Há algo de errado em um modelo de ensino no qual os que estudam em colégios particulares são os mais bem preparados para ingressar nas universidades públicas gratuitas, enquanto os pobres que frequentam o primário e o secundário em instituições públicas têm mais chance de serem aprovados em universidades particulares, que normalmente são de pior qualidade e nas quais terão que pagar para estudar. Será que o Brasil pode se dar o luxo de ter ensino superior público gratuito ou é o momento de rever esse modelo, com a cobrança de anuidades de quem pode pagar e a concessão de bolsas de estudos para os que não podem?
Os números mostram que o Brasil privilegia de maneira desproporcionar o ensino superior _onde a maioria é de classe média para cima_ em detrimento do primário e secundário, no qual estudam os filhos dos mais pobres. O mesmo estudo da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OCED) que citei no post anterior revela que o Brasil é o país no qual existe a maior distância entre o gasto por estudante no primário e nas universidades. De acordo com o documento, o governo investe 1.425 anualmente em cada aluno do ensino primário e 9.994 no superior. Isso significa que cada aluno de universidade pública custa aos cofres públicos valor equivalente a sete vezes o custo de um estudante do primário. É de longe a maior discrepância entre os 36 países analisados pela OCED. Desse universo, o Brasil também é o país com o menor investimento per capita na educação primária.
Os números do estudo estão ajustados de acordo com a Paridade do Poder de Compra de cada país, método que considera os preços relativos e o poder de compra de cada moeda dentro de seu mercado doméstico. As cifras são expressas em “dólares internacionais” e podem ser comparados. O Chile investe 1.936 em cada estudante primário e 6.620 nos universitários, uma distância de 3,4 vezes. Na Itália, os números são 6.835 e 8.026, respectivamente. Em média, os 30 países que integram a OCED registram gasto per capita na universidade que é 1,8 vez o que é investido em cada aluno do primário _o Brasil é membro associado da organização, que reúne principalmente países industrializados.
Enquanto registra o menor gasto per capita no primário, o Brasil destina ao cada estudante universitário valores que superam os registrados na Itália (8.026), na Coreia do Sul (7.606) e Portugal (8.787), para citar alguns exemplos. Dos gastos em educação do país, 74,2% vão para instituições de ensino primário, secundário e profissionalizante, onde estão 86,9% dos estudantes. As universidades têm apenas 2,6% do total de alunos, mas recebem 17,4% dos investimentos.
Quero deixar claro que não defendo a redução do peso do ensino superior no Brasil. Pelo contrário. Os investimentos e as possibilidades de acesso a universidades de qualidade devem ser ampliados, mas isso é impossível sem um ensino público primário e secundário de qualidade.
O que considero inadiável é a discussão dos meios de financiamento das universidades públicas. Elas devem continuar sendo gratuitas para todos? Qualquer um que dê uma volta no campus da USP pode constatar pelos carros estacionados que grande parte dos estudantes teria condições de custear seus estudos. O governo já dá bolsas de estudos para egressos de escolas públicas aprovodos em universidades particulares. Poderia fazer o mesmo nas públicas. Na China comunista, todas as universidades públicas cobram anuidades dos estudantes.
Sem a oferta de ensino primário e secundário de qualidade a toda a população, o Brasil não vai resolver sua escandalosa desigualdade social. O estudo da OCED afirma que há uma clara relação entre renda per capita de um país e os investimentos em educação primária e secundária. Essa mesma relação não é tão evidente no caso do ensino superior, diz a OCED.
O estudo revela que o Brasil aumentou o gasto per capita no ensino primário no período de 2000 e 2005, o que é uma boa notícia. Mas ainda assim, somos o lanterninha nesse ranking. Ao mesmo tempo, o país reduziu o investimento per capita no ensino superior, principalmente em razão do aumento do número de alunos. Essa é mais uma razão para o país buscar fontes alternativas de financiamento do ensino superior.
O paradoxo apontado no primeiro parágrafo deste post foi amenizado com a ampliação do número de aprovados no vestibular da Universidade de São Paulo que são egressos de escolas públicas. Com o programa de inclusão que dá bônus de 3% a esses estudantes na nota do vestibular, o percentual de aprovados que fizeram escola pública atingiu o recorde histórico de 30% no último vestibular. Isso significa que os outros 70% frequentaram escolas particulares. Há ou não há algo de muito errado nisso?
