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Cláudia Trevisan

21.fevereiro.2010 06:59:14

O Brasil e o desafio chinês

O Brasil precisa desenvolver uma estratégia de relacionamento com a China, se não quiser se tornar uma neocolonia cujo papel é fornecer as matérias-primas que o país asiático demanda com voracidade crescente. O alerta foi feito em entrevista que realizei com o especialista em China David Shambaugh, da George Washington University, publicada hoje no Estadão.

A China representa de longe o maior desafio para o futuro econômico do Brasil e requer uma estratégia não apenas para a relação bilateral, mas para nossa inserção global. No sábado, o Estadão publicou reportagem do correspondente em Genebra, Jamil Chade, sobre as recomendações de um grupo de economistas liderados por Joseph Stiglitz para os países em desenvolvimento que têm aspiração de um dia se tornarem desenvolvidos. 

O conselho é óbvio: a agricultura e a exploração de recursos naturais não vão provocar essa mudança. É só pensar no tipo de emprego que esses setores oferecem e no perfil de trabalhadores que demandam. A recomendação do grupo é a de que os países em desenvolvimento invistam em tecnologia e busquem espaços nos quais possam competir com a China.

Isso não significa que o Brasil deixará de exportar produtos agrícolas, minério de ferro e petróleo, áreas nas quais é competitivo. Mas o risco é que o sucesso nessas áreas acabe enfraquecendo a indústria nacional e comprometendo esforços no desenvolvimento de outros setores. Afinal, a China foi o principal destino das exportações brasileiras no ano passado. Reclamar por quê? O fato é que 73% dos US$ 20,2 bilhões que o Brasil vendeu aos chineses no ano passado eram representados por três produtos: minério de ferro, soja e petróleo.

O grupo liderado por Stiglitz , prêmio Nobel de Economia, concluiu que o Brasil precisa de mais “Embraers”, empresas nacionais de alta tecnologia capazes de competir globalmente. A questão é como fazer isso. Há uma antiga discussão sobre o tipo de política industrial que o Brasil deveria adotar e que opõe incentivos horizontais, para todos os setores, ou específicos para segmentos escolhidos como prioritários. A crítica à eleição de determinados segmentos é a de que o Estado estará escolhendo os “vencedores” e, no fim, beneficiando determinadas empresas em detrimento de outras.

Apesar das objeções, me parece cada vez mais inescapável a aposta em certos segmentos que o país considera estratégicos. Também é relevante o empenho no desenvolvimento de companhias genuinamente nacionais, que tenham capacidade de competir globalmente.

A China tem uma estratégica clara de inserção global e tem sido extremamente agressiva na defesa das empresas nacionais que o Estado considera “campeãs” _que são as apostas para a projeção econômica global do país. Além disso, Pequim mudou as regras de atração de investimento estrangeiro direto e deixou de conceder incentivos para os destinados à manufatura barata, como roupas, brinquedos e calçados. Desde 2006, o alvo dos incentivos são inventimentos em alta tecnologia. Com isso, a China quer subir na escala de valor agregado.

Na América Latina, um dos poucos países que não exporta commodities para a China é a Costa Rica, que em 1996 conseguiu atrair um investimento de US$ 300 milhões da fabricante de chips Intel _que quase instalou essa fábrica no Brasil. Hoje a Costa Rica vende chips para a China e tem superávit no comércio com o país asiático.

Talvez o Brasil tenha algo a aprender com a própria estratégia chinesa de planejamento de longo prazo, escolhas estratégicas e defesa de seus interesses nacionais.

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49 Comentários Comente também
  • 21/02/2010 - 08:16
    Enviado por: Fey

    É um fato elementar que líderes políticos Brasileiros e eleitores fanáticos teimam em não enxergar: investimento estratégico em alta tecnologia ao invés de depender apenas em commodities.

    O Brasil deve aprender com a China e este aprendeu com os japoneses da década de 50, emulando as mesmas estratégias de investimento. Embora de início isso sacrifique muitas indústrias em detrimento das mais promissoras, a longo prazo, isso pode dar ao país uma base financeira e política decente para outras levas de investimentos posteriores.

    Para essa política dar certo, é preciso um planejamento de longo prazo que se extenda mais de 20 anos, uma estrutura de parceria ministerial com empresas privadas e instituições acadêmicas, para repartir tarefas e organizar as pesquisas básicas (que dão frutos num futuro distante) e aplicadas (frutos imediatos) com compromisso. A própria Embraer é um exemplo mais aproximado dessa política, pois a sua origem vem do CTA – Centro Tecnológico Aeronáutico- que por si só já incorporava o ITA e embora as suas origens sejam humildes construindo aviões licenciados dos EUA e tenha gerado alguns prejuízos a o Estado, a sua pesquisa básica e aplicada foi ganhando volume atravéz da experiência, e o seu sucesso definitivo chegou quando foi complementado com investimentos e administração privada responsável apartir de 1994.

