A monja budista Palden Choestso tinha 35 anos quando tirou a própria vida para protestar contra a política chinesa para as regiões habitadas por tibetanos no país. No dia 3 de novembro, ela ateou fogo a seu corpo e gritou “longa vida ao dalai lama” e “deixem o dalai lama voltar ao Tibete”, de acordo com relatos transmitidos por testemunhas a entidades pró-Tibete sediadas no exterior. Palden morreu no mesmo local onde o monge Tsewang Norbu, 29, havia se imolado em agosto, na cidade de Tawu, província de Sichuan.
Desde março, 11 monges ou ex-monges tibetanos atearam fogo a seus corpos, uma forma extrema de protesto político que está sendo cada vez mais utilizada pelos tibetanos. Só em outubro foram 7 casos. Das 11 pessoas que se imolaram neste ano, 6 morreram e o paradeiro das demais é desconhecido, segundo as mesmas entidades.
Antes de 2011, o único episódio de imolação entre os tibetanos na China havia sido registrado em fevereiro de 2009 e envolveu um monge chamado Tabe, que sobreviveu às queimaduras. A primeira mulher a se imolar antes de Palden foi a também monja Tenzin Wangmo, 20 anos, que morreu no dia 17 de outubro. Todos os casos ocorreram em áreas habitadas por tibetanos na província de Sichuan, vizinha ao Tibete. O centro dos protestos é o mosteiro Kirti, onde vivem 2.500 monges na cidade de Aba, que foi ocupada por forças militares e paramilitares depois da imolação de março e vive sob um não declarado estado de sítio. Há barreiras policiais nas estradas que levam à região e jornalistas são impedidos de chegar ao local. Apenas dois conseguiram furar o bloqueio nas últimos meses.
No mês passado, painel da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre liberdade religiosa manifestou preocupação com as medidas de segurança impostas em Aba, que incluem constante presença de policiais dentro e fora dos monastérios e monitoramento das atividades religiosas. Segundo o grupo, as ruas estão ocupadas por integrantes da tropa de choque, soldados armados com fuzis automáticos e caminhões militares. “Essas medidas restritivas não apenas limitam a liberdade religiosa ou de crença, mas exacerbam as tensões existentes e são contraproducentes”, declarou Heiner Bielefeldt, relator especial sobre liberdade religiosa e de crença da ONU. Bielefeldt avaliou que as medidas de segurança agravaram ainda mais a tensão entre a população tibetana e Pequim. “A intimidação da comunidade leiga e monástica deve ser evitada e o direito da comunidade monástica e toda a comunidade de praticar sua religião deveria ser totalmente respeitado pelo e garantido pelo governo chinês”, ressaltou.
Além de aumentar a repressão na região, as autoridades chinesas reagiram com acusações ao dalai lama, a quem classificam de separatista e “terrorista disfarçado”. Na quinta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Hong Lei, responsabilizou os tibetanos no exílio pelas imolações. “Os grupos ‘pró-independência’ do Tibete elogiaram esses suicídios e até defenderam sua imitação”, declarou Hong, em briefing regular com a imprensa. “O que eles estão fazendo desafia a moral humana e eles nunca vão conseguir o que querem. Os budistas chineses sabem que o suicídio deve ser condenado. Pessoas de comunidades religiosas acreditam que a vida deve ser valorizada e que eles devem seguir a verdadeira doutrina do budismo”, acrescentou o porta-voz.
Despois de um fracassado levante contra o domínio chinês em 1959, o dalai lama deixou o Tibete e se exilou na Índia, onde onde está instalado o chamado governo tibetano no exílio. Sua imagem é banida dentro da China e monges tibetanos são obrigados a frequentar classes de “educação patriótica”, nas quais devem renega-lo e prometer lealdade a Pequim. “O dalai lama é a mais importante figura religiosa para os tibetanos e esses monges manifestaram devoção a ele durante todas as suas vidas. Para alguns é preferível perder a vida do que ter que renegá-lo”, disse ao Estado Andrew Fischer, professor do Instituto de Estudos Sociais de Haia, na Holanda.
