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Domingo, 27 de Maio de 2012
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O pop rock nacional sumiu do mercado

Categoria: rock brasileiro

Marcelo Moreira

O pop rock brasileiro sumiu. Não há vestígios dele nas poucas lojas de CDs e DVDs que sobraram, nas lojas virtuais e nas emissoras de rádio – que são mais raras ainda na difusão de tal segmento. Quando muito, o que se vê no dial das FMs e no comércio são os velhos heróis dos anos 80, que ainda vendem razoavelmente bem. De resto, esterilidade total - não há nem mesmo mesmo uma única banda ou artista novo da área que chame a atenção.

Mas a situação fica cada vez mais assustadora quando se observa a enorme lista de atrações do Rock in Rio 2011 é se tenta uma breve comparação com o evento inaugural, de 26 anos atrás: não existe mais pop rock nacional na segunda década do século XXI.

A organização do megaevento decidiu apostar, nos vários palcos da edição de 2011, no tiro certo. Estão lá os ícones da geração dos anos 80, como Titãs, Roberto Frejat (Barão Vermelho), Capital Inicial, Jota Quest, Marcelo D2 (ex-Planet Hemp), Cidade Negra (??????) e Skank, entre outros – todos os citados com no mínimo 15 anos de carreira, na maior parte do tempo bem-sucedida. Tiveram que chamar até mesmo a nova reencarnação dos Mutantes, um grupo fundado há quase 45 anos.

Pitty , Marcelo Camelo (ex-Los Hermanos) e Detonautas são atrações secundárias e também estão há uns bons dez anos na estrada – e já viveram dias bem melhores, tanto em termos de mercado como de criatividade. Ou seja, falta novidade no segmento pop rock para atrair público.

Capital Inicial em ação no SWU de 2010; com quase 30 anos de carreira, é uma das "grandes" atrações do rock nacional no Rock in Rio 4 (Foto: Flavio Moraes / Fotoarena)

O jeito foi chamar NX Zero e Gloria para tocar no palco principal – atrações que, por si só, não necessita maiores comentários e expõem de forma dramática a crise que assola o rock brasileiro. De novidade mesmo, digna de nota, temos o interessante Móveis Coloniais de Acaju e a banda de rock pesado Matanza, que não é novata, pelo contrário.

Nada contra a participação de um grande número de bandas e artistas consagrados e com anos de carreira. A questão não é essa. O que chama a atenção é que a nova geração do pop rock, a rigor, está representada mesmo, para valer, apenas com NX Zero (que tem dez anos de carreira, mas despontou um pouco mais tarde) e Gloria, duas bandas que, gostem ou não, se encaixam no “perfil” emo. Cadê o rock nacional de qualidade que esteja despontando?

A comparação com o Rock in Rio I, de 1985, é covardia. Havia todo um contexto político e social dos mais interessantes na época e, de certa forma, houve um despertar cultural jovem que teve a música como sua principal expressão. E os organizadores, à época, tiveram sensibilidade para perceber o momento e, dentro do possível, convocaram os principais expoentes daquela geração que nascia.

Paralamas do Sucesso e Barão Vermelho foram as grandes atrações do rock nacional emergente que se apresentaram naquela edição. Fizeram shows elogiados, dentro dos parcos limites técnicos e de tempo concedido aos artistas brasileiros. As duas bandas estavam no auge.

 

O ótimo Matanza: ao menos um representante do rock pesado brasileiro cantado em português no Rock in Rio 4; sua escalação foi uma grande surpresa…

Houve espaço até mesmo para o pop mais rasteiro e comercial, como nos casos de Blitz e Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, que também desfrutavam de sucesso na época e se tornaram parte importante da cena.

