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	<title>Cláudia Trevisan</title>
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	<description>O Tao da China</description>
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		<title>Intriga e traição na cúpula do Partido Comunista da China</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Feb 2012 10:10:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Bo Xilai]]></category>
		<category><![CDATA[Chongqing]]></category>
		<category><![CDATA[Partido Comunista da China]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>O Partido Comunista da China está imerso no mais grave escândalo político de anos recentes, que ameaça inviabilizar a pretensão do comandante supremo de Chongqing, Bo Xilai, de ascender à cúpula dirigente do país no processo de sucessão que ocorrerá no fim deste ano. A crise também pode colocar em xeque o chamado “modelo de Chongqing” de desenvolvimento e seu coquetel que enfatiza consumo doméstico, investimentos em alta tecnologia e pitadas ideológicas esquerdistas que envolvem a reabilitação do culto a Mao Tsé-tung.</p>
<p>Como todas as disputas de poder dentro do Partido, o caso é tratado com absoluta falta de transparência pelo governo e a imprensa oficial, mas é impossível sonegar as informações do público em um país com 500 milhões de internautas, a maioria dos quais ávidos usuários de microblogs que estão fascinados pelos ingredientes de suspense e intriga do terremoto que atingiu Bo. </p>
<p>O estopim da crise foi a queda de Wang Lijun, ex-todo poderoso chefe de segurança pública e braço direito de Bo até o dia 2 de fevereiro, quando perdeu o cargo e foi transferido para uma área relacionada à educação e cultura. No dia 6 de fevereiro, Wang viajou quatro horas de carro de Chongqing a Chengdu, capital de Sichuan, e se refugiou por dez horas no Consulado dos Estados Unidos. O Departamento de Estado norte-americano confirmou o fato, mas não revelou o que foi discutido e afirmou que Wang deixou o local por vontade própria.</p>
<p>Não se sabe se o ex-assessor de Bo pediu asilo político ou usou o porto seguro do consulado para negociar uma “rendição” às autoridades de Pequim, por temer ser assassinado. Mas ele escolheu um momento delicado, na véspera da visita aos Estados Unidos do vice-presidente Xi Jinping.</p>
<p>A versão mais confiável do episódio é a de que Wang passou a ser investigado por corrupção e escreveu uma carta à Comissão Central de Inspeção Disciplinar do Partido relatando supostas irregularidades cometidas por Bo, depois do que passou a temer por sua vida. Wang passou a noite no consulado, que no dia seguinte foi cercado por 70 carros da polícia de Chongqing despachados pelo prefeito da cidade, Huang Qifan, provavelmente por ordem de seu chefe, Bo, que é o secretário-geral do Partido no município. </p>
<p>De acordo com vários relatos divulgados na internet e por analistas políticos, Pequim enviou um emissário ao local, acompanhado por agentes de segurança. Depois de confronto entre os dois lados sobre quem deveria prendê-lo, Wang finalmente teria se entregue às autoridades do governo central e sido transferido para a capital.</p>
<p>O governo de Chongqing divulgou uma nota na qual afirma que o ex-chefe da segurança  sofreu exaustão por excesso de trabalho e iniciou um “tratamento no estilo de férias”. “Depois desse escândalo, Bo tem poucas chances em sua campanha para chegar ao Comitê Permanente do Politburo”, disse ao Estado o analista político Chen Ziming, fazendo referência ao grupo de nove pessoas que detém o poder supremo na China.</p>
<p>Sete dos nove integrantes do colegiado vão se aposentar no Congresso do Partido Comunista marcado para setembro, que tem a missão de definir os substitutos. Os outros dois nomes são conhecidos desde 2007, quando foi realizado o Congresso anterior: Xi Jinping, provável futuro presidente da China, e Li Keqiang, apontado como futuro primeiro-ministro.</p>
<p>A partir de Chongqing, Bo empreendeu uma agressiva campanha para se credenciar para uma das sete vagas. Um dos pilares da ofensiva foi o combate à máfia e ao crime organizado que levou a milhares de prisões e deu projeção nacional a Bo. Como chefe de segurança, Wang ocupou papel central nesse movimento, que atingiu seu antecessor no cargo.</p>
<p>Extremamente personalista e adepto da publicidade, Bo tem um estilo de liderança que contrasta com a discrição dos atuais donos do poder em Pequim. Ela também se choca com o modelo de liderança colegiada instalado na era pós-Deng Xiaoping, que deixou para trás o governos de homens fortes, como Mao Tsé-tung e o próprio Deng.</p>
