O espetáculo de encerramento da Olimpíada de Pequim não foi tão poético quanto o de abertura, mas teve momentos memoráveis na demonstração da habilidade dos chineses em acrobacia e artes marciais.
A exaltação da grandiosidade da civilização chinesa que marcou o início dos Jogos também esteve ausente na despedida. Não houve referências aos 5.000 anos de história do país e o cineasta Zhang Yimou preferiu transmitir uma imagem alegre e amigável da nova China.
Ao lado da sofisticação dos números de acrobacia e dança, houve momentos kitsch, especialmente quando se apresentaram os cantores. Mas nada diminui a grandiosidade da festa, que teve fogos de artifício exuberantes e enormes tambores flutuantes.
Aí vão algumas imagens:
O clima de sonho criado pelo cineasta Zhang Yimou, com tambores suspensos por cabos de aço, dançarinas equipadas com 1.000 sinos de metal cada e acrobatas conduzindo rodas iluminadas
Torre de 23 metros de altura emerge do palco central e é escalada por acrobatas. No alto, dois artistas simulam movimentos atléticos
Depois que a Pira Olímpica foi apagada, acrobatas acenderam uma pira humana na estrutura, chamada de Torre da Memória
Um dos desenhos feitos pelos acrobatas na torre
Fitas são presas no alto da torre por uma das extremidades
Cabos de aço levantam a outra extremidade para formar uma enorme flor
Suspensos em cabos de aço, acrobatas fazem movimentos no alto do estádio
A maior concentração de atletas em Pequim não está nas quadras, mas no Mercado da Seda, o principal endereço da conceituada pirataria chinesa, que atrai delegações olímpicas, presidentes, primeiras-damas, ministros e até George Bush pai, para horror das empresas norte-americanas que reclamam da falsificação de seus produtos.
Localizado na principal avenida de Pequim, o Mercado da Seda é uma espécie de camelódromo vertical, distribuído em seis andares onde é possível encontrar tênis, bolsas, malas, roupas esportivas, ternos, camisas, gravatas, sapatos e relógios, nos quais estão estampadas todas as grifes internacionais _de Nike a Rolex. A seda que dá nome ao lugar ocupa um acanhado espaço no quinto andar e está longe de receber o número de compradores que vão atrás das marcas famosas com preços de camelôs.
Ônibus de turistas estacionam de maneira ininterrupta diante do edifício envidraçado inaugurado em 2005. Na frente da entrada principal, há um lugar reservado para o desembarque de atletas, dirigentes de delegações e autoridades, demarcado com placas nas quais está escrito “Olympic VIP Car Park”. Os VIPs chegam em Audis pretos identificados com o logotipo da Olimpíada de Pequim e dois guardas se encarregam de manter a ordem no movimento incessante de carros e ônibus.
Pessoas do mundo todo se acotovelam nos estreitos corredores e enfrentam a barganha com as persistentes e poliglotas vendedoras chinesas, que falam um pouco de inglês, russo, espanhol, alemão, francês e outras línguas aprendidas nas extenuantes negociações.
Os preços começam na estratosfera e podem cair a patamares ridículos se os compradores tiverem paciência e habilidade. Gravatas Ermenegildo Zegna saem por 15 yuans (menos de R$ 4), ternos Armani são arrematados por 300 yuans (R$ 70) e é possível levar bolsas Gucci a 80 yuans (quase R$ 20).
Na semana passada, o ministro dos Esportes do Sudão, Albino Akol, experimentava um terno em uma das barracas do primeiro andar. O Mercado da Seda não tem provadores e as roupas têm que ser colocadas por cima de outras roupas, enquanto o tamanho das calças é decidido com a utilização de fitas métricas. Se insistir muito, o cliente pode convencer os vendedores a improvisarem um provador com a utilização de um lençol, mas a privacidade é quase inexistente.
“Os preços são muito bons”, disse Akol ao Estadão. Chacoalhado por um conflito na região de Darfur que já deixou 300 mil mortos desde 2003 e dirigido por um governo acusado de genocídio pela comunidade internacional, O Sudão enviou uma delegação de nove atletas a Pequim.
No segundo andar do Mercado da Seda, três atletas russos que não quiseram se identificar provavam camisetas, enquanto integrantes da delegação argentina passavam pelo corredor. Na barraca ao lado, quatro turistas alemãs tentavam baixar o preço de casacos e dois suecos decidiam o que mais iriam comprar, depois de terem pago um total de 750 yuans (R$ 176) em 5 jaquetas de inverno e 640 yuans (R$ 150) por 16 camisas. “Eu não estava preparado para isso”, disse Pelle Bgorkin, que viajou pela primeira vez a Pequim com o amigo Bengt Olov para assistir às competições de luta livre e estava exausto depois da maratona de barganhas com as chinesas.
