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Cláudia Trevisan

10.dezembro.2008 19:28:16

A dor da distância

Entre as dores de morar do outro lado do mundo, nenhuma é tão exaustiva quanto encarar a viagem de quase 30 horas que separa Pequim de São Paulo. O esgotamento é agravado pela confusão gerada por uma diferença de fuso horário de 11 horas, que força nosso pobre organismo a inverter o ritmo a que estava acostumado e passar a dormir quando há menos de dois dias ficava acordado e pedir deseperadamente uma cama, ainda que lá fora faça um sol de meio-dia. Durante a viagem, é difícil saber quando acaba um dia e começa o outro e a qual deles pertence aquele jantar (ou será almoço?) que a comissária de bordo coloca à sua frente. As horas intermináveis dão a sensação de que há um excesso de refeições no mesmo dia, com dois almoços ou jantares ou dois cafés-da-manhã, servidos às vezes no fim da tarde.
Desta vez vim pelos Estados Unidos, com escala em Nova Iorque, andando contra o tempo. Por uma dessas maravilhas provocadas pelo avanço tecnológico, sai de Pequim na terça-feira, às 17h, e cheguei em Nova Iorque na mesma terça-feira, às 17h30. Apesar de ter passado 13 horas dentro de um avião, ainda estava no mesmo dia que havia começado na China, com apenas 30 minutos a mais. Mas terei que devolver o tempo que ganhei quando voar de volta e chegar a Pequim dois dias depois de ter embarcado em São Paulo.

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Com o maior volume de reservas internacionais do mundo, a China ultrapassou o Japão e se tornou o principal financiador do déficit norte-americano, acumulando um total de US$ 585 bilhões em títulos do Tesouro em setembro.
A consolidação da China como maior credor dos Estados Unidos evidencia a enorme dependência entre os dois países desenvolvida ao longo desta década e que é o elemento central dos “desequilíbrios globais” que levaram à crise atual.
Os norte-americanos só puderam gastar além de seus recursos nos últimos anos porque os chineses estavam dispostos a financiá-los por meio da compra de títulos do Tesouro.
O déficit em conta corrente dos Estados Unidos foi acompanhado da explosão do superávit chinês, que no ano passado atingiu 10% do PIB. Até o fim do ano, as reservas internacionais da China vão atingir US$ 2 trilhões e terão crescido US$ 500 bilhões apenas em 2008. O valor é mais que o dobro do total de US$ 200 bilhões das reservas brasileiras.
No mês de setembro, a China aumentou em US$ 43,6 bilhões o volume de títulos do Tesouro em seu poder, para US$ 585 bilhões, ultrapassando o Japão, que detém US$ 573,2 bilhões. De acordo com dados do Tesouro norte-americano, o Brasil manteve o quarto lugar entre os principais financiados dos Estados Unidos, com US$ 141,9 bilhões, abaixo da Inglaterra.
A participação da China será crucial para os Estados Unidos obterem recursos para financiar o pacote de US$ 700 bilhões de socorro ao sistema financeiro aprovado no mês passado.
O superávit comercial do país asiático com o restante do mundo é a principal fonte do crescimento de suas reservas internacionais. Em outubro, a diferença entre exportações e importações atingiu o recorde de US$ 35 bilhões.
No ano passado, o superávit da China cresceu 48% e chegou ao recorde de US$ 262 bilhões. Os Estados Unidos são o país com o qual o desequilíbrio é maior: só em 2007, o déficit norte-americano com os chineses somou US$ 256 bilhões.

