ir para o conteúdo
 • 

Cláudia Trevisan

A epidemia de SARS que contaminou 8.096 pessoas e matou 774 em 29 países e regiões em 2003 é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a mais séria doença contagiosa de tempos recentes. Sua propagação provocou pânico na Ásia e só foi interrompida com a adoção de medidas drásticas, como o compulsório isolamento dos doentes e a quarentena dos suspeitos de portarem o vírus.

Concentrada na China e em Hong Kong, a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS em inglês) paralisou a economia da região durante quase três meses, interrompeu as aulas e levou à imposição de estritos controles sobre o trânsito de pessoas na região, sobretudo em Pequim, cidade que registrou o maior número de casos _cerca de 2.500. A epidemia ocorreu no período de novembro de 2002 a junho de 2003, quando as autoridades conseguiram controlar o processo de propagação do vírus entre humanos.

Mas algumas das medidas que foram cruciais para deter a transmissão da SARS podem se mostrar ineficazes no combate à gripe suína, que parece a nova epidemia global. Entre elas, está o amplo uso de aparelhos que monitoram a temperatura das pessoas, que foram fundamentais na identificação de possíveis doentes e seu imediato isolamento no caso da SARS. “As pessoas podem estar infectadas com o vírus da gripe suína e, mesmo assim, não apresentarem sintomas da doença. Na SARS, os doentes sempre tinham febre”, disse ao Estadão Peter Cordingley, porta-voz da Organização Mundial de Saúde (OMS) para o Leste Asiático. Segundo ele, a SARS foi a primeira grande epidemia do século 21 e, em certo momento, houve o receio de que ela se transformasse em uma pandemia e se espalhasse de maneira descontrolada por todo o mundo.

De acordo com documento da OMS, a “SARS causou mais temor e convulsão social do que qualquer outra doença em nosso tempo. Enquanto matou um número relativamente pequeno de pessoas, ela no entanto conteve economias, prejudicou o comércio e viagens internacionais e esvaziou as ruas de algumas das mais prósperas cidades do mundo”.

Das 774 mortes, 349 foram registradas na China, 299 em Hong Kong, 43 no Canadá, 37 em Taiwan e 33 em Cingapura. Os demais casos fatais ocorreram no Vietnam (5), Tailândia (2), Filipinas (2), Malásia (2), África do Sul (1) e França (1). Na avaliação de Cordingley, a experiência com a SARS mostrou a importância da divulgação de informações sobre a doença e do isolamento dos suspeitos de estarem contaminados. “Os governos não devem guardar informações. O começo da SARS foi muito difícil para a OMS porque não sabíamos o que estava ocorrendo na China”, lembra.

Apesar de o primeiro caso de contaminação pelo vírus ter sido registrado em seu território em novembro de 2002, as autoridades chinesas comunicaram a OMS do problema apenas em fevereiro do ano seguinte e só passaram a combater a epidemia de maneira transparente em abril. Cordingley afirma que os países da região estão bem mais preparados hoje para enfrentar uma epidemia do que em 2003. Desde então, as autoridades investiram em hospitais, em mecanismos de vigilância e controle de doenças transmissíveis, no treinamento de médicos e enfermeiras e no estoque de medicamentos eficazes no combate à gripe, como Tamiflu.

Mas ele ressalta que há diferenças fundamentais entre os dois vírus, que ainda não estão claras para os cientistas. A principal delas é que o vírus da SARS era puramente animal e provavelmente teve origem no gato almiscareiro, enquanto o vírus da gripe suína tem componentes de gripe suína, aviária e humana. Outra diferença é que, até a morte hoje de um bebê nos Estados Unidos, o atual vírus só havia provocado mortes no México, enquanto a SARS teve vítimas fatais em 29 países e regiões.

A brasileira Raquel Martins viveu o período da SARS em Pequim com o marido, Matti Lehtomen, e seus três filhos _Karolina, que na época tinha 10 anos, e os gêmeos Valtter e Idalina, que tinham 8. O que ela mais lembra são as ruas totalmente vazias. “Parecia Pequim na década de 70″, ressalta Raquel, que chegou à China em 1965, com 1 ano de idade.