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		<title>Constituição de Mianmar garante poder aos militares</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 14:49:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Aung San Suu Kyi]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Constituição]]></category>
		<category><![CDATA[José Carlos da Fonseca]]></category>
		<category><![CDATA[Mianmar]]></category>

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		<description><![CDATA[O isolado e repressivo regime de Mianmar deu início no fim de 2010 a um sucessão de reformas que surpreendeu a oposição e analistas, dentro e fora do país. O ícone da resistência ao regime, Aung San Suu Kyi, foi libertada depois de sete anos de prisão domiciliar, centenas de presos políticos ganharam liberdade e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O isolado e repressivo regime de Mianmar deu início no fim de 2010 a um sucessão de reformas que surpreendeu a oposição e analistas, dentro e fora do país. O ícone da resistência ao regime, Aung San Suu Kyi, foi libertada depois de sete anos de prisão domiciliar, centenas de presos políticos ganharam liberdade e a censura foi drasticamente reduzida. </p>
<p>Mas a Constituição promulgada em 2008 depois de controvertido referendo busca garantir a manutenção dos militares no Parlamento e no governo mesmo depois de uma eventual democratização. A reforma do texto é defendida por todos os grupos de oposição.</p>
<p>A Liga Nacional pela Democracia (NLD) de Aung San Suu Kyi considera a Carta ilegítima, enquanto outros grupos sustentam que o texto contém dispositivos não democráticos. A Constituição reserva 25% das 664 cadeiras das duas casas do Parlamento a militares nomeados pelo Comandante em Chefe dos Serviços de Defesa, uma nova figura que não está submetida ao presidente e que poderá assumir o poder do Estado em situação de emergência que possa levar à desintegração do país.</p>
<p>Mianmar vive a mais longa guerra civil do mundo, iniciada há 60 anos, e que hoje envolve dezenas de grupos armados ligados a distintas etnias. </p>
<p>Apesar dos dispositivos draconianos, as instituições começam a funcionar. “O Parlamento está reunido pela primeira vez e discute o Orçamento do próximo ano fiscal, algo inédito na história recente do país”, aponta o embaixador José Carlos da Fonseca, que instalou a primeira representação diplomática do Brasil em Mianmar em outubro de 2010, às vésperas das eleições legislativas gerais e da libertação de Aung San Suu Kyi.  “Nós chegamos na hora certa.”<br />
O pleito de abril tem o objetivo de preencher 48 dos 664 cadeiras que ficaram vagas com a transferência de parlamentares para o ministério do governo nominalmente civil que assumiu o comando do país em março.</p>
<p>Apesar do otimismo com as reformas a consultora Susanne Kempel ressalta que as leis utilizadas pelo regime para perseguir os opositores continuam em vigor. “Ainda há muito a ser feito.”<br />
<a href="http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2012/02/12/A16.pdf">Aqui</a> e <a href="http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2012/02/12/A17.pdf">aqui</a> você pode ler as reportagens de Mianmar na semana passada, publicadas ontem no <strong>Estado</strong>.</p>
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		<title>A aposta equivocada da Vale</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 08:25:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Cargueiros]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Minério de Ferro]]></category>
		<category><![CDATA[Vale]]></category>

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		<description><![CDATA[O estaleiro chinês Rongsheng Heavy Industries tem contrato de US$ 1,6 bilhão com a brasileira Vale para construção de 12 supercargueiros, dos quais apenas 1 já foi entregue. A utilidade dos demais foi colocada em xeque anteontem, quando o Ministério dos Transportes da China anunciou que os portos do país não poderão receber as embarcações [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O estaleiro chinês Rongsheng Heavy Industries tem contrato de US$ 1,6 bilhão com a brasileira Vale para construção de 12 supercargueiros, dos quais apenas 1 já foi entregue. A utilidade dos demais foi colocada em xeque anteontem, quando o Ministério dos Transportes da China anunciou que os portos do país não poderão receber as embarcações contratadas pela mineradora brasileira.</p>
