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Cláudia Trevisan

09.novembro.2009 07:51:31

A China e o câmbio

Por mais que o ministro Guido Mantega queira, a adoção do câmbio flutuante não faz parte dos planos de médio prazo da China, o que na noção de tempo do antigo Império do Meio pode significar muitos anos. O país é pressionado desde o início desta década por norte-americanos e europeus a valorizar sua moeda e adotar uma política cambial mais flexível e resiste bravamente.

A estabilidade do yuan e seu baixo valor em relação ao dólar são um dos principais ingredientes da receita de sucesso do modelo de desenvolvimento da China, que em 30 anos conseguiu sair de uma posição irrelevante no comércio internacional para o posto de segundo maior exportador do mundo _a liderança deverá ser obtida até 2010.

Como disse o Nobel de Economia Michel Spence em entrevista concedida a Fernando Dantas e publicada hoje no Estadão, “todos os países em desenvolvimento que tiveram alto crescimento, sustentado por um longo período, administraram suas moedas em alguma medida”. E nenhum deles seguiu a receita de maneira mais estrita que a China. Oficialmente, Pequim possui um câmbio “flutuante administrado”, mas na prática o modelo é muito mais “administrado” do que “flutuante” e está totalmente sujeito aos interesses econômicos do país.

Desde que a crise mundial começou a se insinuar, em meados do ano passado, a cotação da moeda chinesa se mantém inalterada em relação à norte-americana, na casa dos 6,80 yuans por US$ 1,00. Como o dólar se desvalorizou no mercado internacional, isso significa que o yuan também perdeu valor em termos reais em relação às demais moedas, incluindo o real brasileiro, o que ampliou ainda mais a competividade das exportações chinesas.

A maioria dos analistas acredita que o Banco do Povo da China deverá retomar a política de apreciação do yuan em algum momento do próximo ano, depois que as exportações se recuperarem um pouco em relação à profunda queda de 2009. Mas como tudo que diz respeito à moeda, o movimento será extremamente gradual e estará longe de qualquer coisa que lembre o câmbio flutuante. O banco UBS, por exemplo, prevê que no fim de 2010 a relação entre yuan/dólar está entre 6,50 e 6,40.

Depois de 11 anos de câmbio fixo, nos quais o yuan foi cotado em torno de 8,30 por US$ 1,00, a China anunciou no dia 21 de julho de 2005 a reforma de seu sistema cambial. A mudança previa a flutuação administrada do yuan em relação a uma cesta de moedas, dentro de uma banda fixada diariamente pelo Banco do Povo da China (o banco central local).

Desde o início, as autoridades de Pequim deixaram claro que o gradualismo daria o tom de sua reforma cambial. Em mais de quatro anos de reforma, o yuan ganhou cerca de 20% em relação ao dólar. Diante da persistente apreciação do real em relação ao dólar, o ministro Mantega defendeu que todos os países do G20 adotem o câmbio flutuante. Mas nada indica que os chineses tenham intenção de mudar sua estratégia agora.

comentários (13) | comente

13 Comentários Comente também
  • 09/11/2009 - 17:28
    Enviado por: Mané

    Essa política cambial chinesa está prejudicando o mundo todo, ao qual restará impor barreiras ou taxas para compensação.
    E o apedeuta ainda reconheceu a China como economia de mercado, o que não é verdade, e não ganhou nada em troca.
    Acredito que países como o Brasil são os mais prejudicados pela política cambial chinesa.

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  • 09/11/2009 - 18:00
    Enviado por: Cristian

    Acho que em se tratando de economia, cada país deve saber o que é melhor para si. Como podem justamente os EUA e Europa, insistirem alguma coisa ref a economia da China, se eles são os maiores protecionistas do planeta? isso não me parece justo. E pensar que a Russia poderia estar ocupando o lugar da China hoje, se tivessem interpretado certo Karl Marx, nas origens da revolução socialista. Parece-me, que a China foi mais inteligente, e seguiu os passos do pensador, e obteve êxito no processo. Sorte e Competência deles!!! Há quem diga que trabalhador chinês é escravo, mas hoje em dia já não é bem assim, principalmente temos que olhar que o desemprego não é mais um problema nesse país, e que de poucos e poucos, a própria economia interna, vai dando conta do recado. Pois o povo da China hoje, é um povo super orgulhoso de seu país e seus governantes.
    E eu estive lá durante o mês de outubro inteiro e pude ver com meus próprios olhos.