    O Japão pós-segunda guerra ampliou essa filosofia em mais setores. De início investiram em pesquisas aplicadas nas indústrias automobilísticas, eletronicas, civil, e transporte ferroviário para alcançar os americanos. Com isso a indústria têxtil por exemplo, ficaram um pouco desamparadas a sobreviver por conta própria, mas o seu foco está voltando agora junto com uma segunda onda de investimentos em tecnologias mais sofisticadas como computação, aeroespacial, e comunicação digital. Tudo em seu tempo, analizado pelos tecnólogos especialistas a mais de 20 anos atrás.

    Mas para tudo isso acontecer como um script de filme, é preciso ter instituições fortes que defendam os interesses desses planos de forma digna, e não sucateados pela corrupção e ignorância, largados em um canto do planalto como se fosse um setor de enfeite.

    Como anda o nosso ministério da ciência e tecnologia (MCT)? Como anda os nossos conselhos regionais de engenharia? E como será que anda as nossas universidades que tem profissionais lutando por migalhas de patrocínio pra dar continuidade a pesquisas onde o Brasil tem enorme potencial pra liderar como bio-plásticos, bio-combustíveis, medicamentos e cosméticos apartir de plantas nativas, etc?

    A nossa situação está resumida num post do Herton Escobar, o nosso investimento em todo MCT é de R$7,6 bilhões, oque parece muito se olhar o valor nominal, mas na verdade ela não representa nem 0,3% do PIB a dois anos atrás e a população não está interessada em algo que não gere um pão imediato. Já o Taiwan/China investe mais de 1,5% do seu enorme PIB e tem um dos maiores índices de formados em engenharia, ciência e tecnologia. A diferença vai ser gritante em algumas décadas se continuar assim.

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    • 21/02/2010 - 15:07
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Fey, seu comentário é ótimo, como sempre. Uma das coisas que mais me espanta no Brasil é o fato de haver um número muito maior de estudantes que fazem vestibular para Jornalismo do que para Engenharia. É o retrato de anos de crescimento medíocre, do baixo investimento em ciência e tecnologia e da ausência de uma estratégia de longo prazo.

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    • 21/02/2010 - 15:37
      Enviado por: Fey

      Cláudia,

      Eu que agradeço por:

      1-Colocar um tema tão oportuno em que posso expressar minha opinião.

      2-Deixar postar tamanho comentário.

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    • 21/02/2010 - 17:32
      Enviado por: Eduardo de Campos Valadares

      Durante o World Engineers Convention (WEC 2008), realizado em Brasília, apresentei ao presidente da academia chinesa de inteligência artificial, que deu uma palestra sobre a sociedade do conhecimento e o papel da educação na mesma, algumas iniciativas que desenvolvemos em caráter piloto na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) voltadas para fomentar uma cultura de inovação no ensino médio e nos cursos de graduação de exatas. A China, assim como a Índia, forma um enorme contingente de engenheiros. Todavia, existe uma grande disparidade entre a formação acadêmica da maioria destes profissionais recém-egressos das universidades e as demandas de mercado. A reação do professor chinês sobre os resultados que alcançamos em condições precárias (premiações, primeiro pedido de patentes realizado por calouros, etc) e a publicação do livro de projetos de baixo custo “Física mais que divertida (Ed. UFMG) em português , alemão, inglês, basco e turco (a ser publicado pela Tubitak,editora do Conselho Nacional de Pesquisas da Turquia)foi a seguinte:” É disso que precisamos na China. Você gostaria de visitar Pequim?” Sim, temos condições de dar um salto qualitativo em termos de educação no Brasil. Precisamos apenas de líderes visionários com a determinação de implementar as mudanças necessárias. Neste meio tempo, estamos avançando graças aos resultados já alcançados.

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  • 21/02/2010 - 16:28
    Enviado por: Paulo Kev

    Nesta Ex_Republica de Bananas, vamos nos tornar um país satélite da nova onda mundial CAPIMUNISTA, com o Estado Forte em incompetência inaugurado ontem no Centro de Convenções de Brasília. Fora vermelhos ladões…

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  • 21/02/2010 - 16:29
    Enviado por: Glúon

    ___________________

    Exportações – China
    ___________________

    Soja (grãos, óleo e farelo)
    Produtos Minerais
    Papel e Celulose
    Produtos Metalúrgicos
    Aviões
    ‘Escrava Isaura’

    ____________________________________________________

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    • 22/02/2010 - 00:47
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Pois é Glúon, nem isso. Já foi-se o tempo em que a Escrava Isaura era sucesso na China. Os jovens de hoje não tem a menor ideia do que é novela brasileira.

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  • 21/02/2010 - 16:57
    Enviado por: Flavio Miranda

    Primeiro, agradeço a Fey pelo comentário feito com grande precisão. Quanto a necessidade desde Brasil de interminável futuro, é hora do agora.
    Para isso, os nossos políticos e governantes devem criar um novo sistema de ensino médio, pois desde os anos 70, o nossos jovens não tem oportunidade de ter uma educação de qualidade. Pois os 12 anos que as nossas escolas oferecem para os brasileiros (sem precisar classifica-los por raça ou classe social), é de baixa qualidade,e não estimula o estudante a querer pensar…criar um futuro possível para muitos e não para poucos.
    Fico triste em ver que os jovens brasileiros enfrentam muitas barreiras para um dia ter o direito de ser um cidadão produtivo.