<p>Maior cargueiro do mundo, com capacidade de transporte de 400 mil toneladas, o navio foi concebido para atender principalmente o mercado chinês, destino de quase metade do minério de ferro exportado pelo Brasil. </p>
<p>O Ministério dos Transportes cedeu à pressão dos armadores chineses, segundo os quais há um excesso de navios no mercado e uma tendência de baixa no preço dos fretes, situação que se agravaria ainda mais com a entrada em operação dos megacargueiros da Vale.</p>
<p>Em entrevista concedida ao <strong>Estado</strong> antes do veto do Ministério dos Transportes, o vice-presidente da Associação de Proprietários de Navios da China (CSA, na sigla em inglês), Zhang Shouguo, afirmou que a Vale cometeu um “grande erro” ao decidir construir os navios e deveria cancelar as encomendas. “Eles devem esperar um momento mais apropriado”, declarou.</p>
<p>A mineradora anunciou a criação da frota de supercargueiros em 2008, antes do estouro da crise financeira que afetou o comércio global e a demanda por frete. O projeto da companhia prevê uma frota de 35 dessas embarcações, dos quais 16 serão contratados com exclusividade de armadores. Os restantes 19 serão operados diretamente pela própria Vale _a Rongsheng construirá 12 deles, enquanto a coreana Daewoo Shipbuilding &amp; Marine Engineering é responsável pelos outros 7.</p>
<p>Segundo um funcionário da Rongsheng que se identificou apenas pelo sobrenome Zheng, a empresa não havia recebido até ontem nenhum pedido da Vale de cancelamento ou adiamento do contrato. Em sua avaliação, é pouco provável que a mineradora desista do acordo, porque o valor que já foi pago é muito alto.</p>
<p>O vice-presidente da CSA observou que a Vale cometeu um erro ao insistir na construção dos navios mesmo em meio à crise financeira mundial que reduziu a demanda por carga e provocou excesso de capacidade no setor. Zhang prevê que a situação vai permanecer inalterada pelo menos até o fim de 2013, o que inviabiliza a utilização dos novos cargueiros da Vale nos próximos dois anos. “Em 2008 havia demanda e o mercado estava aquecido, mas a situação é totalmente diferente agora”, ressaltou.</p>
<p>A decisão do Ministério dos Transportes da China de proibir o atracamento em portos do país de navios com capacidade superior a 300 mil toneladas atinge em cheio o investimento estratégico de US$ 2,35 bilhões feito pela  Vale para atender o mercado asiático e, em especial, a China. Esse valor representa apenas os recursos destinados à construção dos navios que serão operados diretamente pela empresa e não inclui as 16 embarcações que serão alugadas por armadores para a empresa brasileira. </p>
<p>A Vale decidiu investir na construção do maior cargueiro do mundo para reduzir o custo do transporte do minério de ferro do Brasil para a China e compensar a vantagem de seus concorrentes australianos, que estão muito mais próximos do principal comprador do produto.</p>
<p>Com capacidade de transporte quase três vezes maior que os navios utilizados atualmente, o Valemax diminui o custo do frete em cerca de 30%, segundo avaliação de fonte do mercado. Mas isso não significa redução no preço do minério que será cobrado dos clientes chineses, já que o frete não é incorporado à sua cotação. Além dos armadores, as siderúrgicas chinesas também eram contra a utilização do supercargueiro, em razão do temor de perder poder na negociação de preços com a Vale.</p>
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		<title>Onda repressiva leva mais um dissidente chinês à prisão</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2012 10:11:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Prisão]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução do Jasmim]]></category>

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		<description><![CDATA[O governo chinês condenou ontem um ativista pró-democracia a 10 anos de prisão sob acusação de “subversão do poder do Estado”, no terceiro caso semelhante em menos de um mês. O cerco de Pequim aos dissidentes se intensificou a partir de fevereiro de 2011, em resposta a tentativas fracassadas de realização de protestos inspirados na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O governo chinês condenou ontem um ativista pró-democracia a 10 anos de prisão sob acusação de “subversão do poder do Estado”, no terceiro caso semelhante em menos de um mês. O cerco de Pequim aos dissidentes se intensificou a partir de fevereiro de 2011, em resposta a tentativas fracassadas de realização de protestos inspirados na Revolução do Jasmim que derrubou ditadores no mundo árabe.</p>
