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Cláudia Trevisan

Como quase tudo na China, Xangai é uma cidade em mutação constante e um dos poucos lugares do mundo onde a paisagem urbana muda de um ano para o outro. O maior símbolo da ascensão econômica do país asiático é o bairro de Pudong, o centro financeiro de Xangai, que começou a ser construído há apenas 18 anos. Hoje, Pudong tem um cenário futurista, com prédios que exibem na fachada enormes telas digitais, que funcionam como imensos outdoors de publicidade em movimento ou veículos de projeção de imagens lúdicas _de peixes no fundo do mar a borboletas coloridas. A melhor definição que já ouvi da região é a do cônsul do Brasil em Xangai, Marcos Caramuru: “Em Pudong, a gente vê o futuro sem envelhecer”.
A nova aquisição do bairro é o Shanghai World Financial Center (SWFC), o mais alto prédio da China e o segundo mais alto do mundo, com 492 metros e 101 andares. O edifício fica ao lado do que antes era o mais alto da China, a Jin Mao Tower, que para mim continua a ser a mais bonita construção de Xangai, com uma estética que lembra o futuro da maneira como ele era imaginado no passado, principalmente em Flash Gordon.
Projetado pelo escritório de arquitetura Kohn Pedersen Fox, de Nova York, o SWFC tem um espaço vazado no topo, que tem o objetivo de reduzir a pressão do vento. Originalmente projetado para ser um círculo, esse item do projeto se revelou polêmico e gerou protestos entre os chineses, que viam semelhança entre o desenho e a bandeira do Japão. A associação é extremamente sensível na China, que sofreu com a invasão de seu território por tropas japonesas nos anos 30 e 40. O círculo virou um quase-retângulo, o que valeu à torre o apelido de “abridor de garrafa”. A fachada do SWFC é curva e dá ao prédio um formato totalmente distinto quando visto de lado. No topo da torre está o mais alto observatório do mundo, de onde se pode ver Pudong de cima.
Xangai é o retrato da opulência chinesa, mas é também a lembrança das gritantes contradições do país. Na minha recente visita, o que mais me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas pedindo esmolas e dormindo nas ruas, ao lado dos monumentos que celebram a opulência chinesa. Até pouco tempo, o governo chinês conseguia manter dois mundos paralelos _o das cidades prósperas e o do campo pobre. As famílias que assediam os clientes dos caros restaurantes e os camelôs que demarcam cada esquina de Xangai são o indício de que a contenção começa a apresentar fissuras.

Pudong, o bairro que começou a ser construído há 18 anos e hoje é o centro financeiro da China (perdão pelo dia nublado)
pudong

O Shanghai World Financial Center e a Jin Mao Tower, à sua frente. Ele parece mais baixo, mas é bem mais alto, como vocês verão em uma foto abaixo
torres

A Jin Mao Tower vista do observatório do SWFC
jin mao

O SWFC visto de lado
SWFC

O observatório no 100º andar do SWFC
observatório

A fachada do SWFC
fachada

A vista de Pudong
pudong

Mulher pede esmola com a filha nas ruas de Xangai

mulher

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17.setembro.2008 13:50:35

O futuro planejado

Entre as inúmeras sensações que assaltam uma brasileira na China está a profunda frustração com a situação do Brasil quando se compara a infra-estrutura nos dois países. Enquanto o Brasil ficou mergulhado em intermináveis crises econômicas nos anos 80 e 90, os chineses aceleraram a marcha da história e transformaram a paisagem do país, com a construção de estradas, portos, ferrovias e aeroportos.

A China prevê com antecedência as necessidades futuras de sua economia e constrói as obras antes que elas sejam necessárias. Mesmo com o crescimento de 10,6% ao ano nas últimas três décadas, ninguém fala em gargalo de “infra-estrutura”, que está entre as grandes ameaças a uma expansão significativa e sustentável do PIB brasileiro. Na China não há caos aéreo ou congestionamento de caminhões em portos. Pequim inaugurou no início do ano o maior aeroporto do mundo e antes mesmo que ele começasse a operar, anunciou que construirá um novo terminal até 2012.

Anteontem eu viajei a Xangai e desci no aeroporto de Pudong, uma região que não existia antes de 1990 e hoje tem uma população de 1,6 milhão de pessoas e é o centro financeiro da China. Do aeroporto, embarquei no Maglev, o trem de alta velocidade que percorre 30 km em oito minutos. Entre os mais rápidos trens do mundo, o Maglev é movido por impulso eletro-magnético e atinge a velocidade de 431 km/h. O trajeto entre o aeroporto e uma estação de metro de Pudong sai pelo equivalente a R$ 12,50.

Nos oito minutos de viagem, pensava de maneira recorrente no antiqüíssimo projeto de ligação do aeroporto de Cumbica a São Paulo de trem, que nunca sai do papel, e na crônica incapacidade do Brasil de se preparar para o futuro.

Aí vão as fotos do Maglev, construído com tecnologia alemã:

Plataforma do Maglev no aeroporto de Pudong

Passageiros do Maglev

Velocímetro em uma das cabines mostra o aumento da velocidade do trem

O trem e o trilho sobre o qual “flutua”

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