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Cláudia Trevisan

O Partido Comunista da China se prepara para a transição de poder a uma nova geração de líderes incerto sobre o rumo a seguir e envolto em uma feroz disputa interna, que ficou evidenciada pela queda na semana passada do ex-chefe de Chongqing, Bo Xilai, que era o mais ostensivo candidato ao órgão máximo de comando do país. As divisões provocam paralisia das reformas pró-mercado que integraram a China à globalização e estagnação ou retrocesso nas mudanças políticas, depois de três anos de endurecimento da repressão aos críticos do governo.

A dramática defesa de reformas políticas feita pelo primeiro-ministro Wen Jiabao em entrevista coletiva na quarta-feira reflete a dificuldade de promoção da agenda dentro de um Partido cindido internamente. Menos de um ano antes de terminar seu mandato, o premiê afirmou que a inação pode levar a China a reviver “tragédias” semelhantes à Revolução Cultural (1966-1976), o movimento comandado por Mao Tsé-tung que provocou milhões de mortes, levou ao fechamento de escolas e universidades, promoveu a perseguição de líderes do Partido Comunista e intelectuais e deixou a sociedade chinesa à beira da ruptura.

O afastamento de Bo Xilai representa um duro golpe para ala à esquerda do Partido, que estava cada vez mais unida em torno do “modelo de Chongqing”, a receita que privilegia o papel do Estado na economia, busca redução das desigualdades e resgata as canções vermelhas maoístas que estiveram em voga na Revolução Cultural.

“Eu acredito que a queda de Bo Xilai vai fazer com que o processo de reformas avance e a direção será ‘à direita’”, opinou o professor do Departamento de Política da Universidade do Povo, Zhang Ming. Segundo ele, a etapa inicial da abertura chinesa foi inspirada pelo ocidente, com regras pró-mercado e integração ao comércio global. Em anos recentes, o país começou a retroceder aos princípios maoístas, movimento que teria sido estancado com a queda de Bo Xilai. “O ‘modelo de Chongqing’ era um erro”, afirmou Zhang.

Mas outros acreditam que a queda do líder da “nova esquerda” não significa a remoção das resistências às reformas liberalizantes no mercado e na política. “O apelo do sistema que privilegia a presença do Estado na economia vai além de Bo Xilai e do modelo de Chongqing”, observou o economista norte-americano Patrick Chovanec, professor da Universidade Tsinghua, para o qual a última grande reforma realizada pela China foi a entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001. “Não está claro qual caminho a China seguirá no futuro”, ressaltou.

“As reformas morreram”, afirma o analista político independente Chen Zemin. O ímpeto mudancista perdeu fôlego em meados da década passada e sofreu um revés com a crise financeira de 2008, da qual a China saiu relativamente ilesa graças a um pacote de estímulo que ampliou o poder do Estado na economia e fortaleceu as empresas controladas pelo governo.

Parte dos líderes comunistas se convenceu de que o modelo de capitalismo de Estado chinês é superior ao falido capitalismo ocidental, que até então era a fonte inspiradora das reformas que pregavam abertura e desregulamentação da economia.

A expectativa de mudanças na área política se reduziu a partir de 2008 e 2009, quando conflitos étnicos chacoalharam o Tibete e Xinjiang, respectivamente. O cenário piorou ainda mais em 2011, depois de convocação anônima de protestos semelhantes aos ocorridos na Revolução do Jasmim dos países árabes. O Partido Comunista reagiu com uma onda repressiva que levou à detenção de dezenas de ativistas políticos e a condenação de alguns deles a penas de até dez anos de prisão sob acusação de subversão.

A resposta da China à crise global fortaleceu ainda mais as gigantescas empresas estatais, que empregam milhões de pessoas, atuam nas mais diversas áreas, recebem a maior parte do crédito bancário barato e realizaram os investimentos que garantiram o crescimento do país enquanto o mundo desenvolvido agonizava.

