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Cláudia Trevisan

18.agosto.2009 12:28:34

Para que tanto plástico?

Alguém pode me dizer por que as lanchonetes dos aeroportos de Cumbica e Congonhas oferecem guardanapos embalados um a um em plástico, quando o mundo tenta reduzir a utilização do produto? Perguntei a meus amigos médicos se a prática trazia benefícios para a saúde pública e a resposta foi unânime: não! Mas o problema não é restrito aos aeroportos. A liberalidade com que sacolas plásticas são distribuídas no comércio foi um dos choques que tive em minha recente passagem pelo Brasil. É pequeno quando comparado à pobreza, à desigualdade social e à violência, mas é um indício da distância que estamos da necessária mudança de hábitos que a humanidade deverá encarar para manter a Terra um planeta habitável. Até uma minúscula lixa de unha é colocada em sacola plástica nas farmácias da cidade. Produtos que poderiam ser levados na bolsa ou na mão são embalados e, nos supermercados, são raríssimas as pessoas que carregam suas próprias sacolas de pano, reutilizáveis.

Alvo constante dos ambientalistas, a China obriga os estabelecimentos comerciais do país a cobrarem pelas sacolas plásticas. A medida começou a ser aplicada em junho de 2008 e provocou uma transformação no comportamento dos consumidores urbanos. A maioria dos clientes dos supermercados coloca suas compras em sacolas de pano e, nas farmácias e lojas de cosméticos, os atendentes perguntam se o consumidor quer saco plástico, que será cobrado. Quase sempre, a resposta é não _os compradores levam os produtos em suas bolsas ou nas mesmas sacolas utilizadas nos supermercados.

O uso de sacos plásticos tem efeito devastador sobre o meio ambiente. O produto pode demorar até 1.000 anos para desaparecer e é uma das grandes ameaças à vida marinha, de acordo com o Worldwatch Institute, uma das mais respeitadas entidades ambientalistas do mundo. Segundo a instituição, dezenas de milhares de baleias, tartarugas, gaivotas e outros pássaros morrem a cada ano depois de ingerir sacolas plásticas, confundidas com alimentos. Os sacos também entopem bueiros, poluem rios e terminam espalhados pela paisagem depois de jogados em lixões.
A restrição adotada pela China está longe de resolver os graves problemas ambientais do país e ainda “não pegou” na zona rural, onde vive 55% da população. Mas mostra ao menos que o tema está em pauta, o que não ocorre no Brasil.

comentários (7) | comente

7 Comentários Comente também
  • 18/08/2009 - 15:53
    Enviado por: Luiz Guilherme Brom

    Concordo com você, Cláudia. Em termos de hábitos de consumo parece que no Brasil estamos andando para trás. Pelo menos no que diz respeito aos malditos saquinhos plásticos. Até as padarias agora entregam duas embalagens para os pãezinhos: a tradicional de papel e a de plástico por cima. Experimente comprar um colírio na farmácia: além da embalagem plástica do líquido e da caixinha de papel, vem também um saquinho plástico. Ou seja, três embalagens !! Supermercados, bancas de jornal, feiras… o saco plástico é agora usado em tudo e para tudo. Uma loucura completa.

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  • 18/08/2009 - 17:37
    Enviado por: Edson

    Diga-me uma coisa, fora do Brasil, onde se joga fora os restos e lixos de banheiro e cozinha? Aqui eu uso as sacolas de mercado/farmácia/etc com esse fim, e às vezes parece que nunca tenho sacolas o suficiente, tanto que às vezes compro sacolas plásticas específicas pra isso.

    Aliás, como voce sugere que se dispense esse tipo de lixo? Na cozinha, um saco de papel fatalmente estragaria com o conteúdo molhado…

    Obrigado,

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  • 18/08/2009 - 22:00
    Enviado por: claudiatrevisan

    Edson, é inevitável colocar lixo em sacos plásticos. Mas entidades ambientalistas estimam que 80% das sacolas são jogadas fora, sem reutilização posterior. Os pequenos sacos plásticos a que me referi acabam não sendo adequeados para o armazenamento de lixo e os dos supermercados não costumam ser grande o bastante para quem tem uma família grande. Não acho que o uso do plástico vá desaparecer, mas defendo que ele seja mais racional e consciente.
    Abraço. Cláudia Trevisan

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  • 21/08/2009 - 01:44
    Enviado por: Claudia Regina

    Nos mercados daqui de Ctba e acredito que em outros da rede no Brasil estão oferecendo desconto para quem não leva as sacolas plásticas. Adivinha quanto?

    3 centavos de desconto para cada 5 itens sem sacola plástica. Vamos falar sério: isso não adianta NADA!

    Pagar pelas sacolas é realmente a melhor solução que já vi, além de usar as de papel em várias ocasiões (como a padaria citada pelo Luiz) e de pano (tem umas que até encaixam no carrinho de compras, um must.

    Mas dar 3 centavos de desconto é algo que definitivamente não pega.

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  • 24/08/2009 - 23:20
    Enviado por: SAMPURNO

    Ocê precisa ver o vento levantar poeira e plástico em grandes redemoinhos pelos quintais e terrenos baldios, ao longo das estepes semi-urbanas nas periferias das cidades brasileiras. É um quadro repetitivo aos nossos olhos já cansados com o cenário diuturnamente alimentado por mais plásticos jogados ao léu.

    Cachorros correndo, crianças brincando, mulheres estendo a roupa, ladroes rondando as casas, bebuns e desocupados procurando butecos pelas esquinas, e… plástico voando junto com partículas enfumaçadas de lixo queimando a céu aberto. São imagens do nosso cotidiano, mesmo que sejam vistas só pela vidraça do carro ou do ônibus metropolitano. Até as chuvas chegarem e tudo virar lama.

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  • 25/08/2009 - 12:58
    Enviado por: claudiatrevisan

    Sampurno, obrigada pela poética descrição dos efeitos do nosso uso desenfreado de sacos plásticos. Cláudia Trevisan

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  • 10/10/2009 - 19:09
    Enviado por: otavio

    …olá, o plástico veio para ficar, é impossivel viver sem ele…

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