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A pornografia é banida nas bancas de revista da China, mas o erotismo se esgueira sempre que pode nas páginas de jornais e revistas e é garantia de popularidade entre os leitores, inclusive das publicações realizadas pelo governo. Quem abriu a página online do jornal oficial China Daily no dia 13 de novembro viu em primeiro plano a foto do bumbum da brasileira Melanie Nunes Fronckowiak, vencedora do concurso da bunda mais bonita do mundo, realizado em Paris no dia anterior.
A imagem, que incluía uma pequena bandeira do Brasil no pulso da vencedora, foi mostrada durante todo o dia, ao lado dos destaques ao redor do mundo. Hoje, continuava entre os dez títulos mais populares entre os leitores.
Nos últimos dias, o bumbum de Melanie passou a enfrentar a concorrência do desfile de langerie da Victoria´s Secret, mostrado em 16 fotos, nas quais aparece outra brasileira, a top model Adriana Lima. O título estava em segundo lugar entre os mais clicados nos últimos dois dias, à frente do texto sobre a reunião de cúpula do G-20 em Washington.
Outro assunto que resistiu entre os primeiros colocados durante toda a semana passada foi a inauguração de um “hotel para adultos” na cidade de Nanning. A sucessão de fotos mostrava uma funcionária demonstrando como os clientes deveriam utilizar as “amenidades” oferecidas, entre as quais uma cama equipada com tiras suspensas.
A seguir, algumas das fotos publicadas no China Daily:

O bumbum da brasileira Melanie Nunes Fronckowiak
bumbum

Funcionário apresenta “amenidades” de hotel para adultos em Nanning
motel

motel1

A brasileira Adriana Lima no desfile da Victoria´s Secret
adriana lima

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O Peru deverá se tornar na próxima semana o segundo país latino-americano a assinar um acordo de livre comércio com a China depois do Chile. O tratado deverá ser assinado durante visita do presidente Hu Jintao a Lima, nos dias 19 e 20. A China tem peso crescente na pauta de exportações da região e ganhou mais relevância depois que decidiu fazer parte do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com uma contribuição de US$ 350 milhões.
O Chile assinou o Tratado de Livre Comércio com a China em outubro de 2006. Desde então, o comércio bilateral quase dobrou e o país asiático superou os Estados Unidos para se tornar o principal destino das exportações chilenas.
“Atualmente nós estamos negociando um acordo de serviços e, no próximo ano, iniciaremos as discussões para um tratado de investimentos”, afirmou ontem o embaixador do Chile na China, Fernando Reyes Malta, em encontro entre diplomatas latino-americanos e correspondentes estrangeiros em Pequim.
O país asiático é o segundo maior parceiro comercial do Peru, atrás dos norte-americanos, mas deverá em breve assumir o primeiro lugar, na avaliação do embaixador peruano, Jesús Wu Luy.
A exemplo do Brasil, Chile e Peru são grandes exportadores de matérias-primas e produtos alimentícios para a China e esperam que o país asiático amenize o impacto da recessão mundial provocada pela crise nos Estados Unidos.
Na avaliação de Malta, o pacote de US$ 586 bilhões anunciado pelo governo de Pequim no domingo poderá recuperar pelo menos parte da queda nos preços do cobre, o principal produto de exportação dos chilenos. “Nós somos os maiores produtores de cobre do mundo e a China é o maior consumidor.”
O encontro de ontem evidenciou as diferenças entre os países latino-americanos exportadores de commodities, como Chile e Peru, e aqueles que possuem uma indústria nacional que sofre diante da concorrência dos chineses. “Nós não queremos um acordo de livre comércio com a China”, afirmou o embaixador da Colômbia em Pequim, Guillermo Londono, ressaltando que seu país tem setores sensíveis como jóias, calçados, têxteis e brinquedos. A situação é parecida com a do México, cuja indústria também é ameaçada pela importação de produtos baratos da China.
Mas se não querem comércio, os dois países buscam investimentos dos chineses. Neste terreno, os colombianos saíram na frente e devem assinara no próximo fim de semana um acordo bilateral de proteção de investimentos, que dará garantias a empresas chinesas que colocarem dinheiro no país latino-americano e vice-versa.
O México busca investimentos na indústria, entre as quais a automobilística, e procura atrair mais turistas chineses. Segundo o embaixador do país em Pequim, Jorge Guajardo, os turistas chineses gastam em média três vezes mais que os norte-americanos.
Lima também busca atrair empresas chinesas. Na avaliação do embaixador Wu Luy, os investimentos do país asiático no Peru nas áreas de mineração, energia e pesca deverão somar pelo menos US$ 6 bilhões nos próximos três anos.