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  • 21/02/2010 - 17:06
    Enviado por: Marcelo

    Me lembro dos meus tempos de escola, lá pelos anos 80, quando me disseram que na década de 50 o Brasil exportava mais que o Japao, só que a nossa exportacao era baseada quase que exclusivamente no café. Enquanto o National Kid destribuía radinhos de pilha (leia-se produto com maior valor agregado) no final dos seus episódios, nós insistimos em exportar café, inclusive havia até um raminho da planta na camisa da selecao nacional de futebol, acima do emblema da CBD, lembram-se disso?. Vejam quem foi pra frente e quem ficou pra trás. E nao aprendemos (quase) nada.

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    • 22/02/2010 - 00:51
      Enviado por: Claudia Trevisan

      O mais absurdo é que continuamos a exportar o café em grão e países como a Alemanha e a Itália, que não são produtores, é que exportam café em pó de primeira linha, com marcas conhecidas mundialmente.

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  • 21/02/2010 - 17:37
    Enviado por: Eduardo de Campos Valadares

    O interessante é que estamos exportando tecnologia educacional para inspirar futuros engenheiros para a sociedade do conhecimento. E aqui? Temos que ter uma atitude pró-ativa.

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  • 21/02/2010 - 17:38
    Enviado por: Adriana Jones

    Aticar os jovens a se ineressar por ciencias e tecnologia.

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  • 21/02/2010 - 17:42
    Enviado por: Eduardo de Campos Valadares

    Isso não é difícil. A garotada de hoje é muito receptiva. Isso ficou super-evidente durante uma oficina de projetos que organizamos durante o carnaval em BH, no âmbito do Festival de Verão promovido pela UFMG e a BH-Tur (a cidade não tem um carnaval tão proeminente como Rio, São Paulo, Salvador e Recife). Começamos com projetos simples e terminamos montando robôs de baixo custo. Criatividade, inovação e realizações são resultado de um processo que começa na infância.

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  • 21/02/2010 - 17:54
    Enviado por: Nagato Nakashima

    Governo lula já criou com o Decreto 5741 e emenda ao estatuto da Micro Empresa ou MEI instrumentos legais para incentivar estrutura próxima da China mas os burocratas não enxergam a profundidade desses instrumentos. Repare só um detalhe Brasil manda o couro Wet blue o mais primário da cadeia produtiva do couro com valor agregado e importa calçado da china mais barato do que a produção nacional; se pegar esse couro e agregar valor com o modelo da China através MEI pode até criar 120.000 micro indústria ou MEI, 600.000 postos de trabalhos diretos e indiretos e competir quase em condições de igualdade e talvez até exportar. Pensem nisto é o Japão a China que entraram no capitalismo mas continuaram com a produção social e familiar, o que no Brasil extinguiu poucos que existiam em todo o seguimento da economia do tempo colonial até a década de 60. Olha as peuquenas usinas de açucar, moinho de trigo, pequenos matadouros, fabriquetas de linguiças, fabriquetas artesanais de artefatos de couro. As grande indústrias de calçados usam os artesães nas suas indústrias para produzir artesanalmente os sapatos.

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    • 21/02/2010 - 19:49
      Enviado por: Burcardo Geller

      Nagato, o governo Lula só faz no papel e na propaganda, na prática não há incentivo para nada, não se faz nada, o PAC é uma farsa eleitoreira, no final ele ainda vai falar que não sabia de nada, que não viu nada. Acredite.

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    • 21/02/2010 - 22:54
      Enviado por: Nego Véio

      O principal “custo Brasil” se chama INSS. Uma pequena empresa optante do Simples paga cerca de 5% do seu faturamento BRUTO para o INSS e outras contribuições sociais (PIS/COFINS). Some-se a isso os 20% de INSS sobre a folha de pagamento, mais os 8% a 12% descontados do holerite do funcionário.
      Mesmo com toda essa carga tributária, a previdência ainda tem um rombo anual de R$ 45 bi, que é tapado com o dinheiro dos outros impostos (IPI, IR, etc).
      Ou seja, no fim das contas o INSS custa 15% do preço final dos produtos.
      Aí o Sr. Lula manda o BNDES fazer um estudo para descobrir porque o minério de ferro sai do Brasil, atravessa o mundo, vira aço na China, atravessa o mundo de novo, e chega aqui mais barato que o aço brasileiro. Será que precisa ser muito inteligente para descobrir?