O norte-americano William Eng, que vive no país desde 1994, também menciona a ausência de movimento na capital. “As escolas foram fechadas, várias empresas deixaram de funcionar e muitos restaurantes também suspenderam as atividades. Os que estavam abertos tinham máquinas para medir a temperatura dos clientes. As mesmas máquinas também eram usadas nos edifícios de escritório. Todo mundo usava máscaras e as pessoas tinham medo de sair de suas casas”, recorda Eng.

comentários (6) | comente

Estrategicamente localizada ao lado de Hong Kong, Shenzhen foi escolhida por Deng Xiaoping em 1980 para ser a primeira Zona Econômica Especial da China e se transformou em uma espécie de laboratório das transformações que catapultaram o país ao topo do ranking das maiores economias do mundo. A região dava incentivo para a atração de investimentos estrangeiros, tinha regras trabalhistas flexíveis e um sistema que estimulava a exportação.

Desde então, a economia local registrou crescimento anual médio de 28% ao ano, que desacelerou para 15% a partir de 2005 e algo um pouco inferior a 10% com a atual crise econômica global _ainda assim, se mantém acima da média nacional. A população da cidade saltou de 30 mil em 1978 para 350 mil em 1984 e atualmente está em cerca de 9 milhões. Grande parte dos moradores é de migrantes ilegais de outras regiões da China, atraídos pelas oportunidades de trabalho na região.

Diante desse currículo, eu esperava encontrar uma Cubatão com características chinesas quando estive na cidade há pouco mais de uma semana. Mas apesar de a poluição ser persistente, o cenário é surpreendente, pelo menos no perímetro urbano. Shenzhen é extremamente verde para um centro industrial e é cortada por avenidas largas, dividas por canteiros que são verdadeiros jardins, mantidos pela abundante e barata mão de obra chinesa.

A trajetória de Shenzhen é um retrato das mudanças da economia do país asiático e de sua ascensão na escala de valor agregado. A cidade tem um número cada vez menor de fábricas de bens de consumo de massa baratos e um crescente parque de empresas de alta tecnologia, o que ajuda a explicar o visual mais parecido com campus universitário do que com centro industrial. Na periferia, as fábricas poluentes e os enormes alojamentos para os migrantes rurais ainda dão o tom. Mas a Shenzhen do futuro é a mostrada nas imagens abaixo (a cidade está em uma região tropical e chovia quando as fotos foram feitas):

Algumas das avenidas de Shenzhen

Esta tem quilômetros de canteiros de flores


comentários (4) | comente

26.abril.2009 11:14:01

A sala da calçada

Talvez por serem 1,3 bilhão, os chineses têm uma noção de privacidade totalmente distinta do que prevalece no Ocidente e fazem em público muitas das coisas que reservamos ao interior de quatro paredes. É domingo à noite aqui e acabei de pegar um táxi depois de comer com amigos em um boteco megachinês. No meio do caminho, quando parou em um semáforo, o motorista sacou de algum lugar um barbeador elétrico e começou a se barbear, enquanto dirigia. A operação durou uns 10 minutos, durante os quais o carro continuou a andar, enquanto o chofer passava os dedos no rosto à busca de pelos remanescentes.

O boteco onde estava fica em um dos hutongs de Pequim _antigas ruelas, com séculos de história, nos quais as casas, bares e restaurantes não têm banheiro. Todos usam toaletes públicos. A região em que eu estava é freqüentada por estrangeiros e o banheiro é adaptado à noção Ocidental de privacidade, com separação dos vasos com paredes e portas. Mas outro banheiro público no mesmo bairro, a poucos metros de distância da rua principal, não é equipado com nada disso. Os vasos estão um ao lado do outro, sem nenhuma parede, por mais fina que seja. O que dirá porta.

