O Peru deverá se tornar na próxima semana o segundo país latino-americano a assinar um acordo de livre comércio com a China depois do Chile. O tratado deverá ser assinado durante visita do presidente Hu Jintao a Lima, nos dias 19 e 20. A China tem peso crescente na pauta de exportações da região e ganhou mais relevância depois que decidiu fazer parte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com uma contribuição de US$ 350 milhões.
O Chile assinou o Tratado de Livre Comércio com a China em outubro de 2006. Desde então, o comércio bilateral quase dobrou e o país asiático superou os Estados Unidos para se tornar o principal destino das exportações chilenas.
“Atualmente nós estamos negociando um acordo de serviços e, no próximo ano, iniciaremos as discussões para um tratado de investimentos”, afirmou ontem o embaixador do Chile na China, Fernando Reyes Malta, em encontro entre diplomatas latino-americanos e correspondentes estrangeiros em Pequim.
O país asiático é o segundo maior parceiro comercial do Peru, atrás dos norte-americanos, mas deverá em breve assumir o primeiro lugar, na avaliação do embaixador peruano, Jesús Wu Luy.
A exemplo do Brasil, Chile e Peru são grandes exportadores de matérias-primas e produtos alimentícios para a China e esperam que o país asiático amenize o impacto da recessão mundial provocada pela crise nos Estados Unidos.
Na avaliação de Malta, o pacote de US$ 586 bilhões anunciado pelo governo de Pequim no domingo poderá recuperar pelo menos parte da queda nos preços do cobre, o principal produto de exportação dos chilenos. “Nós somos os maiores produtores de cobre do mundo e a China é o maior consumidor.”
O encontro de ontem evidenciou as diferenças entre os países latino-americanos exportadores de commodities, como Chile e Peru, e aqueles que possuem uma indústria nacional que sofre diante da concorrência dos chineses. “Nós não queremos um acordo de livre comércio com a China”, afirmou o embaixador da Colômbia em Pequim, Guillermo Londono, ressaltando que seu país tem setores sensíveis como jóias, calçados, têxteis e brinquedos. A situação é parecida com a do México, cuja indústria também é ameaçada pela importação de produtos baratos da China.
Mas se não querem comércio, os dois países buscam investimentos dos chineses. Neste terreno, os colombianos saíram na frente e devem assinara no próximo fim de semana um acordo bilateral de proteção de investimentos, que dará garantias a empresas chinesas que colocarem dinheiro no país latino-americano e vice-versa.
O México busca investimentos na indústria, entre as quais a automobilística, e procura atrair mais turistas chineses. Segundo o embaixador do país em Pequim, Jorge Guajardo, os turistas chineses gastam em média três vezes mais que os norte-americanos.
Lima também busca atrair empresas chinesas. Na avaliação do embaixador Wu Luy, os investimentos do país asiático no Peru nas áreas de mineração, energia e pesca deverão somar pelo menos US$ 6 bilhões nos próximos três anos.
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