E o que falar então do time de bandas importantes – boas ou ruins – que também faziam bastante sucesso, vendiam muito e tocavam bastante no rádio? Titãs, Ultraje a Rigor, Ira!, Inocentes, Plebe Rude, Capital Inicial, Lobão e os Ronaldos, Legião Urbana, Léo Jaime, Mercenárias, Metrô… Isso para não falar no rock pesado e no punk rock, como Dorsal Atlântica, Ratos de Porão, Garotos Podres…

NX Zero, mesmo com dez anos de carreira, é uma das poucas encarnações do "novo" pop rock nacional no Rock in Rio (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Não dá para comparar, tanto em qualidade como em quantidade. O pop rock sumiu em 2011 e está restrito, pelo menos aos olhos de parcela importante do mercado, às bandas emo, como Gloria, NX Zero, Fresno, Restart e os sumidos CPM 22. Os medalhões e os veteranos bons de vendas ainda reinam e deverão reinar por um bom tempo.

Mas aí um amigo dono de selo musical me faz a provocação: se o Móveis Coloniais de Acaju conseguiu, por que os outros não conseguiram? A pergunta é pertinente, e deve ser respondida pelos integrantes do Móveis. Qual foi o segredo?
A banda pertence a um circuito alternativo de pop rock e tem certo prestígio neste segmento, mas não muito mais do que bandas com trabalhos – interessantes ou não – que tiveram alguma repercussão, como Cachorro Grande, Vanguart, Macaco Bong, Anjo Gabriel, Ludov e mais algumas outras – para não falar no pequeno mas efervescente cenário do rock pesado em português, com Pedra, Carro Bomba, Tomada, Bando do Velho Jack, Baranga, Cracker Blues e Motorocker.

Todas têm o mesmo cacife, mas apenas o Móveis e Matanza triunfaram. Boas bandas, mas sem espaço em rádios e incapazes de formarem uma “cena”, de formar um cenário digno de ser chamado de novo rock ou pop rock nacional. A menos que haja um cataclismo cultural, permanecerão no underground – e com cada vez menos chances de participar de um Rock in Rio. Estaremos condenados por mais um bom tempo a escutar nas rádios que sobraram as mesmas velhas canções de Legião Urbana, Paralamas, Skank e Cazuza…

 

Móveis Coloniais de Acaju, única banda verdadeiramente alternativa do rock nacional que tocará no Rock in Rio 4, o que demosntra a a crise de falta de talentos no segmentop (FOTO TIAGO QUEIROZ/AE)

19 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Rodrigo Leprechaun

    Boto fé e concordo com seu ponto de vista; NX Zero 10 anos eu nem sei como é o som dos caras, e convenhamos ter Claudia Leite e não ter uma banda como Anjo Gabriel (que tem o verdadeiro espirito do rock roll e para mim é top de 2011 com disco de estréia “Culto Secreto do Anjo Gabriel”) é piada esta edição nem pela TV vale a pena…

  2. Enviado por: Robledo Silva

    Não tem pop rock na mídia pq ninguém tá fazendo pop rock. O Móveis tem seu valor, mas é mais distante do pop q Restart. Não q este último seja particularmente interessante (eu não gosto), mas é pop de verdade, chiclete, simples, despretencio$o, até burro.

    Não adianta ficar dizendo q não tem espaço no rádio. Com a situação do pop rock atual, eu honestamente DUVIDO q uma boa banda, com uma pegada interessante,

    Nos últimos 10 anos, eu vi duas frentes de pensamento, entre os artistas sem contrato com os quais convivi. Uma reclama, xinga, diz q a música no rádio é uma bosta. Mas na hora de produzir, está tão preocupado em se distanciar da “produção de massa”, q acaba fazendo uma música q não faz sentido pra mais ninguém, não é para o consumo em massa. É aquele som diferente q vc ouviu uma vez, talvez num show realmente legal, mas q não toca na sua festa, pq ela não é uma música abrangente, universal, ela é “indie”, no sentido de ser para um público “refinado”, ou simplesmente diferente. A outra frente se rende ao pop tão constrangedoramente, q se veste, toca, sorri, abaixa as calças, fala e vive de acordo com um arquétipo de sucesso q não existe. Vai viver de pedir pros amigos votarem naquele concurso de bandas do facebook onde vc pode até ganhar, mas a sua vida não vai mudar um centímetro de lugar.

