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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Hangar inventa o ‘workshow’ nos palcos brasileiros

Categoria: Heavy Metal, rock brasileiro

Marcelo Moreira

Em um país com pouca tradicional roqueira, e menos ainda em heavy metal, as bandas precisam se virar se quiserem acontecer. Por isso é que o Hangar “inventou” o workshow para driblar a falta de apoio e até mesmo a de público.

A novidade já faz parte do cotidiano do Hangar desde pelo menos 2009. Com patrocínios fortes e até mesmo um incrementado ônibus de turnê exclusivo, o quinteto sulista tem rodado o Brasil tocando bastante e fazendo palestras – e dando aulas – após os shows. Cansativo?

“Prazeroso”, afirma o baterista Aquiles Priester, ex-músico do Angra e um dos instrumentistas brasileiros de rock mais conhecido no exterior. “Conseguimos aliar dois aspectos de nosso trabalho em um mesmo evento. Quem contrata o Hangar compra um show de heavy metal, que é a nossa formação e nosso estilo, e um workshop. Dependendo do local e do contratante, entremeamos a apresentação com as aulas e palestras, ou então as deixamos para o fim do evento.”

A solução criativa apareceu como forma de ocupar mais a agenda do Hangar, que desde 2009 divulga no Brasil e no exterior seu último álbum, “Infallible”, fartamente elogiado em revistas especializadas.

O 'polvo' Aquiles Priester em um de seus kits de bateria (FOTO: ANTONIO ROSSA/DIVULGAÇÃO)

Se por um lado o Brasil vive há três anos um boom de shows internacionais de qualidade, praticamente ignora o segmentado heavy metal nacional. “Até que não podemos reclamar de nossa agenda, mas nem todo mundo tem as condições de Angra e Sepultura, por exemplo, que fizeram uma turnê brasileira conjunta de muito sucesso. Ainda faltam muitas oportunidades. E o que espanta é o desconhecimento dos promotores de shows pelo interior do Brasil, que têm pouca informação a respeito do tamanho do público de rock pesado e das ótimas oportunidades de negócio”, diz Priester

Os workshows do Hangar também estão servindo para divulgar a autobiografia do baterista, “Priester – Biografia Oficial – de Fã a Ídolo – Aquiles Polvo Priester”. Ao contrário do que poderíamos supor, o livro de um ás do instrumento é mais um relato descontraído – e, de certa forma, descompromissado – de como é duro ser músico extremamente técnico tocando um gênero ultra-segmentado no Brasil.

Capa da biografia escrita por Aquiles Priester

Entre os (poucos) livros que tratam do rock brasileiro que não toca nas emissoras de rádio, a obra de Priester é que melhor conseguiu mostrar, com certo sabor e muita informação, como são os bastidores musicais de um escalão intermediário no Brasil – relacionamentos entre músicos, brigas, disputas comerciais, administração caótica dos negócios e situações bastante complicadas na hora de acertar shows e lidar com “promotores” amadores e/ou picaretas ao extremo.

“Consegui certo destaque e prestígio em 20 anos de carreira, mas fiz questão de demonstrar, e espero que tenha conseguido, o quanto foi difícil chegar até aqui e como continua sendo quando as bandas ainda não atingiram certos patamares de popularidade”, afirma o baterista. “O lado glamouroso de ter tocando com Angra convive com outro lado de ‘ralação’ total, de horas e mais horas de estudo diárias, de carregar equipamento nas costas e estar sujeito a tomar ‘chapéu’ de vez em quando.”

(FOTO: ANTONIO ROSSA/DIVULGAÇÃO)

A sinceridade durante o texto pode chocar. Priester abusa da informalidade, mas conseguiu equilibrar aquilo que seria uma conversa gostosa de boteco com passagens pessoais mais densas e importantes. Amenizou ao relatar certas circunstâncias, mas não muito. “Se a ideia era mostrar como eu me tornei um músico prestigiado, então as ‘caneladas’ e ‘tropeços’ não poderiam ficar de fora.”

Nada mal para um instrumentista que quase foi substituiu Mike Portnoy no Dream Theater em 2010, a julgar pelas “certezas” declaradas em diversos fóruns musicais nos Estados Unidos. “Todo dia eu acordava como novo integrante da banda, segundo sei lá quem. Muito curioso, mas ao mesmo tempo assustador. Sinal de ando tocando direitinho e agradando”, finaliza Priester bem humorado, horas antes de embarcar para Los Angeles neste começo de 2011 para oarticipar da feira musical NAMM.

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11 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Ariane Ferreira

    Não há o que falar das alternativas que esses grandes músicos enfrentam e o preconceito que eles e quem curte seus sons sofrem por aí.
    Sou jornalista,trabalho com metal há quase oito anos em paralelo ao lado monetário da profissão e vejo cada dia mais o cenário do rock pesado ruir no Brasil!

    Uma pena!!!

    • Enviado por: Jonnhy Matos

      É realmente uma pena o metal estar caindo dessa maneira Ariane.
      Mas o fato é que quem realmente tem talento no Brasil não é valorizado e nem reconhecido. A alternativa é “sair do país”. E quem sai perdendo com isso somos nós, que amamos o Metal.
      O que tem feito alguns desistirem do sonho aqui no Brasil é esse preconceito e
      desvalorização dos bons músicos e também dos que curtem.
      É deprimente eu passar o dia todo trabalhando, a noite toda estudando, e não ser reconhecido. Então aparece um acéfalo, com uns 10 litros de ADE distribuídos pelo corpo todo, começa a mexer a bunda e se torna “a revelação do momento no Brasil”.
      Onde nós vamos chegar desse jeito???

