O Banco Mundial elevou de 9,0% para 9,5% sua projeção de crescimento da China neste ano, ao mesmo tempo em que e defendeu a valorização do yuan em relação ao dólar e a elevação dos juros para conter expectativas inflacionárias, evitar a formação de bolhas de ativos e rebalancear a economia. Em sua avaliação trimestral sobre a China, a instituição ressaltou que a situação local é distinta à da maioria dos demais países e demanda uma política monetária mais apertada que a do ano passado, quando o volume de novos créditos dobrou em relação ao período anterior, para US$ 1,4 trilhão, o equivalente a 30% do PIB.
“A crise financeira mundial nos ensinou que a política monetária tem um papel central para evitar a criação de bolhas de ativos. A China tem condições de ter uma taxa de juros mais alta e a maior flexibilidade na taxa de câmbio ajudaria a reduzir o temor de aumento do fluxo de capitais para o país”, afirmou Louis Kuijs, economista-sênior do Banco Mundial em Pequim.
Depois da reforma do regime cambial em 2005, a China voltou a vincular a cotação de sua moeda ao dólar a partir de meados de 2008. Desde então, o yuan está estabilizado no patamar de 6,83 por US$ 1,00. A paridade com o dólar faz com que Pequim tenha que seguir a política monetária dos Estados Unidos, que está com juros extremamente baixos para enfrentar a queda na atividade econômica.
A China cresceu 10,7% no último trimestre de 2009 e fechou o ano com expansão de 8,7%, de longe o maior índice entre os grandes países. Apesar do aquecimento econômico, a China enfrenta restrições para elevar os juros, porque o movimento pode estimular a entrada de capitais no país, dificultando a manutenção do câmbio fixo. É por isso que o Banco Mundial defende a apreciação da moeda. “O fortalecimento da taxa de câmbio pode ajudar a reduzir as pressões inflacionárias e rebalancear a economia. Com o tempo, a maior flexibilidade cambial pode permitir que a China tenha uma política monetária independente das condições cíclicas dos Estados Unidos, o que é cada vez mais necessário”, observa o relatório trimestral divulgado ontem.
Pequim enfrenta pressão internacional crescente para apreciar sua moeda. Nesta semana, senadores norte-americanos apresentaram proposta de legislação que classifica a China como um país que manipula o câmbio para obter vantagens comerciais, o que abriria caminho para a imposição de sobretaxas na importação de seus produtos. Com isso, eles esperam neutralizar o que consideram como vantagem indevida das vendas chinesas.
Os críticos afirmam que a cotação do yuan é mantida artificialmente entre 20% e 40% abaixo do que seria o patamar correto, caso forças de mercados definissem o seu valor. A moeda depreciada aumenta a competitividade das exportações chinesas, na medida em que reduz os seus preços em dólares. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou no domingo que o yuan não está depreciado e disse que seu valor será mantido em um patamar “estável”.
Os economistas do Banco Mundial não se referiram ao impacto do câmbio sobre as exportações e destacaram apenas os efeitos que uma moeda valorizada teria sobre a economia chinesa. “Se há inflação e fluxo de capitais, o fortalecimento da taxa de câmbio faz parte do arsenal para enfrentar esses problemas e também ajuda no objetivo de rebalancear a economia, na medida em que muda os preços relativos e cria incentivos para o consumo doméstico”, destacou Ardo Hansson, economista-chefe do Banco Mundial na China.
A instituição espera crescimento de 8,7% em 2011, mas ressalta que o país enfrenta riscos decorrentes da grande expansão monetária no ano passado. Os mais preocupantes são a alta do preço dos imóveis, que pode indicar uma bolha no setor, e a piora das finanças dos governos locais, em razão do grande volume de empréstimos contraídos em 2009 para construção de obras de infraestrutura.