    Eu acho q espaço está aí, ele existe. Ora, se todo mundo reclama q o pop rock sumiu (o restart é um representante atual, mas todos parecemos concordar q é pra criança, não convence maiores de 12 anos), com certeza alguém q tivesse talento e culhão poderia se facilmente se sobressair nesse cenário. Alguém q realmente tiver o poder de reunir uma massa em torno de si. Os professores continuam os mesmos, Mutantes, Legião, Barão, Capital, Raimundos, Charlie Brown. Independente de estilo, o q pega nesses artistas é a capacidade de falar e ser compreendido por virtualmente todo mundo. E, mesmo assim, ser considerados únicos, não uma simples cópia.

    Eu espero q eu não me torne um velho hippie esperando a volta do Woodstock. Eu tb espero q alguém seja esperto o suficiente pra perceber q, num cenário tão fraco como o da música pop brasileira atual (afinal, MPB tb é rock), fica quase fácil fazer alguma coisa bem mais interessante.

  3. Enviado por: Juliana Almeida

    Ah, mas agora as crianças nem tem tanta opção de programas…só espero que quando ficarem mais velhas não fiquem igual a maioria dos adultos de hoje: achando que a Xuxa ainda é rainha….isso irrita…

  4. Enviado por: Renato B.G

    Juliana,
    o pior é que eu tbm nao sou velho sou novo tenho 22, só que eu ainda consigo encontrar crianças que gostam de XUXA, msm sabendo que ela ta na TV dede quando minha vó era jovem kkkkkkkkkk,só que a TV continua tentando transformar as crinaças em um bando de retardados, esses dias eu vi um tal de Barnei isso aqui olha,http://suckerforvampires.files.wordpress.com/2010/10/barney.jpg

    se um dia eu pegar meu filho vendo isso, eu nao vou bater nele só pq eu infarto de tanta raiva antes de chegar perto dele kkkkkkkkkkkkkkk

  5. Enviado por: Juliana Almeida

    Que tivemos né, pq hoje ninguém mais vê a Xuxa, nem quando eu era criança (a uns 6 anos atrás) ninguém ligava mais pra ela…a audiência dela hoje é baseada nas pessoas de trinta anos que adorovam ela no passado…

  6. Enviado por: Renato B.G

    Essa lista que o Mau Gaia postou mostra o Brasil de crianças idiotas que tivemos e temos, eu nunca deixaria um filho meu ver essa xuxa, isso é coisa de retardado!!!

  7. Enviado por: mau gaia

    ela tinha um programa muito visto na emissora de maior audiência do país. e tinha toda a máquina de divulgação/promoção desta emissora pra fazer vender. me surpreendeu não que ela tenha vendido muito (isto eu sabia), mas sim que ela emplacou vários discos neste top ten.

  8. Enviado por: Juliana Almeida

    Como ela conseguiu????Acho que existia muito ”baixinho” na epoca…
    Engraçado é que hoje em dia as crianças não ligam muito pra isso né…hoje o sertanejo universitario, bandas tipo restart, etc, tomaram conta até das crianças….

  9. Enviado por: mau gaia

    xuxa vendeu MUITO disco. MUITO.

  10. Enviado por: Juliana Almeida

    Xuxa..

  11. Enviado por: Juliana Almeida

    Mau Gaia:
    É seria essa lista????

  12. Enviado por: mau gaia

    esta discussão poderia ser interessante, mas tudo perdeu o sentido depois disto: http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/os-10-discos-mais-vendidos-no-brasil-ate-hoje/

    esqueçam o rock, o pop, etc, senhores, esqueçam.