O slogan que passou a identificar esse movimento é guo jin, min tui, ou o Estado avança e o setor privado recua. “Há um sentimento entre investidores estrangeiros e empresários locais de que as regras do jogo estão cada vez mais favoráveis às empresas estatais, às custas de todos os demais”, avalia Chovanec.

Apesar do sucesso no combate aos efeitos da crise, o próprio governo reconhece que o modelo de desenvolvimento têm que mudar para ser sustentável. Mas as propostas de reformas enfrentam oposição feroz em segmentos importantes do Partido Comunista e das estatais que se fortaleceram nos últimos anos e ainda não está claro quem vencerá a disputa.

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A chamada por reformas radicais na China feita pelo Banco Mundial em conjunto com pesquisadores ligados ao governo de Pequim evidencia a percepção de que o ímpeto reformista que marcou os primeiros 25 anos da abertura do país foi gradualmente abandonado pela geração de líderes que chegou ao poder em 2003. Na opinião de muitos analistas, Hu Jintao e Wen Jiabao colheram os frutos de mudanças realizadas em décadas anteriores, entre as quais a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, que pavimentou o caminho para o país se tornar o maior exportador do mundo em 2010.

O grande salto da China rumo à globalização foi dado no período de Jiang Zemin e Zhu Rongji, o reformista que foi primeiro-ministro de 1998 a 2003. Além do ingresso na OMC, Zhu comandou o radical processo de reestruturação das estatais no fim da década de 90, que levou ao fechamento de milhares de grupos deficitários e levou à demissão de milhões de trabalhadores. Também deu início ao saneamento do sistema financeiro, que levou à abertura de capital das grandes instituições e à injeção de US$ 600 bilhões nos bancos estatais para livrá-los de uma montanha de créditos podres.

A crise que chacoalhou o mundo em 2008 fortaleceu a posição dos que resistem a mudanças adicionais, na medida em que colocou em xeque a receita de liberalização e desregulamentação prescrita pelo Ocidente. Os setores chineses que defendem o status quo acreditam que o Estado e o Partido Comunista devem sua posição proeminente na economia, que foi ampliada a partir de 2008 com o megapacote de estímulo que Pequim lançou para combater os efeitos da crise global.

As gigantescas empresas estatais dominam os setores considerados estratégicos pelo governo_ como petróleo, telecomunicações, eletricidade e aviação civil_ e seus dirigentes não aceitarão facilmente perder a posição privilegiada que ocupam hoje. Além disso, muitos dirigentes estão convencidos de que a debacle dos países ocidentais explicitou a superioridade do modelo chinês de capitalismo de Estado e são contra reformas que o transformem de maneira significativa.

O processo de tomada de decisões na China também deve dificultar qualquer tentativa de transformação pelos próximos dois anos e possivelmente em um período ainda mais longo. Apesar de serem a face visível do governo, o presidente e o primeiro-ministro não tomam decisões de maneira isolada e dependem do apoio de distintos grupos dentro do Partido Comunista, em uma árdua tarefa de construção de consensos.

O maior símbolo das limitações impostas aos líderes máximos do país é Wen Jiabao, o primeiro-ministro que é visto como um reformista, mas que conseguiu implementar muito pouco de sua agenda de mudanças nos nove anos desde que assumiu o cargo. Agora, é pouco provável que consiga qualquer avanço no ano que lhe resta como primeiro-ministro.
As recomendações do Banco Mundial e de pesquisadores do governo chinês pode ser vista em inglês aqui. E aqui está minha reportagem sobre o assunto publicada hoje no Estado.

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Símbolo do empreendedorismo privado na China, Wenzhou, na província de Zhejiang, se transformou na ponta do iceberg de uma nova ameaça à economia do país: a explosão no volume de empréstimos concedidos fora do sistema financeiro nos últimos dois anos. Pelo menos 80 empresários fugiram e dois cometeram suicídio desde abril por não conseguirem pagar dívidas contraídas no mercado de crédito “subterrâneo”, segundo levantamento feito pela agência oficial de notícias Xinhua.