A tênue linha entre a rua e a casa também leva vários chineses a passearem de pijama e chinelo de quarto, a cozinharem ao ar livre e a cortarem ou lavaram o cabelo na calçada. Aí vão algumas das fotos desse universo chinês:

Homem de pijama fala ao celualr em um hutong de Pequm

Carona para o amigo…

E volta para a casa

Casal passeia de pijama ao cair da tarde (a foto foi tirada em 2005, mas continua atual)

Corte de cabe ao ar livre

comentários (9) | comente

Visitar a megafeira do Cantão, no sul da China, ajuda a entender como o país asiático se transformou em tempo recorde em uma das principais potências exportadoras do mundo. O evento é o principal local de exibição dos produtos chineses e é marcado pela diversidade e amplitude. Negociantes do mundo inteiro podem encontrar em seus estandes virtualmente tudo o que buscam _de produtos finais às máquinas que os produzem, a preços imbatíveis.

A exposição é organizada em três imensos pavilhões de quatro andares cada um, conectados por longos corredores. A parte da feira dedicada a grandes máquinas e equipamentos é realizada ao ar livre, onde até guindastes estão à venda. O evento ocorre duas vezes por ano, em abril e outubro. No ano passado, o número de visitantes foi de 192 mil e 174 mil, respectivamente, vindos de 200 países e regiões ao redor do mundo. Nos corredores, escuta-se as mais diferentes línguas e nas entradas para os pavilhões, dezenas de chineses oferecem seus serviços de intérprete para os compradores.

As estatísticas sobre a exposição de abril só serão conhecidas depois do encerramento do evento, no dia 7 de maio, mas os organizadores avaliam que o número de brasileiros será menor que em outubro, quando atingiu 2.700 compradores. Antes da crise, a participação nacional estava em alta e deverá retomar essa trajetória quando a crise global amainar.

Enquanto o Brasil praticamente não realiza promoção comercial de seus produtos na China, Pequim mantém há cinco anos em São Paulo um enorme escritório que tem a missão de organizar visitas de empresários ao país asiático e fazer a ligação entre o vendedor chinês e o comprador brasileiro. O China Trade Center fica a meia quadra da avenida Paulista e entre Brasil e China possui 100 funcionários.

Aí vão algumas fotos da feira:

Visitantes caminham no corredor do pavilhão A

Corredor que liga os pavilhões A e B ao C

Corredor do pavilhão B

Corredor entre os pavilhões A e B

Rua entre os pavilhões A e B

Fila de entrada para a feira

Intérpretes oferecem seus serviços

comentários (9) | comente

A China deu mais um passo para promover o uso global de sua moeda, ao autorizar quatro grandes cidades do país a usar o yuan em seus negócios com o exterior, em vez do dólar. A medida foi aprovada pelo Conselho de Estado na quarta-feira, menos de um mês depois de o presidente do banco central, Zhou Xiaochuan, defender a adoção de uma nova moeda internacional em substituição à norte-americana.
De acordo com o governo chinês, a decisão tem o objetivo de reduzir o risco decorrente da flutuação cambial e estimular as exportações em meio à retração da demanda mundial. O jornal oficial “China Daily” classificou a medida como mais uma etapa na promoção do uso global do yuan.
“Este é o primeiro passo para atingir o objetivo de Pequim de transformar o yuan em uma alternativa ao dólar como a moeda que rege o comércio na Ásia”, escreveu o economista-chefe do Standard Chartered na China, Stephen Green, em análise sobre a medida.
A decisão faz parte de um esforço coordenado de Pequim de promover o uso de sua moeda fora das fronteiras do país. Desde o ano passado, as autoridades chinesas manifestam preocupação com a eventual desvalorização do dólar sobre o valor dos investimentos de seu país nos Estados Unidos. Dos US$ 2 trilhões de reservas da China, US$ 800 bilhões foram destinados à compra de títulos do Tesouro norte-americano e pelo menos mais US$ 200 bilhões estão investidos em outros papéis denominados em dólar.
A apreensão foi expressa novamente em meados de março, quando Zhou Xiaochuan propôs a adoção de nova moeda internacional em substituição ao dólar.
Nos últimos quatro meses, o banco central chinês fechou acordos de swap cambial no valor de US$ 95 bilhões com seis países, incluindo a Argentina. Os tratados não prevêem o pagamento
de negócios de importações ou exportação em yuans, mas facilitam investimentos e permitem a transferência de recursos na hipótese de problemas de liquidez de uma das partes.
Para alguns analistas, os acordos de swaps têm um forte conteúdo político e servem para a China promover sua posição como um novo ator de peso na economia global.
O yuan poderá ser usado para quitar transações realizadas por empresas de Xangai e de quatro cidades da região exportadora do Rio das Pérolas, no sul do país: Guangzhou (Cantão), Shenzhen, Dongguan e Zhuhai.
Green acredita que em um primeiro momento o yuan será utilizado nas operações com companhias de Hong Kong que realizam muitos negócios com a China continental, tanto de exportação quanto de importação.
Mas no futuro o esquema será estendido a outros países, avalia. Segundo Green, grandes empresas chinesas que possuem preços competitivos terão mais poder para impor a seus clientes no exterior o uso do yuan nas relações comerciais.