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    • 22/02/2010 - 00:56
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Além de exportar o couro wet blue, o Brasil “transferiu tecnologia” de produção de calçados para a China. A maior comunidade de brasileiros na China está na cidade de Dongguan, no sul, onde se concentra a indústria de calçado do país. São técnicos com anos de experiência e formados no Senai, que foram contratados para treinar os chineses e dirigir fábricas de sapatos de couro no país. A maioria trabalhava no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, e perdeu seus empregos com o fechamento e transferência de fábricas do Brasil para a China.

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  • 21/02/2010 - 18:04
    Enviado por: André

    Queria acrescentar meu ponto de vista ao comentário da Claudia sobre os estudantes de jornalismo.

    De fato, existe uma diferença considerável entre a quantidade de jovens que buscam o jornalismo como formação universitária e que procuram formação de ciência e tecnologia.

    Acredito que essa é a maneira que os estudantes de hoje pensam sobre as profissões do futuro. Muitos destes vislumbram cursos de comunicação por acreditarem que são mais fáceis durante os 4 anos de faculdade. Mas a verdade é que comunicação no Brasil virou sinônimo de curso para pessoas desinteressadas e sem paixão(com as exceções) e transformou-se numa muleta para aqueles que não sabem o que querem da vida. Optam por eles porque não é necessário o mesmo investimento intelectual para a compreensão do curso.
    O fato é a quantidade de profissionais medíocres que se formam anualmente, sem falar que os cursos mais concorridos em grande parte das universidades Brasil a fora são os de comunicação.

    Como resolver isso é difícil, mas um passo certo é algo próximo ao que o leitor Flavio Miranda comentou. Uma mudança drástica no ensino médio.

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  • 21/02/2010 - 19:04
    Enviado por: Fey

    Caros colegas comentaristas:

    Ainda bem que temos algumas pessoas preocupadas com esse assunto no nosso país! É importante destacar a falta de ingresso de alunos do ensino médio para faculdades de Tecnologia, Ciência e Engenharia.

    Mas gostaria de reforçar o meu ponto também que para termos mais profissionais nessas áreas, é preciso uma pressão ‘de baixo’ com reestruturação do ensino, e ‘de cima’ também, com um planejamento estratégico de desenvolvimento tecnológico a longo prazo.

    Um outro exemplo que observo é os EUA que tem sido pioneiros em inúmeras áreas a meio século. Nos anos 50 e 60 quase todo jovem americano queria ser um engenheiro nuclear ou aeroespacial, pois havia uma ‘demanda’ gerada durante a guerra fria. Hoje o país desfruta com exportações de caças, royalties, aviões comerciais, satélites, entre outros.
    Atualmente os americanos estão criando uma ‘nova demanda’ para profissionais que tem conhecimento em “tecnologias verdes” graças a um novo governo e um setor privado mais preocupado em pegar o bonde da sustentabilidade mesmo atrasado. O resultado é um número bem maior de estudantes querendo ser engenheiros do meio-ambiente e energia neste exato momento.

    Em ambos os casos reuniu-se ou está reunindo os três fatores necessários:
    1.Um programa de longo prazo de investimento estratégico liderado por autarquias competentes para priorizar certas pesquisas e auxiliar empresas e universidades no campo burocrático.
    2.Empresas privadas em harmonia com as autarquias para conduzir pesquisa aplicada e capital para complementar o patrocínio do Estado à universidades.
    3.Universidades dispostas a serem cobradas resultados de pesquisas básicas para os setores de interesse estipulados pelas duas entidades acima.

    Existe também o ‘fator audácia’ que vai de contra o ‘fator risco’ que muitos investidores temem. A Embraer, a Vale, a Petrobrás e muitas outras empresas do gênero não geraram lucros des do dia um. Muitos até trouxeram prejuízo inicial.

    Para criar tecnolgia própria, é preciso um pacto para dividir os riscos e lucros com todos os indivíduos envolvidos de maneira bem sintonizada para assim atingir o objetivo final. E este é talvez o maior desafio do Brasil onde não confiamos ou não podemos confiar no próximo.

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    • 22/02/2010 - 01:11
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Fey, acredito que existe no Brasil uma resistência ideológica à colaboração entre universidades e empresas privadas, que foi fundamental para o avanço da inovação nos Estados Unidos e nos tigres asiáticos.

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    • 22/02/2010 - 16:43
      Enviado por: Fey

      Cláudia,

      Não saberia dizer com toda certeza se a mentalidade ideológica é o maior entrave no nosso caso. Sim existe sem dúvida muito idealismo observando muitos dos nossos acadêmicos que geralmente se apoiam em glórias passadas, mas tenho a impressão de que professores e estudantes do ramo de Exatas tendem a ser mais abertos por essa parceria. O maior problema mesmo, creio que é a falta de confiança.

      Os empresários podem estar temendo em:
      - investir numa pesquisa que difícilmente trará resultados úteis.
      - não encontrar retorno a tempo com universidades que vivem fazendo greves.

      Os professores pesquisadores podem temer:
      - serem aproveitados pelas empresas sem nenhum retorno ou reconhecimento a os seus laboratórios e estudantes.
      - terem a verba desviada pelos reitores da universidades para outros departamentos ou pior, interesses próprios.

