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Quarta-feira, 22 de Maio de 2013
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Metric lança o seu quinto álbum

Categoria: Anos 90

Jotabê Medeiros

 

A banda canadense Metric - Divulgação
Divulgação
A banda canadense Metric

Um disco sobre a exacerbação da vaidade e a confusão contemporânea entre o que é imagem e o que é real. Um manifesto de uma mulher bonita sobre qual é o limite entre a feminilidade e o exibicionismo. Syntethica (lançamento Lab344, R$ 29,90, nas lojas esta semana) é o quinto álbum da banda canadense Metric, um paradigma de rock indie, grupo formado pela musa alternativa Emily Haines, seu parceiro guitarrista e compositor Jimmy Shaw, e mais o baixista Joshua Winstead e o baterista Joules Scott Key.

O álbum começou a ser gestado há dois anos, após um show do grupo no festival de arte moderna Art Basel, em Miami. “É o ápice de um processo que representa toda nossa produção, um monte de coisas colocadas juntas, do underground ao pop, do rock à dance music”, diz Emily Haines, frontwoman da Metric, falando ao Estado por telefone de Cingapura (neste final de semana, já estava nos Estados Unidos, no festival Lollapalooza).

O grupo esteve pela última vez no Brasil em 2008, tocando no Indie Festival no Parque do Ibirapuera. “Foi maravilhoso, uma plateia fantástica, houve uma grande conexão com o público naquele show”, elogia a cantora, acrescentando que já está em negociações para voltar em breve.

O Metric, responsável por deflagrar um processo de “rock desencanado” há uma década, agora faz um manifesto político sobre o comprometimento social, sobre a mercantilização dos afetos. Em algumas faixas, como Youth Without Youth, Emily está soando como uma espécie de Patti Smith com filtro. “Agradeço, é um elogio, mas não tenho influência de Patti. Eu a aprecio como compositora e acho que nossa única semelhança é que, como ela, eu pensei primeiro em ser uma escritora. A atuação como cantora e música só veio depois”, explica a cantora.

Como Emily disse, é um álbum de um grande espectro temático. Dificilmente a pista de um clube noturno escapará de uma pepita dance tão charmosa quanto a canção Lost Kitten, construída com almofadas de sintetizadores (que, subitamente, encontram-se com um lânguido dedilhar de violões). Irresistível. Synthetica lembra o electro tropical de bandas como Cansei de Ser Sexy.

Logo adiante, a musa indie encontra o Cavaleiro Negro do rock, Lou Reed, e faz canção fofa com ele, Wanderlust. Curioso que, em outro momento de sua carreira, Emily tinha dito que “a gente nunca deveria se encontrar com nossos heróis”. Seria um modo de evitar a mitomania. Depois dessa, ela não está mais tão convicta de sua frase anterior. “Me tornei fã dele. Conheci Laurie Anderson, que artista fantástica!”, comemora.

Wanderlust tem tudo a ver com o universo de Lou Reed. “Tenho andado sonâmbulo/ Pela estação de trem/ Me acorde/ Quando eles chamarem meu destino”, diz a letra. Artificial Nocturne, a faixa que abre o disco, constrói um clima orquestral épico para lançar a batida do Metric para o próximo milênio. “Luzes falsas substituindo o Sol/ É um noturno artificial/ É uma fugamarginal para um coração partido.”

“Se você ouve nossos discos anteriores, vai achar que um deles é mais electro, outro é mais dance, outro é mais rock. Este disco tem um grande componente de rock’n'roll, mas também de todas as outras coisas. Não gosto muito dessas categorias”, ela diz. Súbito, uma estação de rádio nacional entra no meio da conversa, uma interferência inesperada. Está tocando Secos & Molhados. “É uma banda psicodélica brasileira dos anos 1970.” E Emily: “Adoro. Me faz sentir como se estivesse no Brasil”.

No Brasil, em 2008, a imagem que ficou é a de Emily Haines de shortinho e camiseta no Ibirapuera, tênis barato e o cabelo jogado no rosto, quase uma antidiva. Agora, está chovendo foto da cantora com roupas superdescoladas, produzidaça. “Oh, yeah estou mais fashion agora. Com a coisa da fama, o monte de shows em clubs, a gente acaba desenvolvendo um senso de estilo. Agora, eu presto mais atenção nos designers de roupas, adoro colocar umas camisetas novas. Aprendi que a moda pode ser divertida ou inspiradora. É uma linguagem, e pode despertar em algumas pessoas a emoção, por representar algo motivador.”

 

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