Estudei em escolas públicas ao longo de toda minha vida estudantil. Passei pelo ensino fundamental em um escola da prefeitura de São Paulo e pelo ensino médio em uma escola Estadual, também em São Paulo. Hoje faço doutorado na Universidade de São Paulo, onde fiz mestrado e graduação. Posso dizer que faço parte dos 30% mensionados, que em 2000 quando ingressei na universidade eram menos de 20%.
Acho que não podemos esquecer que esta realidade distorcida em que vivemos hoje foi gerada em um processo pelo qual estamos passando nas últimas décadas. Há 20/30 anos as escolas públicas de ensino fundamental e médio eram resonsáveis pela maior parte dos estudantes que ingressavam em universidades públicas. Porém, esta escola não era acessível à maioria das pessoas. Um dos problemas reside no fato de que para torná-la acessível para mais pessoas, ao longo dos últimos anos os governos optaram por fazer uma expansão barata dos esinos fundamentais e médio, aumentando o número de vagas nas escolas sem manter a qualidade do ensino, o que hoje podemos ver, gerou um custo altíssimo para a nossa sociedade, pois agora temos que consertar um sistema de ensino totalmente degradado, só que com um inércia muito maior.
Por outro lado, isto não ocorreu na maior parte das universidades públicas, que em geral não abriram mão da qualidade do ensino em troca do aumento do número de vagas. A expansão das vagas em universidades públicas (pelo menos o que vejo na USP) tem ocorrido, na medida do possível, sem prejudicar a qualidade do ensino. Mesmo assim atualmente já se enfrenta um importante problema de superlotação de turmas em muitos de seus cursos.
Dessa forma, com o passar do tempo os alunos das escolas públicas se tornaram cada vez menos competitivos nos vestibulares, atingindo esta proporção lamentável. Vale observar que em cursos mais concorridos, esta proporção é muito pior…
Temos que tomar muito cuidado ao analisar os dados que temos em mãos. É muito importante reforçarmos a idéia de que a necessidade óbvia que temos de investimentos sérios no ensino de base não pode significar a diminiuição nos investimentos feitos no ensino superior.
A educação deve ser prioridade em todos os níveis.
Jairo, de São Paulo.
Cláudia, seus textos são ótimos! Gostaria de agradecer por tocar neste tema tão sensível. A maioria das pessoas prefere ignorar a dura realidade dos alunos de escola pública deste país. Não é só esforço próprio que falta ao aluno de escola pública (argumento usado por todos que estudam em escolas particulares), o que falta é simplesmente o ensino, a transmissão de conhecimento. As crianças frequentam a escola, mas não aprendem!
Espero que você esteja preparada para as críticas que receberá dos uspianos ao questionar se merecem estudar de graça quando a maioria tem condições de pagar, mas alguém precisava fazer esse questionamento. O atual modelo educacional está errado, não consigo entender pq muitos ainda o defendem. Um país que não investe em educação para TODOS não terá futuro.
Meu Jesus!!!
Um doutorando escrevendo “mensionados”, e ainda da USP, ou é paga pau, ou até a USP entrou na onda do pago passou!
Cláudia,
Hoje mesmo enviei um e-mail para o Estadão falando sobre o que penso do caderno “Pontoedu”. Não obtive resposta até agora, posso mandar para você? Não encontrei seu e-mail no site do jornal.
Obrigada.
Flavia
Esta equação não é tão simples.
Quando se fala do aluno pagando seu Curso Universitário as passoas pegam o Custo da Universidade e dividem pelo nr de alunos.
Mas a Universidade não é só ensino, várias Federais, por exemplo tem nos hospitais Universitários seu maior gasto, pois são gratuitos e tem padrão de exelência, ou seja, acabam fazendo um serviço de saúde pública. Será que os alunos também vão ter que arcar com isso?
A pesquisa na Universidade é outro ponto que deve ser corrigido, todos sabem que professores pesquisadores normalmente também são contratados de empresas e na prática a pesquisa bancada pelo governo nas universidade são entregues sem custo para a iniciativa privada. O aluno também vai pagar por isso?