      O MCT, CREA, entre outras entidades podem temer em:
      - apoiar uma parceria ou plano que pode não dar certo e ser alvo de críticas do povo.
      - não ver a continuidade de um projeto específico com mudança de governo, presidente, ou fatores financeiros.

      É preciso reverter toda essa mentalidade e ‘fazer funcionar’ o sistema. Essas dúvidas estavam presentes para os americanos, europeus, japoneses entre outros povos, mas eles souberam dividir os riscos, a tarefa e os benefícios atravéz de contratos, leis ou em alguns casos mais específicos com os orientais, votos de confiança.

      Existe um certo equívoco em achar que empresas americanas simplesmente despejam dinheiro a universidades e esperam retorno. Oque existe é uma parceria em cima de contrato em que ambas as partes devem se encontrar mensalmente, onde a empresa traz profissionais veteranos para aconselhar e ensinar os estudantes, e a universidade traz a pesquisa que a empresa não tem tempo para fazer por se tratar de um projeto para um futuro distante. Certificando pra que não haja problemas no campo legal e burocrático estão os orgãos governamentais e apoiando por vezes com incentivos fiscais para atrair ou criar mais empresas do ramo ao seu país, estado, cidade.

      Oque nasce disso não é apenas troca de informação mas é o primeiro passo para incubação de novos negócios como ocorreu no MediaLab do MIT.

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  • 21/02/2010 - 20:04
    Enviado por: Linneus

    O tema é atual e importante,a nossa dependencia agora Chinesa é reflexo de nossa visão míope de mercado, é uma visão de estado que pensa em gigantescas empresas se possíveis estatais para poder acomodar seus lacaios ideológicos, a China mostra como conciliar capitalismo agressivo e bem sucedido com planificação socialista. O objetivo Chines é claro vencer o Ocidente sem dar um tiro, usando as armas do capitalismo Ocidental de maneira sistemática, organizada e disciplinada e com comando.
    Em uma sociedade altamente hierarquica e com 1350 milhoes de seres humanos, a cadeia de comando Chinesa vai aos poucos se modernizando e tendo um controle social que se não houvesse aquela sociedade confunciana não teria o sucesso que tem tido.
    A Guarda Revolucionária aos poucos vai se extinguindo e transformando a China na experiencia social mais espantosa nos ultimos 200 anos.
    Quem viver verá essa marcha batida para o controle economico mundial e sua projeção geopolitica.

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    • 21/02/2010 - 22:46
      Enviado por: Paulo Kev

      Esta questão que vc levantou está dando idéias aos tupiniquins; pois querem implantar aqui a mesma arte do Estado Forte, ou seja, vc trabalha como escravo eles do PARTIDÃO ficarão com a grana… Aplicam num fundo ( de araque soberano, de preferência abaixo do pré-sal) assim ninguem achará nada quando forem apeados do Governo por bem ou mal!

      PS: O Comércio é a maneira mais civilizada das interações humanas; portanto colocar ideologia só dará problemas!

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  • 21/02/2010 - 20:16
    Enviado por: Toto

    Pois é.

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  • 21/02/2010 - 20:56
    Enviado por: Steve Baccarah

    O Brasil tem excelentes diplomatas mas, infelizmente, o governo petista de LULLA nao!

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  • 21/02/2010 - 21:35
    Enviado por: Uber

    O Brasil tem de perder essa sina de ser a quitanda do mundo!

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  • 21/02/2010 - 22:10
    Enviado por: Dimas Martins das Neves

    _Os Estados Unidos, depois da catástrofe econômica de 1929, onde os americanos ficaram pobres da noite para o dia, começou a importar cabeças pensantes, principalmente cientistas, tecnólogos e empreendedores.
    _A china, o pouco que conheço da sua história, me dá uma idéia de um país que está atraindo empresas transnacionais que já têm o seu produto idealizado e que para reduzir custos, preferem produzi-lo lá na china, onde o valor da mão de obra é muito baixo.
    _Eu gostaria de saber, entretanto, dos trabalhadores chineses, como eles vivem com baixos salários, da sua jornada de trabalho, do seu fim de semana, enfim da sua família.
    _Parece que a china quer, a todo custo, mesmo que tiver de “importar” empresas de outras nacionalidades para produzir, produtos concebidos e elaborados com tecnologia de fora, ser, assim, uma potência econômica.
    _Então eu pergunto: Onde estão os investimentos do governo chinês para a ciência e tecnologia daquele país?
    _Hoje, quando vou ao mercado e deparo com um produto de alta tecnologia na prateleira, ainda que seja, por exemplo, da marca japonesa, e confiro a sua procedência, qual a minha não mais surpresa, está lá escrito: Made in China. E isso vale para produtos eletrônicos até ursinho de pelúcia.
    _Ah! tem mais, se um dia for viajar de avião com a marca – Embraer – não se espante, se ao passar por baixo dele, ver inscrito em sua barriga, ainda que em letras miudinhas a frase: Made in China.