comentários (3) | comente

09.abril.2009 11:59:31

Os turistas chineses

O mundo está em crise, o desemprego em alta e as exportações em baixa, mas os chineses continuam a viajar vorazmente por seu país, alimentando a enorme indústria do turismo interno. A China deve ser o único lugar do mundo em que qualquer atração turística tem sempre mais visitantes do próprio país do que estrangeiros. A Grande Muralha talvez seja o local mais apropriado para o forasteiro sentir o que significa uma população de 1,3 bilhão de pessoas, mas a sensação de ser minoria no mar de chineses está presente na Cidade Proibida, na distante província de Yunnan, nos jardins de Suzhou ou na gelada Harbin, que fica próxima da Sibéria.

A supremacia dos chineses não decorre da ausência de turistas estrangeiros. Em 2007, a China recebeu 54,72 milhões de visitantes _cerca de 10 vezes mais que o Brasil_ e a Organização Mundial do Turismo prevê que o país asiático destronará a França e será o destino número 1 dos viajantes até 2014. Os chineses são maioria em todas as atrações porque eles viajam muito dentro de seu próprio país. As estatísticas oficiais registraram 1,6 bilhão de viagens internas de turismo em 2007.

No sábado fui com minha amiga Janaína Silveira para Hangzhou, cidade que fica a 174 km de Xangai e que muitos consideram a mais bonita da China. A principal atração local é o enorme Lago do Oeste, com sua paisagem que evoca pinturas clássicas chinesas. Cheguei à cidade sob chuva e tive que explorar o lugar com uma sombrinha em uma das mãos, enquanto tentava tirar fotos com a outra. Eu e Janaína não éramos as únicas destemidas. O lago estava absolutamente apinhado de turistas chineses com sombrinhas coloridas.

No dia seguinte, fomos para Suzhou, cidade célebre por seus jardins imperiais. Era um domingo, véspera do feriado do dia dos mortos. Os trens de Hangzhou para Suzhou estavam lotados e só conseguimos lugar em pé. Por sorte, havia mesas no restaurante do trem, onde comemos e passamos as três horas e meia de viagem.

Muitos chineses trabalharam no feriado e a data não é uma opção tradicional para viagens, como o Ano Novo ou o 1º de Maio. Isso significa que o movimento que vimos não é muito distante do que ocorre em um fim de semana normal.

As ruas e jardins de Suzhou estavam cheios de turistas, muitos fotografando as flores que começam a aparecer na Primavera. Na manhã de terça-feira, perdemos o primeiro vôo de Xangai para Pequim e quase não conseguimos embarcar a tempo de estarmos de volta antes do almoço. Todos os vôos estavam lotados e tivemos sorte em conseguir as duas últimas vagas em um que saiu às 10h55. Entre as 7h55 e o meio-dia há nada menos que 16 vôos de Xangai para Pequim, todos em aviões grandes, com capacidade para no mínimo 300 passageiros.

