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Combate Rock

07.dezembro.2011 17:00:08

Em livro, Ozzy Osbourne dá conselhos médicos e amorosos

Felipe Branco Cruz

Dependendo do ponto de vista, a justificativa para pedir conselhos médicos e amorosos ao Príncipe das Trevas, Ozzy Osbourne, soa estranhamente válida. Vamos partir do princípio que seu médico “só” estudou Medicina. Ozzy, apesar de nunca ter pisado numa faculdade do gênero, já engoliu uma abelha quando dirigia a 110 km/h e foi declarado morto duas vezes. Sua família foi eleita a mais disfuncional da civilização ocidental e, por ter mordido um morcego – cena que o consagrou, aliás –, ele teve de tomar, durante semanas, várias injeções antirrábicas. Que médico já passou por isso? Talvez nenhum.

Aos 62 anos, o roqueiro já foi diagnosticado (erroneamente) com mal de Parkinson, quebrou o pescoço ao cair de um quadriciclo e sobreviveu a um acidente de avião. Agora, pense de novo: que seres humanos já passaram por isso? Sem contar que o eterno vocalista do Black Sabbath é uma lenda viva do rock. Sim, lenda viva. O fato de ainda respirar pode ser considerado um milagre. Afinal, durante toda a vida, ele consumiu, sem moderação, praticamente todo tipo de droga e sobreviveu a muitas overdoses.

Naquele que pode ser considerado quase um livro de autoajuda, Confie em Mim, Eu Sou o Dr. Ozzy – Conselhos do Maior Sobrevivente do Rock (Ed. Benvirá), o Príncipe das Trevas responde a questões como: “Meu filho começou a fumar para impressionar a namorada. Como faço para ele parar?” ou “Achei pornografia no computador do meu filho. O que faço?”. Além da experiência de vida, Ozzy também é pai de família. Dessa forma, supõe-se que ele teve de lidar com muitas dessas questões em casa. Para ele, isso o torna suficientemente qualificado para respondê-las.

Seu trabalho de conselheiro amoroso começou quando um representante do Sunday Times Magazine o convidou para ser colunista de saúde e relacionamentos há cerca de um ano. Os conselhos fizeram tanto sucesso que Ozzy compilou as melhores respostas e as lançou neste livro.

Numa pequena introdução, ele justifica por que o escolheram como o homem certo para conselhos. “Provavelmente, há ratos nos laboratórios do Exército dos Estados Unidos que viram menos substâncias químicas na vida do que eu (…). Tenho mais parafusos de metal em mim atualmente do que um móvel da Ikea.”

A obra é dividida por temas de dicas: médicos, alimentares, familiares, queixas comuns, amizades, sexo, entre outros. O livro é organizado em forma de perguntas e respostas. Apesar de toda a loucura de Ozzy, suas respostas, na maioria das vezes, são até sensatas. E outras hilariantes. Um desses exemplos é quando ele responde a um garoto sobre como fazer uma garota atingir o orgasmo: “Sempre fiquei tão ocupado em me dar um orgasmo que não prestei muita atenção nisso. Mas, se você descobrir, me avise”.

Numa outra pergunta, Ozzy responde a um jovem como convencer uma mulher a dormir com ele. “Sempre tive uma grande cantada para a mulherada”, escreve Ozzy. “Depois de uma noitada, eu dizia: ‘Posso ir para a sua casa para assistir à televisão?’ Eu achava que era uma tirada brilhante (…), só que ninguém nunca caiu nessa. Na maioria das vezes, elas me diziam: ‘Eu não tenho televisão’.”

Mesmo dando o que chama de bons conselhos, Ozzy tem bom senso ao afirmar que, em alguns casos, o melhor é deixar a leitura de lado e ir ao médico. No mais, a única solução infalível do livro é boas gargalhadas.

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