Os habitantes de Tóquio podem acender seus cigarros em bares e restaurantes, mas correm o risco de receber uma multa de até US$ 200 se ousarem fumar ao ar livre fora das áreas delimitadas para esse fim nas calçadas e ruas da cidade. Andar e fumar é proibido na capital japonesa e os fumantes se amontoam ao lado de cinzeiros colocados ao fim de cada quadra ou em fumódromos localizados nas proximidades das estações de metrô ou de trem.
O rigor da restrição ao ar livre contrasta com a tolerância ao fumo em locais fechados. A prática só foi abolida totalmente nas estações de trem e nos táxis no ano passado e enfrenta poucas limitações nos bares e restaurantes. À diferença de São Paulo, o cliente que senta no balcão de um sushi bar de Tóquio não está livre de um vizinho fumante. Nos escritórios, os administradores têm a liberdade de decidir sobre restringir ou não o fumo entre os funcionários.
A proibição de andar e fumar começou a ser adotada em regiões da capital japonesa em 2002, depois que moradores reclamaram dos efeitos nocivos da fumaça sobre as crianças. A medida se espalhou por outras áreas e hoje se impõe em praticamente toda a cidade. Além do dano que pode causar às crianças, a prática foi vetada problemas que pode causar em grandes aglomerações: o fumante pode queimar outros pedestres e soltar fumaça no rosto de alguém que ande na direção contrária.
O hábito de fumar decaiu no Japão nos últimos anos, mas o país ainda tem um dos mais altos índices do mundo desenvolvido. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, quase metade dos homens adultos fuma e o câncer de pulmão é uma das principais causas de morte no país. O percentual de mulheres que acendem cigarros diariamente cresceu nos últimos anos e ultrapassou os 10% da população adulta.
O Japão tem cerca de 500 mil máquinas automáticas de venda de cigarros em todo o país e o governo é um dos principais acionistas da multinacional Japan Tobacco. Vender cigarros para menores de 20 anos é proibido, mas uma rápida caminhada pelos bairros onde se concentram os jovens permite constatar que a regra está longe de ser obedecida.
Fumódromos ao lado de entradas da estação de metrô de Shibuya

Fumódromo em rua de Tóquio

Alguém pode me dizer por que as lanchonetes dos aeroportos de Cumbica e Congonhas oferecem guardanapos embalados um a um em plástico, quando o mundo tenta reduzir a utilização do produto? Perguntei a meus amigos médicos se a prática trazia benefícios para a saúde pública e a resposta foi unânime: não! Mas o problema não é restrito aos aeroportos. A liberalidade com que sacolas plásticas são distribuídas no comércio foi um dos choques que tive em minha recente passagem pelo Brasil. É pequeno quando comparado à pobreza, à desigualdade social e à violência, mas é um indício da distância que estamos da necessária mudança de hábitos que a humanidade deverá encarar para manter a Terra um planeta habitável. Até uma minúscula lixa de unha é colocada em sacola plástica nas farmácias da cidade. Produtos que poderiam ser levados na bolsa ou na mão são embalados e, nos supermercados, são raríssimas as pessoas que carregam suas próprias sacolas de pano, reutilizáveis.
Alvo constante dos ambientalistas, a China obriga os estabelecimentos comerciais do país a cobrarem pelas sacolas plásticas. A medida começou a ser aplicada em junho de 2008 e provocou uma transformação no comportamento dos consumidores urbanos. A maioria dos clientes dos supermercados coloca suas compras em sacolas de pano e, nas farmácias e lojas de cosméticos, os atendentes perguntam se o consumidor quer saco plástico, que será cobrado. Quase sempre, a resposta é não _os compradores levam os produtos em suas bolsas ou nas mesmas sacolas utilizadas nos supermercados.
O uso de sacos plásticos tem efeito devastador sobre o meio ambiente. O produto pode demorar até 1.000 anos para desaparecer e é uma das grandes ameaças à vida marinha, de acordo com o Worldwatch Institute, uma das mais respeitadas entidades ambientalistas do mundo. Segundo a instituição, dezenas de milhares de baleias, tartarugas, gaivotas e outros pássaros morrem a cada ano depois de ingerir sacolas plásticas, confundidas com alimentos. Os sacos também entopem bueiros, poluem rios e terminam espalhados pela paisagem depois de jogados em lixões.
A restrição adotada pela China está longe de resolver os graves problemas ambientais do país e ainda “não pegou” na zona rural, onde vive 55% da população. Mas mostra ao menos que o tema está em pauta, o que não ocorre no Brasil.
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