    • Enviado por: Marcelo Moreira

      Ok, o cenário é de terra arrasada, mas nunca houve a pretensão de o rock ser hegemônico, ao menos na minha percepção. Entretanto, a coisa poderia ser menos complicada partindo do pressuposto de que havia um cenário interessante e fergilhante até os anos 90, independente da qualidade dos artistas. Havia um cenário propício para o surgimento de novos artistas. Hoje coisas que eu citei no texto simplesmente serão relegadas ao limbo, não passando de hobby para seus integrantes e tendo uns 200 fãs fiéis.

  13. Enviado por: Juliana Almeida

    Eu não ligo em passar o resto da minha vida ouvindo as velhas canções da Legião Urbana no rádio…é muito ( totalmente e indiscutivelmente) melhor que essas bandas de hoje em dia…

  14. Enviado por: Londoner

    Se, por um lado, sempre existem novos artistas apresentando algo de bom, por outro lado as coisas mudaram muito.

    É muito difícil fazer algo novo e inovador, sempre vão comparar com pelo menos 2 ou 3 bandas NOTÓRIAS, fica difícil competir.

    O “império do jabá” está morrendo. Se era ruim porque empurrava goela abaixo um monte de lixo, por outro lado algumas gravadoras empurravam alguma coisa que prestasse. Gravadoras não tem a mesma força hoje em dia, e, aparentemente, lucro e qualidade musical dificilmente andam juntos para os padrões atuais da indústria, a menos que seja mais do mesmo.

    Já houve um tempo em que as bandas apresentavam algum movimento/ideologia. Faz um tempo que não existe.

    Se eu não vejo uma banda nova porque não tem a qualidade dos “dinossauros”, se não representa nada de novo no cenário cultural/social, as gravadoras não se interessam, se eu tenho acesso a uma quantidade gigantesca de músicas que eu não tenho condição de ouvir … Por quê eu vou me importar se só vão tocar “velharia”?

    Eu só vejo um motivo para os artistas novos: o público em geral, que não liga para a qualidade do som, quer ver coisa nova. É que nem novela, BBB, etc. O importante é que seja algo novo. Luan Santana e Restart são mais do que suficientes.

    Se, na Inglaterra, quem tem menos de 40 dificilmente escuta Beatles, não ia esperar algo melhor do Brasil. O futuro do Rock talvez seja o mesmo da musica erudita.

    []‘s

  15. Enviado por: Beto

    Nao sera necessario levar nenhuma substancia pois as drogas estarao no palco….que fase!

  16. Enviado por: Renato B.G

    Essas bandinhas ai nao passam de MODA, fica um tempinho depois nem se ouvi falar +

  17. Enviado por: Howlin Jay

    Bem…, depende do que você ouve. A última grande banda nacional que eu curti ficou nos anos 70 e se chama Mutantes; depois disso nunca mais tive uma paixão forte por nenhuma outra banda…até que, um amigo evangélico (eu sou católico não praticante) insistiu para eu assistir um DVD de uma banda chamada OFICINA G3; de tanto o carinha insistir eu acabei levando o DVD para casa; chegando lá, coloquei o DVD e fui fazer outras coisas, mas logo nos primeiros acordes eu já estava literalmente hipnotizado em frente ao telão de minha Sony de 50″ e meu Home Theater de 1000 Watts, não acreditando naquilo que eu escutava, uma verdadeira usina de som, um dos mais pesados que eu escutei atualmente mesmo comparando com as bandas internacionais. Não sei se os carinhas se apresentam fora do circuito gospel, mas, com certeza, estejam onde estiverem, eu vou atraz para assistir o show deles. O próximo vai ser Mackenzie dia 24 ás 8 horas da manhã numa palestra para jovens e o outro vai ser no mesmo dia à noite em Americana. Pra quem gosta de som pesado, tipo Dream Theater, não perca esse show por nada deste mundo. Oficina G3, ouça o CD e veja o DVD. Você vai adorar!

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