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Cláudia Trevisan

08.junho.2009 06:17:30

Na fronteira

Ir até a fronteira entre a Coreia do Sul e a Coreia do Norte é ser transportado a um tempo pré-queda do Muro de Berlim, quando o planeta era dividido entre blocos comunista e capitalista e o confronto nuclear pairava sobre nossas cabeças. O pequeno país é comandado de maneira totalitária por Kim Jong-il, que sucedeu seu pai, Kim Il-sung e pretende entregar o poder a seu filho, Kim Jong-un, em um peculiar caso de comunismo dinástico.

A divisão da Coreia foi decidida pelos vencedores da Segunda Guerra Mundial, que colocaram o norte sob a influência soviética e o sul na órbita norte-americana. Unificado durante séculos, o país foi cindido em duas metades antagônicas, que se distanciariam cada vez mais com o passar do tempo. Os dois lados se enfrentaram em uma guerra sangrenta a partir de 1950, quando Kim Il-sung invadiu o sul em uma tentativa desastrada de reunificação da Coreia sob o comunismo.

O confronto acabou mais ou menos onde começou, com uma trégua assinada em 1953. Não houve um acordo de paz e, tecnicamente, os dois países continuam em guerra, condição que inclui os Estados Unidos, principal aliado de Seul. Ainda hoje, há 28 mil soldados norte-americanos na Coreia do Sul, muitos em uma enorme base localizada na área urbana da capital, ao lado do Memorial da Guerra.

Diante do antagonismo entre sul e norte, o armistício de 1953 decidiu pela criação de uma “zona desmilitarizada” de 4 km de largura, que ocupa os 241 km de extensão da fronteira. Nessa faixa, é proibida qualquer atividade civil, com exceção de duas pequenas vilas rurais próximas de bases militares de cada um dos lados. A fronteira é de longe a mais militarizada de todo o mundo e exibe o recorde global em número de minas terrestres. Isso impede que os refugiados do norte cruzem a zona desmilitarizada em busca de asilo no sul e sejam obrigados e tomar a perigosa rota de fuga pela China, onde correm o risco de serem devolvidos ao regime de Kim Jong-il.

O ponto em que os dois lados mais se aproximam é Panmunjom, onde foi assinado o armistício de 1953. Lá, não há as enormes cercas de arame que marcam o restante da fronteira, e soldados do norte e do sul ficam frente a frente, muitas vezes ao alcance da mão. A linha militar de demarcação é indicada por uma faixa de concreto no chão. Sobre ela, foram construídas pequenas casas, também divididas rigorosamente ao meio. Um delas serve para encontros de cúpula entre as duas Coreias, nos quais os representantes sentam frente a frente, cada um de seu lado da fronteira _os microfones no centro da mesa seguem a linha militar de demarcação que continua depois das paredes.

O local onde a linha demarcatória não possui grades. O prédio do fundo está na Coreia do Norte. Na frente da foto estão soldados sul-coreanos. As casas do centro são divididas ao meio pela linha, que aparece um pouco apagada a partir do meio da última casa da direita.

A sala onde são realizadas negociações militares entre os dois países. A mesa do centro é dividida exatamente ao meio no mesmo ponto onde passa a linha demarcatória. Os turistas do lado de lá estão tenicamente na Coreia do Norte e a porta que aparece atrás do soldado sul-coreano leva diretamente ao país de Kim Jong-il.

A linha demarcatória: o lado direito é a Coreia do Norte, o esquerdo, a Coreia do sul.

A cerca de arama que protege a chegada à zona desmilitarizada e que está presente em uma versão reforçada ao longo de toda a fronteira.

Soldado norte-coreano aparece no alto da escada.

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