Os juros nessas operações giram em torno de 24% a 36% ao ano, comparados à taxa básica de 6,56% fixada pelo banco central para as operações “oficiais”, mas em empréstimos de curto prazo, o percentual pode chegar a 60%. Pequenas e médias empresas e empreendedores imobiliários privados recorrem a esses financiamentos extorsivos em razão da dificuldade de obter empréstimos no sistema bancário, especialmente depois das medidas de aperto monetário impostas pelo governo a partir de 2010. Muitos entram em um círculo vicioso, no qual contraem novos créditos para pagar os anteriores, até que não conseguem mais administrar a dívida. A situação se tornou mais grave com a recente alta dos custos de produção, queda nos lucros e inflação na casa dos 6%.

O fenômeno está longe de se restringir a Wenzhou. O Credit Suisse estima que o mercado “subterrâneo” soma 4 trilhões de yuans (R$ 1,16 trilhão), o equivalente a 15% do total de financiamentos concedidos oficialmente pelos bancos em 2010, e se espalha por todas as grandes cidades da região leste, incluindo Pequim e Xangai. Em Wenzhou, a cifra é de 110 bilhões de yuans (R$ 31,93 bilhões) ou 20% do empréstimos.

O economista-chefe do Credit Suisse, Dong Tao, acredita que a explosão no crédito informal é a mais perigosa “bomba-relógio” no horizonte de curto prazo da economia chinesa. Os recursos que alimentam esse mercado vêm de diferentes fontes, entre as quais famílias em busca de rendimento superior à taxa anual de 3,5% que os bancos pagam pelos depósitos, inferior à inflação que gira em torno dos 6%. “Diferentemente do mercado de crédito oficial, o mercado de crédito informal tem uma longa cadeia de débito. Se um elo essa cadeia falha, toda a rede provavelmente entra em colapso”, escreveu o economista em nota a seus clientes. Segundo ele, o impacto negativo desse cenário pode ser generalizado, com efeitos sobre os balanços das empresas, a confiança dos consumidores e os ativos dos bancos.

Hoje, o primeiro-ministro Wen Jiabao visitou a província de Zhejiang e exaltou os bancos a concederem empréstimos às pequenas empresas e a tolerarem um maior índice de créditos podres desse setor. Segundo a agência Xinhua, os negócios de pequeno porte respondem por 80% dos empregos e 60% da produção industrial do país.

Entre os 80 empresários que fugiram de Wenzhou por não conseguirem pagar seus débitos está Hu Fulin, dono de uma das maiores fábricas de óculos da China, a Zhejiang Center Group, que emprega 3.000 pessoas e tem exportações de 600 milhões de yuans (R$ 174,1 milhões) ao ano. De acordo com o jornal 21st Century Business Herald, a companhia contraiu dívida de 2 bilhões de yuans (R$ 580,6 milhões) no mercado de crédito subterrâneo. Desse total, uma parcela de 1,2 bilhão de yuans gerava juros mensais de 20 milhões de yuans, enquanto a taxa sobre os restantes 800 milhões de yuans era de 5 milhões de yuans ao mês. “O surto de empréstimos privados deu origem a uma bolha econômica e o “episódio das fugas” em Wenzhou é um marco no estouro dessa bolha”, disse texto publicado na semana passada no jornal Financial News, ligado ao banco central da China.

Na segunda-feira, o governo de Wenzhou fixou um teto para os juros dos empréstimos subterrâneos, em uma tentativa de regular um mercado que funciona totalmente à margem das regras oficiais. As taxas dessas operações não poderão ser mais que quatro vezes superiores aos juros básicos definidos pelo banco central. A medida se aplica aos empréstimos concedidos, que deverão ser repactuados. Caso não haja acordo, o devedor estará isento de pagar o percentual dos juros que superar ao teto definido segunda-feira.

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A China vai reduzir sua meta de crescimento anual para 7% no Plano Quinquenal 2011-2015 que será aprovado em meados de março, afirmou ontem o primeiro-ministro Wen Jiabao. O objetivo de Pequim é buscar um modelo de desenvolvimento mais sustentável, menos poluente e mais inclusivo socialmente.

A meta funciona mais como um piso do que como um alvo a ser perseguido pelas autoridades chinesas. O Plano Quinquenal que vigorou no período 2006-2010 previa crescimento de 7,5%, bem inferior à média anual de cerca de 10% registrada no período.

Mas a redução sinaliza a intenção do Partido Comunista de obter mais qualidade e menos quantidade no padrão de desenvolvimento do país. “Nós nunca vamos buscar um alto índice de crescimento econômico com o sacrifício do meio ambiente, pois isso resultaria em crescimento insustentável, com excesso de capacidade industrial e consumo intensivo de recursos naturais”, declarou Wen em chat com internautas chineses na manhã de ontem.

Apesar das declarações do primeiro-ministro, o sacrifício do meio ambiente é um dos preços que a China ainda paga pelo alto ritmo de expansão registrado nos últimos 30 anos, com poluição de rios, chuva ácida e contaminação da terra usada por camponeses.

A conversa de Wen com os internautas coincidiu com mais uma tentativa de organização de protesto contra o governo nos moldes da Revolução do Jasmim que varre o mundo árabe, e que pelo segundo domingo consecutivo foi frustrada pela fraca adesão e a forte mobilização das forças de segurança.

O primeiro-ministro prometeu combater a inflação e a alta no preço dos imóveis, dois dos principais itens que alimentam a crescente insatisfação dos chineses. O Índice de Preços ao Consumidor alcançou 4,9% em janeiro, impulsionado principalmente pelos alimentos, que ficaram 10,3% mais caros.

“O aumento de preços afeta não apenas a vida das pessoas, mas também a estabilidade social”, reconheceu Wen. Os imóveis sobem há meses de maneira persistente e muitos analistas acreditam que o setor está envolto em uma bolha especulativa.

Em chat online realizado há exatamente um ano, o primeiro-ministro já havia prometido conter a especulação que infla o preço dos imóveis, mas eles continuaram a subir. A alta é ininterrupta desde junho de 2009 e atingiu o recorde de 12,8% em abril de 2010.

A especulação no setor imobiliário transforma a compra de uma casa em sonho cada vez mais distante para os integrantes da classe média que precisam de um imóvel para viver e não para investir sua poupança.

Combate à corrupção, melhoria da rede de seguridade social e ampliação dos serviços médicos foram outros tópicos tratados por Wen na conversa com internautas _a terceira que ele realiza desde 2009, sempre na véspera do encontro anual do Congresso Nacional do Povo, que começa no dia 5 de março e no qual o Plano Quinquenal será aprovado.

“Eu tenho visto que em alguns lugares a construção urbana é muito rápida, mas quando você caminha, vê ruas e casas rurais miseráveis e alguns camponeses ainda são pressionados a pagar a contribuição escolar de 100 yuans [R$ 25,30] para o aquecimento das escolas”, ressaltou o primeiro-ministro _a renda per capita líquida dos moradores da zona rural foi de 5,9 mil yuans (R$1.490,00) em 2010.

Dentro do espírito do novo Plano Quinquenal, Wen defendeu mudança no critério de avaliação dos dirigentes locais do Partido Comunista, focado atualmente no índice de crescimento econômico. “O critério supremo para medir sua performance deve ser se as pessoas estão felizes e satisfeitas, mais do que arranha-céus.”

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O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou hoje que o governo precisa resolver os problemas sociais que estão na raiz dos recentes ataques a crianças em escolas chinesas, em um reconhecimento de que os conflitos gerados pelo rápido processo de transformação do país tiveram algum grau de influência nos crimes.

Em menos de dois meses, a China registrou seis atentados a alunos de jardins de infância e escolas primárias que chocaram o país e deixaram um saldo de 20 estudantes mortos e 65 feridos. Todos os crimes foram cometidos por homens na faixa dos 30 e 40 anos, que tinham alguma forma de frustração econômica ou pessoal. Pelo menos um dos assassinos também sofria de distúrbios mentais. “Nós precisamos administrar os problemas sociais, resolver as disputas e fortalecer os mecanismos de mediação na base da sociedade”, disse o premiê em entrevista à TV Phoenix, de Hong Kong.