<p>“As autoridades estão usando essas penas severas para mandar uma mensagem aos ativistas de que eles serão punidos se defenderem reformas democráticas”, disse Wang Songliang, do Chinese Human Rights Defenders (CHRD), entidade com sede em Hong Kong. </p>
<p>A decisão de ontem foi proferida pela Corte Popular Intermediária de Wuhan, capital da província central de Hubei, e atingiu o escritor Li Tie. Segundo informações dadas por sua família ao CHRD, as evidências apresentadas no julgamento foram artigos críticos ao governo, a participação em discussões promovidas na internet por sites “reacionários”, comentários “reacionários” em encontros com amigos e a filiação ao Partido Democrático Social da China. </p>
<p>No dia 23 de dezembro, o dissidente Chen Wei foi condenado a 9 anos de prisão sob acusação de “incitamento à subversão” na província de Sichuan, no centro-oeste do país, em razão de quatro artigos em defesa de reformas democráticas que divulgou na internet.  Três dias mais tarde, uma corte na província de Guizhou, no sudoeste, sentenciou o ativista Chen Xi a 10 anos de prisão, sob a mesma acusação.</p>
<p>Ambos os Chen _que não têm  relação de parentesco_ participaram dos protestos na praça Tiananmen em 1989 e foram signatários da Carta 08, o documento em defesa de reformas democráticas divulgado em dezembro de 2008.</p>
<p>O principal mentor da Carta 08, Liu Xiaobo, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2010 e cumpre desde dezembro de 2009 pena de 11 anos de prisão.<br />
Os três dissidentes condenados nas últimas semanas se declararam inocentes e ressaltaram que a Constituição chinesa garante a liberdade de expressão. “Não é um bom momento para ser um ativista na China”, lamentou Wang, do CHRD.  </p>
<p>Na quarta-feira, o escritor chinês Yu Jie afirmou em entrevista coletiva em Washington que foi torturado sob custódia policial no período de entrega do Prêmio Nobel da Paz a seu amigo Liu Xiaobo, em dezembro de 2010.</p>
<p>Autor de “O Melhor Ator da China: Wen Jiabao”, no qual ataca o primeiro-ministro do país, Yu Jie se autoexilou nos Estados Unidos no dia 11 de janeiro, depois de uma longa negociação com as autoridades de Pequim para ter autorização de deixar o país.</p>
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		<title>China: quente ou frio?</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jan 2012 10:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Bolha]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>
		<category><![CDATA[Setor Imobiliário]]></category>

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		<description><![CDATA[É cada vez mais evidente que os anos de crescimento chinês na casa dos dois dígitos são coisa do passado, mas as previsões sobre o futuro da segunda maior economia do mundo nunca foram tão disparatadas. O time dos otimistas é majoritário e avalia que as autoridades de Pequim estão conduzindo o país para um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É cada vez mais evidente que os anos de crescimento chinês na casa dos dois dígitos são coisa do passado, mas as previsões sobre o futuro da segunda maior economia do mundo nunca foram tão disparatadas. O time dos otimistas é majoritário e avalia que as autoridades de Pequim estão conduzindo o país para um pouso suave, no qual os índices de expansão do PIB cairão para algo em torno de 8% no curto prazo, antes de desacelerar ainda mais no médio e longo prazos. Mas há um grupo cada vez maior de pesos-pesados que veem um cenário sombrio, em grande parte como consequência dos desequilíbrios criados pelos esforços de Pequim para manter sua economia a todo o vapor quando o mundo fraquejava nos últimos três anos. </p>
<p>Os que apostam no final feliz afirmam que os números do PIB de 2011 divulgados hoje mostram que o Partido Comunista conseguiu controlar os preços sem sacrificar o ritmo de expansão. A economia cresceu 8,9% no quatro trimestre, continuando a descida gradual iniciada no primeiro trimestre, quando o indicador foi de 9,7%. A perda de fôlego era desejada pelo governo, que passou o ano de 2011 lutando contra a dupla ameaça de explosão inflacionária e de formação de uma bolha no setor imobiliário.</p>
<p>“Nós não devemos mais ser obcecados com a velocidade do crescimento”, disse ao jornal oficial China Daily Lu Zhongyuan, vice-diretor do Centro de Pesquisa em Desenvolvimento do Conselho de Estado, o gabinete comandado por Wen Jiabao. Em sua avaliação, o índice de expansão do PIB ficará em torno de 8,5% em 2012.</p>
<p>Para os pessimistas, esse cenário róseo ignora a ameaça de uma série de bombas-relógio que as autoridades terão dificuldades para desativar. A mais delicada delas é a bolha no setor imobiliário, que coloca o governo entre a necessidade de reduzir o preço das residências e escritórios e o risco de paralisar os investimentos no setor que responde por cerca de 20% da economia (se for incluída a produção de aço e cimento destinada à construção).</p>
<p>Os juros sobre depósitos bancários na China estão negativos e a escassa oferta de investimentos rentáveis levou muitas famílias a destinarem sua poupança à compra de apartamentos e casas, na expectativa de que os preços subiriam no futuro. Com o aumento das compras, os preços subiram, o que estimulou mais compras. O problema é que esse ciclo levou a um excesso de investimentos no setor, argumentam os pessimistas, com milhares de imóveis vazios em todo o país. Se os preços começarem a cair rapidamente, as famílias que colocaram sua poupança no setor podem entrar em pânico ao ver seus ativos se desvalorizarem. Se muitos decidirem vender ao mesmo tempo, pode haver um crash no setor, com impacto devastador sobre diversos setores da economia e os exportadores de commodities que alimentam o boom de construção da China, entre os quais o Brasil e seu minério de ferro.</p>
<p>Para agravar a situação, o governo de Pequim não tem agora a mesma munição de 2008, quando lançou um megapacote de estímulo e deu sinal verde para os bancos emprestarem bilhões e bilhões de dólares que se transformaram em investimentos _em metrôs, rodovias, ferrovias, fábricas, apartamentos, pontes e uma infinidades de outros projetos. Muitos deles não eram necessários e não são rentáveis, o que poderá levar ao aumento da quantidade de créditos podres nos bancos, que já consumiram uma bolada para serem saneados na década passada.</p>
<p>O problema é que o mundo depende muito mais do crescimento da China hoje do que em 2008 e se essa turbina também deixar de funcionar&#8230;Houston, we have a problem.</p>
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		<title>24 horas de Pequim a Taiwan</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Jan 2012 19:12:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Taiwan]]></category>
		<category><![CDATA[Visto]]></category>
		<category><![CDATA[Voo Direto]]></category>

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		<description><![CDATA[Para um brasileiro que vive em Pequim, o caminho mais rápido para Taiwan pode levar quase 24 horas e exige a passagem por duas alfândegas e câmbio em duas moedas diferentes. A ilha é considerada como uma “província rebelde” pela China e, por isso, não possui representação diplomática no continente, o que obriga os que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para um brasileiro que vive em Pequim, o caminho mais rápido para Taiwan pode levar quase 24 horas e exige a passagem por duas alfândegas e câmbio em duas moedas diferentes. A ilha é considerada como uma “província rebelde” pela China e, por isso, não possui representação diplomática no continente, o que obriga os que precisam de visto a viajar até Hong Kong.</p>
<p>A ex-colônia britânica voltou a fazer parte da China em 1997, com a condição de que manterá por 50 anos suas instituições, o que inclui o escritório de Taiwan. Para que saia no mesmo dia, o visto deve ser requerido antes das 11h, o que obriga os que vivem em Pequim a viajarem em Hong Kong no dia anterior. </p>
<p>São três horas e meia da capital chinesa até a ex-colônia britânica, mais do que as três horas e 11 minutos do voo direto que liga Pequim a Taipei. Inaugurada em junho de 2008, a rota pôs fim a 59 anos de interrupção do transporte direto entre a República Popular da China e a República da China, mas é inacessível para os cidadãos de países que precisam de visto para Taiwan, como os brasileiros.</p>
<p>O visto deve ser solicitado no Escritório de Representação Econômica e Cultural de Taipei em Hong Kong, o nome politicamente “neutro” do que na prática funciona como um consulado.  Essa é a solução encontrada por Taiwan para ter presença em países com os quais não possui relações diplomáticas.</p>
<p>Se for pedido antes das 11h, o visto é concedido depois das 16h do mesmo dia, o que para mim representava uma dificuldade: o meu voo saía de Hong Kong para Taipei às 15h30. As opções noturnas estavam lotadas e a das 17h30 era US$ 200 mais cara. Restava contar com a boa vontade dos funcionários do escritório, que se comoveram e concederam o visto às 13h, em cima da hora de minha saída para o aeroporto. Cheguei em Taipei às 17h15, exatas 22 horas e 15 minutos depois de ter decolado de Pequim.</p>
<p>Neste link está a reportagem sobre a eleição de Taiwan publicada hoje no Estado:<br />
&nbsp;<a href="http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2012/01/01/A8.pdf" title="http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2012/01/01/A8.pdf" target="_blank">http://digital.estadao.com.br/download/p&#8230;</a></p>
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		<title>Fog or smog? Pequim vive crise de poluição do ar</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Dec 2011 10:13:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Câncer]]></category>
		<category><![CDATA[Pequim]]></category>
		<category><![CDATA[Poluição]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O governo de Pequim finalmente reconheceu o que era evidente na pesada nuvem esbranquiçada que assombra a cidade há dias: a capital chinesa enfrenta uma crise de poluição, que só será solucionada com o corte de emissões. A posição oficial parece ter colocado fim ao debate que mobilizou os internautas locais nas últimas semanas, sintetizado por uma ótima rima em inglês: “fog or smog?”, algo como “neblina ou poluição?”.</p>
<p>Enquanto os dados oficiais indicavam um grau leve poluição na semana passada, a medição independente feita pela Embaixada dos Estados Unidos em Pequim _e divulgada no Twitter_ acusava um grau “perigoso” de contaminação. A diferença é que os norte-americanos detectam partículas iguais ou inferiores a 2,5 micrômetros, que são extremamente finas e penetram mais profundamente nos pulmões. As autoridades locais medem apenas as que têm tamanho de 2,5 a 10 micrômetros.</p>
<p>Para quem vive há quase quarto anos em Pequim é alarmante saber que a incidência de câncer de pulmão na cidade aumentou 60% na última década, ainda que o percentual de fumantes tenha se estabilizado. A principal vilã é a poluição, que está nos piores níveis desde 2008. Na semana passada, a densa névoa levou ao fechamento de estradas e ao cancelamento ou atraso de centenas de voos.</p>
<p>O debate chegou ao jornal oficial China Daily, editado pelo Conselho de Estado, sob o título “Exposição à poluição é perigo severo”.  Zhong Nanshan, da Academia Chinesa de Engenharia, disse que se nada for feito, a poluição poderá substituir o fumo como principal fator de risco para o câncer de pulmão. Shi Yuankai, vice-presidente do Hospital do Câncer da Academia Chinesa de Ciências Médicas, concorda: “Mesmo que consigamos estabilizar a taxa de fumo no país, o câncer de pulmão deve continuar a crescer por 20 a 30 anos e a poluição do ar deverá ser o principal responsável”.</p>
<p>Depois disso, passei a considerar seriamente a possiblidade de comprar um purificador de ar, mas ele não resolve a situação quando estou fora de casa, já que está longe de ser algo portátil. Para me proteger da poluição, teria que usar máscara. O problema é como sair de casa sem parecer uma versão humanizada de Darth Vader _as que têm eficácia contra a poluição são uns trambolhos pretos que cobrem quase todo o rosto. Apesar do choque estético, vejo um número cada vez maior de pessoas nas ruas da cidade com o monstrengo.</p>
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		<title>Como a China pode derrotar a América</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 10:38:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Confúcio]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Soft Power]]></category>
		<category><![CDATA[Yan Xuetong]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O título do post não é meu, mas de artigo de autoria do professor chinês Yan Xuetong, publicado no <em>The New York Times</em> no fim de novembro. Entre os mais respeitados acadêmicos do país, Yan discorreu sobre um tema que ocupa cada vez mais a elite governante de Pequim: como vencer a disputa global por influência que inevitavelmente travarão com os Estados Unidos.</p>
<p>Subjacente à discussão está a ideia de <em>soft power</em>, expressão criada pelo norte-americano Joseph Nye para designar o tipo de influência que não é baseado no poder das armas _o <em>hard power</em>_ e que permite a um país conquistar corações e mentes ao redor do globo. O conceito fundamental é fazer com que os outros queiram o que vocês quer, pelo simples poder de atração de seu modelo ou de suas ideias.</p>
<p>A China já é a segunda maior economia do mundo e investe há anos na modernização do Exército de Libertação Popular. Mas ainda que consiga projeção militar e econômica, o país carece de um modelo que possa servir de inspiração para o restante do mundo, enquanto os norte-americanos possuem um ideário claro que reúne Estado de Direito, liberdade individual e liberalismo econômico _ainda que nem sempre o respeite fora de suas fronteiras.</p>
<p>Em sua tentativa de criar as bases para o desenvolvimento do <em>soft power</em> Made in China, Yan retornou à filosofia clássica chinesa fundada por Confúcio, pensador que o Partido Comunista combateu durante décadas por identificá-lo com os traços retrógrados da sociedade local. Para Yan, o caminho para a China ganhar a disputa com os Estados Unidos é o exercício da autoridade “benevolente” ou “humana”, conceito vago, mas que segundo ele implica justiça social, combate à corrupção e criação de uma sociedade harmônica _você pode ler o artigo <a href="http://www.nytimes.com/2011/11/21/opinion/how-china-can-defeat-america.html?_r=1&amp;pagewanted=all">aqui</a>.</p>
<p>O problema na tese de Yan é que ela não aponta para a criação de um modelo com regras claras aplicáveis a todos, incluindo aos detentores do poder. Eu levantei esse ponto em uma discussão realizada na semana passada com outros dois jornalistas em Pequim, que você pode ouvir neste podcast <a href="http://popupchinese.com/data/1061/sinica-occupy-sinica.mp3">podcast</a>. A receita de Yan parece se basear na autoridade moral dos ocupantes do poder, sem nenhuma ênfase nos mecanismos de controle do exercício do poder e de proteção do indivíduo contra o governo. Sem isso, será difícil a China construir um sistema que possa competir com a ideia de Estado de Direito da tradição ocidental.</p>
<p>Para ele, o confronto entre os dois países é inevitável: “Se a história é um guia, a ascensão da China de fato coloca um desafio para a América. Poderes emergentes buscam ganhar mais autoridade no sistema global, e poderes decadentes raramente caem sem luta. E dadas as diferenças entre os sistemas políticos chinês e americano, pessimistas podem até acreditar que existe uma alta possibilidade de guerra”.</p>
<p>No último mês, os norte-americanos levaram a disputa por influência aos países vizinhos da China, em uma tentativa de garantir sua presença na região economicamente mais dinâmica do mundo e contrabalançar a ascensão chinesa. A ofensiva foi tema de <a href="http://digital.estadao.com.br/download/pdf/2011/12/04/A27.pdf">reportagem</a> minha que o<strong> Estado</strong> publicou ontem.</p>
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		<title>Jornalistas são &#8216;operários da propaganda&#8217; na China</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 11:04:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[CCTV]]></category>
		<category><![CDATA[Censura]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalistas]]></category>
		<category><![CDATA[Propaganda]]></category>

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		<description><![CDATA[Mesmo em um país onde o governo defende abertamente a censura e o controle da imprensa, é chocante a afirmação do novo presidente da poderosa rede estatal de televisão CCTV, Hu Zhanfa, de que os jornalistas são “operários da propaganda”. Segundo ele, os que se consideram “profissionais” são vítimas de um erro fundamental sobre suas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mesmo em um país onde o governo defende abertamente a censura e o controle da imprensa, é chocante a afirmação do novo presidente da poderosa rede estatal de televisão CCTV, Hu Zhanfa, de que os jornalistas são “operários da propaganda”. Segundo ele, os que se consideram “profissionais” são vítimas de um erro fundamental sobre suas próprias identidades.</p>
<p>O governo chinês investe milhões de dólares no desenvolvimento e internacionalização de seus meios de comunicação, mas é cada vez mais claro que a independência jornalística não integra os planos do Partido Comunista. “ A primeira responsabilidade e ética profissional do pessoal de mídia deve ser entender o seu papel de maneira clara e ser um bom porta-voz”, afirmou Zhanfa, em declarações reproduzidas pela agência oficial de notícias Xinhua. Apesar de terem sido divulgadas em maio, as posições só ganharam destaque ontem, quando um link para o texto da Xinhua foi publicado no Weibo, a popular versão chinesa do Twitter, com cerca de 200 milhões de usuários.</p>
<p>O post gerou uma onda de críticas a Zhanfa, com milhares de internautas atacando a inexistência de uma imprensa independente na China. Grande parte da população do país vê com descrédito o que é veiculado nos meios oficial e confia mais no que lê na internet. O novo presidente da CCTV se encarregou de agravar a falta de credibilidade. Zhanfa ressaltou que os veículos de comunicação devem ser dirigidos por políticos _leia-se membros do Partido Comunista_ e que os jornalistas que não cumprirem seu papel de “porta-vozes” nunca irão longe.</p>
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		<title>China eleva &#8216;linha de corte&#8217; da pobreza</title>
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		<pubDate>Thu, 01 Dec 2011 14:22:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cláudia Trevisan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[Desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[Gini]]></category>
		<category><![CDATA[Pobreza]]></category>

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		<description><![CDATA[O número oficial de pobres na China saltou de 27 milhões para 128 milhões com a decisão do governo de elevar a linha da pobreza na zona rural para um rendimento anual de US$ 361,00, o que equivale a quase US$ 1,00 ao dia. Essas pessoas poderão a partir de agora receber ajuda governamental. Mesmo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O número oficial de pobres na China saltou de 27 milhões para 128 milhões com a decisão do governo de elevar a linha da pobreza na zona rural para um rendimento anual de US$ 361,00, o que equivale a quase US$ 1,00 ao dia. Essas pessoas poderão a partir de agora receber ajuda governamental. Mesmo com a mudança, a estatística de pobres ainda está abaixo da estimativa de organismos internacionais. O Banco Mundial usa o patamar de US$ 1,25 ao dia e calculou em 2009 que havia 254 milhões de chineses com rendimento igual ou inferior a esse valor.</p>
<p>O aumento da desigualdade é um dos principais problemas da China e fonte de crescente tensão social. O país que pregava o igualitarismo nos anos de Mao Tsé-tung hoje possui um índice Gini superior ao dos Estados Unidos, o porta-voz do mundo capitalista. O indicador mede a desigualdade de renda dentro de um país e no ano passado estava em 0,47 na China, pouco acima do 0,45 dos norte-americano. No Brasil, o índice é de 0,56, um dos piores do mundo.</p>
<p>A nova linha da pobreza chinesa vale apenas para os moradores da zona rural, que representam cerca de metade da população do país. Pelo critério anterior, apenas 2,8% dos habitantes do campo eram considerados pobres, percentual inferior ao  registrado em países desenvolvidos, disse Wang Sangui, professor da Universidade do Povo da China. Nos Estados Unidos, o percentual oficial de pobres é de 15% da população, em razão de uma “linha de corte” bem mais elevada: rendimento anual de US$ 22.314 para uma família de quatro pessoas, o equivalente a uma renda diária individual de US$ 15,28. </p>
<p>O problema da desigualdade foi agravado neste ano pela alta da inflação, que atingiu em julho 6,5%, o mais alto patamar em três anos. O índice desacelerou desde então, mas ainda ficou em desconfortáveis 5,5% no mês passado. A alta no preço dos alimentos é o principal fator a pressionar o indicador, o que torna a inflação ainda mais aguda para os pobres. No mês de outubro, os alimentos ficaram em média 11,9% mais caros. Em julho, a alta de preços nesse segmento havia sido de 14,8% _só a carne de porco, a mais consumida no país, teve inflação de 57% naquele mês.</p>
<p>A nova “linha de corte” chinesa representa um aumento de 92% em relação ao patamar que estava em vigor desde 2009. O universo dos que poderão receber auxílio do governo vai quase quintuplicar, mas os recursos do fundo de combate à pobreza terão aumento de apenas 21% neste ano, para 27 bilhões de yuans (US$ 4,29 bilhões). Se esse valor fosse integralmente dividido pelos 128 milhões de pobres, cada um receberia US$ 33,50. </p>
<p>No Brasil, a “linha de corte” é R$ 70,00 ao mês, o que representa renda anual de US$ 454,00 e diária de US$ 1,24. Com isso, o número de pobres no país é de 16,27 milhões, o equivalente a 8,5% da população. Na China, o novo universo de pobres representa 9,5% dos 1,34 bilhão de habitantes. O presidente Hu Jintao afirmou na terça-feira que a tendência de aumento da desigualdade será revertida e que todos os chineses terão suas necessidades básicas atendidas até 2020. “O acesso à educação compulsória, assistência médica básica e habitação será garantido.”</p>
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