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    • 22/02/2010 - 01:32
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Dimas, a China virou a “fábrica do mundo” graças a um pacote que incluiu mão-de-obra barata, incentivos para atração de investimentos estrangeiros, ótima infraestrutura e um câmbio controlado. Grande parte das grande empresas de tecnologia mundiais terceirizam sua produção para fábricas na China. Os iPhones da Apple saem de linhas de montagem da província de Guangdong, no sul do país.
      Mas os dirigentes chineses querem ter suas próprias empresas e marcas de alta tecnologia e investem pesado em pesquisa e desenvolvimento. Já há alguns casos de sucesso, como a fabricante de equipamentos de telecomunicação Huawei, que no ano passado ultrapassou a Alcatel Lucent e se tornou a terceira maior empresa mundial do setor. Eles querem fazer a mesma coisa com automóveis, computadores, aviões, celulares…
      A China também exige das empresas que investem em determinados setores que se associem a parceiros locais, o que acaba gerando alguma forma de transferência de tecnologia. Em vários casos, a transferência de tecnologia é o pedágio que o investidor estrangeiro tem que pagar para entrar no país. Muitos acabam aceitando, porque não querem estar fora do enorme mercado chinês.
      Não podemos esquecer também que os chineses copiem descaradamente produtos estrangeiros e que a pirataria é institucionalizada no país. Essa também é uma forma de aprendizado.
      Quanto à situação dos trabalhadores, a maioria trabalha longas jornadas, com pouquíssimas folgas e salários baixos. Essa é a regra na construção civil e nas fábricas.

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    • 22/02/2010 - 09:22
      Enviado por: Dimas Martins das Neves

      _Cláudia é lamentável a forma truculenta que o governo chinês utiliza para aprender a trabalhar.
      _Como você disse a transferência de tecnologia é o pedágio que os investidores de fora têm de pagar para estar no mercado chinês.
      _Então, faço aqui um alerta às empresas estrangeiras, que ávidas por lucros a curto prazo, preferem transferir sua tecnologia: Preparem-se para no futuro, não muito distante, enfrentar um monstro concorrente que estão alimentando.
      _Parece que estou dramatizando a história, mas é o que estou enxergando na minha simples visão.

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  • 21/02/2010 - 22:34
    Enviado por: Paulo Kev

    Parabéns Sr. Dimas Martins das Neves
    Esta questão que vc levantou pode derrubar o nosso “Desgoverno” pois querem implantar aqui a mesma arte do EStado Forte, ou seja, vc trabalha como escravo eles do PARTIDÃO ficam com a grana… Aplicam num fundo ( de araque soberano, de preferência abaixo do pré-sal) assim ninguem achará nada quando forem apeados do Governo por bem ou mal!

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  • 21/02/2010 - 23:35
    Enviado por: Marcio

    Oi Claudia,
    O que mais me impressiona é que sempre que alguém toca nesse assunto, 100% das pessoas concorda.
    Somos ou somos uma democracia? Como pode todos concordarem com a direção a ser seguida e estarmos indo pro outro lado?
    Se tem algo errado, então a culpa é de quem está no poder. E pasmem! Esse alguém não é o Lula nem o FHC. Em uma democracia, esse alguém é o povo. O presidente é um assalariado, que trabalha para fazer a parte dele.

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    • 22/02/2010 - 01:34
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Pois é, Marcio, é o enigma brasileiro. Nós discutimos os mesmos problemas há mais de uma década: precária infraestrutura, alto custo Brasil, falta de estratégia de desenvolvimento etc. Precisamos resolver esses e enfrentar novos problemas.

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  • 21/02/2010 - 23:39
    Enviado por: Mané

    A política cambial chinesa provoca este enorme desequilíbrio, não só com o Brasil mas com todo o mundo; em algum momento o mundo vai ter que retaliar a China, e acho mesmo que o Brasil devia colocar barreiras aos produtos chineses, pois nós não dependemos deles, mas eles dependem do Brasil. Além do cambio, o custo Brasil é uma enorme barreira. Creio ainda que outro problema sério é a zona franca de Manaus, que liquida a indústria brasileira em detrimento de maquiagens; conheci uma fábrica que produzia quase todo o aparelho de microondas e o enviava para Manaus para montagem. E este bobo que nos governa ainda reconheceu a China como economia de mercado.

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  • 22/02/2010 - 02:18
    Enviado por: Riccardo(California,USA)

    Na lista das 200 melhores universidades do mundo o Brasil nao tem nenhuma.

    Se tivesse a autora deste artigo provavelmente entenderia o que e o “Principle of Comparative Advantage”.

    Tambem saberia que a agro industria hoje e HIGH TECH.

    O que o Brasil precisa de investir hoje e na area de transportes principalmente em ferrovias e hidrovias para abaixar os custos de producao.

    Para pensar que o governo vai saber quais serao as industrias do futuro e o cumulo.

