domésticos podem demonstrar alterações sutis de comportamento, anorexia, fotofobia, além de agressividade. O cão pode parecer desatento e, por vezes, nem atender ao próprio dono. Também pode haver um ligeiro aumento de temperatura, inquietude, crise convulsiva e paralisia, evoluindo para o coma e a morte.

Já no caso do ser humano, o paciente apresenta mal-estar geral, pequeno aumento de temperatura, anorexia, cefaleia, náuseas, dor de garganta, irritabilidade, inquietude e  sensação de angústia. A infecção progride, surgindo manifestações de ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes, febre, delírios, espasmos musculares involuntários, generalizados e/ou convulsões. Os sintomas evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal.  O infectado se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso. O período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito, é em geral de 5 a 7 dias.

Campanha de vacinação

A dúvida se haverá a campanha de vacinação e se a nova vacina será segura é algo que alguns especialistas e donos de animais gostariam muito de saber. Para esclarecer o assunto, o blog Conversa de Bicho, do Estadão.com.br,  foi ouvir Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde.

1 – Este ano teremos campanha de vacinação contra a raiva no Estado de São Paulo? O Ministério da Saúde enviará as doses da vacina? Quando será e quantas doses são necessárias para o Estado e para a capital?

R.: Sim, está no cronograma do MS a realização da campanha antirrábica animal no Estado de São Paulo no ano de 2012. O MS enviará as doses necessárias  (já foram enviados 2 milhões de doses para o Estado, agora em janeiro). As doses previstas para o Estado de São Paulo, em 2012, são de aproximadamente 7,5  milhões, sendo 1, 2 milhão para a capital. A entrega do quantitativo  remanescente da vacina ao Estado dependerá da confirmação da entrega do laboratório produtor ao MS, o que deve ocorrer até o final de janeiro.

2 – O Ministério da Saúde ficou de enviar as doses para a realização da campanha no ano passado em São Paulo, mas não o fez. Qual foi o motivo?

R.: O atraso no cronograma de entrega das vacinas de 2011, tanto para São Paulo quanto para os demais Estados do Sudeste e outros nove Estados do Norte e Centro-Oeste do País, ocorreu em razão dos testes exigidos pelo MS ao laboratório produtor de forma a garantir e dar segurança ao produto. Esses testes mais rigorosos foram necessários porque em 2010 ocorreram eventos adversos graves, com mortes de animais, o que levou à suspensão da campanha. A distribuição da vacina no ano de 2011 priorizou os Estados onde há maior risco de ocorrência de raiva.

3 – A vacina contra a raiva foi modificada e houve vários casos de reações, principalmente em felinos, horas depois da aplicação da dose. Foi identificado o problema? O que garantirá que não aconteçam novamente as reações? Aliás, por que foi modificada? Como era fabricada antes e como é agora?

R.: O problema foi identificado pelo MS a partir de avaliações realizadas pelo Laboratório de Imunobiológicos e Biofármacos da Faculdade de Ciências Farmacêuticas/USP nos lotes da vacina utilizados na campanha de 2010. A análise apontou um aumento de concentração de proteína de soro bovino (heterólogo).

Para garantir que não aconteçam os eventos adversos observados em caninos e felinos foram feitas várias exigências ao laboratório produtor, com o aperfeiçoamento no processo de produção, de forma a garantir a redução da reatogenicidade e segurança do produto para o uso do imunobiológico na campanha de 2011. Além disso, novos e mais rigorosos testes de qualidade foram introduzidos.

4 – Foi divulgado, em 2001, um caso de raiva em uma mulher da cidade de Dracena. O vírus foi transmitido por um gato, contaminado pelo morcego. O Ministério da Saúde tem ciência do caso de raiva de um gato (transmitida pelo morcego)  identificado em dezembro de 2011 na cidade de São Paulo? Se sim, isso já não justificaria a campanha de vacinação?

R.: Sim o MS tem ciência de todos os casos de raiva porque essa é uma doença de notificação compulsória. Além disso, todos os casos são investigados para se determinar a variedade do vírus envolvido porque essa informação é importante na definição da estratégia adequada.

No Estado de São Paulo, o último caso de raiva humana pela variante canina do vírus rábico ocorreu  em 1997. Na capital, o último caso de raiva humana pela variante canina ocorreu em 1981. Em 2011 ocorreu esse caso de raiva em um gato, porém com a variante do vírus encontrada em morcegos. Esse tipo de transmissão por morcegos é um evento ocasional que pode acometer animais, como o gado ou animais domésticos, ou uma pessoa que for agredida pelo morcego e não fizer o tratamento pós-exposição, com a vacina e/ou o soro antirrábico.

