China reage a boatos de golpe com aumento da censura - Cláudia Trevisan - Estadao.com.br
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Cláudia Trevisan

01.abril.2012 07:22:13

China reage a boatos de golpe com aumento da censura

O governo chinês prendeu seis pessoas, fechou 16 sites e suspendeu os comentários nos dois grandes serviços de microblogs do país, cada um dos quais com cerca de 300 milhões de usuários, na maior ofensiva de controle das versões locais do twitter desde que eles ganharam popularidades, nos últimos dois anos.

As medidas são uma resposta aos rumores que circularam na internet na semana retrasada, segundo os quais Pequim havia sido palco de uma tentativa de golpe de Estado, com tanques nas ruas e troca de tiros em Zhongnanhai, o complexo onde vivem e trabalham os líderes máximos chineses.

Os boatos estão relacionados à queda do ex-chefe do Partido Comunista na megacidade de Chongqing, Bo Xilai, e à disputa de poder dentro da organização nos meses que antecedem à troca de comando que ocorrerá no fim deste ano. Bo era um dos principais candidatos ao Comitê Permanente do Politburo, formado pelos nove homens que de fato mandam no país, mas foi afastado no dia 15 de março. Não há nenhuma informação oficial sobre seu paradeiro, as causas de sua queda e seu futuro.

De acordo com os comentários que circularam online, a tentativa de golpe teria sido orquestrada por Zhou Yongkang, o principal aliado de Bo entre os atuais nove integrantes do Comitê Permanente do Politburo. Zhou é responsável pelas forças de segurança e esteve ausente de uma reunião da comissão que preside no dia 22 de março, uma semana depois do afastamento de Bo Xilai, o que estimulou as especulações sobre choques sísmicos na cúpula do Partido Comunista.

Os comentários circularam amplamente online, mas nada nas ruas de Pequim indicava que algo de anormal estivesse ocorrendo. O policiamento continuava o mesmo, não havia nenhum sinal de tanques e analistas afirmaram que os boatos eram fabricados. Nenhuma autoridade desmentiu os rumores, mas eles perderam força depois que Zhou Yongkang participou de atividades públicas no dia 26 de março.

Os usuários podem publicar posts nos microblogs, mas comentários sobre informações veiculadas por outros internautas estão suspensos até terça-feira. Os usuários que tentam realizar comentários são informados de que os serviços estavam contaminados com “muitos rumores e informação destrutiva e ilegal” e que a interrupção é necessária para realização de uma “limpeza”.

A decisão foi anunciada tarde da noite de sexta-feira. A agência de notícias Xinhua afirmou ontem que o Departamento Estatal de Informação na Internet concluiu que os 16 sites fechados haviam espalhado rumores de que “veículos militares haviam entrado em Pequim” e que algo de errado estava ocorrendo na cidade.

Comentários (6)| Comente!

6 Comentários Comente também
  • 02/04/2012 - 16:33
    Enviado por: true.history

    O governo “ditador master” da china, assim como nos conta a história de outras primaveras, tem um medo insano de seu povo. Isso se deve, acredito, pelo fato de que o governo sabe que o povo sabe (sic), em outras palavras, o governo e os governados sabem exatamente o que está se passando em seu país, e o próprio controle de mídia e tudo o mais faz que fique explícito a necessidade de mudança… mesmo atualmente sendo uma potência monetária sem precedentes, todos conseguem ver que isso não garante qualidade de vida para a população, esbarrando em falta de liberdade, que precisa ser mantida de qualquer forma neste tipo de governo.
    Ao contrário dos chineses, o governo brasileiro não tem receio nenhum de seus governados, e porque teriam? somos os melhores para aceitar tudo e continuar calado não é mesmo,, não precisam esconder nada de nós, pois superamos um mero embolso do erário (ou um linxamento de mulheres e crianças pela polícia com o descaso de nossos governantes), fazendo um comentário com nossos colegas de trabalho durante o almoço: “Você viu aquilo? Isso é uma vergonha para o país.”, ou coisa do tipo e pronto.
    Agora fica uma pergunta:
    O povo brasileiro sabe quem deve combater para melhorar seu país?

