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Cláudia Trevisan

18.março.2010 07:50:43

A pressão sobre o yuan

O Banco Mundial elevou de 9,0% para 9,5% sua projeção de crescimento da China neste ano, ao mesmo tempo em que e defendeu a valorização do yuan em relação ao dólar e a elevação dos juros para conter expectativas inflacionárias, evitar a formação de bolhas de ativos e rebalancear a economia. Em sua avaliação trimestral sobre a China, a instituição ressaltou que a situação local é distinta à da maioria dos demais países e demanda uma política monetária mais apertada que a do ano passado, quando o volume de novos créditos dobrou em relação ao período anterior, para US$ 1,4 trilhão, o equivalente a 30% do PIB.

“A crise financeira mundial nos ensinou que a política monetária tem um papel central para evitar a criação de bolhas de ativos. A China tem condições de ter uma taxa de juros mais alta e a maior flexibilidade na taxa de câmbio ajudaria a reduzir o temor de aumento do fluxo de capitais para o país”, afirmou Louis Kuijs, economista-sênior do Banco Mundial em Pequim.

Depois da reforma do regime cambial em 2005, a China voltou a vincular a cotação de sua moeda ao dólar a partir de meados de 2008. Desde então, o yuan está estabilizado no patamar de 6,83 por US$ 1,00. A paridade com o dólar faz com que Pequim tenha que seguir a política monetária dos Estados Unidos, que está com juros extremamente baixos para enfrentar a queda na atividade econômica.

A China cresceu 10,7% no último trimestre de 2009 e fechou o ano com expansão de 8,7%, de longe o maior índice entre os grandes países. Apesar do aquecimento econômico, a China enfrenta restrições para elevar os juros, porque o movimento pode estimular a entrada de capitais no país, dificultando a manutenção do câmbio fixo. É por isso que o Banco Mundial defende a apreciação da moeda. “O fortalecimento da taxa de câmbio pode ajudar a reduzir as pressões inflacionárias e rebalancear a economia. Com o tempo, a maior flexibilidade cambial pode permitir que a China tenha uma política monetária independente das condições cíclicas dos Estados Unidos, o que é cada vez mais necessário”, observa o relatório trimestral divulgado ontem.

Pequim enfrenta pressão internacional crescente para apreciar sua moeda. Nesta semana, senadores norte-americanos apresentaram proposta de legislação que classifica a China como um país que manipula o câmbio para obter vantagens comerciais, o que abriria caminho para a imposição de sobretaxas na importação de seus produtos. Com isso, eles esperam neutralizar o que consideram como vantagem indevida das vendas chinesas.

Os críticos afirmam que a cotação do yuan é mantida artificialmente entre 20% e 40% abaixo do que seria o patamar correto, caso forças de mercados definissem o seu valor. A moeda depreciada aumenta a competitividade das exportações chinesas, na medida em que reduz os seus preços em dólares. O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, afirmou no domingo que o yuan não está depreciado e disse que seu valor será mantido em um patamar “estável”.

Os economistas do Banco Mundial não se referiram ao impacto do câmbio sobre as exportações e destacaram apenas os efeitos que uma moeda valorizada teria sobre a economia chinesa. “Se há inflação e fluxo de capitais, o fortalecimento da taxa de câmbio faz parte do arsenal para enfrentar esses problemas e também ajuda no objetivo de rebalancear a economia, na medida em que muda os preços relativos e cria incentivos para o consumo doméstico”, destacou Ardo Hansson, economista-chefe do Banco Mundial na China.

A instituição espera crescimento de 8,7% em 2011, mas ressalta que o país enfrenta riscos decorrentes da grande expansão monetária no ano passado. Os mais preocupantes são a alta do preço dos imóveis, que pode indicar uma bolha no setor, e a piora das finanças dos governos locais, em razão do grande volume de empréstimos contraídos em 2009 para construção de obras de infraestrutura.

Além de defender a alta dos juros, Kuijs ressaltou que o governo terá de ser estrito neste ano no cumprimento da meta de expansão do crédito em 7,5 trilhões de yuans (US$ 1 trilhão), para reduzir os riscos relacionados ao aumento da liquidez. O mercado imobiliário está “superaquecido”, na avaliação da instituição, e registrou alta de preços de 10,7% no mês de fevereiro, o mais elevado índice dos últimos dois anos.

