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Cláudia Trevisan

22.junho.2012 08:03:59

Mais 2 tibetanos se imolam em protesto contra China

Dois tibetanos se imolaram na quarta-feira para protestar contra a política chinesa para a região, elevando para 38 o número de casos do tipo registrados no país desde março de 2011. Vídeo divulgado por entidade ligada a tibetanos no exílio mostra dois homens com os corpos em chamas carregando bandeiras do Tibete, até caírem no solo. Um deles morreu, enquanto o outro ficou gravemente ferido, segundo relato da agência oficial Xinhua e do Congresso da Juventude Tibetana, a entidade que distribuiu as imagens.

Os casos ocorreram em uma área majoritariamente tibetana na província de Qinghai, que faz fronteira com o Tibete. No fim de maio, dois homens se imolaram em Lhasa, nos primeiros casos registrados na capital tibetana, o que levou ao aumento da segurança na região. Dos 38 tibetanos que atearam fogo a seu próprio corpo, cerca de 26 morreram. O paradeiro dos sobreviventes é desconhecido.

As imolações refletem o ressentimento dos tibetanos em relação às políticas chinesas e ao aumento da repressão que se seguiu aos conflitos de março de 2008, quando jovens tibetanos em Lhasa atacaram chineses han, a etnia majoritária do país, provocando a morte de 18 pessoas. Os confrontos levaram a manifestações de descontentamento em outras regiões e a choques com a polícia nos quais tibetanos morreram. O caso mais grave ocorreu no mosteiro Kirti, na província de Sichuan, onde 13 monges foram mortos a tiros no dia 16 de março de 2008. O local é o epicentro dos casos de imolações e registrou o primeiro deles, em 16 de março de 2011, três anos depois da morte dos 13 monges.

Além de protestar contra a política de Pequim, os tibetanos pedem a volta à China do dalai lama, seu líder espiritual que deixou a região em 1959, depois de um levante fracassado contra o domínio chinês. Desde então, vive exilado na Índia. As autoridades chinesas classificam o dalai lama de separatista. O religioso nega as acusações, afirma que busca maior grau de autonomia para os tibetanos e sustenta que o grupo é vítima de um “genocídio cultural” por parte dos chineses.

Jornalistas estrangeiros só podem viajar ao Tibete com autorização do governo chinês, que restringiu o acesso à região depois dos conflitos de 2008. As autoridades também criaram uma barreira em torno da cidade de Aba, onde fica o mosteiro de Kirti. Repórteres que tentam chegar ao local são barrados em postos policiais levantados em virtualmente todas as estradas da região. Os poucos que conseguem furar o cerco são enviados de volta a Pequim assim que são identificados pela polícia.

Aqui, uma imagem das últimas imolações, feita a partir do vídeo amador divulgado pelo Congresso da Juventude Tibetana:

Comentários (8)| Comente!

8 Comentários Comente também
  • 23/06/2012 - 13:03
    Enviado por: Marcelo

    De cabeça quente a gente não resolve nada…

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  • 23/06/2012 - 13:25
    Enviado por: Nelson Semeraro

    A FORMA DE ESTIMULAR MUDANÇAS É ATRAVÉS DA CONVERSA E DO ENTEMDIMENTO, IMOLAR-SE NÃO RESOLVE AS COISAS.

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  • 24/06/2012 - 07:44
    Enviado por: Lou

    religião é ignorancia.

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  • 25/06/2012 - 00:18
    Enviado por: Fey

    Cláudia,

    A quanto tempo está aí na China já? Deve deixá-la um tanto frustrada…
    Os comentários acima refletem o nível de conhecimento do brasileiro mediano sobre China e Tibete, depois de vários posts seus sobre o assunto.

    Mal sabem eles que o Budismo, não é técnicamente uma religião, e que mesmo que fosse, seria a mais aberta de todas pois o Budismo aceita que você pratique uma outra religião a o mesmo tempo que se estude Budismo.
    Depois de dezenas de reportagens não só suas, mas de outros correspondentes, eles não entendem que não há “conversas” entre eles e o governo chinês que não estão dispostos a ouví-los, usa da força bruta, e até nomeia um “líder espiritual” alinhado com os pensamentos do partidão mesmo alegando que não “acreditam” no Budismo. Não conseguiram captar a menssagem que esse não é um ato de loucura, mas de desespero extremo para de alguma forma chamar a atenção da comunidade internacional para o abuso de poder da China, mesmo com impedimento da entrada de jornalistas na sua região.

    Vale a pena olhar bem a foto. Enquanto os dois homens se queimam, as pessoas a o redor deles não parecem desesperadas, procurando apagar suas chamas ou gritando. Muito pelo contrário vários deles caminham e estão com as mãos nos bolsos. Isso me causa mais espanto ainda, pois me parece que essas coisas estão de fato se tornando rotineiras lá. Não creio que tal comportamento seja natural do ser humano, ela só existe quando se vive num ambiente de total desamparo, ou negação de sua existência.

