Ao mesmo tempo em que defende a adoção de uma moeda internacional em substituição ao dólar, a China dá os primeiros passos para promoção do uso de sua própria moeda, o yuan, nas transações comerciais e como reserva de valor, principalmente na Ásia. Desde o dia 12 de dezembro, Pequim já fechou acordos de swap cambial no valor de US$ 95,6 bilhões com seis países, o último dos quais a distante Argentina.
Os convênios têm validade de três anos e a função de promover o comércio e investimentos e prover liquidez aos envolvidos. Com US$ 2 trilhões de reservas internacionais, é natural que a China seja o país responsável por fornecer recursos a eventuais necessitados, papel que até pouquíssimo tempo cabia aos países desenvolvidos.
Ben Simpfendorfer, economista do Royal Bank of Scotland em Hong Kong, vê nos acordos um gesto político de Pequim para fortalecer sua posição na economia global e, no futuro, ver sua própria moeda ser usada nas relações comerciais, pelo menos na Ásia.
“Todos os movimentos recentes do governo chinês estão relacionados. O uso do yuan nas transações internacionais é algo que vai demorar décadas, mas os líderes de Pequim pensam em termos de décadas”, disse Simpfendorfer ao Estadão.
Segundo ele, os acordos são o primeiro passo para a obtenção de um objetivo mais modesto, que é a supremacia do yuan no entorno chinês. O outro gesto de Pequim na direção de maior projeção global é a defesa de uma moeda internacional que substitua o dólar como reserva de valor, feita pelo presidente do banco central do país, Zhou Xiaochuan, dez dias antes do início da reunião do G20 marcada para esta semana em Londres.
A China tem pelo menos metade de suas reservas internacionais aplicadas em ativos denominados em dólar e está preocupada com o valor de seus investimentos. As autoridades de Pequim temem que o aumento do endividamento norte-americano para financiar o pacote de estímulo à economia leve à desvalorização da moeda local e, por conseqüência, dos papéis em seu poder.
No ano passado, a China ultrapassou o Japão e se tornou o maior financiador do déficit dos Estados Unidos em suas transações com o restante do mundo. No fim de janeiro, o país tinha um estoque de US$ 739,6 bilhões de títulos do Tesouro norte-americano em seu poder.
A proposta dos chineses de criação de uma moeda internacional encontrou eco em uma comissão da Organização das Nações Unidas dirigida pelo Prêmio Nobel em economia Joseph Stiglitz encarregada de apresentar sugestões para o enfrentamento da crise global.
Concluído no dia 19 de março, o documento propõe um novo “Sistema Global de Reserva”, que poderia ter origem no Special Drawing Rights (SDR), uma versão rudimentar de uma reserva internacional criada pelo FMI em 1969, que tem uma cotação em relação às diferentes moedas nacionais.
De acordo com Stiglitz, o sistema atual faz com que países em desenvolvimento emprestem bilhões de dólares de suas reservas aos países desenvolvidos a taxas de juros extremamente baixas. “Os perigos de um sistema de reserva baseado em um único país são reconhecidos há muito tempo, na medida em que o aumento de dívidas mina a confiança e a estabilidade [no sistema]“, sustenta a conclusão do grupo nomeado pela ONU.
Na proposta que divulgou na semana passada, Zhou Xiaochuan também defende a utilização dos SDR em uma primeira etapa na criação de uma nova moeda internacional.
Aqui a lista dos países com os quais a China assinou acordos de swap cambial:
Coréia do Sul, no dia 12 de dezembro, no valor de US$ 26,5 bilhões.
Hong Kong, 20 de janeiro, US$ 29,4 bilhões;
Malásia, 9 de fevereiro,US$ 11,8 bilhões;
Indonésia, 23 de março, US$ 14,7 bilhões;
Belarus, 11 de março, US$ 2,9 bilhões;
Argentina, 29 de março, US$ 10,3 bilhões.
…prezada Cláudia, deixa eu falar uma coisa, quero ser bem direto ao assunto.
…dá para acreditar nesses números de forma injenua e achar que o mundo se tornará uma maravilha?
…se bem que se trata de acordos…
Demonstra que os chineses quando fazem uma proposta, já estão tomando medidas práticas de acordo com ela. Gera impressão de que as reuniões do G-20 de Londres e outras similares e posteriores poderão se tornar, ou um esforço para salvar o dólar, ou uma jogada de toalha dos EUA para que cada um procure seus interesses e não espere mais pela valorização da moeda norteamericana. Em todo caso, o Direito Especial de Saques (DES) já é uma medida monetária internacional há muito tempo e que tinha sido deixada de lado. Nesse mundo financeiro o cavalheirismo é impecável, mas o pragmatismo é que dá as cartas por baixo das mesas. O andar da carruagem é que vai orientar as rédeas dos cocheiros.
Há muitos anos não acredito na moeda americana. Não pode haver uma moeda cujo curso se inicie e termine nela própria, penso eu. Deficitários dede a Guerra da Coréia, a moeda virou uma ficção. Quanto vale um dólar, hoje, pergunto a amigos que tenho pelos lugares onde viajo. Ninguém sabe. Como fica a inflação americana ? idem, idem Como um país pode financiar -se sem limites por 10, 20, 30, 50 anos ? Não pode !!! Por isso acredito que um valor comum, e baseado em sistemas comuns de avaliação tenda a ser a nova ordem mundial em termos da definição do comércio internacional. O movimento da China pode até ser grande e rela, mas pode ser esvaziado em pouco tempo. A ela, pelo que vejo lá dentro mesmo, faltam vários pilares que o deficit dos outros propiciam na sua busca pelo crescimento. Uma vez que o mundo também mude, pois vejo a mudança como necessária, e que entenda, de vez, que não há renda sem produto, tudo o jogo econômico poderá ter uma guinada. Sinto isso no meu trabalho. Vejo as coisas ocorrerem. Todo mundo deseja terceirizar sua produção , enviando fábricas poluidoras, trastes depreciados à periferia do mundo, como numa espécie de acordo não formal para a transferência d sistemas poluidores. Mas essa rua, para mim, é sem saída. O mundo é um só. A fumaça da China mata o americano ,mesmo que ele esteja na Bolívia. e a solução não está em cortar empregos e encarregar o banco de prover juros até o final dos tempos. Por sinal, o final dos tempos me parece tão próximo, que não vale a pena arriscar mais tempo em continuar com a filosofia que dirig3 o G20
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