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  • 02/04/2012 - 20:23
    Enviado por: Antonio Roquette

    Há duas maneiras de se restringir a liberdade de expressão (seja escrita, falada, televisada ou pela rede): a ostensiva e a camuflada.
    A ostensiva – direta e opressiva – tipo, segundo consta, a China ou os diversos governos que “presidiram” o nosso país. A camuflada é aquela em que o governo ameaça tirar anúncios e propagandas milionárias dos veículos de comunicação ou simplesmente tem a complacência do judiciário.
    Ambas fazem parte da mesma ditadura.

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  • 03/04/2012 - 05:45
    Enviado por: Fey

    Ninguém quer tocar no assunto, mas está cada vez mais evidente que a China se mostra uma questão de ética versus “real politic” entre as nações que faz parcerias com ela. Lembrando que para o Brasil a China agora é o maior parceiro comercial.

    O controle ostensivo de comunicação que o governo chinês força a sua população, prova que toda essa utopia dos pró-chineses fanáticos e de ingênuos ocidentais, de que “a abertura de capital levaria inevitavelmente a maior conscientização da população e por conseqüência a maior democracia” não passa de balela ou apologia para investidores e empresários justificarem a sua terceirização de mão-de-obra, e gula pelo seu mercado.

    No frigir dos ovos, para a grande maioria dos ocidentais a China não passa de um país exótico que tem como atrativo a grande oportunidade de negócio, mas ignoramos ou pouco estamos preocupados com o fato de ela estar oprimindo o povo tibetano e os uigurs, ou apoiando o regime da família Kim na Coréia do Norte, ou tomando ilhas do Pacífico a força e se militarizando rápidamente para pressionar os seus vizinhos alegando a “defesa de seu território” como pretexto. O máximo que um cidadão ocidental se preocupa é com as suas mercadorias falsificadas e a “liberdade de expressão” negada, como se isso mostrasse a nossa compaixão humana enquanto compramos inconscientente toneladas de mercadorias chinesas em nossos supermercados e shopping centers e ajudamos a fortalecer a sua economia e poder governamental daquele país por tabela.

    A China também se tornou desculpa para o nosso governo justificar a desindustrialização a alguns anos atrás, alegando que a nossa “vocação” comercial estaria nos commodities vendidos a os chineses enquanto eles nos exportam carros, e produtos eletrônicos utilizando esses mesmos commodities. Os mais fanáticos do comunismo ou da “Sino-filia” faz até um paralelo com as políticas de intervenção americana de 50 anos atrás: os americanos tentaram dominar vários países, agora é a vez da China. Afinal ela é a bola da vez, e qualquer coisa “cola” para justificar o injustificável.

    E enquanto é impossível ignorar a sua presença políco-econômica no cenário mundial, para aqueles que deixam a hipocrisia de lado, esse pode ser o momento de refletir qual será o custo real de algumas parcerias ditas estratégicas entre os nossos países, empresas e pessoas com a China não somente hoje, mas daqui a algumas décadas. Isso seria um “real politic” de verdade.

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    • 04/04/2012 - 11:02
      Enviado por: Tetsuo Shimura

