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Cláudia Trevisan

08.fevereiro.2009 06:30:35

O Estupro de Nanquim

A guerra contra o Japão é a mais dolorida memória dos chineses do longo período em que seu país foi ocupado e colonizado por potências estrangeiras, a partir de meados do século 19. A lembrança do confronto com o país vizinho e das atrocidades cometidas pelos soldados invasores é mantida acessa em um enorme museu a 16 km do centro de Pequim, o maior do gênero em toda a China. Chamado de Museu da Guerra e da Resistência do Povo Chinês contra os Agressores Japoneses, o local é um centro de “educação patriótica”, visitado por milhares de chineses, incluindo inúmeras crianças em idade escolar.
O museu fica próximo à ponte Marco Polo, em Wanping, uma cidade cercada por uma muralha da dinastia Ming (1368-1644). Construída em 1189, a ponte foi o local da batalha que marcou o início da Segunda Guerra Sino-Japonesa, em 1937 _a primeira ocorreu em 1894 e 1895 e foi vencida pelo Japão. Antes de o confronto começar, as forças de Tóquio já haviam ocupado a maior parte da Manchúria, no nordeste da China, e dominavam a ilha de Taiwan.
Várias outras potências ocidentais, como Inglaterra, Alemanha e França, estabeleceram sistemas coloniais em determinadas regiões da China, nas quais valiam suas próprias leis. Mas a invasão japonesa é que deixou a mais profunda cicatriz na alma dos chineses, em razão das atrocidades que foram cometidas na guerra. O principal símbolo da animosidade entre os dois países é “O Estupro de Nanquim”, que se refere à chegada das tropas japonesas à então capital da China, no dia 13 de dezembro de 1937.
Pelo menos 200 mil chineses foram mortos nas seis semanas seguintes à invasão da capital, muitos dos quais civis indefesos. As autoridades de Pequim sustentam que o número de vítimas fatais chegou a 300 mil. Cerca de 20 mil mulheres foram estupradas e mortas, entre elas crianças com menos de 10 anos de idade. Grupos de centenas de chineses eram reunidos e metralhados pelas tropas invasoras. Vários outros foram decapitados com espadas em “competições” realizadas por oficiais japoneses
A guerra continuou pelos próximos anos e só chegou ao fim com a derrota do Japão na 2ª Guerra Mundial, em 1945. A memória desses fatos alimenta inúmeros grupos que até hoje boicotam produtos japoneses e é fonte de um profundo rancor, que continua vivo mesmo entre os mais jovens.
A seguir, algumas das fotos expostas no museu. Alerto que muitas delas são chocantes.

Criança chinesa é apresentada a alguns dos heróis da resistência contra os japoneses. No alto, à esquerda, está Mao Tsé-tung

Imagens das vítimas da guerra

Prisioneiros de guerra mantidos pelos japoneses em estado famélico

comentários (12) | comente

12 Comentários Comente também
  • 08/02/2009 - 22:23
    Enviado por: Delminha

    Cláudia,

    “Vários outros foram decapitados com espadas em “competições” realizadas por oficiais chineses.”

    Oficiais chineses? Não seriam oficiais japoneses?

    Naturalmente que não precisa publicar esta minha observação. É só consertar a frase.

    Delminha

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  • 08/02/2009 - 23:11
    Enviado por: claudiatrevisan

    Delminha, obrigada pelo alerta. Já fiz a correção.
    Cláudia Trevisan

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  • 10/02/2009 - 19:17
    Enviado por: wanderley

    morei por 2 anos na China sei bem o que é esse rancor chinês..creio que vc que está agora por ai tem uma ótima experiência de como é ser chinesa…parabéns por mostrar o retrato da China atual…adoro seu blog…

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  • 03/03/2009 - 17:48
    Enviado por: Hélio

    Um fato relevante é que existem historiadores que sustentam que a responsabilidade do “Estupro em Nanjing” foi de membro da família real japonesa no comando das tropas de ocupação.

    No Japão, apesar da existência de pequenos grupos que defenderem um pedido de desculpas, nunca houve sequer o reconhecimento oficial de tal massacre (alegam um numero infinitamente menor), quanto mais um pedido de desculpas. Pior: os generais da invasão tanto à China como à Koreia são venerados como heróis de guerra no Japão. Há pouco tempo atrás, o ex-premier Koizumi rendeu homenagem a eles, enquanto exercia o posto máximo da nação…

    Essa arrogância é uma das coisas que me causam vergonha por descender de japoneses. O esforço em esconder tais fatos, é outra. A burrice, por se tratar do maior mercado comercial emergente, vizinho, e com grande possibilidade de vir a ser a próxima potência mundial, outra.

    Eu já gostava do seu blog, agora que tráz assuntos tão distantes do Brasil, sigo lendo, ainda mais interessado.

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  • 04/03/2009 - 05:34
    Enviado por: claudiatrevisan

    Hélio, obrigada pelas informações adicionais. A recusa do Japão em reconhecer os crimes de guerra e as visitas do ex-primeiro-ministro Koizumi ao santuário que homenageia os criminosos de guerra geram reações violentíssimas na China. A ferida provocada pela passagem do Japão por aqui ainda está aberta e vai exigir empenho de ambos os lados para cicratizar. Cláudia Trevisan

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  • 07/03/2009 - 16:52
    Enviado por: Hélio

    Obrigado a você: Seu blog é uma das boas formas de reverter o nosso desconhecimento sobre a China. Sobre o assunto, já leu o livro “The Rape of Nanking” de Iris Chang; não é das leituras mais agradáveis, pelo tema, mas informa e ajuda a entender o ressentimento que vc citou.

    Se depender do esforço japonês… Talvez o fato de ser uma ilha, e de terem fechado seus portos no passado, contribuiu para que eles tenham uma cultura em parte xenófoba, partilhando inconscintemente de um senso comum de que o que vem de fora é ruim. Não creio que haja condições ou vontade por parte do Japão. Outro dia mesmo, estavam discutindo na alta cupula política sobre a possibilidade de se construir armamento nuclear… vai ser burro assim… no Japão! Justo eles?! Não é de ficar indignado?!

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  • 17/03/2009 - 09:33
    Enviado por: Simoni Padoin

    Claudia,termino de ler com os olhos marejados,que dificil de absorver a foto do amotoado de bebes mortos!…Mostrei pra Du, a nossa querida ayi , ela fez um silencio triste e se retirou!.
    Gratidao por manter este Blog!.

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  • 17/03/2009 - 09:42
    Enviado por: claudiatrevisan

    Simone, amiga, é difícil não chorar diante das imagens. O triste é saber que este não é o único episódio da história chinesa do século 20 que nos deixa de olhos marejados. Cláudia Trevisan

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  • 29/04/2009 - 13:51
    Enviado por: Paulo

    Deus queira que no futuro os chineses construam também um museu para homenagear as milhões de crianças chinesas assassinadas todos os anos. São crianças de até 9 meses, pois nesse país “comunista” é permitido “abortar” esses seres humanos. As fotos desses abortos mostrariam muito mais crueldade que as fotos da guerra desse museu.

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  • 20/10/2010 - 15:04
    Enviado por: lucia

    vendo tudo isso me deu vontade de chorar, tenho certeza que Deus muito mais, em saber que muitos homens se transformaram em monstros, por que esses jamais são seres humanos.são sim verdadeiros demonios.

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  • 23/03/2011 - 12:14
    Enviado por: mcpc

    A Lei do Karma não perdoará os japoneses.

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