Alice Cooper, entre a insanidade e a caretice
- 20 de maio de 2011|
- 7h06|
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Categoria: Anos 60, classic rock
Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo
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Mario Anzuoni/Reuters – Cooper. ‘Sou como Anthony Hopkins, quando ele vira Hannibal Lecter’
Alice Cooper diz que Marilyn Manson, Rob Zombie e Lady Gaga são seus “filhos desobedientes”. Figuraça do hard rock que plantou no gênero as bases de uma cultura teatral, performática, ele é um precursor dos concertos do tipo rock horror show – sangue falso, cobras gigantes de verdade, pirotecnia, maquiagem, susto.
“Sou uma caricatura, como Anthony Hopkins quando vira Hannibal Lecter. Nos dias normais, não sou Alice Cooper. Só quando faço discos e estou no palco”, diferencia. “Tenho 63 anos, ninguém me diz o que fazer ou que direção seguir, mas estou sempre interessado em feedback, sempre atento ao que meus fãs estão pensando”, disse Alice Cooper, falando por telefone ao Estado na segunda. Ele toca no Credicard Hall no dia 2.
Quando você vê esses shows teatrais, como Rob Zombie e Marilyn Manson, o que pensa?
Rob Zombie, Manson, Slipknot, adoro todos. Eu os chamo de “meus filhos desobedientes”. Não tenho o menor sentimento de competição, porque nós somos como os Rolling Stones dessa corrente – fomos influentes, e ainda somos.
Houve duas tragédias entre integrantes da banda Slipknot. Muita gente associa isso ao tipo de visualidade violenta que utilizam. O que você acha?
É tudo de brincadeira, como um filme de terror. E, assim como nos filmes de terror, você sabe que aquilo não vai te machucar, mas ao mesmo tempo ninguém sabe até que ponto aquilo pode estimular algo soturno. No caso do Slipknot, duas tragédias aconteceram, teve um integrante morto por abuso de drogas (o baixista Paul Gray, em 2010). Sempre digo o seguinte: se você está numa banda, não pode ter caras que usam drogas, não vai funcionar. O rock”n”roll já foi traÃdo por isso. Os caras que tocam comigo tomam uma cervejinha, tomam seu vinho, mas não tomam droga. Quando alguém morre é que você se dá conta da insanidade.
Você já foi alcoólatra, não?
Sim, mas já estou há 30 anos sem tomar um trago. É assim com todo mundo. Mesmo Keith Richards teve de parar um dia. Quem o conheceu naqueles dias, não acredita que ainda esteja vivo.
Você conhece a história de como Johnny Rotten, dos Sex Pistols, começou fazendo uma imitação de Alice Cooper?
Claro, ele mesmo me contou. Disse que tinha 18 anos na época, e ia pelos metrôs de Londres cantando minhas músicas, ele e Syd Vicious. Disse que adorava cantar I Love the Dead, e que foi o que lhe ocorreu cantar na audição. Ele foi aprovado, e passou a integrar o grupo. Não acho que eu influenciei o punk rock. O rock”n”roll é uma mistura, e os seus protagonistas se destacam pela atitude.
Dizem que você se tornou cristão. É verdade?
Sim, é verdade. Eu sigo cristão porque é a única religião que fala à minha alma, e não ao intelecto. Vou à igreja de vez em quando. Não sou um frequentador assÃduo porque há muitas igrejas nas quais eles te julgam por estar em uma banda de rock. Mas a minha relação com Jesus é a mesma de quando eu toco a guitarra e canto: é de sinceridade, de entrega.
Você entrou para o Hall da Fama do Rock”n”Roll. Qual foi o significado daquilo para você?
Foi como uma formatura. Quando você vê que, ao seu lado, estão Paul McCartney, Jeff Beck, Pete Townshend, Elton John, você sabe que concluiu o curso. No começo, eles eram os professores, eram caras que eu idolatrava quando era um garoto, e agora eu estava me juntando a eles como professor.
O que Alice Cooper, o personagem, pensa da polÃtica?
Tento me manter longe da polÃtica. Me divirto fazendo os outros se divertirem, é o meu negócio. É a fonte da minha emoção. Os roqueiros podem fazer coisas inteligentes e também estúpidas, assim como os polÃticos.
Como está o show atual da banda de Alice Cooper?
Mais pesado que nunca. Estamos com três guitarristas agora. Fmos fazer uma porção de shows na Inglaterra, ao lado de bandas de metal, como o Iron Maiden.Encorpamos o som.
Você é golfista profissional. O que pensa do que ocorreu com Tiger Woods?
Se você conversa com qualquer um que entende de golfe nos Estados Unidos, ele vai te dizer a mesma coisa: Tiger Woods ainda é o melhor do mundo. Em 2 ou 3 anos, vai se recuperar e voltar ao topo. Quanto ao que aconteceu fora de campo, foi espantoso. Falaram em 300 garotas. Isso é um número de Led Zeppelin, não de um golfista.
ALICE COOPER
Credicard Hall. Avenida das Nações Unidas, 17.981, tel. 4003-5588. Dia 2/6, 21h30. R$ 100/R$ 400
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