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Para milhões de pessoas ao redor do mundo, a eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos vai se transformar em um daqueles dias em que a História invade as nossas vidas e se mistura às memórias de caráter pessoal. Quando no futuro eu pensar no 5 de novembro de 2008, vou lembrar que era um dia ensolarado de outono e que eu estava no meu escritório em Pequim quando um alerta da CNN entrou na minha caixa de mensagens: “Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos”.
Corri para a televisão e a primeira imagem que vi na mesma CNN foi a do reverendo negro Jesse Jackson chorando em meio à multidão que celebrava a vitória democrata em Chicago, onde Obama fez seu primeiro discurso como presidente eleito.
A escolha de um negro para o principal posto de comando em um país até pouco tempo cindido pela questão racial seria relevante em qualquer lugar do mundo. Quando este lugar é a maior economia e potência global, é difícil exagerar no significado histórico da decisão. A vitória de Obama tem um enorme poder simbólico na promoção de valores como diversidade, inclusão e tolerância.
Mas o que torna esta eleição realmente relevante é a porta que ela abre para o resgate de princípios fundamentais que haviam sido ofuscados pela guerra ao terror do governo Bush e que sedimentam o “sonho americano” tanto quanto a oferta de oportunidades para todos. Os oito anos de gestão republicana enfraqueceram garantias que fazem parte da tradição política do liberalismo e foram inscritos na Declaração Universal dos Direitos do Homem, entre os quais estão a presunção da inocência, o devido processo legal, o direito de defesa e a condenação da tortura.
Os abusos cometidos pelos norte-americanos nas prisões de Abu Ghraib e Guantanamo e a defesa do uso da tortura como método legítimo de interrogação por assessores graduados do presidente Bush minaram a autoridade moral dos Estados Unidos na defesa dos direitos humanos e deram um tom de escárnio e cinismo às críticas do governo norte-americano a abusos cometidos por outros países. A eleição de Obama traz a esperança de que isso mude a partir de 20 de janeiro de 2009.

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Depois de uma semana em Xangai, nada como uma visita à zona rural para ser lembrada dos imensos desafios que a China ainda tem pela frente no processo de inclusão de seu 1,3 bilhão de habitantes na sociedade de consumo. Apesar de sua exuberância, as prósperas cidades da costa leste, como Xangai e Pequim, não representam a China real, que está nas 700 mil vilas rurais onde vive 56% da população do país _algo como 730 milhões de pessoas ou cinco vezes a população do Brasil.
Os camponeses chineses não têm aposentadoria nem assistência média gratuita e cultivam pequenos pedaços de terra de onde arrancam a golpes de enxada a subsistência de suas famílias. Quase não há mecanização e o trabalho de plantar e colher é manual. Não existe mais fome e na maioria das vilas os camponeses têm suas próprias casas, nas quais criam galinhas e porcos.
Mas sobra muito pouco nos seus bolsos ao fim de cada ano, o que empurra milhões deles à busca de empregos nas fábricas e obras de construção civil nas cidades. Um dos camponeses que entrevistei disse que ele e a mulher tiveram no ano passado um lucro de 1.800 yuans (US$ 270), o que deu a cada um deles uma renda per capita US$ 135. No mesmo período, os três filhos do casal levaram para a casa 30 mil yuans (US$ 4.411), que ganharam trabalhando como operários nas cidades.
O que evita uma migração em massa para as zonas urbanas é o sistema de registro de residência da China, que discrimina seus cidadãos entre moradores do campo e da cidade. Os camponeses enfrentam uma série de restrições para se estabelecer nas zonas urbanas, como proibição de comprar imóveis, dificuldade para matricular o filho na escola e preços maiores para utilização dos serviços de saúde. Por isso, os migrantes rurais costumam deixar a família no campo e trabalhar por períodos determinados nas cidades, ao fim dos quais retornam às origens. Aí vão algumas imagens da vida no campo chinesa:

Camponês chinês com enxada no ombro

Camponês com colheita de milho no pátio de sua casa

Casal de camponeses arruma espigas de milho

Pátio de casa de camponeses com pimenta e milho; o que a família não consumir será vendido posteriormente

Casal camponês com o neto em frente à cozinha da casa

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Como quase tudo na China, Xangai é uma cidade em mutação constante e um dos poucos lugares do mundo onde a paisagem urbana muda de um ano para o outro. O maior símbolo da ascensão econômica do país asiático é o bairro de Pudong, o centro financeiro de Xangai, que começou a ser construído há apenas 18 anos. Hoje, Pudong tem um cenário futurista, com prédios que exibem na fachada enormes telas digitais, que funcionam como imensos outdoors de publicidade em movimento ou veículos de projeção de imagens lúdicas _de peixes no fundo do mar a borboletas coloridas. A melhor definição que já ouvi da região é a do cônsul do Brasil em Xangai, Marcos Caramuru: “Em Pudong, a gente vê o futuro sem envelhecer”.
A nova aquisição do bairro é o Shanghai World Financial Center (SWFC), o mais alto prédio da China e o segundo mais alto do mundo, com 492 metros e 101 andares. O edifício fica ao lado do que antes era o mais alto da China, a Jin Mao Tower, que para mim continua a ser a mais bonita construção de Xangai, com uma estética que lembra o futuro da maneira como ele era imaginado no passado, principalmente em Flash Gordon.
Projetado pelo escritório de arquitetura Kohn Pedersen Fox, de Nova York, o SWFC tem um espaço vazado no topo, que tem o objetivo de reduzir a pressão do vento. Originalmente projetado para ser um círculo, esse item do projeto se revelou polêmico e gerou protestos entre os chineses, que viam semelhança entre o desenho e a bandeira do Japão. A associação é extremamente sensível na China, que sofreu com a invasão de seu território por tropas japonesas nos anos 30 e 40. O círculo virou um quase-retângulo, o que valeu à torre o apelido de “abridor de garrafa”. A fachada do SWFC é curva e dá ao prédio um formato totalmente distinto quando visto de lado. No topo da torre está o mais alto observatório do mundo, de onde se pode ver Pudong de cima.
Xangai é o retrato da opulência chinesa, mas é também a lembrança das gritantes contradições do país. Na minha recente visita, o que mais me chamou a atenção foi a quantidade de pessoas pedindo esmolas e dormindo nas ruas, ao lado dos monumentos que celebram a opulência chinesa. Até pouco tempo, o governo chinês conseguia manter dois mundos paralelos _o das cidades prósperas e o do campo pobre. As famílias que assediam os clientes dos caros restaurantes e os camelôs que demarcam cada esquina de Xangai são o indício de que a contenção começa a apresentar fissuras.

Pudong, o bairro que começou a ser construído há 18 anos e hoje é o centro financeiro da China (perdão pelo dia nublado)
pudong

O Shanghai World Financial Center e a Jin Mao Tower, à sua frente. Ele parece mais baixo, mas é bem mais alto, como vocês verão em uma foto abaixo
torres

A Jin Mao Tower vista do observatório do SWFC
jin mao

O SWFC visto de lado
SWFC

O observatório no 100º andar do SWFC
observatório

A fachada do SWFC
fachada

A vista de Pudong
pudong

Mulher pede esmola com a filha nas ruas de Xangai

mulher

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17.setembro.2008 13:50:35

O futuro planejado

Entre as inúmeras sensações que assaltam uma brasileira na China está a profunda frustração com a situação do Brasil quando se compara a infra-estrutura nos dois países. Enquanto o Brasil ficou mergulhado em intermináveis crises econômicas nos anos 80 e 90, os chineses aceleraram a marcha da história e transformaram a paisagem do país, com a construção de estradas, portos, ferrovias e aeroportos.