Em sua opinião, as imolações são provocadas por um sentimento de desespero e frustração em relação às políticas de Pequim para os tibetanos, que são agravadas pela extrema repressão imposta a Kirti. O monastério sediou fortes manifestações contra a China em 2008, logo depois de confrontos entre tibetanos e chineses han em Lhasa, capital do Tibete _os han são a etnia que representa 91,5% da população do país. No dia 16 de março daquele ano, 13 monges de Kirti foram mortos a tiros pelas forças de segurança chinesas. O primeiro monge a se imolar em 2011 foi Phuntsog, 21, que tirou sua vida no dia 16 de março, três anos depois dos protestos de 2008.
Uma monja tibetana morreu na segunda-feira depois de atear fogo ao próprio corpo em defesa da independência do Tibete e da volta do dalai lama à região, no nono caso semelhante registrado desde março, segundo entidade ligada aos tibetanos no exílio. De acordo com o mesmo grupo, no domingo a polícia feriu a tiros dois homens que participavam de manifestação contra a política chinesa em relação aos tibetanos. Todos os casos ocorreram na província de Sichuan, fora da área delimitada como Região Autônoma do Tibete pelas autoridades de Pequim. O centro do descontentamento é a cidade de Aba, onde está localizado o mosteiro Kirti, de onde saiu a maioria dos monges ou ex-monges que atearam fogo a seus corpos desde março. Dos nove, cinco morreram.
Tenzin Wangmo, 20, foi a primeira mulher tibetana a imolar-se, prática que começou a ser utilizada pelo grupo na China em 2009, quando um caso foi registrado. Em 2011, o primeiro episódio foi protagonizado pelo monge Phuntsog, 21, que morreu em consequência das queimaduras.
O gesto levou o governo de Pequim a prender e enviar a sessões de “reeducação patriótica” 300 religiosos do mosteiro de Kirti, muitos dos quais não retornaram, segundo a entidade de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch.
“Os protestos no Tibete estão aumentando e se espalhando”, escreveu em nota divulgada na segunda-feira Stephanie Brigden, diretora do grupo Free Tibet, com sede em Londres. “Os atos de imolação não estão ocorrendo de maneira isolada, protestos foram registrados em regiões vizinhas e convocações para protestos mais amplos estão aumentando”, acrescentou.
Em briefing regular com a imprensa ontem, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Liu Weimin, disse não ter informações sobre os casos recentes, mas ressaltou considerar “imoral” a “promoção e encorajamento” de danos à vida. A presença militar no Tibete e o controle governamental em áreas tibetanas na província vizinha de Sichuan aumentaram desde os protestos contra a China que chacoalharam a região em março de 2008 e provocaram a morte de 18 pessoas, além de deixar dezenas feridas.
Líder espiritual dos tibetanos, o dalai lama fugiu da região em 1959, depois de um levante fracassado contra o domínio chinês. Desde então, está proibido de voltar ao país. As autoridades de Pequim o classificam de separatista e reprimem qualquer manifestação pública de veneração a sua imagem, o que agrava o ressentimento dos tibetanos contra os chineses.
De acordo com o novo líder político dos tibetanos no exílio, Lbsang Sangay, os incidentes indicam o grau de desespero em relação à atual situação do Tibete. A Human Rights Watch sustenta que a cidade de Aba tem sido alvo de ações de segurança “brutais”, com prisão arbitrária de monges, presença policial constante dentro dos mosteiros e monitoramento das atividades religiosas, o que estaria exacerbando a tensão na região.
Com 43 anos e doutorado em Direito na Universidade de Harvard, Lobsang Sangay foi eleito ontem primeiro-ministro do governo tibetano no exílio e terá a difícil missão de assumir a comando político do grupo, papel desempenhado atualmente pelo dalai lama.
O líder dos tibetanos anunciou no dia 10 de março sua intenção de transferir essa função a uma pessoa eleita pela comunidade exilada, em uma tentativa de conduzir sua própria sucessão e reduzir a possibilidade de interferência das autoridades chinesas nesse processo. O dalai lama, 75, continuará a ser o guia espiritual dos tibetanos, atribuição que só chegará ao fim com sua morte.
Nascido em um campo de refugiados na Índia, Sangay nunca esteve no Tibete e representa uma nova geração de tibetanos exilados. Apesar de ser budista praticante, ele não detém nenhum título de caráter religioso, à diferença do atual primeiro-ministro, o 5˚ Samdhong Rinpoche _eleito em 2001, ele desempenha um papel administrativo, à sombra do dalai lama.
