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Cláudia Trevisan

Com o maior volume de reservas internacionais do mundo, a China ultrapassou o Japão e se tornou o principal financiador do déficit norte-americano, acumulando um total de US$ 585 bilhões em títulos do Tesouro em setembro.
A consolidação da China como maior credor dos Estados Unidos evidencia a enorme dependência entre os dois países desenvolvida ao longo desta década e que é o elemento central dos “desequilíbrios globais” que levaram à crise atual.
Os norte-americanos só puderam gastar além de seus recursos nos últimos anos porque os chineses estavam dispostos a financiá-los por meio da compra de títulos do Tesouro.
O déficit em conta corrente dos Estados Unidos foi acompanhado da explosão do superávit chinês, que no ano passado atingiu 10% do PIB. Até o fim do ano, as reservas internacionais da China vão atingir US$ 2 trilhões e terão crescido US$ 500 bilhões apenas em 2008. O valor é mais que o dobro do total de US$ 200 bilhões das reservas brasileiras.
No mês de setembro, a China aumentou em US$ 43,6 bilhões o volume de títulos do Tesouro em seu poder, para US$ 585 bilhões, ultrapassando o Japão, que detém US$ 573,2 bilhões. De acordo com dados do Tesouro norte-americano, o Brasil manteve o quarto lugar entre os principais financiados dos Estados Unidos, com US$ 141,9 bilhões, abaixo da Inglaterra.
A participação da China será crucial para os Estados Unidos obterem recursos para financiar o pacote de US$ 700 bilhões de socorro ao sistema financeiro aprovado no mês passado.
O superávit comercial do país asiático com o restante do mundo é a principal fonte do crescimento de suas reservas internacionais. Em outubro, a diferença entre exportações e importações atingiu o recorde de US$ 35 bilhões.
No ano passado, o superávit da China cresceu 48% e chegou ao recorde de US$ 262 bilhões. Os Estados Unidos são o país com o qual o desequilíbrio é maior: só em 2007, o déficit norte-americano com os chineses somou US$ 256 bilhões.

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A pornografia é banida nas bancas de revista da China, mas o erotismo se esgueira sempre que pode nas páginas de jornais e revistas e é garantia de popularidade entre os leitores, inclusive das publicações realizadas pelo governo. Quem abriu a página online do jornal oficial China Daily no dia 13 de novembro viu em primeiro plano a foto do bumbum da brasileira Melanie Nunes Fronckowiak, vencedora do concurso da bunda mais bonita do mundo, realizado em Paris no dia anterior.
A imagem, que incluía uma pequena bandeira do Brasil no pulso da vencedora, foi mostrada durante todo o dia, ao lado dos destaques ao redor do mundo. Hoje, continuava entre os dez títulos mais populares entre os leitores.
Nos últimos dias, o bumbum de Melanie passou a enfrentar a concorrência do desfile de langerie da Victoria´s Secret, mostrado em 16 fotos, nas quais aparece outra brasileira, a top model Adriana Lima. O título estava em segundo lugar entre os mais clicados nos últimos dois dias, à frente do texto sobre a reunião de cúpula do G-20 em Washington.
Outro assunto que resistiu entre os primeiros colocados durante toda a semana passada foi a inauguração de um “hotel para adultos” na cidade de Nanning. A sucessão de fotos mostrava uma funcionária demonstrando como os clientes deveriam utilizar as “amenidades” oferecidas, entre as quais uma cama equipada com tiras suspensas.
A seguir, algumas das fotos publicadas no China Daily:

O bumbum da brasileira Melanie Nunes Fronckowiak
bumbum

Funcionário apresenta “amenidades” de hotel para adultos em Nanning
motel

motel1

A brasileira Adriana Lima no desfile da Victoria´s Secret
adriana lima

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O Peru deverá se tornar na próxima semana o segundo país latino-americano a assinar um acordo de livre comércio com a China depois do Chile. O tratado deverá ser assinado durante visita do presidente Hu Jintao a Lima, nos dias 19 e 20. A China tem peso crescente na pauta de exportações da região e ganhou mais relevância depois que decidiu fazer parte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com uma contribuição de US$ 350 milhões.
O Chile assinou o Tratado de Livre Comércio com a China em outubro de 2006. Desde então, o comércio bilateral quase dobrou e o país asiático superou os Estados Unidos para se tornar o principal destino das exportações chilenas.
“Atualmente nós estamos negociando um acordo de serviços e, no próximo ano, iniciaremos as discussões para um tratado de investimentos”, afirmou ontem o embaixador do Chile na China, Fernando Reyes Malta, em encontro entre diplomatas latino-americanos e correspondentes estrangeiros em Pequim.
O país asiático é o segundo maior parceiro comercial do Peru, atrás dos norte-americanos, mas deverá em breve assumir o primeiro lugar, na avaliação do embaixador peruano, Jesús Wu Luy.
A exemplo do Brasil, Chile e Peru são grandes exportadores de matérias-primas e produtos alimentícios para a China e esperam que o país asiático amenize o impacto da recessão mundial provocada pela crise nos Estados Unidos.
Na avaliação de Malta, o pacote de US$ 586 bilhões anunciado pelo governo de Pequim no domingo poderá recuperar pelo menos parte da queda nos preços do cobre, o principal produto de exportação dos chilenos. “Nós somos os maiores produtores de cobre do mundo e a China é o maior consumidor.”
O encontro de ontem evidenciou as diferenças entre os países latino-americanos exportadores de commodities, como Chile e Peru, e aqueles que possuem uma indústria nacional que sofre diante da concorrência dos chineses. “Nós não queremos um acordo de livre comércio com a China”, afirmou o embaixador da Colômbia em Pequim, Guillermo Londono, ressaltando que seu país tem setores sensíveis como jóias, calçados, têxteis e brinquedos. A situação é parecida com a do México, cuja indústria também é ameaçada pela importação de produtos baratos da China.
Mas se não querem comércio, os dois países buscam investimentos dos chineses. Neste terreno, os colombianos saíram na frente e devem assinara no próximo fim de semana um acordo bilateral de proteção de investimentos, que dará garantias a empresas chinesas que colocarem dinheiro no país latino-americano e vice-versa.
O México busca investimentos na indústria, entre as quais a automobilística, e procura atrair mais turistas chineses. Segundo o embaixador do país em Pequim, Jorge Guajardo, os turistas chineses gastam em média três vezes mais que os norte-americanos.
Lima também busca atrair empresas chinesas. Na avaliação do embaixador Wu Luy, os investimentos do país asiático no Peru nas áreas de mineração, energia e pesca deverão somar pelo menos US$ 6 bilhões nos próximos três anos.

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Para milhões de pessoas ao redor do mundo, a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos vai se transformar em um daqueles dias em que a História invade as nossas vidas e se mistura às memórias de caráter pessoal. Quando no futuro eu pensar no 5 de novembro de 2008, vou lembrar que era um dia ensolarado de outono e que eu estava no meu escritório em Pequim quando um alerta da CNN entrou na minha caixa de mensagens: “Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos”.
Corri para a televisão e a primeira imagem que vi na mesma CNN foi a do reverendo negro Jesse Jackson chorando em meio à multidão que celebrava a vitória democrata em Chicago, onde Obama fez seu primeiro discurso como presidente eleito.
A escolha de um negro para o principal posto de comando em um país até pouco tempo cindido pela questão racial seria relevante em qualquer lugar do mundo. Quando este lugar é a maior economia e potência global, é difícil exagerar no significado histórico da decisão. A vitória de Obama tem um enorme poder simbólico na promoção de valores como diversidade, inclusão e tolerância.
Mas o que torna esta eleição realmente relevante é a porta que ela abre para o resgate de princípios fundamentais que haviam sido ofuscados pela guerra ao terror do governo Bush e que sedimentam o “sonho americano” tanto quanto a oferta de oportunidades para todos. Os oito anos de gestão republicana enfraqueceram garantias que fazem parte da tradição política do liberalismo e foram inscritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, entre os quais estão a presunção da inocência, o devido processo legal, o direito de defesa e a condenação da tortura.
Os abusos cometidos pelos norte-americanos nas prisões de Abu Ghraib e Guantanamo e a defesa do uso da tortura como método legítimo de interrogação por assessores graduados do presidente Bush minaram a autoridade moral dos Estados Unidos na defesa dos direitos humanos e deram um tom de escárnio e cinismo às críticas do governo norte-americano a abusos cometidos por outros países. A eleição de Obama traz a esperança de que isso mude a partir de 20 de janeiro de 2009.

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