Não tenho o objetivo de mudar o foco do seu post. Acho, contudo, que um dos defeitos fundamentais é a direção dos ministérios por políticos de ocasião, que não conhecem os assuntos e ficam travbando tudo, não têm capacidade de compreender as coisas do seu ministério, não ligam para os t~ecnicos, vivem para corromper e desviar o dinheiro público no interesse dos seus partidos. Se você falar com o atual minitro de plantão sobre o seu este assunto, verá que o ministro nem saberá do que se trata, como mudar, o que fazer. Além disso, a LDO é um instrumento de gabinete de governo e não um orçamento para a nação. O resultado é que o bolsa família, por exemplo, de cunho assistencialista barato, n ão servirá para nada a não ser como pressão de custeio sobre os governos posteriores, e será de um custo maior do que aquele que chama de O deficit da Previdência. Ou seja, mistura de falta de cultura, com falta de caráter, com falta de v ontade, com falta completa de saber o que fazer. Afinal, os cargos são eletivos . O que você acha que o agora imortal Color sabe a respeito da Comissão de Infra-Estrugtura do Senado? Assim não vai dar. Eu tenho um árâmetro: os20 anos de ditadura militar, contra a qual lutei, lamentavelmente ainda são superiores aos 20 anos de governo civil. Vinte anos é um tempo razoável…
Em quê programas de inclusão, ou adoção do sistema de cotas melhora a qualiddade do ensino? Me parece querer tapar o Sol com a peneira… Investimento no ensino básico que seria o ideal, ninguém fala nada…
Cláudia,
é preciso checar esses números levando-se em conta que o ensino fundamental e médio é de responsabilidade dos Estados e Municípios os quais tem obrigatoriamente que investir 25% dos seus orçamentos em educação. Será que esses números não levam em conta apenas o gasto federal?
Uma coisa também é a quantidade de recursos, outra é a EFICIÊNCIA do gasto dessas verbas…
Além disso, o governo federal tem dado subsídios aos estudantes das faculdades particulares (que são geralmente mais pobres que aqueles das universidades públicas)… e isso acaba aumentando essa distorção entre o ensino fundamental e universitário.
Concordo plenamente com o Jairo.
Tenho uma história parecida com a dele na educação básica. Entrei na UNESP em Araraquara em 1992 e saí em 2004 depois de fazer, bacharelado, licenciatura, mestrado e doutorado em Química. Sou professora do Estado e posso dizer que falta investimento sério e qualificação profissional na Educação Básica. Não vai adiantar nada tirar o financiamento publico das Universidades. Este fnanciamento promove a independência para orientar seus rumos e autonomia em suas ações, impedindo que as mesmas fiquem à merce de políticos e empresas que querem pilhar o erário público.
Jairo, em um mundo ideal nós deveríamos ter educação pública e gratuita de qualidade em todos os níveis. Mas nós estamos muito, muito longe de um mundo ideal.
Cláudia Trevisan
A sugestão de cobrança pelo serviço público de educação abre um grave precedente e reforça a idéia de que o ensino é mercadoria como qualquer outra.
É o que está ocorrendo com a Saúde nas mãos do governo Serra que conduz o conceito de saúde para o perigoso lugar de mercadoria quando propõe a terceirização da administração dos hospitais e quando espera “produtividade” e “agilidade administrativa”. Estes são critérios da indústria capitalista e quando aplicados ao serviço público buscam mais uma maior exploração do trabalhador do que um melhor serviço prestado.
22.09.09 @ 14:48
Erros do leitor Danilo, ao criticar outro leitor com tanto veneno:
1.Não use nomes santos! É falta, de novo, de respeito!
2.”Paga pau”, além de vulgar e infantil, é com hífen.
3.Após “e da USP”, viria ponto, e não vírgula.
4.”Pago passou” seria correto se fosse “pagou, passou”, com vírgula entre os dois. E darei um desconto em não citar o fato de que esqueceu de colocar o “u” no “pagou”. Vai ver, esqueceu… (será que ele quis escrever “pagô”?)
Bom, faltou um dado nessa estatística. Eles consideraram esses gastos como? Digo assim: universidades públicas geralmente são instaladas em câmpus grandes e horizontais, várias universidades públicas são cidades universitárias com ruas e vários prédios e até parques internos. Não é muito raro os prédios estarem sujos, tinta caindo, rachaduras nas paredes e cadeiras que já tem décadas de uso. Particular se instala num prédio ou galpão e é mais vertical, com todos os cursos num prédio só. Tem algumas que o prédio é todo envidraçado por fora, tem elevador com display digital de carga e a recepção tem piso de granito. Algumas particulares pagam muito mais os professores por hora / aula e não tem aquela obrigação do professor ter projeto de pesquisa ao mesmo tempo.
Quanto custa um CEFET comparado com um colégio tradicional? No CEFET só entram os melhores, eles fazem seleção, nos colégios tradicionais entra todo mundo. Os particulares com altas taxas de aprovação no vestibular tambem costumam fazer seleção, duas vezes, uma dos que podem pagar e outra dos que podem pagar e se saem melhor na seleção.