Sangay não veste os robes cor de vinho dos lamas tibetanos e não é raro vê-lo de terno e gravata. Quando era estudante universitário em Nova Delhi, o futuro primeiro-ministro pertenceu ao Congresso da Juventude Tibetana, que defende a total independência do Tibete em relação à China, o que criou a expectativa de que ele terá uma posição mais radical que a dos atuais líderes em relação a Pequim. O dalai lama diz ser favorável à maior autonomia do Tibete, sem a separação da região do território chinês.
“Eu conclamo todos os tibetanos e amigos do Tibete a se juntarem a mim na causa comum de aliviar o sofrimento dos tibetanos no Tibete ocupado e de promover o retorno de Sua Santidade [o dalai lama] a seu lugar de direito”, disse Sangay em nota divulgada depois de sua eleição, na qual obteve 55% dos 49.084 votos.
O dalai lama fugiu do Tibete em 1959, depois de um levante fracassado contra o domínio chinês, e nunca mais obteve permissão para voltar à região. O governo de Pequim considera o líder espiritual um separatista e dificilmente permitirá que ele pise em solo chinês.
Sangay vive em Boston, nos Estados Unidos, e se mudará em agosto para a cidade indiana de Dharamsala, que desde 1959 é a sede do governo tibetano no exílio. Mas a transferência da liderança política não significa que o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1989 deixará de ter papel proeminente na condução dos tibetanos.
Seu grande desafio é garantir a sobrevivência do movimento por maior autonomia do Tibete para além de sua morte. As autoridades de Pequim acreditam que o tempo é seu maior aliado na disputa por influência na região e farão tudo para comandar o processo de escolha do futuro dalai lama.
Apesar de estar fora do país desde 1959, o dalai lama é reconhecido como líder espiritual pelos 5,4 milhões de tibetanos que vivem na China e sua projeção internacional confere voz e peso ao movimento por maior autonomia da região. Sua morte e a inevitável disputa em torno da indicação do 15˚ dalai lama poderão colocar em xeque a legitimidade do governo de Dharamsala, em torno do qual congregam os cerca de 100 mil tibetanos que estão fora da China.
O maior temor dos exilados é a cisão do budismo tibetano, com um líder espiritual apontado por Pequim e outro pelo grupo de Dharamsala. De acordo com a tradição tibetana, o dalai lama quando morre reencarna em uma criança, que continua a exercer o comando espiritual dos tibetanos sob esse título. O atual dalai lama é o 14º, em uma tradição que teve início há mais de 1.000 anos.
A China sustenta que deve ratificar a escolha do dalai lama feita pelos religiosos tibetanos. Recentemente, o líder tibetano afirmou que poderia decidir não reencarnar e transferir o poder político e espiritual a alguém eleito por seus seguidores. No mês passado, o governador do Tibete apontado por Pequim, Padma Choling, afirmou que o dalai lama tem que reencarnar, o que colocou o representante do Partido Comunista na curiosa posição de defender uma das mais místicas tradições tibetanas.
O dalai lama anunciou ontem que pretende se afastar da liderança política do governo tibetano no exílio e transferir o poder a um sucessor eleito por seus seguidores. O religioso manterá o papel de líder espiritual, o qual só deverá chegar ao fim com sua morte.
“Desde os anos 1960, eu tenho repetidamente afirmado que os tibetanos precisam de um líder, eleito livremente pelo povo tibetano, para quem eu possa transferir o poder. Agora nós claramente chegamos ao momento de colocar isso em prática”, disse o dalai lama.
No comunicado, o líder religioso atacou as políticas chinesas para o Tibete e afirmou que a população da região vive em constante “medo e ansiedade”, sob a vigilância permanente de tropas do Exército de Libertação Popular.
O anúncio coincidiu com o aniversário de 52 anos do levante contra o domínio chinês que levou o religioso e milhares de tibetanos a fugirem para a Índia, onde criaram o governo no exílio na cidade de Dharamsala. Este mês também marca os três anos dos confrontos entre tibetanos e chineses da etinia han que levaram Pequim a intensificar a presença militar no Tibete.
O governo chinês suspendeu há poucos dias as viagens turísticas à região, na qual jornalistas estrangeiros só podem entrar depois de obter raras autorizações oficiais. “A realidade é que a contínua opressão do povo tibetano provocou amplo e profundo ressentimento contra a atual política oficial [da China para o Tibete]”, escreveu o dalai lama.