Em qualquer situação, quando identificado um caso de raiva canina, é realizada a vacinação de bloqueio, imunizando-se todos os animais das áreas próximas ao caso.

A vacinação regular dos animais domésticos, sob a forma de vacinação de rotina ou de campanha, é fundamental para impedir a circulação do vírus da raiva. Entretanto, também é muito importante que as pessoas que sofreram agressões de animais procurem imediatamente um posto ou centro de saúde para receber a vacina e/ou o soro antirrábico, dependendo de cada caso – em todo o País, o SUS oferece vacina e soro antirrábico para todas as pessoas que necessitarem. Essa é uma medida essencial porque, mesmo entre os animais vacinados, ocorrem falhas naturais de imunização.

Além disso, a cobertura vacinal sempre é muito baixa entre os cães errantes e semidomiciliados. A vacinação de animais domésticos ocorre seguindo duas estratégias distintas, de acordo com a situação epidemiológica de cada Estado. Onde existe circulação de vírus da raiva canina, é indicada a realização de campanhas anuais, além da realização de vacinações de bloqueio. Em Estados onde não ocorre a circulação do vírus da raiva canina, como o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e a maior parte do Paraná, a estratégia adotada é a vacinação de rotina dos animais domésticos em Centros de Controle de Zoonoses e outras unidades.

A vacina antirrábica canina (Varc) utilizada no Brasil protege cães e gatos contra qualquer vírus do Genotipo 1 da Raiva, quer seja Variante 1 ou Variante 2, que são aquelas Variantes que têm no cão o seu reservatório e circulam entres as espécies canina e felina domésticas.  Da mesma forma, protegem contra os vírus das Variantes 3, 4, 5, que são as que circulam entre os morcegos hematófagos e não hematófagos, mas que acidentalmente podem vir a causar raiva em cães e gatos.

A ocorrência de um caso de raiva animal, como o registrado com o gato em São Paulo, não justifica a realização de campanha e sim da vacinação de bloqueio, o que foi realizado.

5 – A raiva ainda é considerada um grave problema de saúde pública em nosso País? Quantos casos foram registrados por Estado?

R.: A raiva já foi um grave problema de saúde pública, não sendo mais, pois a doença foi controlada ao longo das últimas 3 décadas. O Brasil encontra-se atualmente muito próximo da eliminação dessa doença, com a ocorrência de raros casos humanos. O desafio que ainda persiste é a ocorrência, de forma eventual, em alguns pontos focais de alguns Estados do Nordeste.

Em 1983 foram notificados 91 casos humanos, sendo a espécie canina a principal fonte de infecção. No ano de 2008, pela primeira vez no País, não houve nenhum caso de raiva humana transmitida por cão desde a implantação do programa na década de 70. Em 2009 e 2010 ocorreram 2 casos e 1 caso, respectivamente, transmitido pela espécie canina. Em 2011, foram notificados 2 casos humanos em um único Estado, o Maranhão.

A raiva canina segue a mesma tendência de redução no número de casos. No ano de 2000 foram registrados 921 casos, enquanto em 2011, foram notificados 63 casos de raiva canina e 6 casos de raiva felina em 18 municípios.

6 – Qual será o total de vacinas contra a raiva para animais de estimação e o valor investido em 2012? São importadas ou produzidas no Brasil? Quem é responsável pela produção?

R.: O total de vacinas adquiridas para 2012 é de 30 milhões de doses, parte produzida no Brasil pelo Tecpar (produtor nacional vinculado ao governo  do Paraná) e parte produzida pelo laboratório Merial, que é um produtor internacional pré-qualificado pela OMS.

Ainda não temos o valor final a ser gasto em 2012 porque não concluímos o acerto sobre que quantitativo será fornecido pelo laboratório nacional e quanto será comprado do produtor internacional.