A China prevê com antecedência as necessidades futuras de sua economia e constrói as obras antes que elas sejam necessárias. Mesmo com o crescimento de 10,6% ao ano nas últimas três décadas, ninguém fala em gargalo de “infra-estrutura”, que está entre as grandes ameaças a uma expansão significativa e sustentável do PIB brasileiro. Na China não há caos aéreo ou congestionamento de caminhões em portos. Pequim inaugurou no início do ano o maior aeroporto do mundo e antes mesmo que ele começasse a operar, anunciou que construirá um novo terminal até 2012.

Anteontem eu viajei a Xangai e desci no aeroporto de Pudong, uma região que não existia antes de 1990 e hoje tem uma população de 1,6 milhão de pessoas e é o centro financeiro da China. Do aeroporto, embarquei no Maglev, o trem de alta velocidade que percorre 30 km em oito minutos. Entre os mais rápidos trens do mundo, o Maglev é movido por impulso eletro-magnético e atinge a velocidade de 431 km/h. O trajeto entre o aeroporto e uma estação de metro de Pudong sai pelo equivalente a R$ 12,50.

Nos oito minutos de viagem, pensava de maneira recorrente no antiqüíssimo projeto de ligação do aeroporto de Cumbica a São Paulo de trem, que nunca sai do papel, e na crônica incapacidade do Brasil de se preparar para o futuro.

Aí vão as fotos do Maglev, construído com tecnologia alemã:

Plataforma do Maglev no aeroporto de Pudong

Passageiros do Maglev

Velocímetro em uma das cabines mostra o aumento da velocidade do trem

O trem e o trilho sobre o qual “flutua”

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25.agosto.2008 07:26:32

O sonho de Zhang Yimou

O espetáculo de encerramento da Olimpíada de Pequim não foi tão poético quanto o de abertura, mas teve momentos memoráveis na demonstração da habilidade dos chineses em acrobacia e artes marciais.
A exaltação da grandiosidade da civilização chinesa que marcou o início dos Jogos também esteve ausente na despedida. Não houve referências aos 5.000 anos de história do país e o cineasta Zhang Yimou preferiu transmitir uma imagem alegre e amigável da nova China.
Ao lado da sofisticação dos números de acrobacia e dança, houve momentos kitsch, especialmente quando se apresentaram os cantores. Mas nada diminui a grandiosidade da festa, que teve fogos de artifício exuberantes e enormes tambores flutuantes.
Aí vão algumas imagens:

O clima de sonho criado pelo cineasta Zhang Yimou, com tambores suspensos por cabos de aço, dançarinas equipadas com 1.000 sinos de metal cada e acrobatas conduzindo rodas iluminadas
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Torre de 23 metros de altura emerge do palco central e é escalada por acrobatas. No alto, dois artistas simulam movimentos atléticos
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Depois que a Pira Olímpica foi apagada, acrobatas acenderam uma pira humana na estrutura, chamada de Torre da Memória
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Um dos desenhos feitos pelos acrobatas na torre
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Fitas são presas no alto da torre por uma das extremidades
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Cabos de aço levantam a outra extremidade para formar uma enorme flor
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Suspensos em cabos de aço, acrobatas fazem movimentos no alto do estádio
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22.agosto.2008 08:08:33

