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Domingo, 27 de Maio de 2012
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Anjo Gabriel mergulha no progressivo instrumental dos anos 70

Categoria: rock brasileiro, rock progressivo

Marcelo Moreira

Hard rock setentista alemão diretamente de Pernambuco, da melhor qualidade. A banda Anjo Gabriel não economiza na hora de explicitar as suas influências. e não está nem aí para as costumeiras críticas de “som datado”, “estagnação no passado” e outras idiotices que costumam acompanhar quem opta pelo som vintage em pleno século XXI.

A banda Anjo Gabriel, além de apostar no que ficou convencionado de kraut rock – típico som pesado e progressivo característico de grupos alemães dos anos 70 -, faz músicas instrumentais e de longa duração, o que assanha ainda mais os críticos pobres de espírito e sem nenhuma cultura musical.

O quarteto bebe também na psicodelia inglesa dos anos 70, relembrando os temas épicos que caracterizaram o Pink floyd entre 1969 e 1971. Estão lá todos os “ecos” de “Echoes” e os maneirismos e timbres de “Careful with the Axe, Eugene”.

O primeiro CD da banda já pode ser encontrado em São Paulo e em Recife. “O Culto Secreto do Anjo Gabriel” é denso e complicado à primeira audição, mas torna-se palatável com o tempo. Os destaques são os teclados e as guitarras pesadas, com timbragem perfeitas, fruto de amplas pesquisas com o que de melhor foi produzido nos anos 70 dentro do rock progressivo.

De certo modo, até pelo modo despojado das execuções, Anjo Gabriel lembra um pouco o ótimo trio Macaco Bong, de Cuiabá, que faz um rock instrumental pesado com elementos de blues, jazz e ritmos regionais brasileiros.

Enquanto o Macaco Bong é mais caótico, fazendo questão de acentuar o lado jam session, os pernambucanos fazem questão de colocar ordem na casa, escolhendo a dedo os timbres e as notas de cada música – remetendo ao Yes em relação ao extremo zelo e cuidado com as composições.

"Culto Secreto ao Anjo Gabriel", o primeiro CD da banda

O mergulho nos anos 1970 é completado com a mixagem feita com aparelhos analógicos. A música ”Sunshine in Outer Space” leva direto ao space rock do Hawkwind, que teve Lemmy Kilmister, do Motorhead, em sua formação nos anos 70. O subtítulo de ”O Poder do Pássaro Flamejante (Dubdeepsabbath)” entrega logo: influências diretas de Deep Purple e Black Sabbath, com efeitos eletrônicos esquisitos, mas não tão esquisitos assim.

O som é fácil e acessível? Depende da disposição do ouvinte. O som é datado, no bom sentido, e carregado de influências e remissões, o que pode cansar um pouco quem não é familiarizado com o rock progressivo entupido de psicodelia específico da primeira metade dos anos 70, marcadamente feito na Europa. Entretanto, a música é de altíssima qualidade. E é bom aproveitar, porque a banda costuma vir com frequência a São Paulo.

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4 Comentários Comente também
  1. Enviado por: Wagner Xavier

    Esqueça qualquer preconceito. Anjo Grabriel é um trabalho digno das melhores coisas do rock and roll de todos os tempos,
    Maravilhoso som ..

    Wagner Xavier

  2. Enviado por: Morggana

    só poderiam ser relentos.;jah faliram!!!!

  3. Enviado por: Francisco

    A Alemanha dos anos 70 foi uma usina de rock da maior qualidade. Bandas como Jane, Birthcontrol, Kin Ping Meh, Frumpy, Eloy, Jeronimo, Lucifer’s Friend, Nektar, Triumvirat, Agitation Free, Wind, são responsáveis por excelentes momentos musicais. Som para quem busca algo mais elaborado…

    • Enviado por: Marcelo Moreira

      Perfeira a comparação. Anjo Gabriel segue na mesma linha.

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