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  • 25/06/2012 - 09:47
    Enviado por: Thomas

    This American Life, ou TAL, é um fenômeno jornalístico da radio americana. É um programa semanal, transmitido por mais de 500 estações e ouvido por quase 2 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Apresentado por Ira Glass, o TAL é também um campeão de downloads. A cada semana, 700 mil pessoas baixam o que passou no rádio.
    Mas hoje o TAL está vivendo um momento de extremo embaraço. E a comunidade jornalística americana está em polvorosa diante de um tropeço antológico.
    Um programa que teve uma imensa repercussão nacional e internacional foi substancialmente fabricado, como admitiu Glass no site do TAL. Nele, eram descritas as condições desumanas em que trabalham na China os funcionários das fábricas que produzem iPads para a Apple. O trabalho foi feito por Mike Daisey, um ator que se celebrizou com um monólogo sobre Steve Jobs.
    Daisey passou uma semana na China para a empreitada. Isso é, praticamente, a única coisa sobre a qual não pairam dúvidas. Ele narrou coisas chocantes. Crianças trabalhando. Um funcionário cujas mãos se transformaram em garras inúteis pelo contacto com um tóxico presente na substância que limpa a tela do iPad. Vigilantes da empresa com armas, reprimindo os empregados.
    Um momento.
    Vigilantes com armas? Quando ouviu isso, um jornalista americano que vive na China desconfiou. Na China, só a polícia e os militares podem usar revólver.
    Não era a única coisa esquisita, para quem vive na China. Daisey falava de integrantes de um “sindicato secreto” que se reuniam numa Starbucks para discutir questões trabalhistas. A Starbucks, na China, está muito acima das modestas possibilidades de operários.
    O correspondente procurou a intérprete de Daisey. “Gostaria de dizer que foi um trabalho investigativo árduo, mas bastou um clique no Google”, disse ele. Encontrada a intérprete, o programa foi passado a ela para que o ouvisse.
    Crianças trabalhando? Não. Vigilantes com revólveres? Não. Reuniões secretas sindicais na Starbucks? Não. E assim por diante. Daisey fez um relato não do que viu – mas do que gostaria de ter visto.
    Diante dos fatos, ele confessou as fabricações. Numa defesa bizarra, disse que os valores no teatro são diferentes dos valores no jornalismo.
    Só que o TAL é um programa jornalístico.
    “A culpa no fim é nossa”, escreveu Glass no blog do programa. É verdade. A checagem foi frouxa.
    Num momento em que a China caminha para ultrapassar os Estados Unidos, Daisey ajudou a disseminar a imagem de selvageria dos chineses que tanto agrada aos ocidentais, em geral, e aos americanos, particularmente. No rastro do sucesso da obra, ele foi convidado a escrever um artigo sobre sua experiência chinesa no New York Times.
    Resumo da opera: ha muitos jornalista-artistas “trabalhando” na China para o ocidente.

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    • 30/06/2012 - 13:28
      Enviado por: SMCoelho

      Fico perplexo de ver que ainda pairam duvidas sobre algumas das condicoes em que trabalhadores vivem na China. Morei e trabalhei e viajei MUITO na China, por 5 anos, empregado de uma multinacional americana. Os horrores que sao relatados pela Claudia, a quem admiro e leio com frequencia, nao sao soh comuns, infelizmente, mas sim fazem parte do dia a dia de um povo em profundo conflito. Conflito este nao de guerra como alguns paises do oriente medio, mas sim conflito de identidade e, mais que tudo, em busca da liberdade. O uso de armas de fogo eh proibido na China sim, somente reservado a militares e alguns outros, assim como o eh no Brasil tambem, mas parece que lah, como cah, nao eh bem assim que ‘ a coisa’ funciona (vide ultimo caso espalhafatoso do Diretor de uma Empresa de Alimentos). Fui testemunha ocular de uma perseguicao da Policia, no antigo aeroporto de Guanzhou, a um outro homem armado, que estava a se embrenhar em atividades ilicitas. Voltando a questao do trabalho desumano, conheci diversas fabricas, especialmente na regiao de Guandong (Cantao, proximo a Hong Kong, sul da China) aonde a moradia era nas proprias instalacoes fabris, uma delas ateh me surpreendeu pelo tamanho – 6 mil apartamentos disponiveis para os trabalhadores no proprio Campus da fabrica – SEIS MIL!!. Estes trabalhadores, viviam 24 horas por dia dentor do espaco fabril, nao precisavam se ausentar para absolutamente nada, nem para supermercado, diversao, esportes, absolutamente nada. Este eh o atual padrao Chines de manufatura e vida, esta mudando sim, mas nao acredito que vai ser na minha geracao que vamos ver ainda algo nem proximo do que temos no nosso pais.

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  • 28/06/2012 - 09:09
    Enviado por: Chines Livre

    ” ha muitos jornalista-artistas “trabalhando” na China para o ocidente”

    Assim como existem inúmeros socialistas iludidos com a China a serviço da China!

    Porque o rapaz aí em cima não menciona de que é o texto que ele coloca como se fosse dele!!!

    Que vergonha sr Tomas!!! O artigo foi escrito pelo Paulo Nogueira. Só que tudo o que oTAL diz

    infelizmente é verdade!!!!

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