Os economistas do Banco Mundial não consideram que a inflação seja um problema, apesar da alta de 2,7% no Índice de Preços ao Consumidor registrada em fevereiro. Segundo Kuijs, há capacidade ociosa no mundo, o que deve conter as remarcações de produtos manufaturados, enquanto as cotações das commodities não deverão ter elevação significativa em 2010 _o Banco Mundial prevê alta média de 5,3%, excluído o petróleo, cujo preço passaria de US$ 61,80 em 2009 para US$ 76,00 neste ano. (Este texto foi publicado na edição de hoje do jornal O Estado de S.Paulo)

comentários (7) | comente

7 Comentários Comente também
  • 18/03/2010 - 13:01
    Enviado por: Rogério Gomes

    Cláudia Trevisan= Estou recebendo sempre conhecimento com a sua reportagem(Das110 de 3/3/2008 até 18/3/2010)Algumas, ainda vou ler. Seria possivel sugerir outros assuntos? Para isso tenho de enviar os anexos. Queira abrir caminho. Agradeço. Continue com a sua distribuição de conhecimentos.Vale lembrar: “Informação envelhece e conhecimento renova”.

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    • 22/03/2010 - 06:36
      Enviado por: Cláudia Trevisan

      Oi Rogério, obrigada por seu interesse. Será que vc pode sugerir pelo menos os temas aqui, assim há mais possibilidade de debate?

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  • 18/03/2010 - 14:22
    Enviado por: Glúon

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    O câmbio e a moeda esotérica chinesa
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    Dólar comercial_____R$ 1,76
    Euro comercial_____R$ 2,42
    Peso Argentino_____R$ 0,45
    Libra (esterlina)_____R$ 2,70
    Yuan – Yin e Yang__R$ 0,26
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  • 19/03/2010 - 13:17
    Enviado por: Newton Apple Head

    MEXER no que ESTÁ QUIETO. A Europa vivia num mar de prosperidade, exportando “horrores” para os Estados Unidos. O Japão sempre exportou “tudo” para os Estados Unidos. A Koreia, China e Brasil, idem. Há 12 ou 15 anos atrás houve um “surto demoniaco” onde tudo que estava bom, os Governantes “tomados” por sêres ou “entidades” do mal e fizeram uma grande mexida MUNDIAL… Cruzeiro fraco exportador virou Real forte importador; Marco Alemão, Franco Francês, Lira, Escudo, Pesetas, etc, FRACAS exportadores viraram EURO importador, Yen, Won, Austral Argentino fracos exportadores viraram fortes importadores,… o tumulto na economía mundial estava DISSEMINADO para alegría dos “endemoniados”. Querem ARRASTAR a gigante atual das exportações, CHINA com sua moeda fraca a torna-la forte forte e virar IMPORTADORA. Será tão ESTÚPIDA como foram os outros “tomados pelo mal”, ao deixar-se DOMINAR. E tem gente, do povo, que acha ótimo ter uma moeda forte! Éééé… quem pensa “pouco” deixa quem pensa muito, rico.

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    • 20/03/2010 - 00:46
      Enviado por: moshé

      Vou concordar com você Newton. Faz sentido seu comentário. Deve ter algum motivo para os EUA quererem a mudança no câmbio chinês. A cotação fixa, ainda permite compras na própria moeda. E o Irã já estaria sendo pago em Yuan, nos contratos de fornecimento de Petróleo para a China. Isso deve incomodar…

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    • 22/03/2010 - 06:39
      Enviado por: Cláudia Trevisan

      Newton, o yuan mais forte ajudaria a reduzir os famosos “desequilíbrios” globais, com o aumento do consumo _e da importação_ da China. Mas o governo de Pequim fará isso com muito cuidado e de maneira gradual. Um dos exemplos que eles não querem seguir é justamente o do vizinho Japão, que cedeu à pressão para valorização de sua moeda nos anos 80 e entrou em um período de estagnação. Esssa não foi a única razão, mas ajudou.

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  • 22/03/2010 - 20:06
    Enviado por: Julie

    Agradeco pelas suas reportagens, enriquece o nosso conhecimento global, a China é hoje o centro de informacoes para enxergarmos o que vem no futuro.

    Claudia onde se lê apreciacao, nao seria depreciacao ?

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