      “Brasil, um país de todos…”
      Isso só pode ser uma piada!

  2. Enviado por: Renato B.G

    Jonnhy oque vc disse nessa frase é a + pura verdade, ( povo não tem uma educação decente e então só querem aprender a tocar tambor e cavaquinho. Os demais instrumentos para eles, creio que seriam complexos demais.)…
    vc ja ouviu falar de um cara de forró, axé e todas essas porcarias ai que foi considerado o melhor Guitarrista,Baterista,Baixista,tecladista,vocal e porai vai do Pais ou ta na lista de um dos melhores do mundo?…. nao, ou seja os caras nao tem potencial, ai o povo quer hj em dia oq lhes rende desculpem a expressao mas é a verdade eles gostam do que rende “Put4ri4″!
    Depois os metaleiros que sao malucos, que enchem o rabo de cachaça.

  3. Enviado por: Jonnhy Matos

    Concordo plenamente com vocês (Renato e Géssica). Eu morava em Salvador, mas era tão insuportável que me mudei para um interior perto de lá, mas não teve jeito. O dia todo, todo dia, as mesmas merdas. E só porque tenho 4 piercings, 4 tatuagens e um alargador diziam que eu era drogado, maluco, vagabundo, e etc. Ha mais ou menos um mês fui chamado para trabalhar em um jornal de um interior aqui da Bahia mesmo (Paramirim), como Designer.
    Mandei umas edições para alguns familiáres, amigos e uns bostéticos que me subestimaram lá. Agora esses FDP que me criticaram tanto pelo fato de eu curtir Metal vivem me chamando pra trabalhar lá. Fuck Off!!!
    Como pode, agouros como o pagode, axé e a disgra*** do arrocha serem chamados de músicas?
    o que não falta lá são pessoas de baixo calão, ignorantes, sem nenhum plano futuro, objetivo. só pensam em mexer o C*, beber e se matarem.
    Depois dizem que eu que não tenho juizo.
    Aff!!!
    @renato, o povo não tem uma educação decente e então só querem aprender a tocar tambor e cavaquinho. Os demais instrumentos para eles, creio que seriam complexos demais.

    • Enviado por: Marcelo Moreira

      Vou usar o seu exemplo no futuro de como o preconceito musical pode se refletir de forma criminosa no preconceito pessoal. Os diferentes sempre incomodaram, e tomara que cointinuem incomodando.

  4. Enviado por: Renato B.G

    Géssica seu comentário foi ótimo, aproveitando o caminho do seu comentário eu gostaria de dizer tbm que a cultura musical brasileira é de matar qualquer um de dor de barriga ( Fato),1° eles colocam um velho todo fim de ano na tv pra cantar num navio!( o droga bem que ele podia ter ido cantar no titanic neh^^)
    2° ele colocam o povo daquela maldita bossa nova que não tem nada nunca de novo e da uma vontade de dormirrrrr…..ZZZzzzzZZZzzzZZzzz.
    3°ai, meu deus ai vem o mais triste, aparece o povinho do Pagode ,samba , axé e funk, que nada + são doque mulheres mostrando o corpo e o homem fazendo o msm, dai eu me pergunto, onde esta o incentivo dos governantes a criançada, pq não tem assim como aula de matemática, português, computação e outras coisas uma aula que procure o talento da criança????!!!!… poxa da uma bateria pro menino (a) uma guitarra, uma flauta, violino, sei la vê o que ele gosta e tenta incentivar ele a aprender, podemos estar perdendo grandes nomes da musica para a pornografia musical que pega essas crianças apartir ai dos 12 ou 13 anos de idade!
    se no mundo existem ótimos executivos foi pq lhes ensinaram matemática, só teremos + músicos quando lhes ensinarem MUSICA!!!
    Para mim o Brasil tem otimos musicos,+ ainda sao poucos, poderíamos ter mais

  5. Enviado por: Géssica

    Aquiles é um deus. Toca como poucos no mundo e é um ser humano extremamente simples e fiel às suas convicções, pelo que conheço a seu respeito. Sou fã de heavy metal e também musicista e sinto essa dificuldade que é ser músico num país onde isso, pra muitos, significa ser ‘vagabundo’. É triste, mas é fato. Imagino a ‘ralação’ que ele e o Hangar devam enfrentar para ter seu espaço. Infelizmente, em nosso país o que vende é qualquer som que faça mulheres requebrarem de forma erótica e homens exibirem músculos frutos de academia. Música que é bom, nada. Keep on rocking, Aquiles! You’re a god!

  6. Enviado por: Renato B.G

    o cara sabe oque fazer na batera.

  7. Enviado por: Renato B.G

    Nao tenho oque falar desse genio, sou Baterista e a maioria das tecnicas que eu uso aprendi vendo ele tocar no Angra e no Hangar, o cara pra mim é o melhor Baterista do mundo, o cara tem tecnica,força,agilidade e improviso.
    O cara toca muito, pra quem nao o conheçe ( muito dificil alguem nao conhecer esse cara neh ^^)… olha entrem ai no youtube e assitam pelo menos um video, vcs nao vao se arrepender.

    • Enviado por: Marcelo Moreira

      Ele é um dos melhores do mundo atualmente, não tenha dúvida nenhuma.

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