Um último custo, doutores. As públicas formam muitos doutores mas muitos deles acabam sendo atraídos por universidades estrangeiras com carreiras mais atraentes. Não há tambem uma baixa taxa de reprovação de teses mesmo que pouco relevantes?
Cursei todo o ensino básico em escola pública e isto não me impediu de entrar na USP em um curso concorrido. O problema maior, pelo menos em SP, é a política adotada na gestão Covas que permite o aluno chegar ao colegial sem saber operaçlões básicas de matemática ou escrever descentemente. A aprovação automática acabou com o “empurrão que o aluno tinha para estudar”, acabou com o respeito aos professores e a tenD~encia é só a piora deste sistema que só foi exemplar nos primórdios, antes da pressão das instituições privadas.
Meus pais aprenderam no primário coisas que eu só vim a saber que existiam no colegial. isso porque já faz 12 anos que terminei o 2º grau. Imagine os alunos de hoje, que infelizmente são considerados o futuro da nossa nação
Creio que é necessário desmistificar o uso de verbas para as Universidades, pelo menos do ponto de vista de que seria o ensino universitário muito caro para o país. Se o ensino fundamental e médio não funcionam adequadamente, como aponta a autora do texto, esta situação estaria relacionada a forma como o Estado brasileiro privilegia tal forma de ensino. Se desejarmos, poderíamos retroceder um pouco na História da Educação brasileira e veríamos que já na década de 1960 existia esse tipo de discurso de que o ensino deveria ser privatizado. Lembro, entretanto, que, por décadas, verbas públicas são transferidas para o ensino privado em todas as modalidades sem, necessariamente, verificar sua eficiencia e eficácia, especialmente no ensino superior. Até a década de 1970, era o ensino público que possuía a chamada qualidade de ensino. Verbas publicas para escolas particulares, fizeram com que o ensino público tivesse poucos investimentos. Além disso, desvios de verbas, não acompanhados pelo Estado, fez a diferença na qualidade.
Não se trata de reduzir verbas, mas exigir indicadores de qualidade. O MEC sabe cobrar o ENADE, mas não verifica a aplicabilidade dos recursos ou a quantidade necessária. Portanto, o discurso estaria voltado não em ” Será que o Brasil pode se dar o luxo de ter ensino superior público”, mas até que ponto o ensino superior atende as necessidades reais da população brasileira e, se o problema seria quem pode ou não pagar, que as verbas públicas fiquem exclusivamente no ensino púbico( com a devida fiscalização) e os que podem pagar seriam tranferidos para as Universidades privadas(alguém propõe isso no Brasil?). Aí sim teríamos uma possível equidade. Mas, como ocorreu na década de 1970, quando as escolas privadas passaram a usufruir dos bens públicos, foram equipadas e puderam selecionar os melhores professores. Em contrapartida, o ensino público entrou em decadência.
Creio que devemos pensar no tipo de discurso ideológico que quer a definitva privatização do ensino superior, pois, PROUNI já faz isso, visando enganar a população pobre em universidades de qualidade duvidosa. O REUNI, ampliou a quantidade de vagas, ao mesmo tempo que ampliou a quantidade de aluno por professor e, exigiu aprovação quase em massa dos alunos(90%), além de priorizar verbas, quase que exclusivamente no ensino abandonando a pesquisa e a extensão. Era isso que deveríamos discutir sobre a educação brasileira.
Antonio, o post não propõe a privatização do ensino público, mas sim a cobrança de mensalidade de quem possa pagar por ele. Para os que levantaram dúvidas sbre as estatísticas, informo que os números são fornecidos pelo governo brasileiro e incluem os gastos públicos federais, estaduais e municipais. A questão principal aqui é quem é beneficiado pelo ensino superior gratuito e quais devem ser as prioridades do poder público na área da educação em um país como o Brasil.
Cláudia Trevisan
Olá Cláudia,
Você não acha que ao passarmos a cobrar mensalidade dos que podem pagar (sem entrar em detalhes de como seria o processo para decidir quem pode e quem não pode pagar) estaríamos assinando em baixo, ou seja, aprovando a proporção atual de alunos de escolas públicas que ingressam em universidades públicas? O Estado receberia a mensalidade dos 70% “ricos” e com isso seria incentivado a manter a proporção atual, já que desta forma não haveria mais distorções…
Jairo
Poisé Cláudia. Morando na China por algum tempo deve ter lhe chocado com os absurdos que você sabia que existia no Brasil mas não sabia o “quanto” eram absurdos. Aos que ficam aqui ainda há percepção raza de que as coisas não estão tão ruim assim…afinal o pré-sal foi descoberto e vai resolver todos os nossos problemas com o suposto dinheiro que virá pro povo no futuro.