    Realmente precisamos investir na educacao.

    abs

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    • 22/02/2010 - 02:49
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Ricardo, parte da nossa agroindústria é high tech, você tem razão. Mas só ela não é a saída para o desenvolvimento do país. Precisamos disso e muito mais. Não sei se o governo saberá quais serão as indústrias do futuro, mas acredito que o país precisa ter uma estratégia de desenvolvimento, que contemple o desenvolvimento de tecnologias e fortes empresas nacionais.

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  • 22/02/2010 - 02:36
    Enviado por: Riccardo(California,USA)

    Marcia,

    Para melhor esclarescer o meu post anterior.

    O individualismo e o que traz inovacoes.

    E a nossa mentalidade Brasileira que o governo tem que achar o caminho e o que deixa o nosso pais para tras.

    abs

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    • 22/02/2010 - 04:46
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Ricardo, meu nome é Cláudia.
      Em relação a seu comentário anterior, acredito que há uma falsa fantasia de que o Estado norte-americano é ausente e que o desenvolvimento do país se deve unicamente às forças de mercado. De imediato me ocorrem alguns exemplos que contrariam essa ideia e a menção a eles não implica concordância com seu teor:
      1) Washington proíbe que empresas norte-americanas exportem para a China equipamentos de alta tecnologia que possam ter alguma aplicação militar. A medida é bastante ampla e atinge uma série de produtos não explicitamente vinculados à indústria bélica.
      2) Em 2005, a China desisitu de comprar a empresa de petróleo norte-americana Unocal em razão da enorme reação à venda do que o Congresso considerou um ativo estratégico, apesar de a Unocal ser privada.
      3) Os Estados Unidos subsidiam seus produtores de etanol de milho, o que dificulta a entrada no país do etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil, que é muito mais competitivo que o norte-americano.
      O fato é que os Estados Unidos têm uma estratégia de desenvolvimento e inserção global e refletem sobre ela constantemente em seus inúmeros think tanks, universidades, Congresso, ONGs e órgãos governamentais. Se você ainda não leu, sugiro que leia o “Project 2025″, do National Intelligence Council, que apresenta projeções para o desenvolvimento global dos próximos 15 anos e elenca os desafios que os Estados Unidos terão que enfrentar:
      http://www.dni.gov/nic/NIC_2025_project.html

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  • 22/02/2010 - 04:42
    Enviado por: Eternal-et

    Brilhante o comentario de FEY, precisamos pensar no pais que queremos amanha. Precisamos parar de pensar em tirar vantagem de tudo e, investir em educaçao, saude, transporte, tecnologia,etc. A naçao do norte tem a mesma idade do Brasil, populaçao um pouco maior, mas colonizada por gente que pensou no pais e nao somente no proprio bolso.O resultado e o que vemos hoje, uma economia 8 vezes maior que a nossa. E ainda estamos pensando em colocar a Dilma como presidente!!!Socorro!!!!!

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  • 22/02/2010 - 05:04
    Enviado por: Eternal-et

    Para Claudia Trevisan… nosso pais precisa voltar os olhos para o sudeste asiatico, e,ver como aqueles paises estao crescendo mesmo tendo como vizinho a China. Com trabalho e determinaçao ou vamos ficar esperando a Dilma nos entregar a bolsa-familia, bolsa-motel, bolsa-padaria, bolsa-sacolao??? Ja existe um grupo de brasileiros que nao querem o projeto do Trem-bala no Brasil!!! Ja pensou no absurdo?!!!

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  • 22/02/2010 - 05:06
    Enviado por: Eternal-et

    Socorro!!! Querem colocar a Dilma como presidente com direito a reeleiçao!!Esse pais vai virar um imenso INSS com os recursos do pre-sal!!! Socorro!!!

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  • 22/02/2010 - 09:03
    Enviado por: Tetsuo Shimura

    Os sucessivos governos populistas, aqui vale mencionar como os brasileiros gostam desta prática (Pai do Povo, bolsas esmólas, saúde gratuíta…), minaram qualquer iniciativa privada com sua avidez por impostos e tributos. Quem tem hoje mais de 60 anos de idade, se lembra das diversas indústrias eletrônicas que vicejavam em SP e somente uma única conseguiu perpetuar o nome associado a um parceiro japonês – Semp-Toshiba; as demais sucumbiram por falta de tecnologia, ganância de seus proprietários (haras, iates, apartamentos a beira mar…) e à fome constante e crescente dos governos que não se cansam em criar novos tributos, sufocando a tudo e a todos. As universidades possuem em seus laboratórios alguns bilhões de dólares atualizados em equipamentos e facilidades patrocinados por orgãos de “fomento a pesquisa”, entretanto, todos estes recursos são e/ou foram gastos apenas para “massagear” o ego de pesquisadores nas tentativas de publicações de “white papers” e conseguirem ter suas matérias publicadas em algum American Scientific Journal; com rarissimas excessões a pesquisa no Brasil não gera retorno à sociedade.

    Se não estou enganado, o Brasil cessará a produção de lâmpadas incandescentes em 2012 e o comércio deverá apresentar somente as de baixo consumo; temos a GE, Osram e Philips que certamente as produzem na China enquanto no mundo até mesmo estas lâmpadas estão sendo substituídas por LED’s.