O líder religioso elogiou os movimentos não-violentos que levaram à queda de governos no mundo árabe e ressaltou que é cada vez maior o número de intelecutais chineses que pedem reforma e abertura política. “O premiê Wen Jiabao também expressou apoio a essas preocupações.”
A proposta do dalai lama de se afastar das funções políticas do governo no exílio será apresentada em reunião do Parlamento tibetano no dia 14 de março. No dia 20, os tibetanos que vivem fora da China elegerão um novo primeiro-ministro, que provavelmente assumirá o papel até agora ocupado pelo dalai lama.
A transferência da liderança política não significa que o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1989 deixará de ter papel proeminente na condução dos tibetanos. O líder religioso avisou que não está se aposentando.
Com 76 anos, ele quer comandar a transferência de poder para uma nova geração e reduzir a possibilidade de interferência nesse processo por parte de Pequim.
De acordo com a tradição tibetana, o dalai lama quando morre reencarna em uma criança, que continua a exercer a liderança espiritual dos tibetanos sob esse título. O atual dalai lama é o 14º, em uma tradição que teve início há mais de 1.000 anos.
A China sustenta que deve ratificar a escolha do dalai lama feita pelos religiosos tibetanos. Recentemente, o líder tibetano lama afirmou que poderia decidir não reencarnar e transferir o poder político e espiritual a alguém eleito por seus seguidores.
Na segunda-feira, o governador do Tibete apontado por Pequim, Padma Choling, afirmou que o dalai lama tem que reencarnar, o que colocou o representante do Partido Comunista na curiosa posição de defender uma das mais místicas tradições tibetanas.
O temor do governo no exílio é que haja uma cisão no budismo tibetano, com um dalai lama escolhido por Pequim e outro pelos que estão no exílio.
Depois de um ano marcado por uma sucessão de conflitos que foram da venda de armas a Taiwan a crises na península coreana, Estados Unidos e China tentam a partir de hoje reconstruir a confiança mútua, durante visita à capital norte-americana do presidente Hu Jintao, a primeira realizada no governo de Barack Obama.
Nos últimos dias, ambos os lados se esforçaram para minimizar as desavenças e ressaltar os laços que unem as duas maiores economias do mundo, protagonistas da que é considerada a mais importante relação bilateral do século XXI.
“Não há como negar que há algumas diferenças e temas sensíveis entre nós”, afirmou Hu em entrevista por escrito aos jornais Washington Post e Wall Street Journal, publicada domingo. “Nós temos que abandonar a mentalidade de soma-zero da Guerra Fria”, disse o presidente chinês, ressaltando que ambos os países têm a perder com a confrontação.
A mesma expressão havia sido utilizada na sexta-feira pela secretária de Estado Hillary Clinton, em discurso sobre as relações sino-americanas. “No século XXI não faz sentido aplicar a teoria de soma-zero do século 19 sobre como os grandes potências interagem”, declarou Clinton, depois de afirmar que os Estados Unidos não vêem a emergência da China como uma ameaça.
A secretária também lembrou que as economias e o futuro de ambos os países estão interligados. “Nós estamos no mesmo barco e ou remamos na mesma direção ou vamos, infelizmente, provocar turbulência e redemoinhos que vão impactar não apenas nossos dois países, mas muitas pessoas além de nossas fronteiras.”
No ano passado, ambos os lados discordaram sobre que rumo tomar em várias ocasiões, o que levou a relação bilateral a um dos mais baixos patamares da última década. Catapultada em 2010 ao segundo lugar no ranking das maiores economias do mundo, a China interpretou seu sucesso no enfrentamento da crise financeira global como evidência da superioridade de seu modelo econômico sobre o ocidental, capitaneado pelos Estados Unidos.
A autoconfiança adquirida pelos líderes chineses se refletiu na avaliação de Hu de que o sistema monetário internacional dominado pelo dólar é “algo do passado”. Ao mesmo tempo, o líder chinês reconheceu que transformar o yuan em uma moeda de reserva internacional é um processo que ainda demandará muito tempo.
Na mesma entrevista, o presidente deu indicações de que rejeitará a pressão norte-americana por uma apreciação mais rápida do yuan em relação do dólar, ao afirmar que a mudança no câmbio não é o mecanismo adequado para o combate da inflação enfrentada atualmente pela China.