Aí vão as fotos:

Turistas no Lago do Oeste, em Hangzhou

A chuva não impediu os passeios de barco pelo lago

A estação de trem de Hangzhou

A sala de espera de apenas duas plataformas; há pelo menos mais três como esta em Hangzhou

O interior de um dos vagões: cheio, mas bem distante da loucura do Ano Novo, quando os corredores vão apinhados de pessoas viajando em pé

Nossas vizinhas no vagão do restaurante

Turistas em um dos jardins de Suzhou

Turista frotografa flores em jardim

Um das ruas turísticas de Suzhou

comentários (6) | comente

Ao mesmo tempo em que defende a adoção de uma moeda internacional em substituição ao dólar, a China dá os primeiros passos para promoção do uso de sua própria moeda, o yuan, nas transações comerciais e como reserva de valor, principalmente na Ásia. Desde o dia 12 de dezembro, Pequim já fechou acordos de swap cambial no valor de US$ 95,6 bilhões com seis países, o último dos quais a distante Argentina.

Os convênios têm validade de três anos e a função de promover o comércio e investimentos e prover liquidez aos envolvidos. Com US$ 2 trilhões de reservas internacionais, é natural que a China seja o país responsável por fornecer recursos a eventuais necessitados, papel que até pouquíssimo tempo cabia aos países desenvolvidos.

Ben Simpfendorfer, economista do Royal Bank of Scotland em Hong Kong, vê nos acordos um gesto político de Pequim para fortalecer sua posição na economia global e, no futuro, ver sua própria moeda ser usada nas relações comerciais, pelo menos na Ásia.
“Todos os movimentos recentes do governo chinês estão relacionados. O uso do yuan nas transações internacionais é algo que vai demorar décadas, mas os líderes de Pequim pensam em termos de décadas”, disse Simpfendorfer ao Estadão.

Segundo ele, os acordos são o primeiro passo para a obtenção de um objetivo mais modesto, que é a supremacia do yuan no entorno chinês. O outro gesto de Pequim na direção de maior projeção global é a defesa de uma moeda internacional que substitua o dólar como reserva de valor, feita pelo presidente do banco central do país, Zhou Xiaochuan, dez dias antes do início da reunião do G20 marcada para esta semana em Londres.

A China tem pelo menos metade de suas reservas internacionais aplicadas em ativos denominados em dólar e está preocupada com o valor de seus investimentos. As autoridades de Pequim temem que o aumento do endividamento norte-americano para financiar o pacote de estímulo à economia leve à desvalorização da moeda local e, por conseqüência, dos papéis em seu poder.

No ano passado, a China ultrapassou o Japão e se tornou o maior financiador do déficit dos Estados Unidos em suas transações com o restante do mundo. No fim de janeiro, o país tinha um estoque de US$ 739,6 bilhões de títulos do Tesouro norte-americano em seu poder.

A proposta dos chineses de criação de uma moeda internacional encontrou eco em uma comissão da Organização das Nações Unidas dirigida pelo Prêmio Nobel em economia Joseph Stiglitz encarregada de apresentar sugestões para o enfrentamento da crise global.

Concluído no dia 19 de março, o documento propõe um novo “Sistema Global de Reserva”, que poderia ter origem no Special Drawing Rights (SDR), uma versão rudimentar de uma reserva internacional criada pelo FMI em 1969, que tem uma cotação em relação às diferentes moedas nacionais.

De acordo com Stiglitz, o sistema atual faz com que países em desenvolvimento emprestem bilhões de dólares de suas reservas aos países desenvolvidos a taxas de juros extremamente baixas. “Os perigos de um sistema de reserva baseado em um único país são reconhecidos há muito tempo, na medida em que o aumento de dívidas mina a confiança e a estabilidade [no sistema]“, sustenta a conclusão do grupo nomeado pela ONU.

Na proposta que divulgou na semana passada, Zhou Xiaochuan também defende a utilização dos SDR em uma primeira etapa na criação de uma nova moeda internacional.
Aqui a lista dos países com os quais a China assinou acordos de swap cambial:

Coréia do Sul, no dia 12 de dezembro, no valor de US$ 26,5 bilhões.
Hong Kong, 20 de janeiro, US$ 29,4 bilhões;
Malásia, 9 de fevereiro,US$ 11,8 bilhões;
Indonésia, 23 de março, US$ 14,7 bilhões;
Belarus, 11 de março, US$ 2,9 bilhões;
Argentina, 29 de março, US$ 10,3 bilhões.

comentários (3) | comente

Arquivo

Blogs do Estadão