Qualquer post assim, acaba chamando um diálogo maniqueista de “particular VS público” ou “pobre VS ricos”. Não é a toa…toca na ferida do orgulho brasileiro que teima em negar o atraso incomparável na educação. Inconcebível pra maioria de nós admitir que um país outrora mais atrasado doque o Brasil como a Índia, terem ensino superior ao nosso.
Índia? Como? Eles nem andam de carro, a maioria usa motocicletas ou caminham, muitos são pobres e lavam roupa nos rios. Seria a resposta não só de elitistas mas do povo em geral complexado com uma derrota a mais nos rankings mundiais.
Eis o porque tanta gente acaba enxergando miragens em soluções como o sistema de cotas que deveria ser na verdade uma ação paliativa e não de longo prazo. Pois uma seleção realmente justa é aquela em que os pobres recebem educação primária e secundária de qualidade e assim, saem da mesma linha de largada dos ricos.
Há discrepâncias como você deve ter notado também no real valor que cada família dá ao ensino. Numa família típica brasileira, Quartas-ferias são dia de cinema, e estudante tem “direito” de pagar meia pra assistir um evento “cultural” como Transformers 2. Domingo é dia de visita a vovô, e passar o dia inteiro na casa dela assistindo ao Faustão. Sábados a noite é balada com certeza. Segundas é pra tirar a “ressaca” do fim de semana e por isso aulas não podem ser bem rigorosas. Tarefas tem que ser negociadas com professor, feriados devem ser emendados pois são sagrados. E pais que fazem o filho aprender mais alguma coisa além da escola são vilões que tiram a “criança” dentro de um marmanjo de 15anos, que tem mais é que ficar assistindo
“sessão da tarde”.
Esqueça essa história de dar chance aos filhos uma chance de aprender mais uma língua, instrumento musical, ou dar reforços em Matemática. Ao invéz disso use o dinheiro pra fins mais nobres como uma nova TV, viagem extravagante, um carrinho novo, uma cabeleleira e manicure bi-semanal, uma ida ao restaurante todas as sextas, ou pior, cachaças.
Pergunta retórica: na China é assim?
Olá Claudia,
Há alguns anos, você gravou uma conferência sobre a China (Transformação Chinesa) aqui em Curitiba, mais precisamente no IESDE (Inteligência Educacional e Sistemas de Ensino). Está lembrada? Gostaríamos de fazer um novo convite. Você poderia me enviar um telefone ou e-mail para a gente conversar?
Obrigada,
Márcia Sebastiani
Diretora de Projetos
Cara Claudia,
formidável o conteudo do seu blog. É preciso continuar batendo nesta tecla pois este assunto é de suma importancia.
É animador ver a sua batalha neste quesito.
E, é DESANIMADOR ver o que se passa por aqui no dia a dia.
No jornal da minha cidade vi no ultimo sabado o seguinte titulo: “Candidatos a professor acertaram só 20% da prova do Enem” !!!!
E hoje o noticiario traz o vexame de que em MG a secretaria de EDUCAçAO (!) consentiu de incluir palavroes nos livros escolares.
Ao mesmo tempo a gente vê um bando (quase 8000 BR a fora) de vereadores FESTEJANDO a inclusao nas cameras municipais. Para isto tem dinheiro.
A farra dos vereadores.
Já devem estar pensando nos royalties do Pré-Sal – sabe lá quando vai vir = melhor ensacar logo.
Deveria ser o oposto sim = reduzir o numero deles em no min.10 mil para redirecionar estes recursos p.expl. para o ensino fundamental onde está fazendo muita falta.
Estou desiludido. Estou quase indo p/Galeao.
Jairo, com o sistema de vestibular, não vejo como o Estado poderia manter inalterado o número de alunos provenientes de escolas públicas e particulares.
Fey, você tocou em um tema fundamental, que é o valor que a educação tem (ou não tem) na sociedade brasileira. Isso é tema para um outro post, mas nos países asiáticos a educação é um dos principais valores sociais e o grande sonho dos pais é que seus filhos consigam chegar à universidade.
Galo-veio, não vá para o Galeão (a menos que tenha férias…).
Cláudia Trevisan
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