—————————————————————————————————————

 

RAIVA EM NÚMEROS

    10 mil por ano é a quantidade aproximada de análises de raiva feitas em
animais de estimação (cães e gatos)

    100 é o número aproximado, por ano, de casos positivos de raiva em morcegos
em áreas urbanas

    2 morcegos com o vírus rábico foram encontrados na cidade de São Paulo
no ano passado

    37 animais domésticos foram infectados com o vírus da raiva do morcego
de 1998 até hoje no Estado de São Paulo

    30 milhões de doses são necessárias para a vacinação contra a raiva no País

    1,2 milhão de doses são necessárias para imunizar a população de animais
de estimação da cidade de São Paulo

—————————————————————————————————————

 

EVITE A DOENÇA

    Os animais de estimação devem ser vacinados contra a raiva a partir dos
três meses de idade. O reforço da imunização deve ser feito anualmente, mesmo
em cadelas prenhes, lactantes ou no cio

    Não deixe que cães e gatos tenham acesso à rua, telhados ou portões.
Só leve seu melhor amigo para passear utilizando coleira e guia

    Não é indicado tocar em nenhum animal desconhecido, principalmente ferido
ou que esteja se alimentando. Não tente controlar bichos que estejam brigando e
não mexa em fêmeas com crias

    Caso seja mordido ou arranhando por um animal, procure lavar o ferimento
com água e sabão e vá a um posto de saúde. No entanto, lembre-se de que em
acidentes com bichos é importante identificar qual é o animal e quem é o dono.
Caso não seja encontrado ou se o animal adoecer ou morrer, entre em contato
imediatamente com o Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo
(t. 3397.8900/8901)

    Nunca se deve tocar em morcegos que eventualmente entrem em casa ou
apareçam caídos no jardim. Se possível, tente imobilizar o animal jogando um
pano ou caixa de papelão emborcada para baixo, de modo a mantê-lo preso.
Em seguida, entre em contato com o Centro de Controle de Zoonoses, que
enviará uma equipe para buscar o animal e encaminhá-lo para exame laboratorial
de raiva e identificação da espécie

 —————————————————————————————————————

 

 

comentários (17) | comente

  • A + A -
13.janeiro.2012 11:20:35

A sorte do gato preto

Quebrar espelho, passar por baixo da escada, cruzar a rua onde tem um gato preto são para muitos sinais de azar. Se somado a isso for uma sexta-feira 13, aí, para quem acredita, o dia se tornou ainda pior. Até que para as duas primeiras situações o mito já não tem tanta força como antes e essas ações vêm se tornando algo cada vez mais comum. Mas é justamente por causa dessas lendas que o único que tem tido azar mesmo é o gato preto, que ainda é visto como um animal que atrai azar e, por preconceito, sofre maus-tratos ou é rejeitado. Pior, em datas como Semana Santa, sexta-feira 13 e até no Halloween, muitos bichanos são sacrificados na realização de trabalhos religiosos de algumas seitas ou são maltratados.

Para Juliana Bussab, coordenadora e uma das fundadoras da ONG Adote um Gatinho, maus-tratos e a utilização de gatos pretos em sacrifícios é uma realidade. Além de receber várias denúncias, ela mesma já encontrou um felino num ritual religioso, na porta de um cemitério. “Eu passava próximo quando vi um gatinho preto que tinha sido morto, com os olhos costurados. Foi horrível.”

A ONG, que tem a fama de ser muito criteriosa ao doar animais, redobra a atenção quando uma pessoa se interessa por bichanos nessa cor. “Somos muito mais cautelosos, principalmente quando são insistentes. Quem esperou até a semana da sexta-feira 13 e quer mesmo um gato nessa cor, não se importa em esperar uns dias”, afirma. Como além da fama de trazer azar ainda tem o problema dos rituais, animais pretos são a maioria a espera de adoção. “Cerca de 30% dos nossos bichos são pretinhos e são os mais difíceis de serem adotados. Enquanto um amarelinho ou rajado demora um dia para ir para um novo lar, um preto pode ficar por até um mês. Mas preferimos assim a colocar o gato numa fria. Já dizem que quando a esmola é grande até o santo desconfia.”

 

Juliana Bussab, coordenadora e uma das fundadoras
da ONG Adote um Gatinho - Crédito: Divulgação/AUG

O próprio Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo (CCZ-SP) não permite que gatos pretos sob seus cuidados sejam doados nessas datas. Desde o início desta semana até segunda-feira, nenhum bichano preto pode ser adotado. Em nota, o CCZ-SP afirma que “a adoção é um ato nobre, portanto, a predestinação por cor baseada em superstição não combina com o perfil de quem deseja adotar um cão ou gato”.