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  • 09/11/2009 - 18:16
    Enviado por: A. Stonis

    Em 25 anos a China mostrou como se faz capitalismo eficiente, com seu mixto quente tecnologia, trabalho e investimento maciço em educação de ponta.
    Seus milhoes de engenheiros, quimicos, físicos e em todas as áreas do conhecimento que vem sendo formados a 20 anos é que estão fazendo a diferença.
    Os Ocidentais não conseguem entender como esse soclialismo chinês dá tão certo, quebram a cabeça a 20 anos e ainda não descobriram o óbvio.
    Primeiro disciplina Oriental, muito estudo, coesão em objetivos e não perder tempo com o moralismo capitalista.
    Essa é a chave do sucesso.. acordou agora o Ocidente, mas o gigante já se levantou e quem pode com ele.
    Dentro de 30 anos será o senhor da Economia e do Poder, isto é inexorável.
    E com seu exército de 1.5 bilhoes de formigas, fará um estrago no pensamento Ocidental agora em declinio.
    São dois poderes o Chinês e o Muçulmano que imporão no futuro

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  • 09/11/2009 - 18:55
    Enviado por: marco aurélio garcia

    Se a China deixar o câmbio flutuar a valorização será muito grande e rápida. Sua indústria acostumada com a proteção de um câmbio artificialmente desvalorizado não foi motivada a buscar ganhos de produtividade (não conseguirá sobreviver à concorrência, não é competitiva). Suas reservas de 2 trilhões serão desvalorizadas em 40% (800 bi.). Por outro lado sua moeda terá mais poder de compra (e seu povo). O povo será mais rico. É fazer as contas: ficar ad eternum trocando o trabalho de seu povo por uma moeda podre, ou sofrer as consequências de ter que enfrentar o mundo da verdade.

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  • 10/11/2009 - 03:10
    Enviado por: Shanghai

    Moro na China ha 3 anos . Vi e vejo todos os dias a forca de vontade de crescer do povo Chines . Trabalho, muito trabalho atras disso… nao existe nenhum milagre . Investimento gigantesco na educao e na saude, o que deveria ser o basico em qualquer lugar do mundo. Estao transformando a nacao lavada cerebralmente pela Revolucao Cultural em um dos paises mais fortes em apenas 30 anos. Qualquer pais com a mesma forca de vontade faria o mesmo. Obviamente eh muito mais gostoso sambar e jogar futebol , soh que como disse Chico Buarque ‘um pais rico e ignorante, eh um pais perigoso… Ja a China, se nao se proteger quem vai fazer por eles?
    O que chamam de escravos sao apenas pessoas humildes ,com disposicao, e muita vontade de aprender. Obviamente vao governar o mundo…

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    • 20/10/2010 - 14:13
      Enviado por: Ed

      Babaca esse Shangai, só se é você que vive sambando e jogando futebol.
      Se eles são tão competentes, porque não montam fábricas aqui, como pode ser mais barato colocar mat. prima em um navio, levar para a China, industrializar, trazer de volta com todos os custos por milhares de kms (transporte, desembaraço, etc); sabe porque ??? Câmbio fantasia, mão-de-obra barata, carga tributária baixa, custo energético baixo (Brasil apesar de produtor cobra o olho da cara), exigências ambientais, previdenciárias, trabalhistas e etc inexistentes ou mínimas.
      Claro que é injusto; tenho vários exemplos de empresas com o uso intensivo de energia que com a planta mais moderna do mundo no Brasil e com mat. prima, seria mais barato colocar no navio e trazer de volta industrializado.
      Portanto tem uma dose de competência e muito de concorrência desleal e vergonhosa eliminando empregos de pessoas como eu que trabalha 12 hs por dia, estuda, faz cursos, tem 2 faculdades e 1 pós.
      Fica na China mesmo seu traíra e não volta mais !!!