A trilha sonora do lugar é dada pelas frases de vendedoras e compradores envolvidos na negociação de preços, feita quase sempre em inglês, com a ajuda de uma calculadora. “Você está brincando!”, “Então, você diz o seu preço”, “Amigo, este produto é de boa qualidade!”, “Qual o seu melhor preço?” e assim por diante. Cifras que começam em 3.000 yuans podem facilmente cair para 150 yuans. O Mercado da Seda viveu seu dia de glória na semana passada, com a visita do ex-presidente norte-americano George Bush.
Segundo reportagem publicada no jornal oficial “China Daily”, Bush pai gastou 1.800 yuans (R$ 424) na compra de seis robes de seda, um dos poucos produtos legítimos à venda no lugar.
A seguir as imagens do excelente fotógrafo NILTON FUKUDA
O ministro dos Esportes do Sudão experimenta um terno

Corredor do Mercado da Seda
Seção de calçados do Mercado da Seda

Os chineses lotaram o Estádio dos Trabalhadores ontem à noite para torcer pelo bom futebol na partida entre Brasil e Argentina. Quando os telões mostraram a imagem de Ronaldinho entrando em campo a platéia o recebeu com gritos e aplausos. Mas no segundo tempo, depois de o Brasil levar três gols, não era o seu nome que se ouvia no estádio, mas o de “Meixi”, a maneira como os chineses se referem a Messi, a principal estrela do time argentino.
Sem uma equipe à altura de sua paixão pelo futebol, os chineses se vestiram de verde e amarelo ou de azul e branco para torcer por alguns de seus maiores ídolos. Alguns levavam bandeiras do Brasil e da Argentina e, na maior parte do tempo, os torcedores vibraram com as boas jogadas, não importando de qual time fosse. Quase no fim do segundo tempo, também se ouviu o grito de guerra contra o dirigente da Associação Chinesa de Futebol, visto pelos torcedores como o principal responsável pela situação de indigência do esporte no país: “Xie Yaolong, vai prá casa!”.
Sentada na arquibancada, fui consolada pelo chinês que estava ao meu lado, que adora futebol e foi ao estádio ver o enfrentamento de dois times que considerava grandiosos. “Vocês devem estar sentindo a mesma coisa que nós em relação ao time chinês.” Era a mais perfeita tradução da decepção verde e amarela.
Algumas fotos de ontem:
Brasileiro ao lado de torcedores chineses
Chinês com peruca verde e amarela e bandeira brasileira
Casal democrática: ela tem no rosto as bandeiras do Brasil e da China; ele, as do Brasil, China e Argentina
As chinesas argentinas
Um “argentininho” ao lado do meu amigo Rodrigo
Torcedor chinês agita a bandeira brasileira no estádio lotado
O placar final
Talvez a maior frustração esportiva da China seja não ter um time de futebol do qual possam se orgulhar. Os chineses amam o jogo e odeiam o time nacional, que não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 2010 e foi eliminado da Olimpíada de Pequim depois de perder todos os três jogos que disputou, um dos quais contra o Brasil.
Sem ídolos em casa, os chineses veneram os jogadores de outros países, em especial os brasileiros. Sempre que digo a um chinês que sou “baxiren” (brasileira), a primeira reação invariavelmente se refere ao futebol: “Lonaldo”, “Lonaldinho”, “Loberto Carlos”, “Livaldo”, repetem, com os poucos nomes relacionados ao assunto que eu consigo entender. Entre os jovens _e em especial entre as jovens_, a sensação é “Cacá”, que ainda tem a vantagem de ter um nome facilmente pronunciável para os chineses.
O desgosto com a equipe nacional atingiu o ápice nesta Olimpíada, a ponto de um grupo de torcedores ter realizado um protesto contra o time chinês depois da derrota de 3 a 0 pelo Brasil na cidade de Qinhuangdao, no dia 13. Durante a partida, o alvo foram os cartolas, apontados como responsáveis pela falta de profissionalismo que impera no campeonato chinês. Os torcedores que lotaram o estádio gritavam “Xie Yaolong, vai prá casa!”, em referência ao chefe da Associação Chinesa de Futebol. Assustado, Xie se escondeu no vestiário e, pela primeira vez não apareceu ao lado dos jogadores depois da partida.
Mas o fundo do poço já havia sido atingido no dia 10, durante a partida contra a Bélgica, quando o jogador Tan Wang Song desferiu um golpe literalmente baixo e deu um chute nos testículos de Sebastien Pocongnoli, da equipe belga. Alguns minutos mais tarde, outro jogador levou cartão vermelho por dar uma cotovelada em um integrante do time adversário.