    Falou-se em Embraer mas não se falou em seu grau de nacionalização onde, exceto o projeto desenvolvido mediante softwares CAD/CAM importados, mão de obra, energia elétrica e água todo o aviônico restante é importado (decoração interna by BMW) inclusive fios e cabos elétricos.

    Temos “fabricantes” nacionais de computadores, eletrodomésticos, outros eletrônicos que não resistem a inspeção de deficientes visuais pois são assemblados na China e provavelmente até seus manuais de operação são “printed in China”.

    O governo Lula sonha com um Estado forte (tradução: um monte de pelegos puxa-sacos) como era a antiga União Soviética onde o Estado fingia pagar e o funcionário fingia trabalhar. Mantido esta política estaremos fadados a exportação de “commodities” e importadores de produtos acabados. A manutenção do sonho do Brasil desenvolvido os governos vendem à população com eventos como (o Carnaval é um “must”) Copa de Futebol, Olimpíadas, que seguramente serão “replay” do grandioso evento dos Jogos Panamericanos com as instalções caindo pela ações de ventos.

    Seguramente a Claudia Trevisan é testemunha do que é educação escolar na China, Japão e Coreia. Não serão com escolas cujas aulas duram quando muito três horas e instalações precárias e vandalizadas que se construirão o futuro deste País.

    O resto é mera balela de “intelectuais, governos e formadores de opinião” na base do façam o que falo mas não façam o que faço.

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  • 22/02/2010 - 10:42
    Enviado por: André

    Até onde sei, o exemplo mais claro de como o ensino de base “monta um novo país” é a Coréia do Sul.

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  • 22/02/2010 - 15:46
    Enviado por: Riccardo(California,USA)

    Claudia (nao Marcia,desculpe).

    O NIC (National Intelligence Council) e um “Think Tank” nao government policy e nesse mesmo link que voce me mandou o NIC escreve que existem varios futuros pela frente e a intencao deles nao e de decidir qual e o certo.Mas sim apresentar um papel de possibilidades. Uma das obvias escassezas do futuro proximo e a producao de alimentos e nisso o nosso pais esta bem posicionado.

    E e claro que os Estados Unidos tem industrias e projetos de interesse nacional principalmente na area de defesa e alta tecnologia que nao sao divulgadas a outros paises.Principalmente China.

    a situacao do etanol e politica pura e simples e concordo com voce e besteira (Iowa,o estado que mais produz milho no US tambem e o primeiro caucus das eleicoes presidenciais).

    Na area de educacao concordo com voce plenamente.

    O que estou querendo dizer e que a funcao do governo e criar um ambiente que todos os negocios possam florecer, dai os que fazem mais sentido vao.

    E tambem investir na area de transportes que e um grande beneficio ao todo o pais.Porque abaixa os custos de producao.

    abs

    abs

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  • 22/02/2010 - 16:47
    Enviado por: Riccardo(California,USA)

    O governo nunca sabera quem que vai ser o proximo Bill Gates(microsoft),Steve Jobs (apple),
    Larry Ellison(oracle),Warren Buffett etc…etc…

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  • 22/02/2010 - 22:13
    Enviado por: Riccardo(California,USA)

    …assim como o governo americano nao descobriu o Henry Ford,Harvey Firestone,Thomas Edison,Montgomery Ward,Marshall Fields,George Washington Carver entre outros, os papais da sociedade moderna Americana.

    Claudia obrigado por ouvir a minha perspectiva.

    abs

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  • 23/02/2010 - 00:58
    Enviado por: Eymard

    CLaudia, depois da noite do lancamento do teu livro, na cultura em SP, volto a te encontrar no blog. Sou leitor assiduo, mas nunca comentei. Queria te parabenizar por ele. Segura, como sempre. Leva umas “bordoadas” de alguns comentaristas mas leva na boa. Da a volta por cima e consegue estabelecer um canal de comunicacao. Diversidade. Opinioes Respeito as opinioes diferentes. Gostei tambem de alguns pontos de vista colocados pelo Ricardo. Ele nao deixa de ter razao. Entre a excessiva planificacao/dirigismo do Estado e a sua completa ausencia (os que dizem que o nosso estado ‘e excessivamente intervencionista nao conhece os morros e periferias das grandes cidades – completa ausencia de estado) ha um papel importante para o estado contemporaneo. ‘E isso que surge do dialogo entre voces. Ricardo tem razao no sentido de que o Estado nao “descobre” o futuro. Mas voce tambem tem razao quando diz que o Estado tem que ter uma estrategia. Parabens pelo blog. Ele suscita comentarios “apaixonados”!!!

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    • 23/02/2010 - 04:07
      Enviado por: Claudia Trevisan

      Eymard, você condensou muito bem o debate. É ótimo ter comentários “apaixonados”. Eles indicam que o tema tratado tem relavância. Espero te encontrar mais vezes por aqui!

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