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  • 10/11/2009 - 04:47
    Enviado por: jaderdavila

    o yuan é a proxima moeda do planeta
    vai nivelar tudo por baixo
    países que só tem commodities
    e vendem essa commodities pra china
    recebem em yuan
    e quando compram coisa fabricada da china
    já pagam no proprio yuan
    no mercado interno desses países circula yuan
    porque os preços vem em yuan
    e sai mais barato que imprimir moeda propria

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  • 10/11/2009 - 09:53
    Enviado por: Engº José Speridião Jr.

    Câmbio não é matéria para ser decidida por banco central ou economistas apenas. Se assim fosse poderia-se deixar as decisões de marketing das empresas para serem tomadas pelo contador. Os Chineses sempre estiveram com os pés no chão e foram inteligentes deixando sua moeda desvalorizada pois só assim conseguiriam penetrar nos mercados. Adotaram a estratégia correta e estão melhorando seus produtos especialmente os das multinacionais que lá se instalaram atraidas pelos baixos custos. No entanto nós brasileiros, metidos a ricos ficamos nessa de neoliberalismo acreditando tal como pregava Adam Smith que a mão invisível do mercado tudo equilibraria;….pura bobagem! Mas a nossa classe média formadora de opinião mormente formada por muitos universitários se deixa corromper com os bens de consumo adquiridos à custa do suor dos trabalhadores que sustentam essa ilusória e mentirosa supervalorização do REALmente mentiroso. Produção, trabalho e juros mais baixos e o fim da agiotagem “legalizada” isso sim trará progresso.

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  • 10/11/2009 - 10:10
    Enviado por: Mané

    Acho que o pessoal está se esquecendo dos custos de produção, ao comentar o enorme crescimento da China.
    Os salários são altos?
    Os impostos são altos?
    Há previdência?
    Tenho raquetes francesas, fabricadas na China.
    A raqueteira é americana, fabricada na China.

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  • 10/11/2009 - 10:38
    Enviado por: claudiatrevisan

    A explicação para o crescimento chinês não se limita ao câmbio nem aos salários baixos. Os dos fatores contribuem bastante, mas não seriam suficientes sem o elevado nível de poupança do país, que permitiu que os investimentos representam quase 50% do PIB. No Brasil, o percentual não chega a 20%. Além disso, a carga tributária é baixa. A arrecadação de impostos gira em torno de 18% do PIB, metade do patamar brasileiro.
    Os chineses também investiram muito em infraestrutura, com portos, aeroportos, estradas e ferrovias infinitamente melhores que os encontrados no Brasil. Eles se antecipam e não esperam o caos aéreo para construir novos aeroportos. Antes mesmo de inaugurar no ano passado o maior aeroporto do mundo, em Pequim, o governo anunciou que iria começar a construção de um novo, para acompanhar o crescimento do tráfego aéreo.
    Mas sem dúvida o câmbio foi um fator fundamental para a competitividade chinesa no comércio global. E o Esperidão tem toda a razão: esse é um tema muito importante para ser deixado exclusivamente nas mãos do mercado.
    Cláudia Trevisan

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  • 10/11/2009 - 10:46
    Enviado por: David

    A China faz a politica cambial para que o seu país possa crescer exportando produtos manufaturados. O Brasil sem politica cambial e fiscal esta quebrando o setor inidustrial na questão de exportações.

    O Brasil esta exportando materia prima para China possa fornecer produtos acabados para Europa e Estados Unidos.

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  • 10/11/2009 - 12:24
    Enviado por: Nogueira

    Muitos se encantam com um superavit trilhonario da china, sua infraestrutura, mas na verdade esé país continental é uma incógnita, tem problemas étnicos maiores que qualquer outro, o ser humano operário que abastece as barracas da 25 de março e demais praças comerciais do brasil e do mundo de tranqueiras não recebe o suficiente para comer, não tem garantias, previdência, condições decentes de trabalho.

    Isso é o que nã deixa o mundo reconhecer a RPC república popular da china como economia de mercado, porque se a OIT organização Internacional do Trabalho, ONU e outras o fizesse, estaria dando carta branca para todos os empresarios do mundo fazer o mesmo, transfomando este planeta num caos sem fim.

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  • 11/11/2009 - 15:54
    Enviado por: patypimentinha

    Sóse fal de china nesses blogs?

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