A maratona da pirataria

A maior concentração de atletas em Pequim não está nas quadras, mas no Mercado da Seda, o principal endereço da conceituada pirataria chinesa, que atrai delegações olímpicas, presidentes, primeiras-damas, ministros e até George Bush pai, para horror das empresas norte-americanas que reclamam da falsificação de seus produtos.
Localizado na principal avenida de Pequim, o Mercado da Seda é uma espécie de camelódromo vertical, distribuído em seis andares onde é possível encontrar tênis, bolsas, malas, roupas esportivas, ternos, camisas, gravatas, sapatos e relógios, nos quais estão estampadas todas as grifes internacionais _de Nike a Rolex. A seda que dá nome ao lugar ocupa um acanhado espaço no quinto andar e está longe de receber o número de compradores que vão atrás das marcas famosas com preços de camelôs.
Ônibus de turistas estacionam de maneira ininterrupta diante do edifício envidraçado inaugurado em 2005. Na frente da entrada principal, há um lugar reservado para o desembarque de atletas, dirigentes de delegações e autoridades, demarcado com placas nas quais está escrito “Olympic VIP Car Park”. Os VIPs chegam em Audis pretos identificados com o logotipo da Olimpíada de Pequim e dois guardas se encarregam de manter a ordem no movimento incessante de carros e ônibus.
Pessoas do mundo todo se acotovelam nos estreitos corredores e enfrentam a barganha com as persistentes e poliglotas vendedoras chinesas, que falam um pouco de inglês, russo, espanhol, alemão, francês e outras línguas aprendidas nas extenuantes negociações.
Os preços começam na estratosfera e podem cair a patamares ridículos se os compradores tiverem paciência e habilidade. Gravatas Ermenegildo Zegna saem por 15 yuans (menos de R$ 4), ternos Armani são arrematados por 300 yuans (R$ 70) e é possível levar bolsas Gucci a 80 yuans (quase R$ 20).
Na semana passada, o ministro dos Esportes do Sudão, Albino Akol, experimentava um terno em uma das barracas do primeiro andar. O Mercado da Seda não tem provadores e as roupas têm que ser colocadas por cima de outras roupas, enquanto o tamanho das calças é decidido com a utilização de fitas métricas. Se insistir muito, o cliente pode convencer os vendedores a improvisarem um provador com a utilização de um lençol, mas a privacidade é quase inexistente.
“Os preços são muito bons”, disse Akol ao Estadão. Chacoalhado por um conflito na região de Darfur que já deixou 300 mil mortos desde 2003 e dirigido por um governo acusado de genocídio pela comunidade internacional, O Sudão enviou uma delegação de nove atletas a Pequim.
No segundo andar do Mercado da Seda, três atletas russos que não quiseram se identificar provavam camisetas, enquanto integrantes da delegação argentina passavam pelo corredor. Na barraca ao lado, quatro turistas alemãs tentavam baixar o preço de casacos e dois suecos decidiam o que mais iriam comprar, depois de terem pago um total de 750 yuans (R$ 176) em 5 jaquetas de inverno e 640 yuans (R$ 150) por 16 camisas. “Eu não estava preparado para isso”, disse Pelle Bgorkin, que viajou pela primeira vez a Pequim com o amigo Bengt Olov para assistir às competições de luta livre e estava exausto depois da maratona de barganhas com as chinesas.
A trilha sonora do lugar é dada pelas frases de vendedoras e compradores envolvidos na negociação de preços, feita quase sempre em inglês, com a ajuda de uma calculadora. “Você está brincando!”, “Então, você diz o seu preço”, “Amigo, este produto é de boa qualidade!”, “Qual o seu melhor preço?” e assim por diante. Cifras que começam em 3.000 yuans podem facilmente cair para 150 yuans. O Mercado da Seda viveu seu dia de glória na semana passada, com a visita do ex-presidente norte-americano George Bush.
Segundo reportagem publicada no jornal oficial “China Daily”, Bush pai gastou 1.800 yuans (R$ 424) na compra de seis robes de seda, um dos poucos produtos legítimos à venda no lugar.

A seguir as imagens do excelente fotógrafo NILTON FUKUDA

O ministro dos Esportes do Sudão experimenta um terno
MINISTRO

Corredor do Mercado da Seda
corredor

Seção de calçados do Mercado da Seda
calçados

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