      Fey (03/04/2012 – 05:45) se brasileiros que vivem numa mesma cidade, enfrentando os mesmos dissabores do cotidiano se engalfinham apenas pelas diferenças entre seus times do coração, como poderemos entender e/ou aceitar as diferentes culturas que vivem os países? Apenas hipoteticamente ou como num conto de fantasia, suponhamos que o Brasil, sob o governo de qualquer partido político, tivesse se concientizado que a única forma do país sair das classificações, seja de subdesenvolvido, emergente ou potência, partindo para um crescimento onde pudesse aliar todas as nossas riquezas naturais e produção de produtos acabados e inundando o mundo com os made in Brazil. Tal empreitada em primeiro lugar teria de haver compromissos de todos os partidos para que numa eventual mudança do titular o projeto fosse mais importante que as vaidades individuais dos coroneis, sindicalistas ou mesmo de cientistas, assegurando a continuidade; a educação teria num primeiro momento passar a ser uma exigência do Estado para com a população, prevendo inclusive sansões uma vez que para sair do buraco algum sacrifício precisa se feito ou cobrado. Para que todo o mecanismos funcionasse os bancos não mais poderiam viver as custas dos altos spreads sem que produzam um prego ou folha de papel, os funcionários, fossem da iniciativa livre ou de orgãos de governo teriam de passar por um exigente programa de melhoria de produtividade e sem hipocrisias, aceitando de bom grado a declaração dos titulares da FIFA ou seja trabalhar mais e falar menos ou ainda, não atendendo as expectativas, levariam chutes nos traseiros e blá, blá, blá. Evidentemente a nova postura do Brasil passaria a incomodar em primeiro lugar os países concorrentes, mas para não assumirem suas incompetencias passariam a alegar temas tão em moda como ecologia, direitos trabalhistas, direitos humanos e outras infinidades de blá, blá, blás.

      Finalizando, a história é escrita pelos vencedores e seus simpatizantes e pouco crédito é dado aos vencidos. O ocidente se imagina o senhor dos aneis (valores sociais, direitos, etc), mas quem outorgou aos povos do ocidente que as suas convicções estão corretas? Tive a chance de ler um livro cujo autor era um japonês que relatava a visão daquele povo para partirem ao ataque a base naval de Pearl Harbor, ataque que na visão do vitorioso, denominaram de traçoeiro, infame e outros adjetivos (Toedore Roosevelt). Só esqueceram (americanos, ingleses, belgas, holandeses) de informar que na busca de mercado para seus produtos, criaram deliberadamente bloqueios e sansões comerciais para os japoneses, que diga se de passagem também não eram flor que se cheire. Se os propalados valores ocidentais foram vendidos em larga escala pelos americanos e europeus, talvez agora com a queda do império, seja chegada a hora dos chineses.

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    • 04/04/2012 - 13:37
      Enviado por: true.history

      Frase muito bem lembrada pelo nosso amigo Tetsuo Shimura: “… a história é escrita pelos vencedores e seus simpatizantes e pouco crédito é dado aos vencidos.”
      Só lembrando que o POVO sempre é o vencido por tais estados.

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    • 04/04/2012 - 19:50
      Enviado por: Fey

      Tetsuo Shimura,

      Apesar de concordar em grande parte (ou melhor, com tudo) oque disse, me falha os meus neurônios fracos para conectar a sua menssagem com a minha…
      Todavia oque quero apontar no meu comentário é que há muita hipocrisia da parte de nós ocidentais com relação a China onde tapamos um olho para a sua falta de ética em várias questões políticas, e miramos com outro olho as tão faladas “oportunidades de negócio” que no longo prazo pode não ser tão vantajoso assim.

      Pode até ser “a vez da China”, mas se isso justifica a sua maneira de censurar o povo, oprimir as suas minorias, e pressionar militarmente os outros países, é outra história. O mais triste é ficar preso nessa mentalidade de que tem sempre de ter “a vez” de alguém, e não esse alguém se tornar algo melhor do que os seus rivais passados. O Japão que mencionou é um exemplo que contraria isso: após perderem a 2a Guerra poderiam ficar culpando os americanos por cada miséria do seu povo, poderiam após se tornarem a 2a maior economia do mundo na década de 80, dizer que “agora é a nossa vez” e se militarizar novamente para projetar sua força. Entretanto o caminho que eles tomaram foi diferente: se tornaram o segundo maior aliado dos americanos e outros países ocidentais na esfera político-financeira com muitas parcerias em condições recíprocas, e até hoje a sua população se recusa a aumentar o seu poder bélico apesar de sentir ameaças de seus vizinhos como a Coréia do Norte e China.

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