O caso mais recente ocorreu na quarta-feira, quando um homem armado com um facão de cozinha matou sete crianças e dois adultos em um jardim da infância na zona rural da cidade de Hanzhong, na província de Shaanxi. A vítima mais nova tinha 3 anos de idade. O autor do crime, Wu Huanming, 48, cometeu suicídio.

O assassino era dono do edifício onde a escola funcionava e queria que ele tivesse sido desocupado em abril. A dona da escola, Wu Hongying, disse que só poderia sair no local em junho ou julho, no período de férias escolares _ela foi uma das vítimas dos ataques.

O Judiciário chinês não é independente e há poucos canais imparciais para solução de conflitos e disputas no país. Além disso, a corrupção é generalizada e muitos chineses são vítimas da arbitrariedade de chefes locais do Partido Comunista. Qualquer forma de organização política é proibida e a liberdade de expressão é restrita.

Nos últimos 30 anos, a China viveu um massivo processo de urbanização, com cerca de 400 milhões de pessoas se mudando do campo para as cidades. Outros 150 milhões de migrantes rurais vivem nas cidades longe do cônjuge ou do filho, realizando trabalhos temporários. A desigualdade de renda é crescente entre os moradores do campo e da cidade e entre ricos e pobres e vários chineses se sentem excluídos dos benefícios trazidos pelo desenvolvimento econômico.

“Apesar de esses serem comportamentos individuais, a origem está na sociedade”, disse o sociólogo Xia Xueluan, professor do Instituto de Sociologia e Antropologia da Universidade de Pequim. Xia ressalta que a construção de um sistema de seguridade social foi deixada para trás durante o veloz processo de crescimento da China, que registrou uma média de 10% ao ano nas últimas três décadas. “Há um forte sentimento de privação entre as pessoas em razão das rápidas transformações da sociedade chinesa. As pessoas estão mais ricas, mas alguns pensam que os outros ficaram ricos mais rapidamente”, ressaltou.

O sociólogo avalia que os autores dos ataques se sentem frustrados, mas são incapazes de despejar sua ira sobre os que consideram como responsáveis por seus problemas. Por isso, se voltam contra as crianças, que não têm como se defender.

Fang Changchun, professor de sociologia da Universidade de Nanjing, acredita que os assassinos usaram os crimes para manifestar sua frustração. “Eles se voltaram contra as crianças para expressar seu ressentimento porque não tinham alvos diretos para fazê-lo”, afirmou o sociólogo ao jornal oficial China Daily, editado pelo Conselho de Estado.

 O primeiro dos cinco ataques ocorreu no dia 23 de março, quando o médico Zheng Minsheng matou a facadas oito crianças em uma escola primária na província de Fujian, no sudeste do país. Zheng havia sido demitido do trabalho e afirmou em seu julgamento que cometeu o crime porque foi desprezado por uma mulher e sua família rica.

Condenado à morte, ele foi executado em 28 de abril, mesmo dia em que o professor Chen Kangbing, 33, feriu a facadas 16 estudantes e um professor de uma escola primária de Leizhou, cidade da província sulista de Guangdong. Chen trabalhava como professor primário em outra cidade e estava afastado por problemas mentais desde fevereiro de 2006.

No dia 29 de abril, o desempregado Xu Yuyuan, 47, esfaqueou 29 crianças de 4 e 5 anos em um jardim da infância em Taixing, na província de Jiangsu, na costa leste do país. Quatro das vítimas morreram posteriormente. Xu estava sem trabalho desde 2001.

A precariedade do tratamento de doenças mentais no país é outra das razões por trás dos ataques, na avaliação dos especialistas. Estudo publicado na revista médica “The Lancet” em junho do ano passado estimou que 178 milhões de chineses têm problemas psiquiátricos, mas 158 milhões nunca receberam nenhuma forma de ajuda profissional para enfrentá-los.

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