Entre as inúmeras sensações que assaltam uma brasileira na China está a profunda frustração com a situação do Brasil quando se compara a infra-estrutura nos dois países. Enquanto o Brasil ficou mergulhado em intermináveis crises econômicas nos anos 80 e 90, os chineses aceleraram a marcha da história e transformaram a paisagem do país, com a construção de estradas, portos, ferrovias e aeroportos.
A China prevê com antecedência as necessidades futuras de sua economia e constrói as obras antes que elas sejam necessárias. Mesmo com o crescimento de 10,6% ao ano nas últimas três décadas, ninguém fala em gargalo de “infra-estrutura”, que está entre as grandes ameaças a uma expansão significativa e sustentável do PIB brasileiro. Na China não há caos aéreo ou congestionamento de caminhões em portos. Pequim inaugurou no início do ano o maior aeroporto do mundo e antes mesmo que ele começasse a operar, anunciou que construirá um novo terminal até 2012.
Anteontem eu viajei a Xangai e desci no aeroporto de Pudong, uma região que não existia antes de 1990 e hoje tem uma população de 1,6 milhão de pessoas e é o centro financeiro da China. Do aeroporto, embarquei no Maglev, o trem de alta velocidade que percorre 30 km em oito minutos. Entre os mais rápidos trens do mundo, o Maglev é movido por impulso eletro-magnético e atinge a velocidade de 431 km/h. O trajeto entre o aeroporto e uma estação de metro de Pudong sai pelo equivalente a R$ 12,50.
Nos oito minutos de viagem, pensava de maneira recorrente no antiqüíssimo projeto de ligação do aeroporto de Cumbica a São Paulo de trem, que nunca sai do papel, e na crônica incapacidade do Brasil de se preparar para o futuro.
Aí vão as fotos do Maglev, construído com tecnologia alemã:
Plataforma do Maglev no aeroporto de Pudong
Passageiros do Maglev
Velocímetro em uma das cabines mostra o aumento da velocidade do trem
O trem e o trilho sobre o qual “flutua”
Só não entendo o porquê de tanto assédio aos chineses,sera que o Estadao pretende montar uma filial do grupo dele na China?
Desejo muita sorte e coragem,porque a língua (pra começar) nao é fácil de aprender,e não sáo muitos chineses que sabem falar corretamente o inglês;muito menos o italiano.
(desculpe os erros de digitação,é que ainda estou treinando escrever em teclado AZERTY)
Anna B.
Concordo com o sentimento que vc escreveu sobre a comparação entre a China e o Brasil. Convivo com a mesma situação em Guangzhou. Odeio comparar os dois países, mas as vezes é inevitável, principalmente quando encontramos coisas aqui (na China) bem a frente do Brasil. Isso inclui o sistema de transporte ferroviário, que pode te levar facilmente a várias provinças, as avenidas nas grandes cidades, largas e com grande capacidade, e as pontes (principalmente em Guangzhu, onde moro). Devemos lembrar, no entanto, que na China não eiste consulta pública. Quando um governo ou lobby quer mandar ver numa obra, mandam pra valer, com bom planejamento mas com erros inacreditáveis pra um poder público. Vide o novo porto pra transatlanticos em Shanghai e a ponte que poucos podem passar. Alguns bairros em Beijing onde moravam comunidades simples foram removidos pra dar lugar a uma rua de bares, semelhante ao Jardins em Sao Paulo.
Admiro a maneira como os centros urbanos chineses estão se recuperando do atraso deixado pelo comunismo, porém, deploro a irresponsabilidade para atingir esses fins.
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