O futebol na China é considerado pouco profissional, corrupto e dominado por cartolas incompetentes. Principal caixa de ressonância do humor dos moradores das cidades, a internet está cheia de comentários pouco elogiosos a seus jogadores. “O time chinês acaba de ganhar duas medalhas vermelhas”, dizia um comentário logo depois da partida com a Bélgica. “Nosso time de futebol conquistou a medalha de ouro em artes marciais”, ironizava outro.
Com seu time fora da Olimpíada e da Copa de 2010, resta aos chineses torcer pelo time feminino de futebol, que se mantém na disputa com uma performance muito melhor que o masculino. Ou gritar “Lonaldinho” quando o Brasil entrar em campo.
A praça Tiananmen, em frente à Cidade Proibida, é o local onde os chineses sem ingresso para as competições olímpicas se reúnem para celebrar o nacionalismo despertado pelos Jogos. Normalmente cheia, a praça transborda de gente desde o início da Olimpíada. No último domingo, milhares de pessoas passaram pelo local, apesar do mau tempo e dos chuviscos ocasionais. Havia vários grupos representando três gerações da mesma família, com avós, filhos e o único neto. Muitos levavam bandeiras, faixas vermelhas na cabeça e camisetas com a declaração “I Love China”. Sem bancos nem árvores, as famílias se sentavam no chão.
Muitos turistas do interior que vieram a Pequim para o período da Olimpíada fazem sua peregrinação até à praça, um dos lugares preferidos pelos chineses na capital do país. Tiananmen _ou Paz Celestial_ é a maior praça pública do mundo, com extensão de 880 metros e largura de 500 metros. Nela ocorreram alguns dos mais marcantes fatos da história da China, incluindo o protesto e posterior repressão de estudantes que pediam democracia em 1989.
O passado imperial do país é marcado pela fachada da Cidade Proibida, sede de poder nas dinastias Ming e Qing, entre 1420 e 1911. A história recente do comunismo é representada pelo mausoléu que guarda o corpo embalsamado de Mao Tsé-tung, no centro da praça, e pelo enorme retrato do líder revolucionário que pende sobre a entrada da Cidade Proibida.
Para celebrar a Olimpíada, o governo construiu dois jardins nas laterais. O do lado oeste traz uma imitação de arcos olímpicos pela metade cobertos com vegetação, pombas brancas colocadas em colunas e desenhos de flores no meio do gramado. Na outra extremidade da praça há uma reprodução do Ninho de Pássaros ao lado de uma pista ascendente na qual há bonecos estilizados praticando as diferentes modalidades dos Jogos. Ao lado, arranjos com vegetação trazem o slogan olímpico “Um mundo, um sonho”, escrito em chinês e inglês. Por fim, um mapa mundi da maneira como ele costuma ser representado aqui: a China aparece no meio, a África e a Europa à esquerda e a América, à direita.
Apesar do contato com o ocidente e do enorme número de turistas que visitam a China a cada ano, a visão de um estrangeiro ainda espanta muitos chineses, principalmente os que vêm do interior. É absolutamente comum os turistas serem abordados para tirarem foto ao lado dos chineses. Algumas mães simplesmente entregam bebês nas mãos dos estranhos e começam a fotografar, como ocorreu comigo e meus pais em uma visita ao complexo olímpico.
Aí vão as imagens do domingo na praça e do retrato com o bebê:
Criança levanta a bandeira da China no colo da mãe
Multidão ocupa a praça Tiananmen
Garota posa para foto em frente ao jardim construído no lado oeste da praça
Chinês tira foto de amigo
Jardim com imitação do Ninho de Pássaros
O mapa mundi de Tiananmen
Multidão em frente ao jardim olímpico
Eu com um bebê lindo que a mãe me deu para segurar enquanto o pai batia fotos; ao meu lado, meus pais, Lia e Oswaldo. Ao fundo, o Ninho de Pássaros
A obsessão dos dirigentes comunistas chineses por apresentar ao mundo uma imagem perfeita de seu país acabou criando um desastre de relações públicas, com a revelação de que a cantora-mirim do início da cerimônia de abertura da Olimpíada não era a dona da voz que ecoou no Ninho de Pássaros na sexta-feira. A verdadeira cantora é uma garota de 7 anos, Yang Peiyi, escondida do público por não ser considerada bonita o suficiente aos olhos de um integrante do Politburo que assistiu ao último ensaio antes do espetáculo.
O diretor musical da cerimônia, Chen Qigang, afirmou em entrevista à estatal Beijing Radio que o dirigente _cujo nome não revelou_ determinou em cima da hora a substituição de Yang Peiyi por Lin Miaoke, 9, a graciosa garota que foi a estrela da entrada na bandeira chinesa no estádio olímpico.