Já na União Internacional Protetora dos Animais (Uipa) a regra é ainda mais rígida. “Temos cerca de 400 gatos em nosso gatil e boa parte deles é nessa cor, mas temos como norma não doarmos bichanos pretos. A exceção é apenas para protetores que conhecemos e confiamos. Já cansamos de ver pessoas, até com trajes religiosos, virem aqui querendo especificamente um gato preto. Sabemos qual pode ser o fim desse animal”, afirma Vanice Orlandi, presidente da ONG. Segundo ela, a regra foi feita dessa forma para ser cumprida durante todos os dias do ano. “Nem só nessas datas religiosas são sacrificados animais pretos.”

Além do risco de perder a vida nesses rituais, os cães e gatos escuros sofrem preconceitos, explica Renato Bacci, coordenador da ONG Associação Natureza em Forma. “As pessoas alegam várias razões. Dizem que são bravos, traiçoeiros e até chegam ao absurdo de dizer que, por causa da sua cor, fica mais difícil achar pulgas. O ideal é que nenhum bicho tenha pulga. É só cuidar. Também não há nenhuma regra para comportamento de um felino, mas, ao contrário do que se diz, normalmente os gatos pretos são muito mais dados e safados que os outros, além de divertidos.”

E o azar atribuído aos peludos pretos? Para a fundadora da ONG Adote um Gatinho a lenda está relacionada à falta de cultura. “Muito pelo contrário, eles trazem sorte. Até lançamos uma campanha nesse sentido, para desmistificar essa ideia de que trazem azar. Eu mesmo tenho uma gata preta há anos e ela me ajudou muito em momentos difíceis e compartilhou outros muitos felizes”, afirma Juliana.

O pior é que até quem tem gato preto pode ter seu bichano roubado ou maltratado em datas como sexta-feira 13. A dica é castrar o animal e mantê-lo preso durante esses dias. Assim você salva a vida do seu peludo e traz sorte para todos!

ACOMPANHE O BLOG CONVERSA DE BICHO:

FACEBOOK | TWITTER

comentários (62) | comente

  • A + A -

O último dia do ano foi marcado por uma atitude de crueldade contra um cão sem raça definida, morto a facadas na tarde do dia 31 de dezembro, em Guarapuava, cidade que fica no centro-sul do Paraná.

Um vídeo do resgate do cão foi colocado na internet para expor o caso, mas as cenas são extremamente fortes. A filmagem mostra Aldonei Bonfim,  funcionário do canil municipal, removendo o cão que estava dentro de uma manilha (tubo de concreto utilizado em canalizações).

Bonfim informou ter sido comunicado apenas que um cachorro estava ferido na rua, por volta das 17 horas. Ele só percebeu a gravidade do caso depois de retirar o bicho, que estava com vários ferimentos. Foram aproximadamente cinco golpes, espalhados pelo focinho, pata dianteira e dorso – esse último era tão profundo que permitia ver órgãos do cão.

Apesar de o animal ter sido socorrido com vida, ele não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo durante uma cirurgia para tentar salvá-lo. Nem mesmo a veterinária que o atendeu conseguiu conter a emoção ante tamanha crueldade.

O principal acusado de ter esfaqueado o animal é um homem de 50 anos, chamado Alcides Godói da Silva, que já foi indiciado por maus-tratos em razão desse triste episódio. Em depoimento, Silva alegou que sua atitude foi em legítima defesa, já que o cachorro teria entrado em seu quintal e avançado sobre ele. No entanto, algumas testemunhas afirmaram que o cão havia fugido em razão dos fogos de artifício e que havia se escondido embaixo do carro do agressor, que resolveu tirá-lo de lá a golpes de facão. O dono do cão ainda não se apresentou à delegacia.

comentários (7) | comente

  • A + A -
  • Quem Faz

    Quem Faz

    Fábio Brito

    O paulistano Fábio Brito é jornalista e pós-graduado em Gestão Empresarial. É especialista em bichos de estimação e apaixonado por todos os animais desde criança. Há 10 anos, cria cachorros da raça retriever do labrador.


Comentários recentes

  • Romulo: O homem inventa um grande inimigo de todos: fogos de artifício! Só servem para fazer barulho, colocar a...
  • Soraia Carvalho: Bom dia! Moro em Belo Horizonte , sou apaixonada por animais, em especial os cães. Quero saber se...
  • Fabiana Ferreira: Oi Priscila também estou procurando este curso, aqui em Belo Horizonte (eu moro em Contagem)....
  • Marcia: Sr Ademar, curiosamente, enquanto humano, o senhor e toda humanidade, em especial no Brasil, dispõe de...
  • Solange: Pois é… esse diz que me diz não me diz nada. Meu cachorro Max, um boxer lindo, precisa de um...

Arquivos

Seções

Todos os Blogs