Além de defender a alta dos juros, Kuijs ressaltou que o governo terá de ser estrito neste ano no cumprimento da meta de expansão do crédito em 7,5 trilhões de yuans (US$ 1 trilhão), para reduzir os riscos relacionados ao aumento da liquidez. O mercado imobiliário está “superaquecido”, na avaliação da instituição, e registrou alta de preços de 10,7% no mês de fevereiro, o mais elevado índice dos últimos dois anos.
Os economistas do Banco Mundial não consideram que a inflação seja um problema, apesar da alta de 2,7% no Índice de Preços ao Consumidor registrada em fevereiro. Segundo Kuijs, há capacidade ociosa no mundo, o que deve conter as remarcações de produtos manufaturados, enquanto as cotações das commodities não deverão ter elevação significativa em 2010 _o Banco Mundial prevê alta média de 5,3%, excluído o petróleo, cujo preço passaria de US$ 61,80 em 2009 para US$ 76,00 neste ano. (Este texto foi publicado na edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo)
Cláudia Trevisan= Estou recebendo sempre conhecimento com a sua reportagem(Das110 de 3/3/2008 até 18/3/2010)Algumas, ainda vou ler. Seria possivel sugerir outros assuntos? Para isso tenho de enviar os anexos. Queira abrir caminho. Agradeço. Continue com a sua distribuição de conhecimentos.Vale lembrar: “Informação envelhece e conhecimento renova”.
Oi Rogério, obrigada por seu interesse. Será que vc pode sugerir pelo menos os temas aqui, assim há mais possibilidade de debate?
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O câmbio e a moeda esotérica chinesa
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Dólar comercial_____R$ 1,76
Euro comercial_____R$ 2,42
Peso Argentino_____R$ 0,45
Libra (esterlina)_____R$ 2,70
Yuan – Yin e Yang__R$ 0,26
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MEXER no que ESTÁ QUIETO. A Europa vivia num mar de prosperidade, exportando “horrores” para os Estados Unidos. O Japão sempre exportou “tudo” para os Estados Unidos. A Koreia, China e Brasil, idem. Há 12 ou 15 anos atrás houve um “surto demoniaco” onde tudo que estava bom, os Governantes “tomados” por sêres ou “entidades” do mal e fizeram uma grande mexida MUNDIAL… Cruzeiro fraco exportador virou Real forte importador; Marco Alemão, Franco Francês, Lira, Escudo, Pesetas, etc, FRACAS exportadores viraram EURO importador, Yen, Won, Austral Argentino fracos exportadores viraram fortes importadores,… o tumulto na economía mundial estava DISSEMINADO para alegría dos “endemoniados”. Querem ARRASTAR a gigante atual das exportações, CHINA com sua moeda fraca a torna-la forte forte e virar IMPORTADORA. Será tão ESTÚPIDA como foram os outros “tomados pelo mal”, ao deixar-se DOMINAR. E tem gente, do povo, que acha ótimo ter uma moeda forte! Éééé… quem pensa “pouco” deixa quem pensa muito, rico.
Vou concordar com você Newton. Faz sentido seu comentário. Deve ter algum motivo para os EUA quererem a mudança no câmbio chinês. A cotação fixa, ainda permite compras na própria moeda. E o Irã já estaria sendo pago em Yuan, nos contratos de fornecimento de Petróleo para a China. Isso deve incomodar…
responder este comentário denunciar abusoNewton, o yuan mais forte ajudaria a reduzir os famosos “desequilíbrios” globais, com o aumento do consumo _e da importação_ da China. Mas o governo de Pequim fará isso com muito cuidado e de maneira gradual. Um dos exemplos que eles não querem seguir é justamente o do vizinho Japão, que cedeu à pressão para valorização de sua moeda nos anos 80 e entrou em um período de estagnação. Esssa não foi a única razão, mas ajudou.
responder este comentário denunciar abusoAgradeco pelas suas reportagens, enriquece o nosso conhecimento global, a China é hoje o centro de informacoes para enxergarmos o que vem no futuro.
Claudia onde se lê apreciacao, nao seria depreciacao ?
2012
2011
2010
2009
2008
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