Apesar de bonita, Lin Miaoke não tinha o talento musical necessário para cantar diante de um público de 91 mil pessoas e mais 4 bilhões de telespectadores em todo o mundo e foi “dublada” por Yang Peiyi. Em entrevista concedida na noite de terça-feira à AP Television News, Chen disse que falou sobre a substituição para “revelar a verdade”. Na mesma entrevista, declarou que “a pequena garota é uma cantora magnífica”, que “não merece ficar escondida.”
Ainda assim, Chen Qigang justificou a substituição e disse que o diretor artístico da cerimônia, o cineasta Zhang Yimou, estava ciente da troca. “Nós combinamos a voz perfeita com a performance perfeita”. Segundo ele, a substituição foi realizada tendo em vista o “interesse nacional” e seria compreendida pela audiência. Mas os comentários deixados por internautas chineses nos fóruns de discussão online não demonstravam a compreensão esperada por Chen. “A falsificação é uma longa tradição chinesa. É uma pena que, desta vez, duas crianças inocentes foram vítimas. Imagine a pressão a que elas serão submetidas”, escreveu uma pessoa que utiliza o nome de Ice Blue.
Outra internauta que se identifica como Mioumiou foi mais incisiva. “O problema não está no tipo de artifícios utilizados para atingir o melhor efeito artístico, mas no tratamento injusto dado à REAL cantora durante a entrevista coletiva concedida depois da cerimônia por Zhang Yimou, que sabia de tudo e não mencionou a garota. Não teria sido melhor se ele tivesse apresentado a menina durante a entrevista coletiva? Ignorar valores individuais em nome no interesse nacional é uma das piores características da cultura chinesa”, escreveu Miaomiao. Zhang Yimou não apenas ignorou a cantora verdadeira, como elogiou a performance de Lin Miaoke.
O pior de tudo é que a imprensa oficial chinesa tentou transformar Lin Miaoke em um fenômeno, apesar do fato de ela não ter interpretado a canção que foi ouvida na noite de estréia da Olimpíada. “Pequena cantora conquista o coração da nação”, dizia o título de texto publicado ontem no jornal “China Daily”, editado pelo Conselho de Estado. “Lin Miaoke pode ter apenas 9 anos, mas ela já está no caminho para se tornar uma estrela, graças à sua interpretação de ‘Ode à Terra Natal’ na sexta-feira, durante a cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim”, celebrava o primeiro parágrafo da “reportagem”.
Lin Miaoke já era uma pequena celebridade desde o ano passado, quando apareceu em um anúncio de televisão ao lado do atleta Liu Xiang, um herói nacional desde que ganhou a medalha de ouro nos 110 metros com barreira na Olimpíada de Atenas. Ela também havia atuado no início de 2008 em uma peça publicitária que promovia os Jogos de Pequim. Seu pai, o fotojornalista Lin Hui, disse ao “China Daily” que foi informado da escolha de Lin Miaoke para cantar o hino apenas 15 minutos antes do início da cerimônia. Até então, ela estava entre as quatro finalistas selecionadas em junho.
A China que surpreende o mundo com a rapidez de seu crescimento econômico deixou 4 bilhões de telespectadores boquiabertos com o espetáculo de abertura da Olimpíada de Pequim, o mais deslumbrante da história. Não houve uma falha no período de uma hora do show, marcado por referências ao passado glorioso da civilização chinesa e suas contribuições à humanidade, em especial as quatro invenções da antiguidade: o papel , a pólvora, a impressão e a bússola.
A turbulência dos dois últimos séculos de humilhação, colonização por potências estrangeiras, guerra civil e revolução comunista foram esquecidos. Não houve uma única menção a Mao Tsé-tung. A grande referência da noite foi Confúcio, o filósofo que viveu há 2.500 anos e como nenhum outro definiu a identidade chinesa. A mensagem era clara: a China do século XXI pretende resgatar a grandiosidade de seu passado imperial.
Aí vão algumas fotos da noite de ontem:
2.008 atores se preparam para iniciar a contagem regressiva da cerimônio diante do “fou”, um antigo instrumento de percussão chinês
A mesma cena com os tambores iluminados
O símbolo olímpico “flutua” no Ninho de Pássaros. Cada anel tem 10 metros de diâmetro e é iluminado por 45 mil lâmpadas LED
897 atores movimentos as colunas que representam os tipos móveis de madeira criados pelos chineses para imprimir livros nos século VII, 700 anos antes de Gutenberg
O centro do palco é ocupado pela representação da Rota da Seda, a via comercial que ligou a China ao Ocidente no passado; nas laterais estão as menções ao navegador Zheng He, o chinês que liderou grandes expedições navais quase um século antes de Colombo e Cabral
Atores formam a imagem do Ninho de Pássaros na segunda parte do espetáculo, dedicada ao período atual da China
Sustentado por cabos de aço, o ginasta Li Ning se prepara para acender a pira olímpica
A pira olímpica ilumina o Ninho de Pássaros
2012
2011
2010
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2008