Todos os temas que provocaram atritos entre os dois países nos últimos meses estarão presentes nas conversas entre Obama e Hu, que permanecerá três dias nos Estados Unidos.
Do lado americano, além do patamar depreciado do yuan, a lista inclui o pleito para que a China contenha as ambições nucleares da Coreia do Norte, seja mais transparente em relação a seus investimentos militares e respeite os direitos humanos que os norte-americanos consideram universais.
A China vai reiterar sua oposição à venda de armas a Taiwan pelos Estados Unidos, exigir o respeito a sua integridade territorial e defender a não-interferência em assuntos que vê como internos, entre os quais estão o Tibete e o tratamento dado aos dissidentes políticos.
A divergência entre os dois países na questão dos direitos humanos se aprofundou em novembro, com a reação furiosa da China à entrega do Prêmio Nobel da Paz ao chinês Liu Xiaobo, elogiada pelos Estados Unidos.
É pouco provável que haja qualquer avanço concreto em relação a esses tópicos e os dois líderes vão se esforçar para ressaltar os pontos de cooperação entre seus países. Estados Unidos e China possuem uma enorme dependência econômica, fruto do comércio, investimentos e financiamento da dívida externa norte-americana por Pequim.
Mas a desconfiança mútua dificilmente desaparecerá. Maior potência global, os Estados Unidos vêem como um fator desestabilizador os crescentes investimentos militares do país asiático, enquanto muitos em Pequim acreditam que Washington tentará em algum momento bloquear a emergência chinesa.
Os chineses estão desenvolvendo o que seria o primeiro sistema de mísseis capaz de atingir navios e porta-aviões. Se tiverem sucesso, eles mudarão a correlação de forças no Pacífico, já que passarão a ter a capacidade de atingir a frota norte-americana estacionada na região.
Washington também viu com preocupação o primeiro teste de um caça chinês “invisível”, que não é detectado por radares, realizado há pouco mais de uma semana, no mesmo dia em que o secretário de Defesa norte-americano, Robert Gates, iniciava visita a Pequim.
Aí vai a lista dos principais conflitos entre os dois países desde o início de 2010:
Armas para Taiwan – Os Estados Unidos anunciam em janeiro a venda de US$ 6,4 bilhões em armas para Taiwan, a ilha que a China considera como integrante de seu território. Pequim reagiu com a suspensão da cooperação militar entre os dois países e a ameaça de imposição de sanções às empresas envolvidas na operação
Dalai lama – Apesar dos protestos de Pequim, o presidente Barack Obama recebeu o dalai lama em fevereiro na Casa Branca. O líder espiritual tibetano é considerado um separatista pelas autoridades chinesas
Google – O maior site de buscas do mundo, o norte-americano Google, anunciou em março o fechamento de seu site em chinês. A empresa afirmou que a decisão foi provocada pela intensificação da censura e pelo ataque de hackers que operam a partir da China
Coreia do Norte – Em maio, a Coreia do Sul acusou a Coreia do Norte de ter afundado dois meses antes o navio de guerra Cheonan, provocando a morte de 46 marinheiros. A China evitou condenar seu aliado e frustrou os EUA, que gostariam de uma ação mais incisiva de Pequim para controlar Pyongyang.
Coreia do Norte 2 – A China volta a frustrar os norte-americanos em novembro, ao deixar de condenar o ataque da Coreia do Norte à ilha sul-coreana de Yeonpyeong. Para os chineses, os sul-coreanos iniciaram as provocações, ao realizar exercícios militares em área disputada pelas duas nações.
Yuan – O patamar desvalorizado do yuan em relação ao dólar é um ponto de permanente atrito nas relações entre os dois países e ganhou mais proeminência no ano passado em razão do aumento do desemprego nos Estados Unidos
Expansão militar – A China investe na modernização de suas Forças Armadas e desenvolve o que seria o primeiro sistema de mísseis capaz de atingir navios e porta-aviões. Com isso, teria a capacidade de atingir a frota norte-americana estacionada na região. Há pouco mais de uma semana, o país realizou o primeiro teste de seu caça “invisível”, que não é detectado por radares
Nobel da Paz – A China reagiu com fúria à entrega do Prêmio Nobel da Paz ao dissidente Liu Xiaobo, em novembro, evidenciando as diferenças ideológicas que a separam dos Estados Unidos. A questão dos direitos humanos estará presente na pauta de discussões entre Hu Jintao e Barack Obama
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