Dezenas de internautas chineses lamentaram nos últimos dias a transferência para a longínqua província de Xinjiang, no extremo oeste do país, de um professor da Universidade de Pequim que no ano passado assinou a “Carta 08″, um documento que desafia o Partido Comunista ao defender profundas reformas democratizantes.
O professor de direito He Weifang foi um dos 300 signatários originais do texto, que depois ganhou a adesão de cerca de 8.000 pessoas online. Apesar de nenhum dos comentários fazer referência à “Carta 08″ _tema absolutamente vetado pela censura_, muitos manifestam a convicção de que a transferência se deu por motivações políticas.
“É triste para toda a sociedade ver isso acontecer na China de hoje, no momento em que a política de reforma e abertura completa 30 anos”, escreveu jing de wei xiao. Outro internauta foi mais dramático: “Como uma pessoa que também trabalha no campo jurídico, eu espero sinceramente que ele volte vivo”, disse miaomiao gonggong.
Divulgada no dia 10 de dezembro, a “Carta 08″ propõe 19 mudanças fundamentais na política chinesa que, se adotadas, representariam o fim do regime comunista. Entre elas, estão eleições diretas, pluripartidarismo, divisão de Poderes e liberdade religiosa, de manifestação, de associação e de expressão.
A reação do governo contra seus signatários começou antes mesmo da divulgação do documento, com a prisão, no dia 8 de dezembro, do dissidente Liu Xiaobo, que continua detido até hoje.
No início de janeiro, o governo tirou do ar o portal bullog.cn, um dos mais populares sites de discussão entre intelectuais chineses, que abrigava blogs de vários signatários da “Carta 08″. Além disso, muitos dos que apoiaram o documento foram chamados pela polícia para prestar “esclarecimentos”.
Em entrevista à Associated Press, o professor He Weifang disse não ter recebido uma justificativa para sua transferência e evitou afirmar que ela está relacionada a seu apoio ao documento. Não é raro que professores das grandes universidades de Pequim passem temporadas em instituições de províncias distantes.
O momento atual é especialmente sensível para o governo chinês em razão da proximidade do aniversário de 20 anos do massacre da praça da Paz Celestial. No dia 4 de junho de 1989, tanques do Exército de Libertação Popular colocaram fim a dois meses de protestos de estudantes por reformas democráticas, deixando um saldo de 1.000 mortos, na avaliação da Anistia Internacional.
…respeito os direitos do povo chines que quer continuar sendo submisso ao regime…
também tem o direito de colocar na praça o nome de Paz Celestial…
…mas, aonde eles pretendem viver depois da morte?
2012
2011
2010
2009
2008
Deixe um comentário: